: : MALEITAS/ANÁLISES : : W : : .

WEB - XXX / 2016

Em jeito de comemoração pelos 30 anos e em parceria com a Larvae Productions, esta colectânea de 2 discos em vinil – branco no meu caso – revisita toda a carreira da banda portuense. Cronologicamente mas em sentido inverso, os três álbuns do quarteto nortenho são abordados nas faces A, B e C desta compilação, ficando o lado final destinado a pontuais incursões nas demos «Evil Tape» e «Promo Tape», para a participação na colectânea «The Birth of a Tragedy», à cover gravada em 2001 como tributo aos grandes Tarântula, grupo com diversas ligações aos próprios Web, ficando para o fim um excerto da seminal actuação de 1988 na Festa do Avante onde, apesar das deficientes condições, somos confrontados com a raça que a banda ainda hoje é capaz de transmitir ao vivo.
Mesmo para aqueles que já possuem toda a discografia dos thrashers do Porto, este documento vale também pelo suporte luxuosamente desenhado por Jorge Marques, vocalista dos acima citados Tarântula, criador do logo e ainda seu baterista numa fase inicial, mas ainda pela homenagem aquele que é o maior representante do ideal underground, onde cada feito, por mais simples que seja, é comemorado com o seu público como se este fizesse parte integrante do próprio colectivo. Jan-17

[ n.a. / 100 ]

 
 

WEB - Evil Tape & Promo Tape Revisited / 2016

Em jeito de comemoração pelos 30 anos dos Web e em parceria com a Larvae Productions, esta colectânea de 2 tapes revisita as antiquíssimas demos da banda portuense. Já com quase uma década de actividade em cima - sim, a banda nunca foi muito prolifera em termos editoriais - os temas de «Evil Tape» revelam uma entidade Thrash plena de pujança e dedicação ao underground onde se destacava o carisma do vocalista David Duarte e o guitarrista Victor Matos, ambos roadies dos Tarântula. «Time of Revenge», «A New Evil Kingdom», aqui em nova versão relativamente ao tema que constava na colectânea «The Birth of a Tragedy» de 92 ou «Planet of Confusion», mais tarde recuperada para o álbum de estreia, são malhas ainda hoje passíveis de serem escutadas ao vivo. A posterior «Promo Tape» revela uma maior coesão resultante das mudanças na formação, sendo a mais relevante a entrada do baixista Fernando Martins que viria posteriormente a acumular a função de vocalista no quarteto nortenho. Esta revisitação não termina sem uma seminal incursão em 1988, numa actuação na Festa do Avante onde, apesar das deficientes condições, somos confrontados com a raça que a banda ainda hoje é capaz de transmitir ao vivo.
Através de um código que vem com as k7s é possível sacar os mp3 da net. Jan-17

[ n.a. / 100 ]

 
 

W.A.S.P. - Golgotha / 2015

Seis anos de espera por um novo álbum dos W.A.S.P. é um intervalo de tempo nada comum, despertando alguma curiosidade adicional relativamente ao 15º trabalho da banda liderada por Blackie Lawless. Se há muito se perdeu a faceta Shock Rock da fase inicial ou a provocação descarada de temas como «Animal (F**k Like a Beast)», o quarteto americano foi-se mantendo em velocidade de cruzeiro, num misto Heavy / Glam muito característico, como se cada disco fosse um sucessor natural do emblemático «The Headless Children», lançado já no longínquo ano de 1989. De uma forma mais ou menos conceptual, todos os registos mais recentes possuem semelhanças notórias, sendo praticamente impossível dizer a que disco pertence um determinado tema, caso se escute a discografia em modo aleatório. Com a mesma formação desde «Dominator», entretanto o baterista Mike Dupke abandonou o posto após as gravações, a música dos W.A.S.P. permanece naquele estado mais emotivo, onde a voz de Lawless se assume como o fio condutor. Não sendo um guitarrista com o mesmo nível de empatia com Blackie como o foi Chris Holmes, Douglas Blair funciona como um excelente complemento instrumental, sendo dele alguns dos momentos mais arrepiantes e bem sacados de «Golgotha». Nov-15

[ 81 / 100 ]

 

WEB - Everything Ends / 2015

Com quase 30 anos de actividade os Web são o exemplo de persistência, sendo uma das bandas mais activas, independentemente de todas as modas, no circuito underground. Necessitando de 2 décadas para colocarem em disco temas que quase toda a gente já conhecia de cor e salteado, o hino «Mortal Soul» apareceu no desvario seguinte, mas agora o campeonato é definitivamente outro.
A começar na produção encorpada e cristalina e a terminar na sua duração, «Everything Ends» é um álbum enorme. A performance técnica do quarteto atinge níveis nunca antes ouvidos e a diversidade dos 9 temas é surpreendente. Do quase metalcore de «Leaving Scars», será talvez o momento menos unânime desta obra, ao Power / Thrash Metal mais ou menos cadenciado, é na faixa título, uma loucura delirante de quase 20 minutos (WTF!!!), que os Web atingem um patamar incrível e completamente inesperado. Não tão directo como os seus predecessores, este é seguramente dos trabalhos mais completos e competentes editados dentro do género em Portugal. Fica a dúvida como tudo isto resultará ao vivo mas, nem que seja necessário continuar a escorregar no suor e nas cervejas entornadas no soalho de qualquer sala ou num palco improvisado perto de si, vai valer sempre a pena. Mai-15

[ 86 / 100 ]

 

WATAIN - The Wild Hunt / 2013

Uma das mais proeminentes bandas de Black Metal da actualidade, volta à carga com o 5º disco de originais, capaz de causar polémica, caso actualmente isso ainda seja possível, num dos meios mais ortodoxos do espectro extremo. Os Watain, que nunca esconderam uma certa ligação aos conterrâneos Dissection, avançam com um forte registo melódico, as atmosferas habitualmente estranhas e um extraordinário desempenho por parte do guitarrista Pelle Forsberg, capaz de nos oferecer uma série de riffs e solos de grande qualidade. Algumas passagens mais eruditas e progressivas realçam o cuidado posto na experimentação e diversificação, algo que a banda sempre procurou, como aqueles toques tribais que podemos encontrar em «Outlaw», parecido com o que os Soulfly fariam caso enveredassem por estilos mais brutais. Não descurando a componente da agressividade, são os temas mais serenos que elevam a fasquia deste «The Wild Hunt», quer seja na faixa título, no instrumental apresentado lá mais para o final ou na grande pedrada no charco que é a balada semi-acústica «They Rode On», onde a faceta Bathory do trio sueco salta à vista, numa interpretação límpida e brilhante por parte de Erik Danielson. No todo, um trabalho diversificado e poderoso, saído novamente dos Necromorbus Studios. Set-13

[ 81 / 100 ]

 

WOLF - Legions of Bastards / 2011

Obviamente que o reconhecimento que os Wolf obtiveram nos últimos tempos, adjacente ao contrato celebrado com a Century Media, não é alheio ao interesse que o Heavy Metal de cariz old-school, principalmente o da década de ’80, conseguiu alcançar no mercado discográfico actual. No entanto, ao contrário das bandas que vão aparecendo de forma algo forçada dentro desta nova vaga, o quarteto sueco já possui um passado com mais de 15 anos, sendo este o seu 6º trabalho de originais.
Após um álbum nomeado para os grammys da academia sueca, «Legions of Bastards» prossegue numa linha bem NWOBHM, onde não faltam as interpretações de Niklas Stålvind numa onda Dickinson / Halford, ou passagens de guitarra e solos competentes que nos trazem à memória os tempos áureos de bandas inigualáveis como os Mercyful Fate ou os Metal Church. Apesar de todo este saudosismo saudável, é à custa de um som moderno e de uma produção encorpada que os Wolf vão atingindo parâmetros interessantes e fora do vulgar, apesar de não existirem aqui tantas malhas com a força e a energia das encontradas no seu predecessor. Apesar deste pequeno percalço, é mais do que garantido que alguns destes temas resultarão de uma forma extremamente conseguida e enérgica ao vivo. Jun-11

[ 78 / 100 ]

 

WEB - Deviance / 2011

Como um rolo compressor, os 25 anos de estrada com que o quarteto do Porto varreu o território nacional trouxeram-lhes uma força e frescura adicionais, difícil de imaginar. Não sendo uma banda muito activa em termos discográficos, «Deviance» é apenas o 2º álbum de originais, é ao vivo que a máquina melhor destila o seu som primordial, uma mescla de estilos datados no tempo, mas com uma mestria única.
Aproveitando temas mais antigos, o espectacular «Mortal Soul» é um épico, adicionam-lhes uma série de malhas menos imediatas, mas igualmente viciantes, num conjunto de músicas onde o Thrash/Power de contornos old-school, juntamente com algum som mais arrastado, proporcionam momentos de arrancar literalmente a cabeça. Em termos de execução, a dupla Victor (será que o “c” cai com o acordo ortográfico!?) / Filipe coadjuvados por uma sessão rítmica trituradora, há muito que não nos dão espaço para reclamar. Como em qualquer outra banda do género, o timbre do vocalista pode até desagradar a muita gente, mas no caso do Nando não há lugar a qualquer dúvida, o homem é só o melhor dentro da cena.
Com muito mais material na bagagem, haverá ainda mais vontade para acorrer a cada palco, cave ou fosso onde o colectivo actue… como se tal fosse necessário. Mar-11

[ 82 / 100 ]

 

WITCHERY - Witchkrieg / 2010

Tido como um dos muitos projectos paralelos de alguns dos mais conceituados músicos da praça, os Witchery voltam à carga com a entrada de Legion para o lugar até à data ocupado por Toxine, o incontornável e peculiar vocalista dos Satanic Slaughter e Scéance. Apesar desta alteração de vulto, Legion possui de facto um registo muito mais agreste e letal que o do seu predecessor e que até acaba por incutir uma onda mais Black ao colectivo, o quinteto sueco continua a debitar uma contagiante simplicidade, construindo temas crus à volta de excelentes riffs e de uma sonoridade algures entre os meandros do Death / Thrash old school. Recorrendo a uma série de insuspeitos convidados pontuais, de Kerry King a Andy LaRocque, passando por Hank Shermann e Gary Holt, só para mencionar alguns, não é de admirar que com apoios deste quilate o 5º álbum dos Witchery soe implicitamente a algumas das mais notáveis influências da banda, casos dos Exodus, Mercyful Fate, Dark Angel ou Slayer. Pese todas essas participações de peso, é nos temas onde a banda se lança sozinha que se nota uma maior incursão nos terrenos mais agrestes, distanciando-se «Witchkrieg» da antiga sonoridade Testament mas mantendo uma aura de qualidade e um desempenho fortemente assinaláveis. Ago-10

[ 76 / 100 ]

 

WATAIN - Lawless Darkness / 2010

Criado o culto à volta de «Casus Luciferi», foi com «Sworn to the Dark» que o trio sueco comandado por Erik Danielsson, ou se preferirem apenas E., arrecadou total reconhecimento por parte da crítica especializada, adquirindo ao mesmo tempo uma maior legião de seguidores, à custa de um registo em linha com o que faziam os entretanto extintos Dissection, álbum esse que seria inclusive dedicado a Jon Nödtveldt com o qual Danielsson colaborou antes do fatídico incidente.
Ao 4º registo, a música continua a soar límpida, encorpada e polida, mais uma vez cortesia dos estúdios viscerais de Necromorbus, mas sem perder ponta de agressividade, enquanto a dimensão dos temas como que duplicou, tornando-os mais intrincados e complexos, resultando num produto final de assimilação menos directa, mas de durabilidade garantida. Com um extraordinário artwork, «Lawless Darkness» transpira uma sórdida harmonia e um ambiente blasfemo de uma intensidade feroz. Ao longo de mais de 70 minutos - 80 se considerarmos a faixa bónus - de leads e riffs ininterruptos que não param de fluir através de estruturas quase orquestrais, o ritual termina com «Waters of Ain», um gigantesco e majestoso tema, que só por si vale a aquisição desta obra sangrenta e atmosfericamente negra. Jun-10

[ 84 / 100 ]

 

WHY ANGELS FALL - The Unveiling / 2010

Quem conhece o som do EP que a banda lisboeta arrancou às cinzas dos projectos Te Devm e The Children of Lir que viriam a encarnar nos Why Angel Fall, poderá estranhar bastante este registo. Certo que as influências My Dying Bride ou Anathema não se desvaneceram neste trabalho mas o caminho agora percorrido é bem mais tortuoso e arrastado, o som é significativamente mais espesso e as atmosferas sonoras vão-se repetindo até à exaustão embora o excelente desempenho das guitarras tudo faça para o contrariar. Outro aspecto muito cuidado é a temática abordada ao longo do extenso par de temas, o mais curto dos quais ultrapassa a meia hora de duração, onde correntes filosóficas deambulam sobre a natureza humana e a religiosidade impera. Essencialmente Doom, «The Unveiling» atravessa os caminhos do Drone de uma forma enleante, correndo o risco de se tornar um vício, tal o abismo de groove que se abre à nossa frente. Um desafio enorme para levar para os palcos.
Com distribuição da Bubonic Productions, aconselhamos a edição especial limitada a 100 unidades que, além de um CD bónus com remisturas e uma versão escondida, oferece-nos um interessante estudo sobre a obra em questão, num conjunto envolto num pano preto atado por uma corda, como se de algo eclesiástico se tratasse. Mar-10

[ 82 / 100 ]

 

W.A.S.P. - Babylon / 2009

A caminho das 3 décadas de existência, um punhado de excelente álbuns e acima de tudo um som inconfundível, este será o legado dos W.A.S.P., personificados num carismático, irreverente e talentoso compositor, guitarrista e interprete. Mantendo a formação que gravou «Dominator», surgem agora novos rumores que com «Babylon» se fechará definitivamente a carreira do emblemático quarteto de Los Angeles que ficará seguramente ligado à história do Heavy Metal, não só pelo tema que encabeçou a sua fase Glam Rock mas também por clássicos como «The Crimson Idol».
Recorrendo a uma analogia entre a crise financeira mundial e o apocalipse, este opus arranca de uma forma brilhante mas vai-se tornando limitado pela sua curta duração, ainda por cima contando com 2 covers que pouco ou nada contribuem para a sua valorização. Doug Blair aparenta ter cada vez maior interacção com Lawless, o que garante logo à partida uma série assombrosa de riffs, alguns leads repletos de groove e solos fantásticos, daqueles que já não se usam nos tempos actuais. Não faltando a habitual killer balad, onde Blackie se revela ainda possuidor de excelente voz, se o álbum anterior já apresentava melhorias relativamente a uma fase mais apagada, então «Babylon» está cheio de passagens próximas do estatuto que ostentam. Out-09

[ 82 / 100 ]

 

WITCHBREED - Heretic Raptvre / 2009

Saídos da mente criativa de dois mvsicos com vasta experiência no panorama nacional, os Witchbreed cedo começaram a dar cartas graças a vma das mais promissoras maqvetas lançadas nos vltimos tempos. «Descending Fires» revela vm contevdo distinto das habitvais sonoridades extremas qve brotam do nosso vndergrovnd e a qvalidade das composições da dvpla Dikk/Ares, coadjvvada pela forte presença de Rvby Roqve, a par de algvmas polémicas mais ov menos estvdadas à mistvra, colocaram desde logo certos focos de interesse a incidir sobre o qvinteto.
Três anos depois, com edição a cargo da Ascendance Records e pelas mãos do consagrado Waldemar Sorychta, eis-nos perante vma mescla pecvliar de géneros qve só por si, contorna vma série de clichés associados ao batalhão de projectos liderados por mvlheres. Ao longo do disco Rvby vai ganhando natvral destaqve, mesmo com esporádicas saídas de tom, enqvanto o resto da banda acaba por revelar vm grande desempenho instrvmental. Deambvlando entre caminhos onde o Prog e o Gothic se fvndem com a negritvde sinfónica de vm som mvito próprio, pena qve haja vma certa linearidade após vm arranqve prometedor, principalmente na falta de verdadeiras canções qve tornariam este registo nvm trabalho marcadamente svperior. Ago-09

[ 75 / 100 ]

 

WOLF - Ravenous / 2009

Numa altura em que a melancolia, a violência gratuita, as componentes depressivas e outras características de negatividade invadem as sonoridades mais extremas, é com agrado que deparamos com álbuns como este. Evitando a cópia descarada a colectivos que alcançaram o auge nos saudosos anos ’80 e que entretanto se foram extinguindo ou, salvo raras excepções, vão vegetando à volta de cadências mais progressivas e lentas, os Wolf pegam na bandeira do NWOBHM e lançam-se para a frente da batalha com outro registo de Heavy Metal brutal, repleto de excelentes canções, coros apelativos, fortes melodias, uma voz vibrante e grandiosos riffs e solos.
Mesmo alterando metade do line-up, com as entradas de Richard “Raptor” Holmgren para a bateria e do guitarrista Johannes “Axeman” Losbäck, o quarteto sueco quase brinca aos clássicos, evidenciando uma postura própria e claramente actual, muito por culpa da poderosa mistura final realizada por Roy Z. Onze grandes malhas, sólidas, simples mas extremamente eficazes, onde além do conceituado produtor que participa com uma abordagem acústica no tema «Blood Angel», temos as colaborações de Hank Shermann num dos solos do tema título e de Marc Boals que acompanha mais uma grande performance de Niklas “Viper” Stålvind em «Love at First Bite». Mar-09

[ 86 / 100 ]

 

WARREL DANE - Praises to the War Machine / 2008

«Praises to the War Machine» marca a estreia a solo de um músico que despontou no longínquo ano de 1981 nos Serpent's Knight, cimentando a sua carreira como um dos mais brilhantes e carismáticos vocalistas da cena metal numa banda emblemática como os Santuary, a qual veio a marcar a génese de uma das mais influentes entidades da última década, os enormes Nevermore.
Prescindindo dos préstimos dos colegas de longa data, Jeff Loomis apenas colabora no solo do tema «Messenger», Dane junta-se a músicos da nova vaga elaborando um álbum com conotação Nevermore mas sem aquela linha progressiva, densa e técnica a roçar os limites do Death / Thrash, bem típica da banda de Seattle. Peter Witchers (ex- Soilwork) partilha as guitarras e o baixo com Matt Wicklund (ex- Himsa) além de produzir e ajudar na composição de quase todo este disco, enquanto que a bateria fica a cargo de um outro elemento que já passou pelos Soilwork e actualmente nos Scarve, o talentoso Dirk Verbeuren. Facilmente se compreende assim a linha contemporânea deste trabalho e a sua direcção mais acessível e melancólica mas é a distinta, apaixonante e sinistra voz de Dane que se revela como o instrumento mais pujante dentro de um disco dinâmico, variado e pleno de requinte. Jun-08

[ 84 / 100 ]

 

WASP - Dominator / 2007

Três anos depois da dupla de álbuns conceptuais sobre as divindades espirituais e as seitas religiosas, Blackie Lawless vira-se agora contra o imperialismo americano, afectado pela péssima gestão interna de todas as questões provocadas pós 9-11.
Nestes 25 anos de carreira, os W.A.S.P. passaram por alguns momentos menos bons e esta última fase de lançamentos não tem sido de facto das mais felizes. Mantendo o baixista Mike Duda, recuperando pela 3ª vez o guitarrista Doug Blair e com a entrada de um novo baterista, «Dominator» é um disco que regressa às sonoridades mais agressivas e directas, aos coros inesquecíveis, sem no entanto esquecer os temas mais emotivos e introspectivos. Sente-se alguma atmosfera semelhante à encontrada em «The Crimson Idol» mas a curta duração deste trabalho, a repetição de uma das baladas em formato acústico e dois ou três temas para encher chouriços, resultam num álbum aquém das expectativas geradas após a audição das primeiras faixas, onde se antevia uma explosão de raiva suportada na voz única de Lawless.
Mesmo assim este «Dominator» é o melhor disco da banda em muitos anos. Jun-07

[ 7.5 ]

 

WATAIN - Sworn to the Dark / 2007

Não sendo uma banda com grande longevidade na cena internacional, apenas no inicio desta década lançariam o primeiro álbum, os suecos Watain desde muito cedo foram granjeando posição de destaque no submundo do Black Metal.
«Casus Luciferi» de 2003, proporcionou ao trio escandinavo um salto para um patamar superior, o que lhes conferiu embalagem para acompanhar os Dissection durante as últimas datas e actualmente andarem em digressão com os Celtic Frost.
Numa toada mais branda e com maior atenção dedicada ao groove e à construção de paredes de riffs melódicos, a primeira impressão que logo nos assalta é semelhante à provocada pela abrasiva sonoridade que uns Dissection teriam caso não tivessem flectido para uma direcção mais Death Metal. A espaços e principalmente durante os primeiros temas, uma faceta mais Darkthrone actual torna-se audível pois «Sworn to the Dark» encontra-se polvilhado de momentos Black'n'Roll a que certamente não serão alheias as influências Motörhead que a banda dificilmente consegue esconder.
A produção sacada por Necromorbus, atribui um ênfase especial à força das guitarras mas não abdica da sonoridade mais cristalina dos outros instrumentos, incluindo a voz, num registo negro e blasfemo, em mais um autêntico banho sangrento. Mar-07

[ 9 ]

 

WITCHERY - Don't Fear the Reaper / 2006

Depois de um arranque a todo o gás, os Witchery ficaram como que pendurados na disponibilidade de Sharlee D'Angelo e os seus inúmeros projectos, principalmente com os Arch Enemy, no pouco tempo livre que Patrik Jensen dispõe para lá dos The Haunted e ainda pelo facto do baterista Martin Axenrot andar em digressão com os Opeth. Assim, 5 anos após «Symphony for the Devil» chega-nos finalmente às mãos a quarta colecção de características composições Black / Thrash, com um forte groove envolvendo humorísticas histórias de terror, com o objectivo de se criarem temas simples, algo lineares mas agradavelmente contagiantes.
Aos ritmos mais Thrash construídos à volta dos riffs e solos produzidos pela dupla Jensen / Corpse, temos a sinistra voz de Toxine, num registo mais Black e que mesclados com alguns elementos Death Metal e com uma fortíssima secção rítmica liderada pelo pujante baixo de D'Angelo proporcionam um resultado devastador.
Mesmo que se encontrem alguns instantes menos inspirados e construidos um pouco à pressa, os Witchery fazem da simplicidade a sua força e não é necessário um grande esforço para sermos inadvertidamente apanhados a fazer o ‘W'. Abr-06

[ 8 ]

 

WHY ANGELS FALL - ... to the Sun / 2004 - demo

2 Anos depois de ter visto a luz do dia, a demo de estreia dos Why Angels Fall tem finalmente o seu espaço no TBA. Como mais vale tarde do que nunca:
Com experiência em defuntos projectos como os Te Devm ou os The Children of Lir, após ultrapassar um período algo conturbado em termos criativos, o vocalista e guitarrista Nero consegue finalmente reunir um quarteto capaz de pegar em 3 longos temas e descarregar para o suporte sonoro 40 minutos de melancolia, num registo predominantemente Doom, bastante atmosférico, apaixonante e profundo. Recheado de estruturas envolventes, o versátil trabalho de teclados a cargo de Miguel funciona como um excelente complemento aos riffs mais arrastados e às vocalizações amarguradas de Nero, resultando num processo lento mas muito diversificado (exceptuando uns longos minutos demasiado “drónicos” lá mais para o final).
Este trabalho mostra assim um colectivo com enorme potencial, tanto no campo instrumental como a nível lírico. Limando algumas arestas em termos de originalidade e reduzindo-se substancialmente o período de intervalo entre lançamentos discográficos, seguramente poderemos estar na presença de uma banda com um futuro muito interessante. Fev-06

[ 8 ]

 

WITHIN TEMPTATION - The Silent Force / 2004

Deve existir algum paradigma que nos faz facilmente detestar uma banda depois desta lançar um disco que realmente nos desilude tanto que nem todo o seu passado exultante é suficiente para nos demover de tamanho sentimento.
É verdade que esta sensação já se apoderou de mim por algumas ocasiões, nem tantas como isso, sempre com grupos com um passado de peso e com discografias intocáveis mas que a determinada altura resolveram enveredar por direcções no mínimo duvidosas. No entanto, nunca tal me tinha acontecido com uma banda relativamente recente, em quem depositava francas esperanças. Foi com grande alegria que vi uns novatos Within Temptation chacinar por completo um dos meus actuais ódios de estimação – os Paradise Lost, durante uma actuação no Hard Club.
Não há muito espaço para a crítica deste «The Silent Force» pois as 13 malhas, contando com os bónus, são idênticas e revelam uma confrangedora falta de identidade. Quem é bom não necessita de maneira nenhuma de se tentar colar a grupelhos de sucesso quando estes são infinitamente inferiores. Pela Sharon ... Dez-04

[ 5 ]

 

WASP - The Neon God: part 2 - The Demise / 2004

Se a paciência já não foi muita para desfrutar da primeira parte desta odisseia conceptual, não é com o capítulo final de «The Neon God» que as opiniões mudarão. Isto porque os dois registos, ainda estou para perceber porque não foram lançados ao mesmo tempo, são muito semelhantes, sendo ambos contagiosamente aborrecidos.
Se em «The Rise» a trama ainda possuía alguma acção, «The Demise» não sai do mesmo sítio, terminando com um medley de 15 minutos, baseado nos dois discos. Logo, as 2 partes valem sensivelmente a mesma coisa. Nov-04

[ 6 ]

 

WOTAN - Carmina Barbarica / 2004

Não imaginava que fosse possível existirem bandas no activo desde 88 sem qualquer disco no mercado. Mesmo no cenário mais underground, com maior ou menor dificuldade, chega-se pelo menos a um disco de autor. Só por isso se vê a persistência dos italianos Wotan ao esperar tanto tempo por este primeiro trabalho.
É claro que toda a experiência adquirida tem os seus reflexos neste disco que nos presenteia com um verdadeiro desfilar de temas épicos e autênticos hinos ao som eterno, Power Metal como se fazia por alturas da formação da banda transalpina.
O aspecto mais negativo na música dos Wotan é a estranha voz de Vanni Ceni que faz lembrar o timbre meloso de Bernhard Weiss dos Axxis e destoa no meio de tanto arsenal e vigor guerreiro.
Seguramente que «Carmina Brutalia» é composto por temas escritos há já muito tempo, pelo que será interessante verificar a evolução num segundo álbum. Out-04

[ 6.5 ]

 

WITHERING SURFACE - Force the Pace / 2004

«Force the Pace» é já o quarto longa duração da banda oriunda de Copenhaga e certamente o registo mais acelerado e directo que fizeram até hoje. Em vez de adoptarem o típico Death / Thrash praticado por inúmeros conterrâneos, denotam profundas influências pelos sons de Gotemburgo. Quem escuta Michael H. Andersen pela primeira vez, parece-lhe estar cara a cara com o vocalista dos In Flames no entanto, o som dos Withering Surface não se limita a ser um mero plágio dos "reis" do MeloDeath, ainda por cima agora que estes enveredaram por caminhos mais modernos e acessíveis.
Estamos pois perante uma devastadora parede sonora sem qualquer vocalização mais límpida e que não nos deixa espaço para respirar ao longo de uns curtíssimos 40 minutos de potência e violência maquinal.
Uma excelente produção para um trabalho bem dinâmico. Ago-04

[ 7.5 ]

 

WASP - The Neon God: part 1 - The Rise / 2004

Dividir os mais de 20 anos de carreira do grupo liderado por Blackie Lawless em 3 fases, poderá ser uma ajuda para se perceber a razão deste lançamento conceptual.
Entre 1984 - com o «Animal (Fuck Like a Beast)» - e 1987, os WASP foram uma das bandas mais perseguidas pelas instituições de censura americanas, pelo shock-rock de forte conteúdo sexual, composto essencial para os temas simples, directos e de uma energia contagiante. De «The Headless Children» (89) até «Kill,Fuck, Die» (97), enveredaram por uma faceta mais introspectiva e madura, onde o cuidado posto na composição e na mensagem se tornou a principal obsessão de Lawless. Em «Helldorado» (99) nasce um forte desejo de voltar aos primórdios mas "o outro eu", o lado mais negro e depressivo de Lawless, nunca deixou de estar à espreita.
E este primeiro disco sobre o "Neon God" é um retorno à fórmula de «The Crimson Idol», contando a história de um jovem com a capacidade de manipular as pessoas e de agregar uma multidão de seguidores que o tornarão no Messias do século XXI. O problema é que este profeta é demasiado aborrecido.

[ 6 ]

 

WASP - Dying for the World / 2002

A maneira utilizada neste registo para chamar a atenção é descrita por Blackie Lawless como uma "colecção de canções para ir matar pessoas". Aliás a leitura do livrete que acompanha o CD só dá razão a qualquer terrorista que ambiciona deitar abaixo mais dois ou três arranha céus (com os WASP lá dentro de preferência). Isto só prova o fanatismo do povo americano. Inenarrável…
Passemos à música... Este 10º trabalho na discografia da banda mantêm o nível dos últimos embora sem a garra e génio dos primeiros discos, fórmula entretanto demasiado gasta e desaconselhável para não correrem o rico de cair no ridículo, podemos encontrar aqui 3 ou 4 temas que por certo figurarão numa próxima colectânea ou registo ao vivo. Destaque ainda para um novo abandono de Chris Holmes, o incontornável guitarrista da banda.

[ 6.5 ]

 

WITHIN TEMPTATION – Mother Earth Tour / 2002 - DVD

Com apenas 2 álbuns e um EP na bagagem, eis o segundo lançamento vídeo da banda holandesa! Quem percorrer atentamente as duas rodelas poderá encontrar 12 temas gravados em 3 concertos distintos durante a digressão do galardoado «Mother Earth», mais de uma hora de cenas de Backstage (tudo em holandês) e ainda 3 videoclips. Pela repetição constante de temas como «Mother Earth» ou «Ice Queen» rapidamente se conclui que a discografia da banda não é das mais extensas e também se pode perceber que a voz divinal de Sharon Den Adel não é tão perfeita quando menos produzida. Pela comparação dos temas apresentados no 2º DVD, que poderá ser considerado um complemento ao espectáculo propriamente dito, concluímos que o som dos temas executados ao vivo está tão perfeito que só pode estar manipulado. Mas mesmo com esta sensação de logro, os ambientes sinfónicos quase celestiais e a visão da diva valem todos os €s gastos nesta relíquia.

[ 8 ]