: : MALEITAS/ANÁLISES : : V : : .

VIRGIN STEELE - Nocturnes of Hellfire & Damnation / 2015

É conhecido que a voz de David Defais é uma das mais versáteis no meio, chegando a abarcar 3 oitavas e meia numa escala que vem sendo percorrida há 35 anos. Com Edward Pursino a seu lado desde que o guitarrista substituiu Jack Starr em 1985 e com uma formação inalterável há cerca de 2 décadas, os caminhos trilhados pelos Virgin Steele atravessam enredos neoclássicos e conceptuais de dimensões épicas, no estilo das mais inspiradas metal operas, ou ainda em peças soltas onde a teatralidade potencia a amplitude do vocalista nova-iorquino. Seguindo numa direcção semelhante à das últimas propostas, o que até nem correu muito bem com «Visions of Eden», este trabalho perde-se na quantidade de temas em detrimento da qualidade, faltando-lhe alguma energia e feeling nas baladas, temas a meio gás que abundam tanto neste 13º registo, como em toda a carreira do quarteto. O facto de a produção colocar de uma forma exagerada a voz de Defais em primeiro plano, além do mais repleta de efeitos desnecessários, em detrimento do conteúdo instrumental, não abona em favor do resultado final. No entanto, nem tudo se perde em «Nocturnes of Hellfire & Damnation» uma vez que há momentos marcantes e orquestrações dignas de registo, num álbum orientado para as canções e menos dado a histórias rebuscadas. Ago-15

[ 78 / 100 ]

 

VREID - Welcome farewell / 2013

Ao V capítulo, o quarteto escandinavo flectiu para caminhos menos consentâneos com o percurso mais Black and Roll até aí trilhado e no ar pairou a duvida sobre o que se poderia passar a partir daí, sendo que a nomeação para um Grammy lhes poderia toldar algumas ideias. Apesar da capa do novo disco indiciar uma orientação distinta e existirem muitos momentos menos habituais, do Space ao Indie Rock, os Vreid regressam com um disco sólido, repleto de temas consistentes, enveredando por uma direcção um pouco mais comercial, é certo, mas coerente com o passado. Não descartando de todo a componente atmosférica, de forma mais subtil e bem longe da tentativa de colagem aos Enslaved, este novo álbum está pejado de riffs memoráveis, musicalidade e groove mas, na sua essência, continuamos na presença de Black Metal na sua vertente mais melódica, com um fortíssimo conteúdo Thrash.
Eventualmente atingindo um patamar superior de composição, a voz cortante, rasgada e profunda de Sture revela-se como uma das mais eficazes dentro do género, ao mesmo tempo que Hváll vai marcando os compassos com o seu baixo de forma consistente, enquanto os restantes elementos, todos eles provenientes dos fatidicamente extintos Windir, tomam posição na criação desta bem-vinda despedida. Mar-13

[ 79 / 100 ]

 

VERTIGO STEPS - Surface/Light / 2012

A maior virtude deste terceiro álbum da banda de Bruno A é o facto de nos possibilitar, finalmente, o acesso a toda a obra deste projecto num formato físico. A decisão de o terem feito via digital, até à data, levou-me no passado a ter efectuado a minha primeira e única compra de música on-line e, embora não me arrependa de todo, o resultado é sempre muito mais descartável e provisório.
Pela mão da cada vez mais influente Ethereal Sound Works, os Vertigo Steps mantém toda uma equipa ganhadora, não só ao nível das colaborações permanentes de músicos como Niko Mankinen, Daniel Cardoso, Stein R Sordal ou Sophie, como os elos aos tempos de Arcane Wisdom continuam perceptíveis. Em termos de composição, este registo torna-se mais directo mas ainda assim estratificado, repleto de boas canções que crescem em si mesmas, a cada nova audição. Deambulando entre territórios limítrofes ao Metal, vagueando entre atmosferas melódicas e algum peso controlado, «Surface/Light» transmite-nos serenidade e, acima de tudo, uma excelente musicalidade. Por todos os motivos a escolha só poderá recair sobre a edição especial que, além de incluir todos os trabalhos de VS num único pack, ainda nos oferece 3 belíssimos vídeos elaborados como promoção a cada um dos álbuns. Mai-12

[ 86 / 100 ]

 

VADER - Welcome to the Morbid Reich / 2011

Novo álbum dos Vader e nova revolução no line-up deste colectivo, uma entidade que cruza os caminhos do Death Metal europeu desde o longínquo ano de 1983, com Piotr Wiwczarektre ao comando deste compêndio de sons extremos proveniente do Leste. Se bem que tenham adquirido uma posição de relevo durante a última década do século passado, sempre em crescendo até ao álbum «Litany» de 2000, a banda polaca acabou por entrar em velocidade de cruzeiro e é esse tipo de atitude que transparece e se mantém neste 9º trabalho de originais.
«Welcome to the Morbid Reich» é pois um disco demasiado previsível e um pouco repetitivo, embora seja uma excelente oportunidade para mais uma tour, aproveitando assim a presença em estúdio para olearem antecipadamente a formação que, mesmo longe de possuir alguns dos prestigiados músicos que por lá já passaram, não deixa de reunir à volta de Piotr instrumentistas capazes, uma natural injecção de motivação e alguma frescura por arrasto. Sem grandes surpresas, estamos perante mais um registo de Death Metal de contornos old-school, o qual não deixará por certo de funcionar junto dos seguidores de longa data e até poderá servir de lenitivo aqueles que não apreciam o rumo que o estilo foi tomando actualmente. Set-11

[ 72 / 100 ]

 

VREID - V / 2011

Se existem álbuns que não necessitam de um olhar para trás, «V» é um deles. Desta feita o quarteto norueguês, actualmente composto na íntegra por ex-elementos dos Windir, envereda por caminhos mais experimentais, oferecendo-nos uma sonoridade progressiva e serena, certamente difícil de assimilar por muitos dos seus seguidores, ávidos de Black’n’Roll acelerado e à espera de algo muito mais directo.
Conjugando a acalmia de diversos interlúdios com vozes límpidas, passagens melódicas e ambientes atmosféricos, este trabalho progride numa direcção similar à tomada recentemente pelos Enslaved embora, aqueles riffs simples, eficazes e marcadamente black/thrash e a manutenção das vocalizações mais rasgadas ainda tenham o poder de proporcionar a este disco diversas reminiscências do passado. Mais complexo e instrumental, atingindo um nível superior ao nível de detalhe, estamos perante um registo que seguramente causará um impacto inicial pouco abonatório, mas caso lhe sejam dadas oportunidades, crescerá exponencialmente à medida que vai sendo assimilado. Fica a sensação que com 5 discos em 7 anos, esta faceta mais elaborada poderá não ser apenas um salto evolutivo, que o é sem dúvida alguma, mas sim, um momento de introspecção, próprio de um álbum intercalar. Abr-11

[ 77 / 100 ]

 

VIRGIN STEELE - The Black Light Bacchanalia / 2010

Embora tenham sido uma das primeiras bandas de Heavy Power Metal americanas, surgidas após o boom provocado pelo NWOBHM, os Virgin Steele nunca tiveram o mesmo reconhecimento de outros grupos que se foram aliando ao movimento. David DeFeis, coadjuvado pelo guitarrista Edward Pursino que cedo substituiu o fundador Jack Frost, foi orientando a sonoridade da banda para o campo mitológico, onde o carácter épico das orquestrações foi prevalecendo sobre a pompa e circunstância das habituais histórias sobre princesas e dragões. Após profundas incursões conceptuais, a banda simplifica a sua abordagem, com o romântico «Visions of Eden», sempre com aquele cunho sinfónico a que nos foram habituando.
Quatro anos depois, agora sobre o desígnio das orgias romanas e sob o domínio de Zeus, o quarteto nova-iorquino atravessa-se com 11 longas, teatrais e atmosféricas composições, assentes nos suspiros adocicados e falsetes de DeFeis, montanhas de melodia e torrentes de teclados. A espaços, tanto DeFeis como as guitarras algo adormecidas ao longo do disco, enveredam por caminhos mais pesados, não sendo, de todo, essa a principal vertente deste registo. Complexo e com a capacidade de crescer a cada audição, «The Black Light Bacchanalia» falha no que à percussão diz respeito, soando este adereço demasiado programado, retirando-lhe alguma dinâmica. Jan-11

[ 80 / 100 ]

 

VADER - Necropolis / 2009

Há mais de 25 anos que a banda liderada por Piotr Wiwczarek percorre o vasto caminho do Death Metal europeu, desta feita com um quarteto completamente renovado, incluindo a presença do guitarrista dos Decapitated “Vogg” e onde “Peter” se apresenta, desde há muitos anos a esta parte, como o único membro fundador.
Gravado em dueto com o baterista actual, entre uma vastíssima colecção de demos, singles e EPs, álbuns ao vivo e compilações, «Necropolis» é o 8º trabalho de originais dos polacos. Desprezando a cadência desenfreada dos ritmos mais actuais, o exagero dos blastbeats e algumas incursões mais Cor(e)y, a banda deambula por uma toada muito mais old-school, tecnicamente satisfatória e com recursos abundantes ao groove e a tempos mais cadenciados, caso do épico «When the Sun Drowns in Dark». O som produzido por Tue Madsen revela-se intocável mas são as vocalizações rasgadas de Piotr e o variado conjunto de riffs que ao longo de pouco mais de 30 minutos tornam esta proposta um puro sangue Vader, sendo o espírito eighties enfatizado pelas covers «Black Metal» e «Fight Fire with Fire», elaboradas como só eles sabem fazer. Na falta de temas marcantes, «Necropolis» produzirá certamente muita adrenalina durante a digressão europeia já agendada com os Marduk. Set-09

[ 73 / 100 ]

 

V/A - DOLENTIA / TUMULUM - Da Terra Que Comungamos / 2009 - split CD

Não creio que exista meio mais profícuo em demos e splits que o que advém dos meandros do Black Metal. Obviamente há razões para tal e qualquer edição deste género deve ser sempre encarada como um estado pontual ou uma etapa intercalar.
Os portuenses Dolentia tem evidenciado uma actividade regular e, principalmente desde a edição da demo «A Idade da Morte, Liturgia do Sangue e da Agonia», mostram atributos através de uma peculiar postura em público, para serem tidos em linha de conta. Ainda assim, os temas ríspidos e menos trabalhados saídos das sessões de gravação, continuam sem revelar grandes melhorias em relação ao que já fizeram.
Confesso que o primeiro impacto ao ouvir a quadra de temas dos Tumulum foi pouco abonatório. Não só pela rodagem que a banda já possui mas também pelos excelentes apontamentos da demo de estreia, a expectativa para esta nova incursão dos vimaranenses era grande e apesar de existirem momentos dignos de registo, principalmente em «Ódio», o resultado final peca por algum desequilíbrio.
Como registo de ideias ou banco de ensaios para novos caminhos compreende-se o sentido deste disco, onde prevalece um conseguido trabalho gráfico, mas exige-se mais inspiração a quem já demonstrou capacidade para voos bem mais altos. Jul-09

[ 50 / 100 ]

 

VREID - Milorg / 2009

Consequência da fatalidade que caiu sobre Terje ‘Valfar’ Bakken e que levaria à extinção prematura dos Windir, colectivo que vagueava pelas obscuras esferas do Black / Folk / Viking Metal, 3 dos elementos que o acompanhavam arrepiam caminho com novo guitarrista, chegando ao 4º álbum em pouco mais de 4 anos de actividade.
Mais uma vez subscritos à temática da resistência e ao orgulho nacionalista, «Milorg» relata, de forma conceptual, a postura do povo norueguês perante o flagelo provocado pelas agruras da Segunda Grande Guerra. Em termos instrumentais o quarteto como que retrocede rumo ao passado, perdendo um pouco do fulgor black n’roll dos trabalhos mais recentes e da aura mais punkish presente em discos como «Kraft» ou «Pitch Black Brigade». As atmosferas e a tensão encontram-se marcadas a cada espira, principalmente nos instantes mais heavy, quando se caminha em direcções mais melódicas ou nas alturas onde emerge maior dose de harmonia, em claro contraste com os momentos mais ortodoxos, donde resulta alguma linearidade.
Infelizmente este disco não atinge a plenitude do seu antecessor mas mesmo assim revela distinção e pujança, como a encontrada no tema «Speak Goddamnit», malha que no entanto fica aquém de um genial e viciante «Under Isen». Jan-09

[ 77 / 100 ]

 

VERTIGO STEPS - Vertigo Steps / 2008

Reunindo uma série de ideias concebidas nos últimos tempos, algumas delas umbilicalmente ligadas às bandas por onde tem passado, num desafiante trabalho solitário de composição e na vertigem de decidir, o músico dá um passo bem firme.
Com o objectivo de compilar as suas criações, Bruno A. aproveita todos os recursos dos UltraSoundStudios, Daniel Cardoso é o baterista de serviço enquanto Pedro Mendes sola em «Gruesome Smile», rodeando-se ainda do talentoso baixista Alexandre Ribeiro e de Niko Mankinen, vocalista dos finlandeses Misery Inc., o qual foi colaborando nos temas à distância de um click. Além de Daniel Cardoso, que já tinha trabalhado com Bruno nos Arcane Wisdom, outras aparições fazem essa ponte com o passado, como são os casos de outros elementos da banda lisboeta e de Sophie, uma versátil cantora lírica que o acompanha no projecto ambiental Understream. De referir ainda a participação de Stein R Sordal, músico que já passou pelos Green Carnation e que ajuda a abrilhantar um dos grandes temas deste registo.
Para já apenas disponível em distribuição digital, suporte cada vez mais em voga para promover ideias positivamente arriscadas, este é um trabalho multi-facetado, pintado nas mais diversas texturas e negras ambiencias e de grande qualidade artística. Dez-08

[ 86 / 100 ]

 
VREID - I Krig / 2007

Depois de ter desaparecido numa tempestade de neve, o corpo de Terje “Valfar” Bakken, líder dos carismáticos
Windir, é encontrado dias depois vítima de hipotermia. Das cinzas do colectivo nascem os Vreid, aproveitando 3 ex-elementos e com um novo guitarrista. Combinando Black Metal com Rock & Roll, entram em estúdio para gravar «Kraft» em 2004 e «Pitch Black Brigade», dois anos depois.
Baseado em poemas de Gunnar Reiss Andersen, vocalizados na língua materna, cada tema é um manifesto de exaltação ao comportamento do seu povo perante a invasão germânica durante a segunda grande guerra, assente numa componente visual que, aos olhos dos mais distraídos, remete paradoxalmente para uma filosofia próxima aos movimentos NSBM. Em «I Krig», a banda emprega doses maiores de influências Folk e tendências Viking, os tempos mudam rapidamente de velocidade e as linhas de guitarra, alternam entre a melodia e o frio cortante mas, é o baixo de Hváll que se evidencia dos instrumentos circundantes, acentuando a faceta Black'n'Roll do grupo norueguês. As vozes vagueiam entre tonalidades declamadas, a acidez Black e uma postura mais limpa, proporcionando ainda maior diversidade aos 9 temas do álbum.
Ao terceiro trabalho, a banda de Sogndal sobe para um patamar superior.
Jul-07

[ 8.5 ]

 
V/A - IRAE / SATANIZE / BLACK HOWLING / CRIPTA OCULTA / MONS VENERIS / VERMEN - Os Seis Caminhos para a Verdade / 2006 - split demo

Sendo uma das mais dedicadas editoras nacionais à causa underground, não é de estranhar que a Hell War Productions tenha já conseguido encontrar, no cada vez mais produtivo mercado nacional, material suficiente para chegar ao lançamento #28. «Os Seis Caminhos para a Verdade» é uma split tape integralmente composta por som cru, mensagens misantropicas e dor, só aconselhável a indefectíveis do género.
Vulturios com os
Irae faz novamente questão em provocar demência e agonia em cada tema registado e «Guerra» não é excepção enquanto «Ódio» dos Satanize, se revela como o momento mais sujo deste suporte. Os Black Howling encerram o lado A com «Honra», sendo que os Cripta Oculta e os Mons Veneris se embrenham na busca da verdade com «Glória» e «Sangue». Comum a estes 3 projectos temos uma série de ambientes doentios e viscerais, riffs cortante e gélidos e gritos lancinantes. No caso dos Cripta Oculta, entramos mesmo por sonoridades mais ambiciosas. Por fim os Vermen de M.V.K. e Lord Infaustum, músico que destina toda a sua raiva em várias das outras bandas ao longo do split, terminam da forma intensa com «Morte» .
6 bandas, 6 temas e 6 caminhos à escolha de 500 verdadeiros apreciadores.
Dez-06

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VIRGIN STEELE - Visions of Eden / 2006

Mais de seis anos após a dupla odisseia «The House of Atreus», os norte americanos
Virgin Steele regressam ao activo com um trabalho que segue uma direcção menos operática e bombástica, revelando-se mais simples, atmosférico e calmo.
Neste novo opus, intitulado «Visions of Eden» e com um rebuscado subtítulo «The Lilith Project – A Barbaric – Romantic Movie of the Mind» encontramos um David DeFeis assumindo cada vez mais o controlo da situação, uma vez que as vozes, orquestrações e linhas de teclados tomam conta deste disco, deixando para segundo plano as cordas e a bateria, colocadas em estratos secundários na mistura final.
Mantendo um estilo de composição dramática e emotiva, perdem-se algumas das marcantes características épicas associadas à banda, num conjunto de canções a meio gás, competentes é certo mas demasiado previsíveis. A produção a cargo do próprio DeFeis é demasiado linear e não consegue incutir na sonoridade final, a intensidade e a carga emotiva que um disco destes necessitaria.
É certo que os Virgin Steele sempre foram um grupo à margem do sucesso que atingiu outros colectivos do género, como os
Manowar ou os italianos Rhapsody e não será com abordagens deste género que a banda conseguirá maior airplay. Nov-06

[ 6 ]

 
VADER - Impressions in Blood / 2006

«The Beast», o último álbum já datado de 2004, não pode ser considerado um marco importante na carreira de um quarteto que comemora agora os 20 anos. Se o som da banda já se vinha modernizando, pode-se dizer que em «Impressions in Blood» o salto é grande. Além de alguma experimentação, eficazes passagens declamatórias, efeitos diversos e sinfónicas linhas de teclados, o grupo polaco apresenta-nos um disco incrivelmente refrescante, suportado num brutal desempenho da sua secção rítmica composta por Novy e por um cada vez mais integrado e interventivo Daray, como pano de fundo para os devaneios da caótica máquina de riffs a cargo da dupla Mauser-Peter. Com a prolongada doença de ‘Doc', que culminaria no desaparecimento do baterista de longa data, a integração de Daray tem seguramente neste registo e nas já comprovadas actuações ao vivo, uma clara confirmação.
Como não poderia deixar de ser, características e constantes mudanças de tempo, ritmos tribais, frenéticos blastbeats, solos caóticos e uma muralha de som melódico mas devastador, varrem um disco curto, técnico e intenso, onde se destacam algumas brilhantes introduções. Se o EP «The Art of War» já vaticinava algo de poderoso, a constatação neste trabalho é evidente e muito reconfortante.
Out-06

[ 9 ]

 
V/A - BRUMA OBSCURA / GORGONIAN - Inner Hell / 2006 - split demo

Neste 6º lançamento, a Hell Unleashed Records apresenta-nos um split-demo de 2 projectos que começam a dar os primeiros passos no underground mais extremo.
Liderados por Hell M., os
Bruma Obscura sofreram uma completa remodelação no line-up que reproduziu a demo «Murmúrios da Serra». Mostrando agora 2 temas vocalizados por Varg, um elemento que faz uma estreia muito positiva nestas lides mais misantrópicas sobre linhas rasgadas na língua mãe, as preocupações ecologistas de Hell M são descarregadas em sentidos e sofridos riffs, numa atmosfera fria e radicalmente granítica, onde não existe qualquer vestígio de vida saudável.
Quanto aos
Gorgonian, projecto que já tínhamos escutado na compilação «Colheita 2005», constatamos uma inflexão radical no som que Lord Quetzal nos propõe. Versando sobre a fraqueza da humanidade, cada tema dos Gorgonian arrasta-nos como que para o abismo. Ao nível da voz tudo se transforma ao depararmos com vocalizações limpas, quase faladas e envoltas nalgum reberb. O resultado é no mínimo original, revelando-nos momentos épicos e outros cheios de melancolia.
De 100 cópias numeradas manualmente coube-me o 69 e diga-se com toda a sinceridade que me satisfez plenamente.
Jul-06

[ - ]

 
VENOM - Metal Black / 2006

Seis anos depois de uma adiada ressurreição, os
Venom tentam descaradamente regressar aos tempos áureos da trilogia «Welcome to Hell» / «Black Metal» / «At War with Satan» com o recente «Metal Black». Claro que o facto de a capa ostentar um nome que é um autêntico plágio ao legado dos britânicos, coloca logo a fasquia demasiado elevada e, mesmo para o mais crente, o mais certo é soar a desilusão.
Com Mantas mais uma vez fora do trio, Mykus, guitarrista efectivo do projecto
Cronos e um ex-Cathedral, revela-se uma mais valia em termos técnicos, como já o tinha demonstrado em «Calm Before the Storm». Abaddom, o histórico baterista da banda de Newcastle, tinha sido já substituído por Antton, no álbum anterior. Restando apenas Cronos (baixo e voz) da formação original, esta incursão ao passado, deixa de ter muito sentido, mesmo com recurso a uma melhor formação.
No entanto, face aos maus trabalhos que a banda lançou na década de 90', mesmo soando a instinto de sobrevivência, este disco até pode ser uma boa aposta, se analisado de forma isolada. O sentimento old-school , o travo de NWOBHM, a crueza e as mensagens blasfemas estão lá, assim como o estilo Venom, se bem que por vezes falte alguma atitude, numa mescla de Thrash / Punk algo atabalhoada.
Mai-06

[ 7 ]

 
V/A: ARS DIAVOLI / IRAE / PENITÊNCIA / THY BLACK BLOOD - Black Throne of Disease / 2006

«Black Throne of Disease» é um lançamento da War Productions que desta feita abarca num formato repartido, 4 projectos emergentes do panorama mais extremo.
Os
Ars Diavoli são uma aposta solitária de Vilkacis dos Malleus que aqui conta com a ajuda de Lord Infaustum nas partes vocalizadas. Três temas carregados de riffs gélidos e cortantes revelam um nome a ter em conta apesar do som fraco.
Vulturius não deixa os seus créditos por mãos alheias e descarrega a sua
Irae através de 3 brutais petardos. Som glaciar e áspero entrecortado por viscerais vocalizações, como se a intenção fosse aniquilar qualquer vestígio de existência à face da terra.
A grande surpresa está reservada para o som grandioso dos
Penitência, colectivo composto por Pestilens e Devasth que já teve Nightrealm como designação. O resultado é muitíssimo bom, principalmente as malhas registadas em português. Para o final e por questões meramente alfabéticas, ficaram os Thy Black Blood, um projecto de Sepulchral Winds (aka Sabaoth) dos Flagellum Dei e que destilam ódio e destruição durante 2 momentos devastadores e blasfemos.
Mesmo não se tratando do prometido segundo volume de uma já mítica compilação, comprova-se que o Black Lvso continua de boa saúde. Sold Out obrigatório.
Abr-06

[ n.a. ]

 
V/A - Colheita 2005 / 2005

Esta colectânea de bandas de Black Metal é o segundo lançamento da independente Hell Unleashed Records que se prepara agora para distribuir
Revage, Misery Grasp e «Invoke Wrathful Lore» dos Tenebrarvm, depois de se ter estreado com «Under the Shade of the Moon» do mesmo colectivo alentejano.
E é mesmo a banda de Abnos e Mordred, com o seu som atmosférico, que abre e fecha esta compilação, com 2 temas escritos propositadamente para este suporte.
Os
Gorgonian do Porto – projecto do guitarrista Quetzalcoatl dos Wrath – fazem mesmo a sua estreia com 2 malhas de Black Metal visceral e mesmo muito cru.
Os
Infernal Kingdom, também da Invicta, presenteiam-nos com 2 faixas retiradas da demo «Frozen Empire», espalhando heresia e depressão através do vozeirão de Naamah Satana.
Os
Amphion, banda em hibernação e à qual pertence o categorizado fotógrafo José Ramos, ressuscitam 2 descargas de BlackDeath da maquete de 2001, «The Curse».
Quanto aos
Deep Odium, banda Algarvia liderada por Perverter, fazem-se representar por músicas colhidas dos misantrópicos «Mortem» e «Tetrae Tenebrae».
Na minha posse a cassete #5 de um lançamento limitado a 666 cópias, numeradas à mão e que vale cada cêntimo nela dispendido.
Jan-06

[ - ]

 

VADER - The Beast / 2004

Com uma regularidade tremenda, os polacos Vader não tem deixado de marcar presença desde que em 1992 se estrearam com «The Ultimate Incantation». A partir desse momento, Piotr "Peter" Wiwczarek & Co. procuram afincadamente um estilo próprio e sem esquecer por completo a influência Slayer, cedo se tornam numa das maiores bandas europeias de Death Metal.
Como nunca foi necessário tocar demasiado depressa para se imporem, foram dando maior atenção à execução e à força dos temas em detrimento de outros aspectos mais extremos. Nos últimos trabalhos o quarteto tem-se revelado mais cadenciado mas sem perder o carisma de outrora, com um desempenho musical, como sempre, muito bom. A produção, novamente a cargo de "Peter", é cristalina, cheia e enérgica.
Ainda com Doc a recuperar da lesão, a bateria continua muito bem entregue a Daray dos Vesania mas infelizmente "a besta" está um pouco desequilibrada. Out-04

[ 7 ]

 

VADER - Blood / 2003 - EP

Os polacos Vader sempre foram uma das bandas que esteve na linha da frente do Metal produzido no leste europeu. A criatividade é uma das características que nunca lhes faltou e já é lugar comum assistirmos ao lançamento de EP's no intervalo de edições de longa duração, álbuns ao vivo ou compilações.
"Blood" é um disco com 7 temas onde, além dos dois originais na linha do que já nos habituaram, se destaca a cover dos Thin Lizzy, intitulada «Angel of Death». Em menos de meia hora de música, 27 minutos mais precisamente, ficamos com a certeza que nos aguarda muito brevemente mais um excelente trabalho vindo destas paragens.

[ 7 ]

 

VITAL REMAINS - Dechristianize / 2003

O Death Metal extremo tem mais uma banda proveniente dos Estados Unidos a dar cartas na matéria. «Dechristianize» é um verdadeiro manancial de espiras demoníacas, um terrífico holocausto sonoro e em termos líricos, uma autêntica bíblia negra. Ao núcleo duro, composto pelo virtuoso guitarrista Tony Lazaro e pelo talentoso multi instrumentista Dave Suzuki juntou-se o Diabo em pessoa - Glen Benton, o maléfico vocalista dos Deicide.
Brutalidade e blasfémia em quantidades industriais caracterizam este dinâmico registo de enorme qualidade. Ao ritmo diabólico de Suzuki, supostamente possuído tal a velocidade que consegue imprimir às baquetas, juntam-se hipnóticas e complexas estruturas de guitarra e uma voz saída das profundezas do Inferno.
Infelizmente a produção realizada nos estúdios Morrisound parece ter falhado algures. Tudo é cristalino e muito bem definido mas é penalizado pela fraca mistura final do som da bateria, muito alto e, não raras vezes, um pouco estridente.
Os adoradores do "Bem" que se cuidem com este trio infernal.

[ 7.5 ]

 

VOIVOD / 2003

Seis anos depois da última oferta de estúdio os canadianos Voivod regressam ao activo com Denis D’Amour (guitarra), Michel Langevin (bateria) e Denis Belanger (novamente na voz depois de ter abandonado em 93). Aos três membros fundadores junta-se um baixista de peso, o ex-Metallica Jason Newsted, grande responsável pela continuação desta aventura quase destinada a um final precoce. Com um excelente som, o disco homónimo do quarteto oferece-nos 13 temas de Thrash progressivo repletos com os habituais conceitos sci-fi, que nos fazem mover hipnoticamente em órbita de espiras apoiadas em riffs com alguma cariz Cyber / Punk. Momentos progressivos de alguma (pouca) inspiração psicadélica, fazem com que este registo destoe em relação aos excelentes trabalhos lançados em finais da década de 90.

[ 6 ]

 

VADER - Revelations / 2002

São sem qualquer dúvida os líderes da cena metálica polaca e os grandes responsáveis pela sua qualidade. Por isso não será de estranhar as presenças de Nergal (Behemoth) ou de Ureck (dos Lux Occulta) neste trabalho, obviamente com orgulho para os próprios convidados.
Sem abandonarem os habituais riffs de guitarra com claras influencias Slayer, apresentam-nos aqui um disco bem pesado mas ao mesmo tempo complexo e muito bem produzido. A nota negativa vai para a sua curta duração e não fora o quase épico «Revelations of Black Moses» e este CD teria menos de meia hora. No fim fica a sensação de que foi tudo tão rápido e brutal que apetece repetir.

[ 9 ]