: : MALEITAS/ANÁLISES : : T : : .

TESTAMENT - Brotherhood of the Snake / 2016

Os álbuns mais recentes editados pela Nuclear Blast como que deram um novo fôlego a esta all-star band a comemorar 3 décadas de carreira. Com Steve DiGiorgio que já tinha gravado «The Gathering» e Gene Hogan que transita do disco anterior, tendo também participado em «Demonic», os Testament apresentam-se com uma secção rítmica absolutamente colossal. Alex Skolnick que falhou exactamente os 2 registos acima mencionados, além do desfasado no tempo «Low», sempre foi o melhor complemento para Eric Peterson, sendo que com estes 2 guitarristas juntos a máquina funciona bem melhor, totalmente afinada em velocidade vertiginosa, aquando dos solos magníficos ou nos momentos mais melódicos. Chuck Billy a cada ano que passa demonstra uma melhor performance vocal, num registo impressionante e diversificado. Composto quase integralmente por Eric Peterson, incorporando elementos Death Metal e sem espaço para baladas, ou não fosse o som mais extremo uma das suas grandes influências, «Brotherhood of the Snake» que contém uma segunda parte devastadora e uma negritude marcante ao longo de todo o disco, é mais um trabalho de uma banda que se mantém activa, pujante e em excelente forma, tal como foi fácil constatar à 2 dias atrás em pleno Coliseu do Porto. Nov-16

[ 87 / 100 ]

 

TAAKE - Stridens hus / 2014

Mantendo uma cadência de um álbum a cada três anos, Hoest investe solitariamente neste seu projecto que são os Taake. Se o disco homónimo e o mais recente «Noregs Vaapen» deixavam antever algum abrandamento, numa direcção ora mais acessível, ora por caminhos estranhos pelos quais seria impensável cruzar-mo-nos, em «Stridens Hus», o 6º longa duração de originais da banda de Bergen, trilha por cenários, inicialmente um pouco desfocados entre si mas que se vão tornando familiares à medida que aumentam as audições.
À primeira vista estamos perante um disco de Black Metal tradicional, onde não faltam atmosferas frigidas, melodias encadeadas, linhas melancólicas de guitarra e os rosnados típicos nas vocalizações, juntamente com o groove Black'N'Roll que foram absorvendo recentemente. Por outro lado, principalmente a partir da segunda metade deste álbum, proliferam algumas secções instrumentais misturadas com temas que, a espaços, adoptam uma roupagem mais Thrash ao nível dos riffs e uma intensidade Punk e que, juntando a momentos bem estranhos como por exemplo no solo de «Stank», podem transmitir alguma falta de coerência no seu todo, sensação ultrapassada de forma eficaz, como já referido, com alguma insistência. Jan-15

[ 83 / 100 ]

 

TÝR - Valkyrja / 2013

Englobando uma série de referências dentro do Heavy Metal, a música dos Týr revela-se apelativa e fatalmente enleante. Ao 7º álbum, agora pela Metal Blade, a banda proveniente das místicas Ilhas Faroe mantém-se na sua zona de conforto, com um disco repleto de energia e canções baseadas, como não poderia deixar de ser, na mitologia nórdica. Com elementos Prog, Thrash e Power Metal, o quarteto recorre frequentemente à língua materna, num registo exclusivamente limpo, com o maior destaque a recair sobre o trabalho de guitarra e os coros, quase sempre a altura mais empolgante de cada tema. Sem acordeões e flautas à mistura, a conotação folclórica que lhes é habitualmente atribuída fica-se pelos cânticos tradicionais e proveniência geográfica. Com a participação de George Kollias como baterista de serviço e pela visita de Liv Kristine para, em dueto com Heri Joensen, nos oferecer um dos momentos mais emocionantes de «Valkyrja», o disco ganha uma dimensão ainda mais global. Para o final ficam duas fantásticas versões, a dos Iron Maiden para reforçar uma das suas influências mais evidentes e a dos Pantera, mas que grande homenagem esta, a sublinhar, caso tal fosse necessário, a categoria dos Týr. A produção de Jacob Hansen é demasiado polida para o resultado pretendido. Out-13

[ 76 / 100 ]

 

TIAMAT - The Scarred People / 2012

Uma das mais influente bandas no campo do Gothic Metal, a qual chegou em tempos a ser porta estandarte de uma editora como a Century Media, alcança agora o décimo álbum em de 25 anos de actividade. Depois do fantástico «Wildhoney», sim é obrigatório falar deste magnifico registo sempre que referimos qualquer coisa feita pela banda sueca, Johan Edlund e seus pares enveredam por caminhos mais atmosféricos e experimentais, onde a agressividade praticamente se esvaneceu rumo a um Pop electrónico urbano, estilisticamente algo elaborado.
No seguimento de «Amanethes» de 2008, um trabalho mais pesado e que deixou expectativas elevadas para este novo «The Scarred People», embora não entrasse na cabeça de ninguém que fosse possível um retrocesso aos tempos Death Metal do colectivo, juntando a um tema inicial bem poderoso, coros memoráveis e linhas de guitarra características, a banda oferece-nos um disco em linha com a sua fase mais actual mas sem se esquecer daquele álbum acima mencionado, um estigma eterno. Dizer que este é o melhor conjunto de temas desde «A Deeper Kind of Slumber» não é algo que possa ser menosprezado embora muita da magia e emotividade tenha ficado há muito encerrada nos 4 primeiros capítulos de Tiamat. Nov-12

[ 79 / 100 ]

 

TESTAMENT - Dark Roots of Earth / 2012

«The Formation of Damnation» marcou de forma vincada o regresso da formação mais emblemática dos Testament ao activo e após um hiato significativo em termos de edições originais, caiu que nem um petardo num charco novamente inundado de projectos Thrash Metal. Num ano em que os OverKill e os Kreator se mostram plenos de força e ao nível do melhor que são capazes de fazer, o quinteto americano não quis ficar atrás e «Dark Roots of Earth» traz-nos a banda da Flórida em grande forma, não só a nível de line-up mas também com um punhado de boas malhas que revisitam memórias passadas.
Ganhando amplitude com o regresso de Alex Skolnick, as composições tendem a adquirir aquela mistura de brutalidade e melodia bem característica, onde não falta a habitual balada que nos remete de imediato para álbuns como «The Ritual» ou «Practice What You Preach». Gene Hoglan é o baterista mais dinâmico que já passou pela banda enquanto Chuck Billy continua detentor de uma capacidade vocal absolutamente magistral e diversificada. Com um som poderoso, o 11º álbum dos Testament é outro compêndio de Thrash Metal, suficientemente técnico e avassalador. Set-12

[ 79 / 100 ]

 

THEE ORAKLE - Smooth Comforts False / 2012

Agora com Pedro Mendes como membro efectivo, no lugar do guitarrista Romeu Dias, os Thee Orakle editam um segundo álbum repleto de ambição e musicalidade. Novamente gravado nos UltraSoundStudios, «Smooth Comforts False» volta à carga com convidados de renome, casos de Adolfo Luxúria Canibal, Marco Benevento e do repetente Yossi Sa'aron, 3 anos após «Metaphortime».
Prosseguindo por uma veia de fusão entre vários estilos, como sempre foi apanágio da banda, este trabalho resvala ainda mais para uma componente jazzistica, que atinge o apogeu quando os instrumentos de sopro entram em acção, algures presentes em temas como «Psi-Drama» e «Rescue of Mind». A participação vocal de Pedro Silva ganha maior espaço, embora o equilíbrio entre os guturais e a voz angelical de Mika continue a ser um dos atributos mais conseguidos do colectivo. Relativamente aos restantes músicos nada a apontar, uma vez que a qualidade de cada um se vai impondo a cada momento. Um pouco menos melódico e imediato que anteriormente e com uma forte componente de agressividade, já era tempo de serem reconhecidos como uma das melhores bandas do panorama nacional, num país com poucos projectos, nas áreas extremas, ao nível destes Thee Orakle. Mar-12

[ 81 / 100 ]

 

TAAKE - Noregs Vaapen / 2011

Numa fase em que o Black Metal enquistou ou degenerou para metástases Drone, onde só muita pachorra ou uma necessidade básica em se sentir actualizado com as novas tendências, ou hypes se preferirem, pode justificar a existência de um movimento que, na realidade, é baço e aborrecido de morte, poucas são as bandas que ainda se podem orgulhar de serem minimamente interessantes.
Dentro do género mais convencional, os Taake, ou melhor Hoest, vão espalhando densas baforadas de nacionalismo sob a forma de Black and Roll, recorrendo a linhas de guitarra competentes, atmosferas sinistras e melodias sempre marcantes. Secundado por músicos de valor, muitas vezes efémeros e pouco estáveis no lugar, desta feita foram passando pelo estúdio nomes consensuais como Nocturno Culto, Demonaz ou Attila Csihar, entre muitos outros, complementando da melhor forma a presença misantrópica do músico norueguês. Num universo já mais do que escrito e interiorizado, o banjo presente em «Myr» é um manancial de criatividade que, por si só, já vale muito mais do que tudo o resto que ainda se pode extrair de dentro de um estilo inapelavelmente moribundo. Mantendo a cadência de 3 anos de intervalo entre álbuns, vai ser complicado aguentar tamanha espera pela falta de alternativas. Out-11

[ 79 / 100 ]

 

TÝR - The Lay of Thrym / 2011

Percorrendo um caminho cada vez mais acessível e directo, os nórdicos Tyr chegam ao sexto trabalho de originais com uma postura algo regressiva, reconhecendo que o anterior «By the Light of the Northern Star» foi talvez o mais próximo que estiveram dos campos de batalha mainstream. Embora a primeira fase deste novo registo faça questão em preterir aquela costela folclórica e pagã com que sempre nos brindaram, a certa altura «The Lay of Thrym» recupera as atmosferas presentes em álbuns como «Ragnarok» e «Eric the Red», com memoráveis melodias executadas por um quarteto que se vai mantendo estável desde a sua formação.
Mesmo deambulando entre estruturas progressivas com um conteúdo a roçar fortemente os terrenos do Power Metal, com sonoridades mais entranháveis do que nunca, as passagens mais épicas, os coros sobrepostos e os dinâmicos arranjos orquestrais, aliados a um conteúdo lírico sempre voltado para a mitologia nórdica, agarram os Tyr a um passado, construído à custa de grande originalidade e valor.
Capazes assim de chegar a audiências mais vastas, embora aqui ou ali se sinta a falta de um hino apetecível, Heri Joensen mantém-se como a pedra basilar da equação, através de vocalizações mais Heavy e uma atitude de autêntico bardo. Jul-11

[ 78 / 100 ]

 

TARANTULA - Spiral of Fear / 2010

Os Tarantula são os percursores do movimento underground nacional, não só por terem sido a primeira banda claramente Heavy Metal portuguesa a gravar um disco, mas também pela quantidade de lançamentos saídos dos Rec‘n’Roll Studios e das centenas de músicos que ajudaram a formar. Mantendo a formação desde o longínquo «Freedom’s Call» de 1995, cinco anos após aquele que considero ser o lançamento mais equilibrado e bem gravado do quarteto liderado pelos irmãos Barros, coincidente com o facto de ter sido das poucas vezes que abdicaram da auto-produção e gravação, o grupo regressa com o seu Metal melódico, um som bem orientado para o AOR e com um desempenho técnico exemplar, por parte de todos os seus membros.
Os erros antigos ao nível da construção dos temas felizmente já não são tão vincados, embora seja sintomático verificar que é mesmo com a “simples canção” (parafraseando a própria banda) com que termina «Spiral of Fear», que se atingem os resultados mais satisfatórios ao nível de dinâmica, num interessante disco no geral, que perdura com a insistência. Ainda assim, ficamos à espera de um álbum repleto de temas eficazes, em detrimento de algumas exibições de virtuosismo, que por vezes chegam a ser aborrecidas. Ganhariam imenso com isso. Dez-10

[ 77 / 100 ]

 

TRIPTYKON - Eparistera Daimones / 2010

Se o regresso ao activo dos Celtic Frost em 2001 se revelou uma odisseia, a banda suíça rapidamente se encarregou em terminar a sua actividade, não sobrevivendo às divergências internas entre Thomas Fisher e Martin Eric Ain, parceiros desde os tempos dos Hellhammer. Após a desintegração, Tom cria de imediato os Triptykon para dar continuidade ao aclamado trabalho resultante de «Monotheist».
Recorrendo a um conjunto de temas plenos de groove e poderosos riffs, construídos gradualmente à volta de estruturas circulares, o som de «Eparistera Daimones» progride de forma pausada numa combinação estilística que varre quase todos os géneros da música extrema, extravasando em muito a ligeireza de uma etiqueta Goth / Doom. Com algumas malhas provenientes da fase Celtic Frost, o abuso de passagens monolíticas, mórbidas e obscuras e um artwork que volta a recorrer ao conceituado HR Giger, transformam-se de imediato em momentos de pura nostalgia enquanto o destaque dado às vozes femininas e a instrumentos menos convencionais, como o piano e o violino, incutem a esta obra ambiências mais melódicas e enfatizam os devaneios experimentais. Pela sua dimensão e grandiosidade, o impacto inicial poderá tornar-se demasiado penoso mas o tempo dar-lhe-á o seu verdadeiro sentido. Abr-10

[ 87 / 100 ]

 

TÝR - By the Light of the Northern Star / 2009

Se uma das virtudes que pode ser atribuída aos Týr é terem posto parte da comunidade metálica a olhar para o mapa, outra reside no seu som único que, ao fim de poucos acordes, facilmente consegue ser identificado.
Neste 5º trabalho que praticamente não deixa arrefecer o anterior «Land», a banda liderada por Henri Joensen regressa com as já tradicionais melodias locais, superstições ancestrais, lendas pagãs e mitologia guerreira. «By the Light of the Northern Star» é, no entanto, mais directo, rápido, curto e menos progressivo quando comparado com o que fizeram até à data e embora essa aparente simplicidade não elimine de forma alguma a envolvência nativa que rodeia o quarteto nórdico, o espaço dedicado às guitarras cresce em detrimento do carácter mais épico. Mesmo assim, não faltam os coros heróicos, os harmoniosos devaneios instrumentais envoltos em verdadeiros toques de classe e as aderentes melodias Viking que vão desaguar em enérgicos cânticos dedicados à vitória final.
Gravado praticamente em casa, este registo ganha dimensão internacional graças à mistura de Jacob Hansen e ao master final de Mika Jussila, apesar de se notar a falta daqueles hinos que pululavam as entranhas de «Ragnarok». Jun-09

[ 75 / 100 ]

 

THEE ORAKLE - Metaphortime / 2009

Envolto em atmosferas milenares e ambientes afro-orientais que emanam a cada espira deste primeiro álbum dos Thee Orakle, a química é empolada pela sonoridade do Buzuki - guitarra tradicional grega - de Yossi Sassi-Sa'aron, o guitarrista dos israelitas Orphaned Land, através de um bom apanhado de samples e ainda pela contribuição de 2 músicos da Escola Superior de Educação do Porto e as suas incursões de violino e flauta transversal, no encerramento desta obra conceptual.
Recorrendo ao cada vez mais frequentado UltraSoundStudios, o colectivo transmontano agora com Daniel Almeida no baixo, vai efectuando uma viagem virtual, bem ilustrada pelo trabalho gráfico da Phobos Anomaly, de uma forma bem mais agressiva e complexa que a percorrida no EP «Secret». Mesmo com um tema direccionado para as airplay charts, onde Mika desafia Daniel Cardoso num idílico dueto, este disco é um autêntico grower, suportado num fantástico trabalho de guitarras, complementado com inteligentes passagens de teclados e pelo som acústico bem sacado à bateria de Fred. A voz rasgada de Pedrão por vezes vagueia de forma errática mas a maior presença dada a Mika funciona como um fiel ponto de equilíbrio.
«Metaphortime» é um neologismo sonante que merece mesmo ser revelado. Mar-09

[ 87 / 100 ]

 

TAAKE - Taake / 2008

Indo beber influências aos primórdios do Black Metal norueguês e a alguma da música extrema dos anos 80’, os Taake - tributo ao nevoeiro que emana das 7 montanhas que cercam a região Bergen – vão expandindo a doença lançando uma série de demos, EP’s e splits com bandas tão obscuras como Amok, Vidsyn, Norwegian Evil, Urgehal ou Gigantomachy, chegando ao topo da criatividade na trilogia «Nattestid… Bjoergvin… Doedskvad», um manual de sentimentos nacionalistas, discursado em norueguês arcaico e impresso em caracteres runicos.
O álbum homónimo mantém-se dividido nas 7 míticas partes embora, desta feita, os temas tenham um nome associado. Sem comprometer o ambiente pretendido, a produção revela-se agora mais encorpada, potenciando intensidade e dinamismo a todo o disco. Com nova série de mexidas no line-up, até porque entretanto o guitarrista Corvus Corax se encontra detido, Hoest afasta-se dos seus variados projectos, entre os quais os Ragnarok e os franceses Vendigeit, concentrando-se numa atitude de misantropia sobre odes que convidam ao suicídio, envoltas em mística local. Húmidos espectros e ventos cortantes, varrem cada fiorde e escarpa litoral, criando uma sensação de permanente desconforto e gélida melancolia. Nov-08

[ 85 / 100 ]

 

THERIOMORPHIC – The Beast Brigade / 2008

TherFelizmente não foi necessário esperar uma eternidade pelo novo disco dos Theriomorphic, não se repetindo a série infindável de contrariedades que foram adiando o lançamento de «Enter the Mighty Theriomorphic». Mesmo assim, há muito que se exigia carne fresca para adicionar à imutável set list do quarteto lisboeta, com uma rodagem significativa em palco mas mais do que conhecida por todos.
Novamente em estúdio pela mão de Hugo Camarinha, músico que ainda colabora neste álbum juntamente com Sid, antigo guitarrista da banda e dos Bleeding Display, W dos Decayed e Paulo Gonçalves dos Shadowsphere, participações que apadrinham a entrada dos novos baterista e guitarrista. Com tamanha aposta em termos vocais e nas guitarras, não é de estranhar que «The Beast Brigade» seja um trabalho mais directo e cru quando comparado com o seu antecessor mas onde Jó continua a destilar Death Metal através da fusão baixo / voz.
Embrulhado num layout obscuro e invernal, a besta apresenta-se mais letal do que nunca, através de uma prestação onde a velocidade como que esmaga a melodia e a violência devasta qualquer momento de maior acalmia e sossego. E num ápice, a brigada termina o seu trabalho mortal… Out-08

[ 77 / 100 ]

 

TIAMAT - Amanethes / 2008

Não deve existir nenhum melómano de sonoridades mais extremas que não possua «Wildhoney», um disco que marcou uma geração e a viragem para um campo mais acessível e de contornos predominantemente góticos, por parte dos Tiamat.
«Amanethes» é um álbum de mudanças, um disco lançado pela Nuclear Blast e o primeiro da banda depois da sua longa estadia na Century Media, onde chegaram a ser tidos como o estandarte da editora germânica. Por sua vez, Johan Edlund instalou-se na cidade grega de Salónica, bebendo directamente da cultura mediterrânea, facto evidente não só no título de algumas das novas canções mas também nos ambientes que brotam ao longo do disco. Já é lugar comum escrever que um novo trabalho é como um regresso às raízes ou aos momentos áureos da carreira de um grupo mas sem dúvida que «Amanethes» respira alguma da agressividade patente em «Clouds» ou da magia que se pode encontrar em «Wildhoney». Os temas mais lentos remetem para a fase mais actual dos suecos, onde a melodia e as passagens atmosféricas brotam a todo o instante enquanto que alguns toques de agressividade acenam disfarçadamente aos mais saudosistas. Com produção a cargo do próprio Edlung, eis-nos perante algo superior ao que nos tem oferecido ultimamente. Jun-08

[ 77 / 100 ]

 
TESTAMENT - The Formation of Damnation / 2008

Os Testament voltaram… 9 anos após «The Gathering», num século onde apenas se assistiu a esporádicas aparições e à regravação de temas dos primeiros álbuns, demasiado tempo ainda que a banda nunca tenha dado por encerrada a sua actividade.
Numa altura em que o Thrash emerge novamente, é um disco como este que faz a ponte perfeita com o passado, como aliás já tinha acontecido antes com registos como «Demonic» ou «Low». Quanto ao actual line-up, apesar de James Murphy ter uma categoria inigualável, só Alex Sckolnick é o complemento perfeito para as deambulações escritas por Eric Peterson, sendo esta dupla inigualável como manancial de riffs, solos e linhas de guitarra com o cunho Testament. O retorno de Greg Christian para o seu lugar de sempre, é outra aquisição de peso. Quanto a bateristas, esta nunca foi uma posição muito estável por estes lados mas Paul Bostaph não poderia ser melhor escolha para completar uma sessão rítmica letal. Por fim Chuck Billy, mais forte do que nunca e aqui com uma prestação gigante, uma sumidade em lidar com vozes limpas e brutais. Como resultado, tudo é puro Thrash, um desfilar de melodia e constante devastação, numa obra-prima de engenharia comandada por Andy Sneap. Os Testament voltaram... caralho! Jun-08

[ 91 / 100 ]

 
TÝR - Land / 2008

Numa direcção ascendente desde 1998, este quarteto oriundo das ilhas Faroe e actualmente radicado na cidade dinamarquesa de Gotemburgo, cedo ultrapassou a mera curiosidade que se gerou em volta da sua proveniência, potenciando essa faceta pouco comum para construir uma aura de misticismo viking, extravasada por sentimentos pagãos, alma guerreira e enorme carácter épico.
Tendo como ponto alto o álbum anterior, a banda alinha agora pelo mesmo diapasão, oferecendo-nos um conjunto de temas que poderiam perfeitamente figurar nesse mesmo registo. Em «Land» não faltam as harmonias mais folclóricas e a emotividade, sendo que alguns trechos quase que nos exigem colaboração nos coros mais apelativos ou nos contagiantes momentos envoltos em melodias tradicionais. Outro ponto forte é a distancia que fazem questão de manter em relação a quase todos os projectos do género e ao invés de enveredarem por naturais influências do tipo Bathory, a banda flecte num sentido mais progressivo e que por vezes nos trás à memória fases da carreira de colectivos mais clássicos, como Iron Maiden ou Blind Guardian.
Excelente acompanhamento para um ritual bem regado, este disco peca apenas pela previsibilidade e colagem a um registo praticamente insuperável. Jun-08

[ 81 / 100 ]

 
THANATOSCHIZO - Zoom Code / 2008

Quatro álbuns, aos quais se pode adicionar o EP «Melégnia» editado sob a designação Thanatos e uma experiência de 13 anos adquirida através das diversas incursões em estúdio e palco, tem forçosamente de elevar o nosso nível de exigência perante o novo registo da banda de Santa Marta de Penaguião. Dito isto, adiante…
O sexteto envereda desta feita por caminhos ainda mais introspectivos, sem perder a componente Death, cada tema é invadido por passagens atmosféricas, com incursões quase jazzisticas e onde as participações especiais são uma clara mais valia, destacando-se o violino de Timb Harris dos Estradasphere em «L.», a melhor e mais bem conseguida malha do álbum. No entanto, «Zoom Code» padece de alguns males que desde sempre perseguiram o som do colectivo liderado pelo guitarrista Guilhermino Martins, sejam os jogos vocais, ambiciosos é certo mas nem sempre totalmente conseguidos, sejam algumas falhas na produção e uma mistura final demasiado flat para o seu próprio bem. Depois de um arranque muito bom, faltam momentos mais directos num álbum que funcionará muito bem em espaços mais íntimos mas em grandes auditórios obrigará a banda a recorrer a algum fundo de catálogo com o objectivo de captar toda a atenção que efectivamente merece. Abr-08

[ 75 / 100 ]

 
TUMULUM - Descanso Eterno / 2008 - demo

Entre ensaios no convento das Dominicas, esporádicas actuações ao vivo e a recolha de sons efectuada algures num estúdio localizado no submundo do CC Stop, os Tumulum desde muito cedo tiveram honras de participação em importantes eventos, como o Steel Warriors' Rebellion ou o Caos Emergente. Já em 2008, além do acidentado Extreme Metal Attack na Covilhã, a banda integrará o cartaz que acompanha nova visita dos Watain ao nosso país, num ano que se antevê ainda mais preenchido.
Após a edição de «Masmorras», uma demo lançada sob a designação Frozen Cruelty, o quarteto constituído por Vigarius, músico que acumula funções nos InThyFlesh e Acceptus Noctifer, Malevolus, Imperator e pelo baixista de sessão Gorebass, refina e aprofunda a sua base Grim Black de raiz patriótica, influenciada nas conquistas alcançadas a partir da cidade berço e cujas temáticas relacionadas com o ego e a morte servem de mote a sentidas e perfeitamente perceptíveis vocalizações em português. Com selo Skull Prod., numa gravação que só peca pela captação da bateria, os Tumulum dão um grande salto qualitativo relativamente à demo já citada, comprovando porque são actualmente uma das bandas mais promissoras dentro do género. «Névoa» ou o tema título estão aí para o demonstrar. Mar-08

[ 73 / 100 ]

 
TYPE O NEGATIVE - Dead Again/ 2007

Após uma enorme temporada na Roadrunner Records, onde inclusive foram os primeiros a conseguir um álbum de ouro e platina, à custa de «Bloody Kisses», os TON libertaram-se da camisa de forças que já os atormentava e 4 anos volvidos sobre «Life Is Killing Me», voltam à carga agora na SPV.
Com uma produção encorpada, o som deste novo registo desenvolve-se em redor de habituais referências como a melancolia depressiva, as tonalidades mais góticas e arrastadas e um balanço viciante que tornam os Type O distintos e inimitáveis. Abraçando quase 20 anos da carreira e ainda mergulhando no legado Carnivore, ao longo de quase 80 minutos de som, somos confrontados com atitude Punk, assaltos de rapidez Thrashy e devaneios em constantes mudanças de tempo, sempre desaguando em coros mais acessíveis mas sempre memoráveis. Tanta diversidade só é possível graças à mistura eficaz da agressiva e ríspida voz de Kenny Hickey com os vocais quase declamados de Peter Steele, ao mesmo tempo que se complementam em termos instrumentais na perfeição, ainda com a forte ajuda das teclas de Josh Silver. E com Rasputin a indiciar que este disco é para homens feios e de sexo vigoroso. Mai-07

[ 8 ]

 
THEE ORAKLE - Secret / 2007 - EP

Composto por sete elementos desde finais de 2004, o colectivo transmontano edita uma demo no ano seguinte, proporcionando-lhes o material necessário para se lançarem à estrada. Com a experiência adquirida, entram nos estúdios Fast Forward e pela mão de Daniel Carvalho, começam os trabalhos de «Secret», um EP em edição de autor com quase 40 minutos.
Com 3 músicas da demo completamente remodeladas, o disco abre com uma majestosa Intro para, logo seguida, a novidade «Emptyness» deitar por terra qualquer tentativa de confinar esta banda apenas ao universo Goth pois, além de algumas influências mais vincadas, destacam-se profundas sonoridades Doom / Death. A faixa homónima é daquelas que rapidamente fica no ouvido, tornando a fechar o CD, num registo mais radio friendly. As excelentes composições atingem outros patamares quando a dupla de guitarristas e as teclas decidem tomar conta dos acontecimentos, enquanto a secção rítmica se revela como um bom complemento. Os guturais de Pedro vão rasgando o ambiente em claro contraste com a melódica e certeira voz de Mika, criando diversos momentos que chegam a arrepiar.
Sem grandes favores, este é um agrupamento com enorme potencial dentro do underground luso. Abr-07

[ 8 ]

 
THERION - Gothic Kabbalah / 2007

Reinventando-se de álbum para álbum, a banda liderada pelo multi-instrumentista Christofer Johnsson, outrora uma das responsáveis pela introdução de estruturas mais operáticas e sinfónicas dentro dos sons mais metálicos, apresenta desta feita um duplo registo aparentemente menos complexo, deixando transparecer uma abordagem mais directa, raiando as fronteiras do Power Metal.
Com a eliminação dos jogos vocais protagonizados por alguns cantores líricos, os Therion recorrem à ajuda de 4 vocalistas para recriar diversas texturas ao longo de um registo conceptual, sobre runas nórdicas. Do quarteto destaca-se Mats Levén enquanto Snowy Shaw incute algum carisma às partes onde intervém. «Gothic Kabbalah» tem uma vincada sonoridade que nos remete para os anos gloriosos do Prog Rock, onde as guitarras tomam definitivamente o comando das operações embora haja ainda espaço para outros caminhos não tão lineares, caso das intrincadas estruturas sinfónicas, das melodias Folk ou, a espaços, de atmosferas densas e negras.
Mas o calcanhar de Aquiles deste duplo álbum reside nalguns dos temas do segundo disco, claramente inferiores aquilo a que os suecos já nos habituaram. Fev-07

[ 8 ]

 
TÝR - Ragnarok / 2006

Com a entrada na Napalm Records e consequente reedição de «Eric the Red», a exposição obtida pela banda oriunda das Ilhas Faroé cresceu em flecha, não só pela insólita proveniência geográfica mas pela originalidade e categoria do quarteto. «Ragnarok» pretende ser outro passo em frente, num álbum conceptual dividido em 8 capítulos, versando sobre o crepúsculo dos Deuses e a batalha final de Asgard. Abraçando diversas sonoridades, onde se destaca uma característica mistura de Viking Metal com tendências progressivas, influências nativas e ancestrais, mitologia nórdica e alguma infusão celta, o resultado é de uma musicalidade estranha que se entranha de imediato. Repleto de harmonia e curtos interlúdios instrumentais, onde o folclore local revela forte presença, cada tema corre de forma pautada, desaguando em fantásticas trilhas de melodia arrepiante. Sem grande inclinação para o Black Metal ou géneros mais extremos, os Týr aproximam-se da sonoridade épica de uns Falconer ou Doomsword, pelas firmes vocalizações de registo limpo e através de canções não muito técnicas mas com complexas estruturas a nível instrumental.
A edição digipack de «Ragnarok» inclui ainda 2 temas bónus de qualidade superior e que não destoam da magia e grandiosidade deste trabalho. Jan-07

[ 9.5 ]

 
TESTAMENT - Live in London / 2005

Logo atrás de bandas como os Metallica, Megadeth, Anthrax e Slayer, os líderes do movimentos Thrash dos anos '80, os Testament desde cedo granjearam enorme reconhecimento nos meios mais dedicados mas por diversas razões nunca alcançariam o reconhecimento a um nível mais mainstream . Sempre composto por excelentes músicos, o quinteto californiano teve no line-up de 1987- 92 a sua formação mais estável e responsável pelos trabalhos mais emblemáticos, a qual se volta a reunir já em 2001 para a regravação de alguns temas.
Este CD reproduz um espectáculo gravado numa repleta sala londrina, onde uma série de temas intemporais, soando tão ou mais potentes do que há mais de10 anos atrás, desfilam para gáudio da assistência. Do brilhante colectivo destaca-se a performance de Alex Skolnick, responsável pela execução de alguns dos solos mais melódicos que há memória neste tipo de sonoridades, que ao decidir abandonar a banda após as gravações de «The Ritual», para se dedicar a música mais introspectiva, lhes retirou alguma da essência e personalidade, características que jamais viriam a recuperar.
Com tantas compilações e álbuns ao vivo, o último disco de originais data de 99, já era mais do que altura para termos acesso a algo novo, com este ou mesmo com um outro qualquer alinhamento. Dez-05

[ 7.5 ]

 
THERIOMORPHIC - Enter the Mighty Theriomorphic / 2005

Desde há bastante tempo que o colectivo lisboeta vem preparando o lançamento do sucessivamente adiado trabalho de longa duração. Depois da demo de 2000 «The Human Masquerade», da edição entretanto abortada de «Death Almighty» e de um interregno de quase 1 ano, os Theriomorphic entram em estúdio em meados de 2004 sob a batuta de Hugo Camarinha, reunindo algum do material já composto mas não editado até há data, com o objectivo de potenciar temas que muitos já iam conhecendo das enérgicas actuações ao vivo. Com um acordo celebrado com a Exorcize Music, a banda tem de ultrapassar mais alguns atrasos até ao lançamento de «Enter the Mighty Theriomorphic», aprazado para o dia de Halloween.
A grande expectativa gerada à volta deste disco é compensada pela qualidade de um Death Metal agressivo e simultaneamente melódico e moderno. Durante cerca de 35 minutos a banda revela coesão, denotando uma mescla de influências provenientes do sempre inspirador eixo sueco / polaco mas sem perder a sua reconhecida identidade. O som apresenta-se encorpado e é claramente uma mais valia para cada tema.
Num ano repleto de edições discográficas, comprova-se assim que o underground luso vive um momento fulgurante, sendo este um álbum mais que obrigatório. Dez-05

[ 9 ]

 
TARANTULA - Metalmorphosis / 2005

Desde que se formaram em finais de 1981, os Tarantula sempre nos habituaram a longas esperas entre cada lançamento. Desta vez foram 4 anos… mas aí está «Metalmorphosis».
A assinatura do contrato com a germânica AFM Records, proporcionou à banda nortenha alguns recursos mais do necessários e já reclamados aquando de «Freedom's Call» mas foi a passagem de testemunho de Luís Barros para o produtor Tommy Newton que definitivamente direccionou correctamente o som dos Tarantula, através de injecção de poder que no passado por diversas vezes se esvaía.
Ao sétimo trabalho, os Tarantula mostram-se uma banda mais do que experiente e com um som próprio. Percorrendo regiões mais acessíveis, nos limites do AOR, «Metalmorphosis» revela-se um disco de Metal melódico de fácil digestão, muito bem executado, tanto a nível instrumental, como vocal. Além disso, a aposta numa linha mais “internacional”, retira-lhes aquela sensação terrível de alguma falta de gosto que teimava em acompanhar pequenas partes que forçosamente estragavam um todo.
Um excelente registo, talvez o mais equilibrado que a banda de Valadares protagonizou até há data. Falta-lhe agora apenas um pouco mais de peso. Ago-05

[ 8 ]

 
TRISTANIA - Ashes / 2005

Quando Morten Veland abandonou os Tristania, após o lançamento de «Beyond the Veil», para se dedicar a fundo aos Sirenia, ficou a nítida sensação que a banda norueguesa ficou algo à deriva com a perda do seu principal compositor. Em 2001, «World of Glass» veio provar que esses receios não foram de todo infundados.
Quatro anos volvidos, o septeto regressa com um trabalho repleto de agressividade, numa fusão de estilos que a principio nos apanha de surpresa. «Libre», o tema de abertura, arranca com uma gutural performance de Kjetil Ingebrethsen logo cortada pela angelical voz de Vibeke Stene e mais à frente pelo quase narrativo registo de Østen Bergøy. Aliás são os 3 vocalistas que vão desenhando a textura deste registo que deambula entre o Doom atmosférico, o Death Metal mais melódico e claro, o Gótico mais bombástico. Em termos instrumentais a energia em excesso é várias vezes amenizada com o recurso a incrustações acústicas e injeção de melancolia.
O principal problema de «Ashes» é a sua composição, o excesso de diversidade revela falta de identidade e o resultado final ouve-se com indiferença. Fev-05

[ 6.5 ]

 
THUNDERSTORM - Faithless Soul / 2004

Com uma década de existência, os Thunderstorm, trio italiano originário da cidade de Bergamo, apresentam-nos através da Dragonheart Records o terceiro álbum de originais, soturnamente intitulado «Faithless Soul».
Numa mistura de Metal clássico e épico com sonolentas estruturas Doom , a voz do também guitarrista, produtor e compositor Fábio “Thunder”, percorre as sinistras linhas rítmicas desenroladas pelo baixista Omar Roncalli e pelo baterista Attilio Coldani, trazendo-nos frequentemente à memória os tempos em que Messiah Marcolin liderava um colectivo sueco que certamente será uma das principais referências para estes transalpinos. Não raras vezes, a banda começa a acelerar e o ritmo cadenciado e lento, típico de qualquer composição dentro do género, descamba para paisagens mais coloridas e respiráveis, incutindo alguma variedade adicional aos temas que compõe esta rodela prateada.
Enquanto que os Candlemass não se decidem entre regressar em pleno ou ficar apenas por esporádicas aparições em público, o som dos Thunderstorm é um complemento vitamínico essencial para quem não suporta tão longa espera. Jan-05

[ 7.5 ]

 
TURISAS - Metal Battle / 2004

Depois de terem lançado um EP em 2001, os finlandeses Turisas fazem a estreia no formato longa duração através da Century Media, com um disco estranho e que não deixará ninguém indiferente. No rótulo afixado pela editora pode ler-se que este é o álbum debutante do ano, revelador de uma bombástica fusão de Black Metal de cariz pagão com influências Folk . Tudo muito certo mas, não há palavras suficientemente fortes para descrever a categoria deste registo fora do comum.
Ouçam-se os coros intensos e as vozes femininas, atente-se na panóplia de instrumentos tão distintos e pouco habituais como o acordeão, as flautas, o violino ou o piano, deixemo-nos cativar pela atmosfera épica e gloriosa, pelas fabulosas orquestrações e pelo ambiente medieval que abraça géneros tão dispares, do Power Metal ao folclore. Associar os Turisas aos Bal-Sagoth é demasiado redutor.
Venha daí o próximo trabalho para se confirmar se estão encontrados os sucessores ao trono do Viking Metal deixado vago pelos Einherjer. Out-04

[ 9.5 ]

 

THERION - Lemuria / Sirius B / 2004

Christofer Johnsson está de regresso, com os irmãos Niemanne mais de 170 músicos e cantores. Durante 9 meses estiveram em estúdio para as gravações de dois discos que agora nos são apresentados numa luxuosa embalagem.
«Lemuria» é um registo mais orientado para o rock/metal mas sem esquecer os já habituais coros épicos e os vocalistas de opera. Toda a parafernália sinfónica está presente para que o perfeito equilíbrio entre a música clássica e o metal não seja quebrado. Por vezes assistimos a interpretações guturais, bem Death. «Sirius B», é um álbum mais introspectivo e um excelente complemento ao seu irmão gémeo.

[ 9 ]
 

THUNDERSTONE - The Burning / 2004

Foi durante a primeira parte de um show que os Stratovarius deram no Hard Club que conheci os Thunderstone mais uma banda finlandesa de Heavy/Speed Metal. Na altura fiquei impressionado com o potencial demonstrado e prometi não os deixar escapar num próximo lançamento.
«The Burning» é o segundo trabalho do quinteto liderado por Pasi Rantanen e embora se mantenham fortemente influenciados pelos já citados Stratovarius e ainda pelos conterrâneos Sonata Arctica, notam-se alguns esforços em caminhar num sentido um pouco mais pesado mas sem perderem a melodia tão característica do género. Não sendo um poço de originalidade, este tipo de trabalhos servem na perfeição para distrair os apreciadores do estilo enquanto se aguardam por novos lançamentos. E então quando tudo é bem feito...

[ 7 ]

 

TIAMAT - Prey / 2003

O grupo que mudou a história do movimento gótico com o excepcional «Wildhoney»regressa com mais um disco de belas canções.
«Prey» é um álbum na linha do que Johan Edlund e seus pares nos tem recentemente habituado ou seja, temas de uma alegria depressiva, uma profunda melancolia tendo como pano de fundo densas atmosferas progressivas, tudo isto debitado a um ritmo lento e compassado. A novidade principal deste trabalho é a participação vocal de Sonja Brandt que dá uma maior diversidade ao produto final chegando a desempenhar um papel de relevo no melhor tema do disco «Carry Your Cross and I'll Carry Mine».
Facilmente assimilável e um pouco descartável.

[ 7 ]

 

TYPE O NEGATIVE – Life Is Killing Me / 2003

A saída de um disco da banda liderada pelo ex-Carnivore Peter Steele em pleno Verão tem algo de errado. O tipo de música praticado pelos góticos de Brooklyn é para ouvir quando as folhas caem das árvores ou então em plena estação das chuvas. No entanto, embora a depressão, o humor negro e a sensação de horror estejam bem vincados durante os quase 80 minutos de duração, nota-se aqui e ali alguma alegria embora repleta de cinismo e ironia. De resto temos a habitual mistura de hardcore/punk com orquestrações influenciadas nos The Beatles, melodias baseadas em riffs da década de 70 e bastante Doom apoiado nos excelentes vocais de Steele. Em suma, mais um registo divinal, bem diversificado e um pouco mais acessível e aparentemente positivista quando comparado com os anteriores trabalhos.

[ 9 ]

 

TOURNIQUET – Where Moth and Rust Destroy / 2003

Chamaram a atenção pelo facto de serem uma banda cristã de Power / Speed Metal proveniente de LA. Ao longo do tempo foram-se tornando mais e mais pesados e progressivos. Um autêntico torniquete para os sentidos.«Where Moth and Rust Destroys» está repleto de excertos que tanto poderiam pertencer a um registo dos Anthrax, Candlemass, Metallica, ... Ouvido na integra é óbvio que são uma das mais geniais bandas de Thrash à face do planeta. A técnica e a variedade empregue em cada tema fluem através das espiras deste CD repleto de pequenas peças épicas. Poderão ser demasiado confusas para qualquer novato mas deveras reconfortantes para os amantes do "Som Eterno" com alguma pedalada. Marty Friedman (Megadeth, Cacophony) e Bruce Franklin (Trouble) são músicos convidados para este disco e Bill Metoyer é o produtor mas o destaque vai inteiro para Ted Kirkpatrick - exímio baterista, guitarra ritmo e compositor. Se existe algo a que este disco não cheira é a bolor embora seja bem revivalista.

[ 9.5 ]

 
THERION – Live in Midgard / 2002 - LIVE                

Sempre desconfiei que os Therion apesar de serem uma excelente banda de estúdio dificilmente conseguiriam recriar ao vivo o ambiente dos seus discos, principalmente dos mais recentes onde a componente clássica é mais dominante. Para tirar a prova dos nove nada melhor do que escutar este duplo registo ao vivo que ao longo de 24 temas explora de uma forma muito bem distribuída toda a carreira da banda sueca. Gravado em diversos lugares da América do Sul e Europa, durante a digressão de «Secret of the Runes», este registo tem a virtude de nos oferecer temas tocados em recintos de diferentes dimensões dando-nos assim uma perfeita ideia do que vale a banda liderada por Christofer Johnsson ao vivo. E respondendo à minha dúvida inicial posso assegurar que é claramente nas malhas mais recentes que a sua música brilha mais graças ao excelente envolvimento de meia dúzia de cantores líricos que asseguram uma fortíssima base para a música mística dos Therion.

[ 8.5 ]

 

THEATRE OF TRAGEDY - Assembly / 2002

O auto- intitulado CD de estreia deste grupo escandinavo apresentava-nos um som melódico mas com fortes influências de Dark Metal, onde alternavam a voz gutural de Raymond Rohonni com a da bela e angelical Liv Kristine. «Aégis» foi uma passagem gótica e o salto para aquilo que o sexteto faz hoje em dia - música Pop Electrónica! Nos dois últimos registos o desempenho vocal de Raymond é apenas maquinal e falado - provavelmente devido à substituição de parte do seu cérebro por um "ship" - lamentável. A participação de Liv é muito boa mas não para quem gosta de música pesada, Roxete ou Abba dizem-vos algo?! Quanto ao resto do grupo prefiro omitir a minha opinião.

[ 3 ]

 

TIAMAT - Judas Christ / 2002

Quando em 94 gravaram o soberbo «Wildhoney», tornaram-se uma referência na cena internacional., uma pérola em qualquer discografia que se preze.
Com a perda do baixista Jonnhy Hagel, Edlund flectiu para sons mais experimentais e atmosféricos. Os dois discos que se seguiram, principalmente o primeiro, foram autênticas decepções para os fãs.
O recente trabalho segue uma orientação ainda mais comercial e Pop mas também podemos encontrar algures temas bem góticos e pesados.

[ 6.5 ]

 

TESTAMENT – First Strike Still Deadly / 2001

Os últimos anos não tem sido muito criativos para a banda da Flórida e este registo não é mais que a regravação de temas dos dois primeiros álbuns. Vale pelos executantes de luxo - Chuck Billy, John Tempesta, Steve DiGiorgio, Alex Skolnick, Eric Peterson e o outrora vocalista Steve Souza (Exodus) em dois temas.

 

[ 6.5 ]