: : MALEITAS/ANÁLISES : : S : : .

SATYRICON - Deep Calleth upon Deep / 2017

À medida que a música dos Satyricon foi adquirindo maturidade, os temas iam-se tornando mais acessíveis e comerciais mas sempre à volta de uma base bem assente no Black Metal nórdico. Álbuns como «Volcano» ou «Now, Diabolical» trouxeram o duo para uma vertente quase mainstream, a qual se viu refreada nos registos recentes, mais agrestes, épicos e crus.
Em «Deep Calleth upon Deep» essa inflexão torna-se ainda mais evidente, ao longo de 8 temas dinâmicos, que alternam passagens mais pausadas com uma súbtil fúria experimental. Numa produção baça que acentua o sentimento agreste e obscuro deste disco, as linhas de guitarra adicionam algum groove a colidir com a voz caustica de Satyr, proporcionando um conforto aparente dentro de um clima inóspito, seco e enregelado. Frost ataca por trás do seu instrumento com a destreza habitual, marcando firmemente compassos num universo onde chegam a coexistir instrumentos acústicos e de sopro por entre malhas dissonantes que parecem inacabadas. Perante um evidente grower, o todo faz mais sentido a cada nova audição, ficamos com a impressão de que há peças neste puzzle que não encaixam na perfeição e talvez esteja mesmo aqui um dos pontos mais fortes deste disco. Out-17

[ 81 / 100 ]

 

SODOM - Decision Day / 2016

Ao longo das 3 últimas décadas os Sodom foram cimentando uma carreira que, descartando uma ou outra aposta menos conseguida, lhes dá o direito de fazerem o que bem entendem. Quer seja por trilhos mais marcados, por vielas mais rasgadas ou por rampas rapidíssimas, o trio encabeçado por Tom Angelripper não vacila. Não querendo chamar à liça a restante esquadra teutónica que joga no mesmo campeonato, ok lá o voltamos a fazer…, os mais recentes trabalhos da banda germânica mantém-se num patamar que não envergonham as pequenas fortunas que se pagam presentemente no eBay pelas suas primeiras rodelas em vinil. Este é o 14º álbum e embora não mergulhe de cabeça pelos terrenos mais Punk percorridos ali pelos meados dos anos 90', o Thrash compassado sempre foi o campo onde melhor se sentiram e é isso, com algumas incursões mais aceleradas de permeio, que aqui podemos encontrar de sobra. Desde 97 como guitarrista principal, Bernemann tem em «Decision Day» mais um excelente desempenho agora coadjuvado por uma máquina de devastação permanente que é Markus "Makka" Freiwald atrás do kit. Com uma fantástica capa a cargo de Joe Petagno e produção de Cornelius Rambadt, após 2 álbuns pela mão de Waldemar Sorychta, os Sodom obviamente não se rendem. Set-16

[ 83 / 100 ]

 

SINISTRO - Semente / 2016

Ao segundo álbum os Sinistro vêem cair sobre eles uma atenção generalizada que os poderá rapidamente colocar como porta-estandarte no que à música nacional de exportação diz respeito. Patricia Andrade adicionou uma versatilidade imensa ao colectivo luso e a entrada em cena da Season of Mist fez o resto.
Por cima de um emaranhado sonoro, por vezes pesaroso mas a espaços verdadeiramente avassalador, a parte instrumental, outrora o foco do trabalho do colectivo, serve agora como uma base de apoio à voz de Patricia. A sedução e encanto que cada estrofe cantada em português confere a «Semente» potencia de forma eficaz todo o impacto que as composições poderiam apresentar isoladamente.
Em termos instrumentais os Sinistro vagueiam entre várias atmosferas mas o conjunto é tipicamente Post-Doom com laivos Gothic à mistura mas juntando a vertente vocal, o resultado final é transportado para terrenos que ultrapassam claramente as fronteiras do Metal. Adicionando uma teatralidade exuberante às actuações ao vivo, é em cima de um palco que este álbum tem o ambiente propício para ser apreciado em toda a sua plenitude, quer seja no espaço acanhado do Cave 45, no reputado Roadburn ou como banda surpresa do mais recente SWR. Mai-16

[ 82 / 100 ]

 

SLAYER - Repentless / 2015

A mudança dos Slayer para a Nuclear Blast acaba por não ter grande impacto quando comparado a tudo o que tem acontecido à banda desde a edição de «World Painted Blood» de 2009. O desaparecimento de Jeff Hanneman, o principal compositor do quarteto, uma nova saída de Dave Lombardo e o regresso de Paul Bostaph, a inclusão de Gary Holt dos Exodus como novo guitarrista e a entrega da produção deste disco a Terry Date, sem Rick Rubin aparentemente no radar, são demasiadas alterações num colectivo que até à data, salvo os arrufos de Lombardo, sempre se manteve estável. Felizmente o 11º álbum dos Slayer não desmerece quando comparado com todos aqueles que foram lançando após «Seasons in the Abyss», os da era moderna portanto, segundo os mais puristas. Numa mistura de Punk meets Thrash e o groove adquirido mais recentemente, «Repentless» é facilmente um dos melhores trabalhos que os thrashers da Bay Area gravaram este século. Não parecendo querer abrandar, graças a uma agressividade e peso assinaláveis e com Kerry King como compositor quase exclusivo, recorrendo à inata e natural violência, a um Tom Araya cheio de ódio na voz e aos riffs e standards que lhes são característicos, os Slayer acabam por vencer este round com o infortúnio de forma clara. Out-15

[ 81 / 100 ]

 
 

SANCTUARY - The Year the Sun Died / 2014

A ideia de reformular os Sanctuary começou a tomar forma antes dos Nevermore porem fim, pelo menos aparentemente, à sua brilhante carreira. Com a regresso de Warrel Dane e Jim Sheppard ao convívio do guitarrista Lenny Rutledge e do baterista Dave Budbill, retomaram-se os trabalhos que ficaram interrompidos há 25 anos atrás. Jeff Loomis ainda os acompanhou numa curta fase mas acabou por ser substituído pelo guitarrista Brad Hull ex-Forced Entry, uma banda pioneira da cena Thrash nos finais dos anos 80. Com uma produção moderna, poderosa e bastante encorpada, o resultado final transforma-se numa mistura entre o Heavy Power Metal mais cadenciado de «Into the Mirror Black» com a faceta progressiva revelada pelos Nevermore. Desenganem-se aqueles que esperavam encontrar o Thrash Metal aguçado de «Refuge Denied» aqui mas, como complemento, não faltam aquelas muralhas de riffs e grandes solos de guitarra, a emotividade vocal e uma série razoável de canções obscuras, como se impunha. Numa toada predominantemente mid-tempo, «The Year the Sun Died» é um grande álbum, independentemente do logotipo que revela na sua fachada. Nov-14

[ 82 / 100 ]

 

SATYRICON - Satyricon / 2013

Cinco anos passaram desde o final da trilogia «Volcano» / «Now, Diabolical» / «The Age of Nero», onde os Satyricon exploraram uma faceta Black N' Roll, com uma perspectiva mais elaborada, não só em termos estilísticos mas também reforçando os cuidados postos na produção. Agora em nome próprio, o duo como que regride, oferecendo-nos uma prestação mais amarga, estranha e triste, num álbum predominantemente lento. Relativamente à engenharia e efeitos de estúdio, estes revelam-se bastante menos poderosos quando comparados com os dos registos citados, embora pontualmente o recurso aos teclados e a uma factual componente de experimentação forneçam ao resultado final aquela atmosfera que se pretende. Satyr explora a sua voz de forma menos ríspida, conferindo a algumas passagens uma estranha conotação Gothic, enquanto Frost continua a revelar-se um extraordinário baterista. Pelo meio temos temas singulares, como o caso da Popish «Phoenix», a qual conta com a participação de Sivert Høyem dos conterrâneos Madrugada. No final, se exceptuarmos os momentos mais acessíveis e um ou outro tema que poderia constar da discografia mais recente, o resultado é mais visceral e difícil de assimilar do que seria expectável e, para alguns, desejável. Out-13

[ 78 / 100 ]

 

SODOM - Epitome of Torture / 2013

Numa altura em que todos os pesos pesados do universo Thrash Metal estão no activo e em grande forma, ganhando um ânimo suplementar graças à onda de revivalismo que os grupos mais recentes voltaram a trazer ao movimento, os Sodom, do alto das suas mais de 3 décadas de carreira, bombardeiam-nos como novo petardo, o 13º por sinal. Não divergindo muito das tendências bélicas apresentadas no precedente «In War and Pieces», o trio germânico apresenta-se com Markus Freiwald na bateria, antigo músico dos Despair, banda onde curiosamente também pontificou Waldemar Sorychta, novamente responsável pela moderna produção deste trabalho. Embora nunca tenham abandonado aquela faceta mais Punky, bem patente na voz rasgada de Tom Angelripper, as fundações Thrash estão mais uma vez bem presentes, num disco variado e com alguns temas candidatos, desde já, a clássicos. Guitarrista dos Sodom desde 1997, Bernemann varre «Epitome of Torture» com enérgicas descargas de melodia e excelentes riffs, o já citado "Makka" desunha-se lá atrás, num manancial de pura pancadaria enquanto Angelripper permanece fiel a si mesmo, uma razão mais do que suficiente para os manter como um dos ícones do metal teutónico.
Não é um «M-16», muito menos um «Agent Orange», não mata, mas mói. Jun-13

[ 81 / 100 ]

 

SATURNUS - Saturn in Ascension / 2012

Vagueando nas ondas do Doom Death de contornos mais góticos, os Saturnus sempre viveram na sombra, nunca chegando a atingir o mediatismo de bandas como os My Dying Bride. Com mais de 20 anos de carreira, a banda dinamarquesa continua numa direcção fúnebre, cujo 4º álbum de estúdio dificilmente irá contornar.
«Saturnus in Ascension» emerge ao longo de intermináveis composições num marasmo de tristeza, depressão e melancolia e nem a beleza proporcionada pela maior parte das passagens de guitarra chega para nos arrancar a amargura transmitida pelas atmosferas reinantes. Thomas A.G. Jensen, único membro presente desde a fundação, apesar de algumas lacunas vocais, consegue recriar ambientes diversos à custa de guturais rasgados e declamações mais pausadas, enquanto que as vocalizações femininas aparecem nos momentos de maior climax, para puxar à lágrima. Malhas acústicas proporcionam alguma diversidade difícil de encontrar em discos do género mas é sem dúvida o desempenho de Rune Stiassny, responsável pelos teclados, arranjos e leads de guitarra que lhes incute uma outra dimensão. Com produção a cargo do reputado Flemming Rasmussen, o disco termina num regresso a '94, de forma ríspida mas nem assim tão distante do cenário actual. Jan-13

[ 82 / 100 ]

 

SAINT VITUS - Lillie: F-65 / 2012

A decisão de realizar alguns espectáculos em 2003 foi o rastilho para fazer com que uma das mais clássicas e influentes bandas que há memória nos doomínios do som mais arrastado tenha voltado ao activo. Nem a morte de Armando Acosta, membro formador e desde sempre o homem por trás da secção rítmica dos Saint Vitus, agora superiormente substituído nas peles pelo experiente Henry Vasquez, refreou os ânimos ao trio composto por Mark Adams, Dave Chandler e pelo regressado e cada vez mais activo Scott "Wino" Weinrich.
18 anos após «Die Healing» e um quarto de século depois do grandioso «Born Too Late», um álbum que seria provavelmente gravado com o mesmo line-up não fosse o referido infortúnio, o retorno do quarteto da California não deixa de fazer todo o sentido, não só pela onda revivalista que nos assola actualmente mas, essencialmente, pelo facto deste novo trabalho evidenciar todas as características basilares do género em si. Embora com pouco mais de meia hora de duração, «Lillie: F-65» funciona não só como um valoroso anti-depressivo como engloba também uma série de riffs e passagens alucinógenas bebidas às influências nunca escondidas e autênticas pérolas retiradas ao próprio fundo de catálogo. Vai uma passa? Abr-12

[ 83 / 100 ]

 

SECRETS OF THE MOON - Seven Bells/ 2012

Não apenas circunscrito aos países nórdicos, o Black Metal possui outras correntes disseminadas pelos diversos recantos do velho continente que, alinhando com a vertente mais ou menos ortodoxa, trazem ao género alguma da frescura e amplitude que de outra forma não seria de todo possível. Os germânicos Secrets of the Moon seguem uma direcção mais ambiental, onde a componente temporal parece não fazer sentido e as atmosferas dissonantes como se que misturam com texturas de uma intensidade quase hipnótica. «Seven Bells» não foge muito ao que a banda já fez em álbuns como «Antithesis» e «Privilegium», um crescendo de obscuridade que varre, durante praticamente uma hora, composições estruturadas de forma minimal, uma sonoridade a lembrar os registos mais recentes dos Celtic Frost ou dos Triptykon, não fossem Tom G Warrior ou V. Santura os responsáveis pela mistura e masterização deste registo. Com uma panóplia de convidados à volta dos registos vocais, a cada uma das sete badaladas, o trio liderado por sG continua a revelar uma apreciável faceta sofisticada, difícil de encontrar dentro do género. Negatividade, falta de luz, misantropia e melancolia são algumas das características de um disco um pouco mais áspero que os seus antecessores. Abr-12

[ 86 / 100 ]

 

SODOM - In War and Pieces / 2010

Numa altura em que o Thrash Metal volta a ser um estilo em voga, não tem sido, salvo raras excepções, a catrefada de bandas surgidas recentemente e muito menos a tentativa comercial em posicionar uns enferrujados Big-Four à frente dos holofotes, que mais tem contribuído para dar crédito ao movimento. Como quem não quer a coisa, a falange teutónica vai colocando álbuns no mercado, comprovando a saúde de bandas como Destruction ou Kreator, cuja postura está acima de qualquer moda ou tendência fabricada pela industria. Ora assim sendo, os Sodom e este 12º álbum de originais, não poderiam ficar à margem desta situação.
E «In War and Pieces» arranca de forma avassaladora, comprovando que a banda de Tom Angelripper recomenda-se mesmo que numa segunda parte mais pausada, um pouco à semelhança do que já tinham feito por alturas de «Agent Orange» ou «Better of Dead», o trio enverede por um registo mais Rock e técnico, tentando chamar a atenção daqueles que normalmente nem sequer são os seus actuais consumidores. A produção de Waldemar Sorychta revela-se algo polida e resulta bastante bem nos temas mais lentos, embora se perca aquela rispidez exigível nas malhas a rasgar. No final fica-nos um disco atípico, mas repleto de excelentes momentos. Jan-11

[ 79 / 100 ]

 

SLAYER - World Painted Blood / 2009

Numa época de revivalismo thrash, onde maioritariamente proliferam grupos de laboratório a recorrer às demos dos Exodus, continuam a ser as grandes glórias do passado, mesmo sem a frescura de outrora, os porta estandartes do movimento. Enquanto os Testament e os Megadeth acabaram por lançar grandes álbuns e os Metallica um disco que acolheu opiniões divergentes, chega a vez dos Slayer abrirem o livro, constando que os Anthrax andam por aí também a preparar qualquer coisa.
Com Tom Araya em plano de destaque, secundado pelo talentoso Dave Lombardo, o groove é o fio condutor entre a velocidade total e uma cadência mais pausada, desiderato que não chega para colmatar alguma falta de inspiração ao nível dos riffs e solos sacados pela dupla King / Hanneman. Rude, agressivo, com uma produção old-school mas que abafa pormenores relevantes, principalmente ao nível da bateria que ainda assim aparece demasiado elevada nas misturas finais, este registo ganha outra dimensão quando funciona como banda sonora ao filme animado fornecido em separado. Estamos pois perante um disco moderno e sólido, ao nível das propostas mais recentes e com espaço aberto à experimentação mas que transparece algum cansaço e não evidencia toda a força de outros tempos. Nov-09

[ 77 / 100 ]

 

SECRETS OF THE MOON - Privilegivm / 2009

Sem membros originais na formação, uma vez que Daevas abandonou o colectivo após «Antithesis», os germânicos Secrets of the Moon vão-se mantendo activos recorrendo a uma curiosa fórmula evolutiva que emana misantropia e muito carácter.
Circulando pelos meandros do Doom mas ocasionalmente invadindo os terrenos do Death Metal, «Privilegivm» é um álbum que revela uma assombrosa diversidade na composição, onde raramente se repetem atmosferas sonoras, independentemente da longa duração associada a cada tema. Enquanto sG deambula entre registos clamados, profundos devaneios e esgares arranhados, é sobre uma base instrumental quase mística e negra, quer através de jogos de riffs ou estranhos interlúdios de teclas executados pelo próprio, que a secção rítmica composta por T. Thelemnar e LSK, a baixista francesa dos Hell Militia e que já passou por bandas como Antaeus ou Corpus Christii, vai marcando o ritmo de forma conscientemente descontrolada. Recorrendo à distorção e a artifícios mais experimentais, é interessante deparar com uma paleta de estilos diametralmente opostos que se enlaçam nos anteriormente referidos e que do Black ao Avant Garde, do Drone aos Pink Floyd, se reflectem num trabalho maduro, por vezes melancólico mas a todos os níveis notável. Out-09

[ 87 / 100 ]

 

SATYRICON - The Age of Nero / 2008

A entrada dos Satyricon para a Roadrunner e o consequente lançamento de «Now, Diabolical», um registo a roçar os limites do mainstream, como que lhes retirou credibilidade à luz dos conceitos e expectativas dos fãs da velha escola nórdica.
Combinando passagens gélidas com uma sonoridade mais contemporânea, os riffs dissonantes e a voz macabra de Satyr sobre um exímio, clínico e letal trabalho de bateria, com a ajuda de cirúrgicos ambientes criados com recurso aos teclados em pano de fundo, transportam-nos para negras e sinistras paisagens ancestrais. A produção é dividida com Joe Baresi, reflectindo neste disco uma faceta mais agreste e directa quando confrontada com propostas mais recentes, sem no entanto se perder a postura black’n’roll e o groove encontrado em álbuns como «Volcano». Alguns dos 8 temas de «The Age of Nero» apresentam uma duração mais longa, conferindo-lhes um carácter épico e envolvente, contrastando com a velocidade das malhas onde Frost ataca o duplo-bombo com vontade de não voltar a parar.
De referir ainda a secção de metais presente no estranho «Den Siste», um tema deveras experimental com que se encerra este álbum e ainda para a edição em duplo CD que contém alguns extras que justificam mais um pequeno investimento. Nov-08

[ 79 / 100 ]

 
 

SACRED SIN - Dawn Over Desolation / 2007 - EP

A «Promo Tape 91'», o single «The Shades Behind» e o CD «Darkside» fazem parte da história do underground luso, proporcionando aos Sacred Sin uma interessante e rápida ascensão que culminou no feito de serem a primeira banda nacional a passar um vídeo no carismático Headbangers Ball, da então cada vez mais poderosa MTV. Os discos seguintes foram-lhes consolidando a carreira, até que em 1999 deu-se a cisão com Tó Pica, guitarrista original e elemento preponderante nas tarefas de composição. As infindáveis alterações de line-up, um contrato com a Demolition Records que deu origem a 2 álbuns praticamente sem distribuição e alguma quebra de qualidade, enunciavam a desde sempre prevista caminhada para a “morte”.
«Dawn Over Desolation» é um EP de 6 temas, auto-produzido e gravado no verão de 2006 e que serve como marco comemorativo para os 15 anos da banda liderada por José Costa. Composto por 2 versões de temas emblemáticos e uma cover dos Morbid Angel, é nos mais recentes, principalmente no que dá o título a este suporte, que se poderão antever novos voos para a banda de Sintra. Aproveitando o que a tecnologia tem para oferecer, em detrimento de um som datado e fatalmente cansativo e a experiência que inegavelmente possuem, alcançarão tal desiderato. Jan-08

[ 66 / 100 ]

 

SIGH - Hangman's Hymn / 2007

Numa altura em que tudo parece inventado e as novas correntes não passam de inteligentes manobras de reciclagem mescladas com tendências mais ou menos óbvias, ainda vão aparecendo projectos ímpares e com o condão de surpreender.
O caso dos Sigh é sintomático. Com 7 álbuns na sua discografia, o quarteto japonês consegue ir mais além, criando a cada passo uma intrincada panóplia de estilos, desde o Black Metal à música ambiente, passando pelo Jazz ou Power Metal, manta de retalhos donde só os mais pacientes poderão extrair a necessária compreensão. Depois de um desconexo e intangível «Gallows Gallery», o novo opus da banda revela-se como um ataque directo e mais equilibrado. Não que a música dos Sigh seja agora mais acessível, muito pelo contrário, mas é de facto mais coerente. Repleto de maníacos gritos de loucura - Mirai Kawashima deixou aqui cair a voz mais límpida e encarnou em Mille Petrozza - sumptuosas orquestrações e arranjos mais bombásticos, ritmos delirantes que fazem com que «Hangman's Hymn» albergue no seu interior mais acontecimentos em simultâneo que um qualquer Souk Saudita.
Avant-Metal para fãs de Cradle of Filth ou King Diamond será demasiado redutor para classificar a autêntica demência patenteada neste novo trabalho. Ago-07

[ 9 ]

 

SUSPERIA - Cut from Stone / 2007

Compostos por uma série de músicos que deu cartas dentro do movimento Black Metal norueguês, os Susperia tenderam desde muito cedo a orientar o seu estilo para uma direcção mais Thrash, onde o legado de bandas como Testament não poderá ser de forma alguma negligenciado.
Se «Unlimited» se revelou como um álbum que o quinteto de Oakland poderia ter gravado se estivesse em actividade editorial, este «Cut from Stone» progride para tendências mais modernas, numa veia mais melódica, mantendo parte do efeito old-school dos esforços anteriores. Com menor ênfase dedicado a devaneios artísticos, a dupla de guitarristas composta por Cyrus e Elvorn reinventa linhas e ritmos mais pautados e futuristas, em detrimento dos solos virtuosos e das muralhas de riffs esmagadores, Athera vocifera como se reincarnasse no espírito de Chuck Billy, Tjodalv vai destruindo o seu arsenal bélico de forma acelerada enquanto Memnock deverá andar por ali algures com o seu baixo praticamente inaudível.
Mesmo tratando-se de um disco sólido, mais maduro, com um som claramente europeu e heterogéneo, o resultado final dilui-se na previsibilidade das tendências actuais, perdendo alguma da essência de outrora. Jun-07

[ 8 ]

 

SECRETS OF THE MOON - Antithesis / 2006

Mais de 10 anos de carreira, uma série de demos, splits e 2 álbuns de estúdio, conferem aos germânicos Secrets of the Moon a bagagem suficiente para enveredarem por caminhos mais experimentais e quase progressivos, numa mescla sonora que remete nos dias de hoje para designações tão sem nexo como Pós-Black ou Occult Metal, sem nunca perderem ponta de intensidade e credibilidade.
O som de «Antithesis» é demente, negro e obsessivo, sendo que a longa duração de cada tema se vai construindo à custa de trilhos hipnóticos e complexas estruturas com forte sentido dramático. Variando entre directas descargas de puro Black e melódicas passagens mais coladas ao Death Metal, o som proposto pelo quarteto de Osnabrück é cirúrgico e actual, graças a uma competente produção. Enquanto as guitarras traçam as linhas principais que vão varrendo cada espira deste disco, o trabalho de percussão a cargo de T. Thelemnar, músico que já trabalhou em bandas como os Antaeus, Debauchery ou Kieg, é quase tribal, conferindo-lhe ainda maior dimensão cerebral.
Apresentado num fabuloso digipack e versando sobre o significado dado a Satanás, a estrela de 9 pontas, tomada como símbolo da lua e garante do equilíbrio astral entre a eternidade e o caos, é a prova cabal que não existem estilos esgotados. Dez-06

[ 9 ]

 

SLAYER - Christ Illusion / 2006

De regresso com a formação original, com Dave Lombardo sentado novamente atrás da bateria, 5 anos depois da semi-desilusão «God Hate Us All», os Slayer apresentam-se com um registo que não é mais do que uma fusão do que já fizeram antigamente com os trabalhos mais actuais, onde revelaram uma postura mais moderna e perigosamente próxima de sonoridades mais polémicas para os fãs de longa data.
«Christ Illusion» arranca de forma agressiva, denotando um certo approach ao clássico speed/thrash metal dos tempos áureos, para enveredarem mais à frente por outros caminhos mais lentos ou dedicados ao groove . O desempenho de Lombardo é exemplar, com uma execução quase tribal, incutindo ao álbum um sentimento bem old-school , enquanto que a dupla King / Hanneman nos delicia com uma série de ganchos, solos e de riffs marcantes como pano de fundo à voz rasgada de Araya.
Desta feita com Josh Abraham, produtor de bandas como Staind e Velvet Revolver , no lugar do eterno Rick Rubin, este disco contém alguns temas que não estão ao nível dos demais mas, mesmo assim, torna este retorno em algo mais sólido e superior a todos os trabalhos lançados após «Seasons in the Abyss». Ago-06

[ 8 ]

 

SCAR SYMMETRY - Pitch Black Progress / 2006

Desta feita na Nuclear Blast, depois de uma prometedora estreia com «Symmetric in Design» editada o ano passado pela Metal Blade, os suecos Scar Symmetry são uma banda constituída por elementos com alguma rodagem no meio e que já desempenharam papel activo em colectivos como Torchbearer, Theory in Practice, Centinex ou World Below, entre muitos outros.
Praticantes de um Death Metal de cariz melódico, muito influenciado pelo som de Gotemburgo, o quinteto destaca-se da concorrência pelas sólidas composições, temas arrebatadores repletos de viciantes estruturas sonoras e pelo grande desempenho de cada executante, com destaque para Christian Älvestram e a sua prodigiosa e versátil voz. Capaz de produzir os mais violentos grunhidos e vocalizações em registo cantado com uma melodia fantástica, o vocalista é secundado por excelentes músicos que descarregam constantes mudanças de tempo e solos arrepiantes, ao longo dos 11 temas que compõe este «Pitch Black Progress».
Claro que o som dos Scar Symmetry não é de todo original mas no meio de tantos seguidores de bandas como In Flames ou Soilwork, destacam-se com facilidade, adicionando ao som base uma componente progressiva deveras competente. Ago-06

[ 9 ]

 

STRAPPING YOUNG LAD - The New Black / 2006

Em menos de ano e meio, Devin Townsend foi capaz de lançar dois trabalhos com o selo SYL, gravar um álbum a solo intitulado «Synchestra» e ainda produzir o mais recente trabalho dos GWAR. No meio de tanto trabalho, sempre aguardado com as mais elevadas expectativas, não é de estranhar que algo não resulte por completo.
Se «Alien» pode ser considerado o mais brutal disco dos Strapping Young Lad, este novo álbum dos canadianos é claramente uma mistura de tudo o que o extravagante compositor já realizou em todos os seus projectos. Numa clara alusão ao polémico álbum negro dos Metallica, Devin parece disposto em agitar as águas e misturar no mesmo lado os apreciadores da sua faceta mais melódica com os mais extremos.
E se «The New Black» arranca a toda a velocidade, com Gene Hoglan mais uma vez ao comando de uma devastadora secção rítmica, as delirantes, dementes e múltiplas camadas de linhas de guitarra, teclas e voz, a certa altura vão-se tornando gradualmente mais acessíveis e menos complexas. Com vocalizações mais límpidas, Devin aponta para uma direcção mais mainstream, sempre num nível elevado mas que não teria lugar nesta sua faceta mais letal, onde era suposto só encontar alienadas composições de metal com laivos industriais dominados pelo caos. Ago-06

[ 8.5 ]

 

SHADOWSPHERE - Hellbound Heart / 2006

Remonta a 2000 o ano em que os guitarristas Luís Goulão e Hugo Fernandes decidiram avançar com os Shadowsphere. Depois das habituais mudanças de formação, a banda do Seixal participa num tributo aos Tarântula com o tema «Lusitania» e após alguns concertos, acertos no line-up e já com Paulo Gonçalves na voz, posição até aí acomulada por Goulão, é editado o EP «Death and Dreaming».
Com a secção rítmica composta por André Silva e Rui Neves e ainda com Filipe Sousa na calha para o lugar de Hugo Fernandes, entram nos estúdios Floyd, em Corroios, para a gravação de «Darklands», um disco de Melodic Death que os coloca de imediato na linha da frente deste tipo de sonoridade a nível nacional.
Dois anos depois e novamente com Nuno Loureiro na produção, sai «Hellbound Heart», um registo virtuoso e com um som esmagador, graças às misturas finais a cargo do reputado Dan Swäno. Às tendências Death / Thrash, juntam-lhe a veia MetalHardCore, registando 10 temas devastadores e onde a inclusão de um teclista, ouvido aqui a espaços, poderá ainda proporcionar-lhes maior amplitude e dinamismo.
Se conseguirem transmitir ao vivo parte da potência deste trabalho, preparem-se para serem completamente abalroados por uma muralha sónica. Estão avisados…Mai-06

[ 8.5 ]

 

SPIRITUS MORTIS - Fallen / 2006

Quase 17 anos foram precisos para os Spiritus Mortis conseguirem colocar no mercado o primeiro álbum de originais, um auto intitulado trabalho com selo da Rage of Achilles e data de edição de 2004. Um som Doomico com forte sentimento old school e onde se evidenciavam notórias influências de sonoridades limítrofes, sendo o caso dos Manowar por demais evidente.
Apenas 2 anos depois, os finlandeses voltam à carga com «Fallen», um trabalho que deixa para trás o som épico, direccionando-se mais para uma sonoridade directa, onde o Hard Rock dos anos 70' se funde com toques de Stoner e descargas de Heavy Metal, a partir de uma base compassada e claramente retro.
A convincente voz de Vesa Lampi, um fortíssimo candidato ao lugar de Messiah Marcolin no dia em que este resolver abandonar de vez os Candlemass e as linhas de teclados Hammond executadas por VP Rapo que nos trazem à memória uns Ufo ou Deep Purple antigo, são claramente os aspectos que mais se destacam num disco linear, demasiado corrido, algo básico e pouco original.
«Fallen» é pois o segundo trabalho dum quinteto com quase 20 anos de carreira mas que ainda procura o rumo certo. Mai-06

[ 6.5 ]

 

SATYRICON - Now, Diabolical / 2006

Formados por duas das mais emblemáticas figuras do panorama norueguês, os Satyricon continuam apostados em chocar a comunidade mais extrema, quer pelo constante amadurecimento quer pelas atitudes que possam revelar alguma indiferença relativamente às vontades dos fãs de longa data.
Agora com selo da poderosa Roadrunner, lançam o sexto trabalho de longa duração, uma perfeita continuação de «Volcano», através de um disco mais acessível e que os coloca ao alcance do mercado mainstream. Com uma orientação cada vez mais Black'n'Roll, a música dos Satyricon é envolvente, gélida e melódica, construindo-se a partir da base de riffs lancinantes e da voz áspera de Satyr enquanto Frost esmaga o kit da bateria com uma precisão cirúrgica. «Now, Diabolical» apresenta uma produção absolutamente cristalina e poderosa, tendo o cuidado em fazer com que não se perca a crueza e o carácter necessários, proporcionando com que as complexas ambiências se revelem de modo sofisticado mas claustrofóbico.
Sendo mais um trabalho para dividir opiniões, fica a certeza que os Satyricon se encontram num patamar superior e quase inalcançável para quem um dia os possa ter considerado uma possível influência. Mai-06

[ 9 ]

 

STURMGEIST - Meister Mephisto / 2005

Mesmo tratando-se de um projecto paralelo de Cornelius von Jackhelln dos Solefald, os Sturmgeist são uma criação deveras estranha, sui generis e bastante perturbadora. Com ênfase na mitologia alemã associada à arte da guerra e recorrendo a alguns poemas de J.W. von Goethe, temos desenhado um suporte literário apropriado para agressivas sonoridades militaristas que seguem linhas indistintas, cruzando estados mais electrónicos e industriais com a melodia doentia de um Black Metal mais Avant-Garde, aqui e ali rasgado por texturas mais Thrash. Este trabalho do músico norueguês, revela uma mecânica mais do que precisa trazendo-nos por diversas vezes à ideia agrupamentos tão díspares com Rammstein, Morgul, Arcturus ou The Kovenant.
Cornelius desempenha em «Meister Mephisto» quase todos os papeis, contando a espaços com as ajudas vocais de Fuchs dos Borknagar e Lazare dos Die Apokalyptischen Reiter e ainda com o conceituado Terje Refsnes, um produtor já habituado a este tipo de obras com um carácter esquizofrénico e delirante.
Sem dúvida que estamos perante um produto refrescante e pouco comum mas que peca por ser demasiado maquinal e obsessivo. Abr-06

[ 7.5 ]

 

SOULFLY - Dark Ages / 2005

«Dark Ages» é já o 5º álbum que Max Cavalera grava com os seus Soulfly, após ter abandonado os Sepultura a seguir ao lançamento de «Roots». Com este novo projecto, o brasileiro encetou uma carreira muito mais experimental, com espaço para sonoridades tão diversas como o Reggae , a música tribal, o Hardcore e até as modernas tendências do Metal. Sempre com montanhas de músicos convidados, cada disco dos Soulfly é um convite aos ouvintes de espírito mais aberto, amantes do experimentalismo e da World Music.
Com uma formação mais estável desde que dispensou todos os músicos que o acompanhavam aquando de «3», este novo disco apresenta um certo retorno de Max aos tempos do Thrash e aos sons industrias que criou com os álbuns dos Nailbomb.
Desenganem-se, no entanto, aqueles que pensam que o regresso ao passado é total. De facto, «Dark Ages» tem para nos oferecer alguns temas que respiram por todos os poros influências antigas e mais extremas mas, ao longo dos quase 80 minutos de música, há espaço para toda uma panóplia de géneros e sons como aliás o brilhante compositor já nos habituou.
A nível de individualidades poderemos desta vez citar como exemplo as colaborações de Billy Milano (MOD; SOD) ou de David Ellefson (Megadeth). Nov-05

[ 8 ]

 

STRATOVARIUS / 2005

Depois de um ano e meio repleto de lamentáveis incidentes, troca de insultos, agressões, processos litigiosos, internamentos e anúncios de inacreditáveis alterações no respectivo line-up, ninguém poderia sequer sonhar que a formação que participa neste primeiro e milionário lançamento para a Sanctuary Records é exactamente a mesma que trabalhou em conjunto nos últimos registos da banda finlandesa.
Novelas à parte, «Stratovarius» é um disco que surpreende da primeira à última faixa, pela simplicidade, clara orientação Rock e pelos esquemas mais directos, contrastando com os momentos bombásticos, os constantes duelos guitarra / teclas, as mudanças de tempo cirúrgicas, a velocidade por vezes quase vertiginosa e as melodias neoclássicas, características outrora habituais e que neste disco quase desapareceram. Liricamente os temas reflectem as experiências traumáticas pelas quais passou Tolkki recentemente e isso também terá, por certo, a sua influência no resultado final.
Esta nova postura mais moderna e comercial poderá trazer novos fãs à banda mas por certo não agradará muito a quem já não tinha apreciado por aí além a perda de identidade e a menor capacidade revelada nos últimos trabalhos. Nov-05

[ 7 ]

 

SENTENCED - The Funeral Album / 2005

Como já há muito havia sido anunciado, é chegada a hora dos finlandeses Sentenced darem por terminada uma brilhante e influente carreira, iniciada em 1991 com o álbum «Shadows of the Past», onde legados como «Amok» e «Down» certamente ficarão na história da música pesada.
É com nostalgia e alguma emoção que sentimos este fúnebre álbum a ser cortado pelo feixe do laser da aparelhagem. Este derradeiro trabalho segue numa linha semelhante à dos anteriores registos embora aqui se respirem atmosferas um pouco mais Rock , em detrimento das habituais passagens mais arrastadas, dos registos melancólicos e das estruturas góticas. Repleto de interessantes riffs e de solos de guitarra bem esgalhados, exponenciado por coros mais do que acessíveis, «The Funeral Álbum» transmite-nos a sensação de estarmos perante uma banda aliviada mas ao mesmo tempo ainda retendo réstias de depressão e pena com a decisão tomada.
Fica pois um valioso contributo para o Metal que certamente irá ser bastante explorado no futuro. Que “Phenix” renasça novamente das cinzas. Ago-05

[ 8.5 ]

 

STRAPPING YOUNG LAD - Alien / 2005

Desta feita não foi necessário esperar muito tempo para que depois do apocalíptico e homónimo disco de 2003, chegasse até nós uma nova descarga sónica, com recurso ao que de tecnologicamente mais avançado existe, para que de uma forma aparentemente caótica, seja provocada uma irreversível insanidade auditiva aos menos precavidos.
À frente dum quarteto absolutamente mortífero, Devin Townsend agoniza por cima de complexas estruturas sonoras, dispostas em inúmeras camadas que fazem deste registo “do outro mundo” uma experiência alucinante, onde diversas coisas se passam ao mesmo tempo, dependendo muito do resultado final daí extraído do tipo e da qualidade do suporte utilizado para ler este CD. Outro grande responsável pela força e potência deste «Alien» é indiscutivelmente Gene Hoglan que destrói a bateria no sentido de executar as tarefas que lhe foram confiadas.
Com um recurso acentuado a sons programados e ambiências industriais, este trabalho vai crescendo à medida que se lhe vão dando oportunidades, sendo que o impacto após a inicial descarga de brutalidade se vai desvanecendo à medida que caímos desfalecidos perante tamanha muralha de devastação sonora. O único senão reporta aos 12 minutos finais de pura distorção sob a forma de «Infodump». Abr-05

[ 9 ]

 

SIX FEET UNDER - 13 / 2005

«Bringer of Blood» e principalmente «Graveyard Classics II», as últimas produções dos Six Feet Under, não auguravam nada de bom sobre o futuro da banda liderada por Chris Barnes, uma vez que tanto o registo de estúdio como a segunda colectânea de covers, que mais não é do que a dobragem na integra do lendário «Back in Black» dos AC/DC, revelavam alguma desorientação e uma profunda falta de imaginação.
Afortunadamente, ou não fosse o «13» o número da “sorte” para alguns, este novo disco recupera todo o esplendor do quarteto da Florida que através de mais um trabalho putrefacto nos oferece 11 composições cheias de groove e do característico Death'n'Roll a que já nos foram habituando. Com pouco mais de meia hora de duração, «13» é o registo mais elaborado e maduro que fizeram até à data e também onde demonstram uma maior coesão e equilíbrio entre todos os sectores.
Para colmatar a reduzida duração do álbum, existe um segundo disco com uma actuação ao vivo em San Francisco, datada de 2002, com um excelente som. Abr-05

[ 8.5 ]

 

SOILWORK - Stabbing the Drama / 2005

É deveras interessante apercebermo-nos do fenómeno que leva bandas como os In Flames ou os Soilwork a se adaptarem ao som de grupos que atingiram o sucesso do outro lado do Atlântico influenciadas, acima de tudo, pelo Death Metal melódico criado e desenvolvidos, entre outras, por estas 2 bandas suecas. Se «Natural Born Chaos» e principalmente «Figure Number Five» já denotavam claros indícios que iriam enveredar pelas novas tendências sonoras, este disco não deixa margem para dúvidas.
Neste “drama”, as vocalizações de Bjorn Strid apresentam-se cada vez menos agrestes, as guitarras, fazendo-se ouvir, revelam uma confrangedora falta de energia, enquanto que os teclados e os sons computorizados envolvem toda a música. A produção de Daniel Bergstrand, é de tal forma esmagadora que abafa completamente qualquer tentativa para extravasar agressividade.
Um disco demasiado linear e macio, com poucos momentos interessantes e que por certo trará os proventos necessários para uma série de concertos americanos. Mar-05

[ 5 ]

 

SAMAEL - Reign of Light / 2004

Cinco anos de conflitos com a Century Media, a propósito da desvinculação da banda Suiça, culminaram com a assinatura de um contrato de cooperação com a Regain Records, companhia que já dispõe nas suas fileiras de colectivos como Marduk ou Danzig. Com menores imposições comerciais, os Samael lançam-se de cabeça em direcções ainda mais electrónicas, onde o único elemento pesado é o som produzido pelas guitarras.
Com o regresso de Waldemar Sorychta para a co-produção e com misturas a cargo de Stefan Glaumann, engenheiro de som com passadas experiências com bandas como Rammstein e Clawfinger, é notória a influência deste último no resultado final e não é por acaso que muitas vezes «Reign of Light» soa demasiado ao grupo alemão. Quando comparado com os trabalhos mais recentes, este registo revela fortes tendências industriais, as vozes são agora completamente límpidas, existem várias abordagens Techno e muitos dos temas são perfeitamente dançáveis.
Os tempos do Black Metal pertencem definitivamente ao passado pois o rumo tomado pelos irmãos Xy e Vorph não permite parar e muito menos voltar para trás. Dez-04

[ 7 ]

 

SEVEN WITCHES - Year of the Witch / 2004

O grupo norte-americano liderado pelo guitarrista Jack Frost tem revelado uma enorme vitalidade pois, desde o lançamento de estreia «Second War in Heaven» de 1999, já vão no 5º álbum de originais. Se a isto juntarmos o envolvimento de Jack em bandas tão absorventes como os Savatage, The Bronx Casket Co., Metalium, Speeed e o seu projecto a solo Frost, para o qual ainda teve tempo de gravar um CD o ano passado, estamos perante um caso sério de overdose criativa e pró actividade.
«Year of the Witch» é um disco de puro Heavy Metal e após 6 temas bem distintos e despreocupados revela-nos uma história conceptual que ocupa as últimas 8 faixas, um pouco ao estilo de «Operation Mindcrime» dos Queensryche.
Mais uma vez se destaca a fabulosa prestação vocal de James Rivera (Helstar, Destiny's End, Flotsam & Jetsam, etc…) que aliada ao trabalho desenvolvido por Jack Frost, não só a nível de guitarra mas também na produção deste suporte, nos oferecem um conjunto de temas musculados e sem necessidade de recurso a doses industriais de teclados e coros orelhudos
. Nov-04

[ 7 ]

 

SONATA ARCTICA - Reckoning Night / 2004

Oriundos da Finlândia e com um passado muito mais recente quando comparado com o dos compatriotas Stratovarius e Nightwish, não será pois de estranhar as fortíssimas influências que estes dois pesos pesados do Power Metal melódico exercem no som dos Sonata Arctica. Após 3 álbuns de estúdio, uma série de singles e um disco ao vivo, o quinteto liderado pelo vocalista Tony Kakko demarca-se um pouco do habitual desfile de temas enérgicos e comerciais, repletos de agradáveis melodias, baladas e coros memoráveis para nos oferecerem um álbum que, embora recheado desses elementos, de imediato não tem quase nada. «Reckoning Night» não é um disco pesado, sendo que a maior parte dos temas se desenvolve a meio gás, valendo pela agilidade e destreza técnica que a banda apresenta e pela combinação entre os arranjos de guitarra e teclas, numa comunhão mais do que perfeita.
Com uma produção esplêndida, eis-nos perante um disco descomplexado e aconselhável para ouvir nos frios fins de tarde que aí se avizinham. Nov-04

[ 7 ]

 

SKYCLAD - A Semblance of Normality / 2004

Com o abandono de Martin Walkiyer, fontman e responsável pela totalidade das letras da banda inglesa, o futuro dos Skyclad chegou a estar ameaçado. Não fora o lançamento em formato acústico de alguns temas fortes do colectivo e a correspondente tournée que se lhe seguiu e estaríamos a recordar com saudade uma das poucas bandas que teve a coragem de misturar estilos tão díspares como o Metal e o Folk.
Mensagens politizadas em ambiente festivo caracterizam cada disco dos Skyclad, como se estivéssemos num qualquer bar irlandês, ao som de instrumentos tão diversos como flautas, violinos, guitarras, teclas e bandolins. A Royal Philharmonic Orchestra empresta a alguns temas, uma completa secção de cordas para abrilhantar tão curiosa mistura. Out-04

[ 7 ]

 

SACRED SIN - Hekatón / 2003

A profecia está cumprida. A revelação da 5ª letra completa o enigma dos álbuns lançados pela banda do baixista e vocalista José Costa. Assim, juntando a primeira letra do título de cada um dos disco dos Sacred Sin, obtemos a palavra Death que eventualmente poderá ser um presságio para o que lhes acontecerá num futuro próximo...
«Hekatón» sofre de muitos dos males do trabalho anterior. Possui uma distribuição muito má, uma fraca divulgação e em termos de conteúdo, revela as mesmas lacunas de produção e enormes falhas na passagem da teoria à prática.
Não há dúvida que as ideias são mais do que muitas e o conceito de «Hekatón», cujo subtítulo é «The Return to Primordial Chaos», é bastante interessante mas a falta de "pica" ainda é evidente e o resultado final está mais próximo de um esboço do que de uma obra acabada. Set-04

[ 5 ]

 

SHADE EMPIRE - Sinthetic / 2004

Mais uma competente banda de Symphonic Black Metal, desta feita oriunda da Finlândia, chega às nossas mão através do seu disco de estreia. Com uma excelente produção e um som deveras pujante e cristalino, este é um disco demasiado futurista, alegre e que por diversas vezes se torna quase dançável. Tais características certamente serão consideradas um sacrilégio, ou dignas de um produto menor, pelos apreciadores do tradicional Black Metal mas não deixam de ser factores interessantes para quem já está cansado de tanto som cru e linear.
Em «Sinthetic», os teclados desempenham o papel principal, relegando para segundo plano todos os outros instrumentos, guitarras inclusive. Por uma analogia com projectos semelhantes, se Morgul ou Ram-Zet merecem a nota máxima e The Kovenant se fica pela mediania, estes Shade Empire ficarão algures pelo meio.

[ 6 ]

 

SUSPERIA - Unlimited / 2004

O primeiro impacto ao novo disco dos Susperia foi demasiado inesperado e estranho. Estando preparado para mais uma mistura de Black / Death melódico fico totalmente desarmado com este verdadeiro tributo aos Testament, uma proposta de Tjodalv, antigo baterista dos Dimmu Borgir, Memnock, ex-baixista e elemento fundador dos Old Man's Child e companhia.
A situação mais evidente está na semelhança quase total entre o tom escolhido por Athera e a voz de Chuck Billy mas toda a estrutura rítmica remete com alguma saudade para o som da Bay Area.
Parcialmente registado nos estúdios Fredman, com produção da própria banda, estamos perante mais uma edição cristalina, onde todos os instrumentos de ouvem de forma clara, o som se apresenta potente e cheio, características essenciais num bom trabalho de Modern Thrash Metal.
Com o regresso ao activo de alguns dos expoentes máximos do Thrash (Exodus, Death Angel), o aparecimento de diversos grupos de qualidade (God Forbid, Killswitch Engage) que misturam às sonoridades actuais diversos elementos desse estilo e agora com a inflexão das primeiras bandas Black nesta direcção, estamos por certo a respirar uma nova / boa onda de revivalismo.

[ 9 ]

 

SOULFLY - Prophecy / 2004

Desde que abandonou os Sepultura, Max Cavalera tem dedicado grande parte do seu tempo aos Soulfly. Já com 4 discos no mercado, o projecto do senhor Cavalera tem sido uma perfeita fonte de inspiração para as novas correntes do Metal mas também não tem deixado indiferentes os seguidores das sonoridades mais tradicionais. Cada música tem as suas características próprias, sendo o resultado de cada disco uma autêntica manta de retalhos de estilos e sub-géneros.
Como não poderia deixar de ser, «Prophecy» oferece-nos um pouco de tudo. O característico som tribal, o Thrash de uns Sepultura, o Nu Metal e ainda Reggae, Rap, Hardcore, momentos de flamengo e marchas populares! Para terminar temos 6 temas ao vivo que nos dão uma ideia fiel do virtuosismo deste músico brasileiro.
É claro que Max é genial e todos estes discos estão repletos de diversidade. O problema principal é que nem toda a gente está disposta a tanto eclectismo.
Nota final para a presença de David Ellefson, baixista e membro fundador dos Megadeth, em 5 temas deste disco.

[ 7 ]

 

SHIVA - Desert Dreams / 2004

Anette Johansson e Mats Edström compõe o núcleo duro dos Shiva, um duo sueco que com o homónimo disco de estreia de 2002 proporcionou algum alarido junto da comunidade AOR europeia. Detentora de uma poderosa voz mas ao mesmo tempo com a capacidade de nos transmitir a sua paixão e sentimentos, a versátil Anette é uma mais valia evidente ao trabalho instrumental e de composição realizado por Edström, um músico competente e heterogéneo.
«Desert Dreams» é um disco de Rock moderno na linha do anterior, embora a espaços um pouco mais pesado, composto por 10 temas bem diversificados e refrescantes. Em suma, este trabalho irá agradar a todos os apreciadores do som mais ligeiro protagonizado nos saudosos anos 80 por centenas de bandas norte americanas.
Durante toda esta review estive com um nome na ponta da língua que só agora me saiu... Ann Wilson das Heart.

[ 7.5 ]

 

richard andersson's SPACE ODYSSEY - Embrace the Galaxy / 2003

Richard Andersson é um talentoso teclista que lança aqui o seu primeiro trabalho a solo. O sueco, já foi o membro impulsionador de bandas como os Majestic e os Time Requiem, agrupamentos de forte expressão neoclássica na linha de Yngwie Malmsteen ou Symphony X, é o responsável pela composição, mistura e produção deste trabalho. O exímio instrumentista, que em tempos esteve para integrar os Rising Force, conta com a colaboração de excelentes músicos, uns mais outros menos conhecidos, mas de onde se destaca um espantoso vocalista de seu nome Patrik Johansson, talvez o novo Ronnie James Dio.
Estamos na presença de um disco extremamente equilibrado e deveras agradável. Os nove temas estão em sintonia com o que Richard Andersson já nos habituou no passado mas tudo parece mais natural e despretensioso. Algumas passagens fazem-nos recordar os tempos dos sucessos esmagadores dos conterrâneos Abba mas sem nunca perdemos a inspiração clássica, os solos de guitarra e teclas a raiar o Metal Progressivo e os ambientes um pouco Space Metal.

[ 7.5 ]

 

STRATOVARIUS – Elements Pt. 2 / 2003

Ainda não é desta que os Stratovarius se conseguem aproximar do que fizeram no trio de luxo Episode / Visions / Destiny. Sem dúvida que este conjunto de discos, editados na segunda metade da década de noventa, marcou definitivamente o rumo do Power Metal europeu, sendo considerados autênticos clássicos dentro do género. Infelizmente a banda não soube acompanhar esse desiderato e tem-se limitado a registar para a posteridade "mais do mesmo".
A segunda parte de «Elements» não possui mesmo nada que nos possa surpreender. Quando em 9 temas temos 3 baladas pouco inspiradas e o resto são os habituais épicos, repletos de orquestrações e a transbordar de melodias fáceis, tudo servido a meio gás, parece que a ideia é que já não é necessário conquistar quem o já está.

[ 6 ]

 

SIX FEET UNDER - Bringer of Blood / 2003

Criados como um projecto paralelo de Chris Barnes e Allen West, cedo se tornaram a banda a principal dos 2 elementos, após a despedida do vocalista dos Cannibal Corpse e do fim prematuro dos Obituary. Depois da gravação de «Warpath», em 97, West abandona o grupo e Chris toma as rédeas dos Six Feet Under, escolhendo para um caminho mais politizado mas ao mesmo tempo mantendo o conteúdo gore e o humor necro.
Desta feita o característico Death a meio gás do quarteto americano surpreende-nos, a espaços, pela injecção de um complemento Punk que fica muito bem ligado ao conteúdo anti-militarista deste registo.
Não sendo uma obra prima, «Bringer of Blood» é um registo que não destoa do resto da discografia. Vai um "cacete"?

[ 6 ]

 

SEPULTURA – Roorback / 2003

Desde que Derrick Green substituiu Max Cavalera que a banda brasileira nunca mais conseguiu superar o estigma da separação. As duas últimas edições de estúdio «Against» e «Nation» serviram para enterrar ainda mais um passado em crescendo que finou com o tribal «Roots» e o consequente abandono do citado vocalista. «Roorback» é um regresso cheio de força e peso aos tempos de «Arise» e «Chaos A.D.», com a melhor performance até à data de Mr. Green, muito bem apoiado no magistral Igor Cavalera e no estilo exótico de Andreas Kisser. Prejudicial é a curta duração deste registo que poderia estar um pouco melhor explorado ao nível de algumas interessantes ideias.

[ 7 ]

 

SOILWORK – Figure Number Five / 2003

Durante o ano transacto surgiram dois grupos que demonstraram potencial para integrarem a primeira divisão do Death Metal melódico, até agora dominada pelos In Flames e Dark Tranquillity. Assim aos muito aclamados Killswitch Engage juntaram-se os Soilwork com o surpreendente «Natural Born Chaos». A sonoridade deste registo não difere muito da do seu antecessor, mesmo tendo sido gravado em 3 estúdios diferentes, podendo todos os temas deste lançamento perfeitamente aí figurar. Assim sendo, os adeptos dos trabalhos mais antigos ficarão novamente desiludidos e continuarão à espera de um digno sucessor de «A Predator’s Portrait» onde a melodia e os momentos mais electrónicos não tinham tanto destaque. A escolha por uma postura mais comercial está feita e o piscar de olho ao continente americano é o objectivo. (Nu) Death Metal?

[ 6 ]

 

SONATA ARCTICA – Winterheart’s Guild / 2003

Mais uma banda de Power Metal melódico? Mais uns clones dos Stratovarius? Em parte sim. Então para que é que servem estes Sonata Arctica? Primeiro porque sabem como construir excelentes canções repletas de harmonia mas bem rápidas e poderosas. Depois porque todos os músicos são mesmo muito bons naquilo que fazem. Por fim porque colmatam na perfeição aquilo que os já citados suecos fazem menos bem e proporcionam aos fãs do género algo com real valor.Em suma, o colectivo finlandês é um dos melhores grupos que integram a autêntica legião praticante desta corrente musical actualmente muito em voga.

[ 8 ]

 

STRAPPING YOUNG LAD – SYL / 2003

Chegou a ser um desespero esperar pelo novo registo dos Syl, ainda por cima constatando que a inspiração do talentoso Devin Townsend esteve sempre em alta, quer a lançar discos a solo quer a produzir outros colectivos. O som extremamente agressivo, raiando as fronteiras do universo extremo, não tem nada a ver com as suaves, por vezes progressivas e melódicas composições que nos apresenta nos seus exímios trabalhos em nome próprio. Tudo aqui ultrapassa os limites do audível, com uma intensidade suprema e com uma violência atroz. Uma das principais virtudes deste «SYL» é a sua diversidade. Sem perder qualquer ponta de coerência as passagens marcadamente Death / Thrash, misturam-se com momentos Industriais, tudo apontando num único sentido, o Caos. E segundo o próprio músico, o Caos não é o inferno, o Caos é a glória. Um disco devastador, repleto de raiva e deveras viciante.

[ 9.5 ]

 

STRATOVARIUS – Elements Pt. 1 / 2003

Os Stratovarius nunca estiveram na linha da frente da minha lista de preferências. O virtuosismo demonstrado ao longo das excelentes composições sempre foi um pouco arruinado pela voz deveras irritante de Timo Kotipelto. O registo agudo do vocalista finlandês, que às vezes parece estar a gritar estridentemente, consegue-me criar uma desagradável sensação que ofusca por completo o trabalho no seu todo. Após uma fase de reflexão, em que Tolkki e Kotipelto editaram álbuns a solo, regressam com a primeira parte de um conceito baseado - como o próprio nome indica - na conjugação dos 5 elementos. O som de «Elements» está fabuloso, a introdução de coros épicos e de uma orquestra em alguns dos temas e a caminhada num sentido bem mais progressivo e menos directo fazem deste disco um dos melhores da já extensa carreira do grupo. Instrumentistas fabulosos como Timo Tolkki e Jorg Michael mereciam um front-man menos lamechas pois se os "elementos" são cinco, um deles está a meter água.

[ 7.5 ]

 

SYMPHONY X – The Odyssey / 2002

Com 5 álbuns de originais na bagagem o quinteto norte americano oferece-nos mais um fabuloso trabalho, desta feita baseado na épica Odisseia de Homero. É espantoso verificar que ainda é possível em condições limitadas pelo facto algo castrante de se ter de seguir um conceito, criar musica bastante refrescante e repleta de originalidade. Os executantes são todos fabulosos e este é sem sombra de dúvida o trabalho mais pesado e virtuoso dos Symphony X. O facto de estarmos perante temas progressivos (o tema título dura 24 min.) só vem marcar pontos uma vez que não existem momentos aborrecidos ao longo do disco. Para finalizar, destaque para as performances exemplares de Russell Allen, a lembrar por vezes Dio, e Michael Romeo com os seus devastadores riffs e solos.

[ 8.5 ]

 

arjen anthony lucassen's STAR ONE - Space Metal / 2002

Este projecto paralelo de Arjen Anthony Lucassen, o principal mentor dos Ayreon, tem como base temática a ficção científica. Cada malha é inspirada em filmes como Star Wars, Dune, Star Treck ou Aliens. O som é predominantemente progressivo, mas mais pesado quando comparado com o que o talentoso instrumentista holandês, que neste álbum é o principal responsável pelas guitarras, baixo e teclas, explora na sua banda. Vocalistas como Dan Swano (ex-Edge of Sanity, Nightingale), Russell Allen (Symphony X), Damien Wilson (ex-Threshold) e Floor Jansen (After Forever) interpretam à medida das necessidades diferentes personagens, facto que ajuda à diversidade e dinamismo deste registo.
Musicalmente a guitarra é o instrumento em destaque mas as linhas de teclados criam uma atmosfera especial / espacial pois a produção é cristalina e portentosa.
Quem adquirir a edição limitada deste trabalho ainda tem a oportunidade de levar para casa um incrível medley dos Hawkind, uma cover de Bowie e mais uns temas extra.

[ 8 ]

 

SATYRICON – Volcano / 2002

Os Satyricon a partir de agora já se podem considerar, a par de bandas como os Immortal e Mayhem, um dos lideres do movimento Black Metal. Repleto de ideias inovadoras Satyr é o principal compositor do duo e depois de uma fase demasiado industrial hei-los de volta ao velho som nórdico. Após um espectacular disco gravado para a Nuclear Blast, eis o surpreendente lançamento de «Volvano» pela gigantesca EMI. Não se pense que por esse facto os Satyricon se venderam, muito pelo contrário. Continuam a fazer a música que querem e inclusive mais negra e violenta do que nunca. Riffs cruéis e cortantes, momentos gélidos e vozes cheias de raiva criam atmosferas etéreas, frias e nebulosas. A sublime produção do próprio Satyr torna esta afiada rodela uma pérola da história do Black Metal. Genial.

[ 9.5 ]

 

SKYCLAD - No Daylight Nor Heeltaps / 2002

Que dizer desta banda de Folk Metal que nos surpreendeu com os refrescantes trabalhos iniciais e depois caiu no erro de repetir o esquema até à exaustão - 10 álbuns de estúdio em 10 anos quando os 3 primeiros seriam mais do que suficientes.
Agora que o líder e principal mentor do grupo Martin Walkyier abandonou para tentar recriar os Sabbat, eis que o resto dos ex- colegas pegam no conceito e decidem continuar. O resultado de dois anos de trabalho é uma colectânea e este disco que não é mais do que uma tentativa semi- acústica de regravar os temas mais fortes dos Skyclad. Pouca, muito pouca criatividade...

[ 4 ]

 

SATARIEL - Phobos and Deimos / 2002

Formados das cinzas dos Dawn of Darkness, percorreram um lento percurso para se livrarem de claras influências de bandas de Black Metal extremo, como os Darkthrone, para algo mais Black / Death melódico.
Com a produção a cargo de Daniel Bergstrand, sente-se muito a melodia / agressividade que tão bem caracteriza a sonoridade de uns Strapping Young Lad. A presença de Messiah Marcolin em 3 temas é sem sombra de dúvida um dos pontos fortes deste registo que ganha uma tonalidade bastante Doom e versátil.

[ 8 ]

 

SINERGY – Suicide by My Side / 2002

A banda de Kimberly Goss e Alexi Laiho (Children of Bodom) regressa ao activo. O que começou por ser um super projecto recheado de músicos cheios de talento como Jesper Stormblad (In Flames) e Sharlee D’Angelo (Mercyful Fate / Witchery), além obviamente do exímio guitarrista que é Laiho, após a mudança da cantora para a Finlândia foi transformado numa banda de músicos locais. Se o álbum anterior escapava e pouco devia ao registo de estreia, este é um autêntico espalhanço ao cumprido, um suicídio?


[ 4 ]

 

SENTENCED - The Cold White Light / 2002

Quando já surgiam rumores de que a banda escandinava teria dado por terminada a sua carreira, eis que surgem notícias de que o quinteto se encontra nos Finnvox Studios a preparar o seu 7º trabalho de originais após um interregno superior a 2 anos.
Cada vez mais com o pé no travão, os Sentenced estão mais melancólicos e depressivos do que nunca. Poderemos claramente afirmar que este registo é ainda mais comercial e pleno de harmonia quando comparado com o seu antecessor, o qual chegou a ocupar a primeira posição na tabela de vendas na terra do sol da meia noite. Agora que existem diversos grupos dentro deste género mais gótico, dignos sucessores dos míticos Sisters of Mercy, como os Katatonia, Amorphis ou Him, o espaço livre tornou-se um pouco mais restrito.

[ 7 ]

 

SOILWORK - Natural Born Chaos / 2002

Quando temos mais uma banda proveniente de Gotemburgo, sabemos à partida o que vamos encontrar. Guitarras fortes e pesadas, vozes variadas mas límpidas, boas melodias e um punhado de excelentes malhas.
Assim, o que é que destingue os Soilwork de centenas de outros projectos? Pouco, a não ser a brilhante produção de Devin Townsend que consegue adicionar aos temas, que são realmente bons, a força que eles necessitam e um som bem definido.
Para os seguidores dos primeiros registos da banda que ficaram desiludidos com «A Predator's Portrait», nem tentem aproximar-se de «Natural Born Chaos». Também ninguém espera um regresso ao passado de um grupo que já entrou em regiões mais comerciais.

[ 7 ]

 

SOULFLY - 3 / 2002

"O «Soulfly» foi um trabalho muito mais cru e agressivo enquanto o segundo era bastante mais polido, por isso tentei criar uma sonoridade intermédia ... nem demasiado crua, nem demasiado polida", Max Cavalera diz e está dito.
Por vezes demasiado próximo do que a sua anterior banda poderia e deveria fazer, os Soulfly nunca se tornam previsíveis pois a música que se segue geralmente nada deve à anterior. A diversidade de géneros está bem patente neste registo, do Thrash ao Hardcore, do metal mais moderno até ao Folk brasileiro, do Punk ao Reggae, «3» é à semelhança de toda a carreira de Cavalera, um manancial de influências e gostos musicais, com uma capacidade difícil de encontrar nos dias que correm.
Não satisfeito com a composição do álbum ainda é o responsável pela sua produção, estando as misturas a cargo do muito requisitado Terry Date.
A participação de Christian Machado (Ill Nino) é uma das poucas que utiliza neste disco ao contrário do predecessor onde abusou deste tipo de intromissões.

[ 8 ]

 

SUSPERIA - Vindication / 2002

O que mais chama a atenção quando se olha para este grupo é o facto de ele ser composto por antigos elementos dos Dimmu Borgir, Satyricon e Old Man's Child. No entanto, quem está à espera de algo brutal e extremamente agressivo irá ter uma desagradável surpresa.
Há semelhança do 1º registo, continuamos a ter uma mistura de estilos, tudo soando compacto, claro, ritmado, coeso, inovador e bem produzido. Esta foi aliás a última produção, até ver, de Peter Tagtgren no famoso Abyss Studio.
Nota alta ainda para a prestação vocal de Athera, tão diversa quanto a própria música.

[ 7 ]

 

SODOM – M-16 / 2001

Em crescendo até ao apogeu com «Agent Orange» ou «Better of Dead», a banda liderada por Tom Angelripper começou a partir daí a produzir material de qualidade mais duvidosa e aliando esse facto ao desinteresse entretanto votado ao movimento Thrash, temos um colectivo que quase caiu no esquecimento, mesmo sem nunca ter saído de cena. O regresso ao passado de bandas como os Kreator e os Destruction podem ter dado uma ajuda ao ressurgimento dos Sodom, e este «M-16» é sem dúvida um disco com as orientações e os ambientes dos já referidos registos. O Thrash teutónico estará de volta?

[ 7 ]