: : MALEITAS/ANÁLISES : : R : : .

RAGE - Seasons of the Black / 2017

Contando com o álbum dos Avenger este é já o 23º disco da banda, desde sempre liderada por Peter "Peavy" Wagner, sendo uma das mais extensas e proliferas discografias que há memória. Com a perda de um exímio guitarrista e compositor como Victor Smolski, que esteve na banda germânica entre 1999 e 2015, os Rage voltaram aos tempos mais crus, mantendo aquele registo power/speed característico mas menos polido e progressivo do que no período em que contaram com o músico bielorusso. Se em «The Devil Strikes Back» manifestaram alguma inconsistência pelo facto de ainda estarem reféns da integração dos novos elementos, «Seasons of the Black» apresenta-se como uma continuação lógica do seu predecessor, um disco duro mas onde se nota um maior entrosamento dentro do trio. Sem grandes inovações e se ignorarmos alguns temas a meio gás, ainda há aqui espaço para excelentes riffs e solos por parte de Marcos Rodriguez, boas melodias como no conjunto de 4 temas que constroem «The Tragedy of Man» e grandes momentos em que a música despretensiosa dos Rage é fértil. Não sendo, nem de perto, o melhor álbum da banda, os Rage são incapazes de fazer má música mas faltam cá os hinos e aqueles temas marcantes a que nos foram habituando. Set-17

[ 76 / 100 ]

 

RUNNING WILD - Rapid Foray / 2016

Os Running Wild estarão para sempre associados à criação do chamado Pirate Metal, embora o que fizeram com estrondosa competência ao longo dos primeiros 10 álbuns, desde que criaram «Gates to Purgatory» em 1984, mais não fosse que um misto brilhante de Power / Speed Metal. Hinos como «Prisoner of Our Time», «Conquistadores», «Riding the Storm» e dezenas de outros mais, apelarão ao saudosismo daqueles que agora se deparam com esta versão moderna dos RW composta por Rock'n' Rolf e Peter Jordan.
Se o choque protagonizado ao escutarmos o conteúdo totalmente comercial e redondo de «Shadowmaker» se desvaneceu com o mais agreste «Resilient», quando comparado com o seu antecessor obviamente, como que nos fizeram esquecer discos tão mal conseguidos a que se seguiu uma retirada antecipada de cena em 2005, este «Rapid Foray», não sendo mau, tem como maior virtude fazer-nos querer pegar nos álbuns antigos. À semelhança dos trabalhos recentes, a produção é fraca e a secção rítmica continua demasiado mecânica mas há aqui alguns riffs e melodias bem construídas que nos despertem da nostalgia para enfrentar esta realidade mais ou menos conseguida. Out-16

[ 75 / 100 ]

 
 

RAGE - The Devil Strikes Again / 2016

Abdicando de Victor Smolski, o virtuoso guitarrista e extraordinário compositor russo que integrou a banda germânica durante 16 anos, aparentemente por divergências musicais entre ambos, Peter "Peavy" Wagner conduz os seus Rage novamente num sentido mais directo, ríspido e pesado. Sem a pompa e circunstância dos últimos tempos, preterindo os teclados, as estruturas grandiosas e uma costela mais Metal-Opera, «The Devil Strikes Again» como que inflecte para uma fase pré-«Ghosts», onde as influências mais clássicas e a melodia se voltam a diluir na esmagadora maioria dos temas, agora rápidos, agrestes e viscerais. Com uma tonalidade mais Thrash, Peavy vê-se coadjuvado pelo guitarrista venezuelano Marcos Rodríguez e por Vassalos Maniatopoulos, um antigo técnico de som de Chris Efthimiadis, também ele grego e que esteve na banda como baterista entre 1987 e 99. Não se avizinhando tempos fáceis na tarefa de suplantar algumas das formações anteriores, o tempo dirá se este novo trio será capaz de oferecer algum trabalho em linha com uma das fases mais emblemáticas da banda. Suplantando os 30 anos, os Rage recebem com a mudança seguramente uma nova injecção de adrenalina, mesmo que nunca tenham denotado necessidade de tal. Jul-16

[ 75 / 100 ]

 

RUNNING WILD - Resilient / 2013

Ultrapassada a fase da indecisão entre colocar um fim aos Running Wild ou uma carreira orientada para o Hard Rock, onde os Giant-X e o descaracterizado último álbum são exemplos menos conseguidos, Rock'n'Rolf toma aqui a única escolha possível, tentar devolver a sonoridade típica à banda que comanda desde 1984. E se a capa estilizada de «Shadowmaker» deixava antever um conteúdo mais polido e insosso, já o regresso de Adrian à face de «Resilient», só por si, quer dizer bastante. Entre temas de orientação tradicional, onde a temática pirata não poderia faltar, um épico na linha de um «Treasure Island» e malhas mais down-tempo, a colaboração com Peter Jordan (escritor, compositor e produtor que se juntou a Kasparek nesta 2ª encarnação) parece começar a resultar, num disco que é seguramente o melhor desde «Victory». Amiúde temos de volta aqueles riffs inimitáveis, as melodias contagiantes, os ritmos característicos e os refrães que nos moem a memória durante algum tempo e, mesmo sem beliscar os clássicos, este álbum transparece aquele sentimento que a marca RW sempre transportou. É consensual que actualmente a tecnologia consegue colmatar todas as lacunas mas qualquer solução continua a ser melhor que manter o maquinal Angelo Sasso atrás do kit. Nov-13

[ 78 / 100 ]

 

RUNNING WILD - Shadowmaker / 2012

Pouco depois de ter anunciado o fim dos Running Wild, Rolf Kasparek tenta nova abordagem, coadjuvado pelo guitarrista Peter Jordan e um arsenal de maquinaria. Mesmo partindo do princípio que tudo não deve ter passado de uma decisão precipitada, o impacto inicial perante a capa do novo álbum não deixou de ser um mau presságio e as coisas não melhoraram com o tempo dedicado ao vídeo do "making of". Resultado, as expectativas moderadas como que foram abalroadas por um enorme galeão e, recordando os mais recentes registos que não deixaram grandes saudades, submergiram a pique. Entretanto os piores receios comprovaram-se passando à escuta de «Shadowmaker», ou talvez não...
Pronto a saltar da prancha para um mar infestado de tubarões, diluído numa produção ridícula, uma sessão rítmica programada e um tema, que de tão horrível se entranha nas nossas veias para sempre, até conseguimos roubar a este disco malhas com potencial e, caso lhes fosse proporcionado um outro tratamento, capazes de integrar o vastíssimo espólio do tesouro há muito perdido na ilha do Jolly Roger. A orientação mais Hard Rock, um som demasiado flat e a falta de vigor vocal são compensados por algumas boas linhas de guitarra e uma ou outra pérola mais polida que proporcionam a este retorno um pouco da chama dos velhos flibusteiros. Mai-12

[ 74 / 100 ]

 

RAGE - 21 / 2012

Contando com o álbum que "Peavy" lançou com os seus Avenger, já lá vão 21 petardos na discografia original dos Rage. Sempre a um ritmo desenfreado, sem espaço para grandes pausas, o trio germânico vai-se mantendo no activo à custa de injecções de sangue novo e muita adrenalina. Desde que Victor Smolski se juntou à banda, por altura do álbum «Ghosts» em 1999, passando a assumir um papel relevante na composição dos temas e na sua orientação instrumental, o som foi-se modernizando, sem no entanto perder ponta das suas influências mais old-school.
Misturando a agressividade de álbuns como «Carved in Stone» e a parte mais pesada de «Speak of the Devil», os Rage atacam numa frente bem poderosa, evitando a tentação do recurso ao seu filão mais fácil, disponível nas versões mais dóceis e orquestrais partilhadas com a Lingua Mortis. O resto já se sabe, Smolski é um exímio guitarrista e teclista, embora neste álbum essa faceta até nem seja explorada, Peter Wagner possui um estilo mais do que identificável e André Hilgers, o elo que faltava nesta cadeia, garantem-nos uma mão cheia de bons temas, orientados para a guitarra e para os refrãos, bastante bem produzidos e que fluem de forma satisfatória. O bónus com a gravação ao vivo, podia e devia estar melhor captado. Mar-12

[ 83 / 100 ]

 

THE RANSACK - Bloodline / 2011

Em constante evolução desde 2005, aquando da edição do EP «Necropolis», o qual colocou o quarteto de Barcelos como uma das maiores esperanças do underground luso, suportados nos lançamentos seguintes, a banda minhota avançou firme para a linha da frente graças a uma bagagem e experiência, adquirida pela actividade constante nos palcos dos maiores certames nacionais ou no submundo mais recôndito.
«Bloodline» vê assim o colectivo mais unido e rotinado do que nunca, com um som e uma orientação muito bem definidos. Desta feita gravado e produzido por Pedro Mendes, nos já habituais Ultrasound Studios, repetem-se algumas das lacunas já apresentadas anteriormente, com ênfase na sonoridade demasiado maquinal da percussão, o que acaba por retirar dinâmica ao resultado final. A voz de Shore, mais poderosa e incisiva do que nunca é certo, pouco foge ao mesmo padrão, limitando em dimensão o som moderno de tendências nórdicas que a banda emana. Não fosse a excelente «My Bullet Your Name» e uma ou outra malha, no final sobrariam 10 temas um pouco semelhantes entre si, uma característica de que «Vortex» não sofria, o que ao terceiro álbum de originais, para uma banda da dimensão já alcançada pelos The Ransack, parece redutor. Fossem outros e teríamos um álbum bem à maneira. Fev-10

[ 74 / 100 ]

 

RAGE - Strings to a Web / 2010

Numa vastidão de álbuns, EPs, singles e splits, os germânicos Rage revelam-se uma das mais profícuas bandas da actualidade e nem os mais de 25 anos de carreira ou as frequentes trocas de line-up, onde Peter ‘Peavy’ Wagner é único elemento fundador, retiram ao trio a capacidade para continuar a lançar material de qualidade.
Após uma fase mais acelerada, onde só a espaços recorrem à veia mais orquestral, em «Strings to a Web» voltam a solicitar os serviços da Lingua Mortis, numa épica colaboração dividida em 5 partes e colocada em destaque neste 19º registo de estúdio. Mas não se julgue que as outras facetas ficaram esquecidas pois este disco apresenta abundantes incursões no Heavy Metal tradicional, acenos ao Power mais encorpado, devaneios Thrashy ou até registos Prog, por onde o bielorusso Victor Smolski vai espalhando virtuosismo neo-clássico, num refrescante trabalho de guitarras repleto de energia, havendo ainda lugar para aqueles temas bem rasgados que culminam em coros facilmente memorizáveis, melódicos e cantados em registos mais límpidos. O baterista Andre Hilgers, não sendo tecnicamente um Mike Terrana, parece ter tido o mérito de tornar o ar mais respirável e eis-nos perante um álbum que não destoa dos restantes e que vale pela sua diversidade. Fev-10

[ 82 / 100 ]

 

RAMP - Visions / 2009

Sendo uma das mais importantes bandas nacionais, fica a sensação de que, apesar de alguns pontos bem altos ao longo dos 20 anos de carreira, poderiam e deveriam ter ido mais longe. No entanto é com agrado que vemos os Ramp de regresso aos palcos.
Agora com Tó Pica na guitarra e Caveira no baixo, sangue novo numa banda que sempre revelou uma forte coesão interna, «Visions» não faz reverência a um legado rico em momentos de grande gabarito, correndo numa direcção distinta e modernizada, dentro de uma linha que, a espaços, chega a tornar-se perturbadora. A história da banda do Seixal está repleta de grandes temas e de uma diversidade incrível, de «Try Again» à versão de «Anjinho da Guarda», do clássico «For a While» ao brutal «All Men Taste Hell», do hino «Hallelujah» à cover das Bangles, passando pelo experimentalismo de «Nude» mas este trabalho, ao cabo de várias audições, além de deixar transparecer o cunho e a energia Ramp, infelizmente deixa espaço para pouco mais. Misturado por Daniel Bergstrand, estes 11 temas possuem um som poderoso e clinicamente limpo, soando ao que de mais moderno se vai fazendo pelos congestionados campos do metalcore industrial e outras sonoridades mais actuais.
Há discos assim que nos causam algum mal estar pelas memórias passadas. Abr-09

[ 76 / 100 ]

 

THE RANSACK - Vortex / 2009

Sendo uma das bandas mais activas do meio underground, com uma perseverança invejável e reconhecido empenho, não é de estranhar ver uma banda como os The Ransack darem o importante passo rumo ao sempre almejado segundo álbum.
Mantendo a colaboração com os Ultrasound, um estúdio capaz de injectar toda a potência e sonoridade que propostas actuais como esta merecem, fazem-se rodear de algumas colaborações externas que lhes trazem uma diversidade e um toque de surpresa que faltavam à linearidade do registo anterior. Após uma arrancada absolutamente arrasadora com 4 petardos onde os The Ransack atingem um nível elevado e seguramente a fase mais firme da sua carreira, Rui Duarte dos Ramp chega a marcar presença em «The Plague», chegamos a um inesperado dueto entre Shore e Bete dos Necris Dust, algo que rompe de forma saudável com todas as formulas mas que infelizmente não resulta particularmente bem. A partir daí «Vortex» perde algum fulgor, padecendo de alguns dos males do passado, entrando em registos um pouco repetitivos e onde nem o violino de Barbara Carvalho dos Godog ou o solo pontual de Pedro Mendes conseguem elevar esta metade à excelência inicial. Ainda assim, este é certamente o melhor trabalho do quarteto minhoto até à data. Fev-09

[ 76 / 100 ]

 

REQUIEM LAUS - The Eternal Plague / 2008

Não fosse a persistência de Miguel Freitas e os custos da insularidade há muito teriam deitado por terra mais um projecto que desde cedo demostrou potencial. Formados em 1992, graças às maquetes «Life Fading Existence» e «For the One Who Dies», esta gravada nos Rec. N'Roll Studios, chegam a ter algum airplay, culminando essa ascensão com a inclusão de um tema na compilação Hypermetal, uma obra marcante e de referência que seria lançada em 96 pela Música Alternativa. Após terem atravessado um enorme hiato, com uma maior experiência de palco e duas ambiciosas demos na bagagem, a banda madeirense chega finalmente ao merecido álbum.
Em linha com o que já tinham feito em 2006 mas através de composições mais refinadas, «The Eternal Plague» presta vassalagem ao passado dos Requiem Laus, não se movendo muito além do enraizado Death Metal com laivos Black / Doom. As vocalizações relembram amiúde o timbre de Mark Greenway enquanto as linhas estruturais são completadas pela segunda guitarra de Dani Pereira, ficando a secção rítmica a cargo de Ricardo Fernandes, dupla que já integra a banda desde 1999.
Trabalhado pelo requisitado Pelle Saether nos Studio Underground, este disco não é um manual de criatividade mas demonstra empenho e extravasa dedicação. Jul-08

[ 74 / 100 ]

 

RAGE - Carved in Stone / 2008

Desfeito o trio que se mantinha unido desde «Welcome to the Other Side», Mike Terrana abandonou por divergências musicais sendo substituído pelo talento do também requisitado André Hilgers, os Rage chegam ao 17º álbum de originais, uma façanha quase imbatível dentro do meio, uma admirável prova de longevidade.
Se o anterior «Speak of the Dead» revelou alguma desorientação, mistura desconexa de temas na linha do orquestral «Língua Mortis» com um conjunto de faixas pesadas mas despojadas de qualquer carisma, sem olharem muito para trás, eis que voltam à carga com um disco bem mais tradicional, ríspido e agressivo, com algumas das malhas remetendo para os tempos de «Black in Mind» e com espaço até para um certo retorno ao inicio dos anos 90', revisitando álbuns como «Reflections of a Shadow» ou «Trapped!». Obviamente que continua a ser a voz e o baixo de “Peavey” que marcam de forma indiscutível o som dos Rage enquanto Victor Smolski, o virtuoso guitarrista russo, vai percorrendo escalas e ritmos de forma absolutamente divina e categórica.
Sem alterações de monta, a banda apresenta uma postura directa e thrashy sem esquecer o espaço habitualmente reservado para os coros orelhudos e os registos mais melódicos, como só eles ainda sabem fazer. Mar-08

[ 86 / 100 ]

 

RANSACK, The - Azrael / 2007

Com uma série de espectáculos na bagagem à conta do EP lançado há cerca de 2 anos, já era tempo da banda de Barcelos recolher uma colecção completa de temas capaz de preencher um álbum. Desde que editaram «Necropolis» e Loki tomou o lugar de Zorro na segunda guitarra, a formação percorreu os meandros underground do país numa longa lista de gigs que inclui participações no SWR IX, Caos Emergente de 2006, abertura de actos para Dismember ou Primordial e que lhes proporcionou a rodagem necessária e a realização de algumas experiências com os temas novos.
E a evolução é significativa mal colocamos «Azrael» no leitor, facto a que não está alheia a produção mais profissional colhida nos Ultrasound Studios por Daniel Cardoso. Com uma secção rítmica trituradora, as torrentes de energia jorram através do esgar vocal de Shore e pelo competente trabalho das guitarras, responsáveis por paredes de riffs avassaladoras e por alguns solos muito bem esgalhados.
O único aspecto menos positivo é o trabalho de bateria, demasiado puxado nas misturas finais, não pela qualidade e potência que demonstra mas pela sua formula algo repetitiva e que retira dinâmica e um pouco de diversidade ao resultado final.
Um disco com distribuição a cargo da Recital, moderno e ultra devastador. Mai-07

[ 7.5 ]

 

REVAGE - Icy Land / 2007 - Demo

Ainda numa fase bastante embrionária e enquanto projecto solitário, a demo «Icy Land» é registada nos Frozen Studios, em pleno verão de 2005. Por isso mesmo, nota-se no resultado final o degelo decorrente da falta de experiência e dificuldades em concretizar e consolidar as ideias para a fita. A maior falha deste trabalho de 4 temas cai evidentemente no péssimo som de uma bateria cibernética mal programada. Mesmo assim, os riffs da guitarra de Revage demonstram a sua capacidade para criar momentos bem fortes e que já vão sendo uma imagem de marca. É esta demo que agora é lançada através da Hell Unleashed Records para marcar um ciclo que se fecha, um registo de ideias num suporte importante no passado da banda.
Após esta gravação, Sothis juntou-se a Revage e seria bem interessante constatar como ficariam estas 4 malhas gravadas com a participação do baterista portuense. Mais recentemente, M.v.K, Ishkur e Malevolus integram o corpo dos Revage, o que garante, não só pelos nomes envolvidos mas também pelo que o mentor do projecto vai fazendo nos Bruma Obscura ou nos Skyeyes, um grande passo em frente no próximo lançamento e consequentemente uma série de espectáculos de nível superior.
Aguardemos portanto novas descargas de Lvsitanian Metal ... Mai-07

[ n.a. ]

 

RHAPSODY OF FIRE - Triumph or Agony / 2006

Com o início da nova saga «The Dark Secret» em «Symphony of Enchanted Lands II», os Rhapsody adoptaram uma postura ainda mais épica e orquestral, seguramente apoiada em novos recursos que lhes chegaram às mãos via SPV, proporcionando-lhes condições suficientes para registarem a grandiosidade associada ao imaginário que foram criando e a possibilidade de juntarem nomes reconhecidos ao elenco final.
Com tanta produção, coros majestosos, orquestrações mirabolantes e devaneios folclóricos e medievais, vão-se perdendo parte das características que foram tornando o quinteto liderado pelo guitarrista Luca Turilli e pelo teclista Alex Staropoli num dos mais interessantes colectivos do movimento Power Metal europeu. Num trabalho quase sempre executado a meio gás, repleto de baladas e narrativas vocais, é difícil encontrar espaço para a velocidade e agressividade sinfónica patente nos primeiros trabalhos dos transalpinos. Como aspecto mais positivo, no meio de uma banda sonora hollywoodesca pouco enérgica e vigorosa, deparamos com um extraordinário desempenho de Fabio Lione, cada vez mais solto em termos de registo vocal.
Numa altura em que adicionam um dos elementos ao nome da banda, por razões legais, constata-se que “of air” ou “of water” seriam mais bem empregues. Out-06

[ 6.5 ]

 

REQUIEM LAUS - Promo / 2006

Quem acompanhou os meandros do metal nacional há uma década atrás recorda-se dos Requiem Laus e da sua demo de estreia «Life Fading Existence». Com airplay em programas de culto, como o saudoso Lança Chamas, os madeirenses chegaram a ser apontados como uma certeza numa cena em crescimento mas ainda demasiado underground . Entre 94 e 2000, gravaram 3 registos de qualidade crescente mas, como em muitos outros casos, o tempo fechou-lhes as portas.
Depois de um grande interregno, Miguel Freitas resolve reconstruir os Requiem Laus e em boa hora o faz. Neste promo-CD comprova-se a força do quarteto insular através de 5 temas muito bem compostos e executados e que colocam a banda novamente na primeira linha da cena nacional com o seu Death Metal de cariz melódico, com algumas incursões de Doom e Black . È de assinalar a apresentação cuidada desta edição enumerada manualmente e a excelente faixa interactiva, completa com fotografias da banda, 2 vídeos recolhidos há algum tempo atrás, a respectiva biografia e ainda um bom apanhado fotográfico.
Graças à qualidade sonora, comprovada em recentes actuações ao vivo, torna-se desejável a rápida aparição de um trabalho ainda mais apelativo e ambicioso. Mai-06

[ 7.5 ]

 

RAGE - Speak of the Dead / 2006

Reportando aos tempos de «XIII» e «Ghosts», este registo começa com uma aproximação mais sinfónica e melódica, recuperando o conceito Lingua Mortis. Cinco aborrecidos e diminutos interludios, uma balada sem grande chama e dois temas algo insípidos completam a faceta mais orquestral de «Speak of the Dead» mas sem a grandiosidade de outrora. Um inicio dispensável.
«No Fear» abre a parte mais agressiva deste disco, numa toada mais Heavy / Power Metal. Infelizmente, cedo se conclui que tudo gira em torno do guitar-hero Victor Smolski e – a espaços – do poderio da máquina de guerra de Mike Terrana. É certo que a voz carismática de Peter Wagner ainda se faz ouvir mas onde estão os temas memoráveis e os coros que nos ficavam no ouvido!? Não há. A banda destila velocidade e técnica em detrimento de uma imagem de marca criada ao longo de mais de duas décadas de carreira. O resultado final até é razoável mas atípico.
O caminho terá de ser uma vez mais redesenhado pois proporcionar destaques a músicos em detrimento de um modelo, nesta que é sem qualquer dúvida a melhor formação de sempre, não lhes trará seguramente bons resultados. Mai-06

[ 6.5 ]

 

RUINS - Spun Forth as Dark Nets / 2005

>Oriundos dos confins do planeta, os Ruins são uma banda de Black Metal composta por 2 elementos e que se estreia em formato longa duração através deste «Spun Forth as Dark Nets», embora no ano anterior tenham distribuído em quantidades limitadíssimas um EP de 4 temas intitulado «Atom and Time».
A Alex Pope, responsável pelas guitarras, vozes e baixo, juntou-se Davis Haley, baterista dos Psycroptic, no sentido de criarem música com ambientes atmosféricos inspirados em colectivos escandinavos como os Darkthrone ou os Emperor mas procurando incluir algumas influências oriundas dos antípodas.
A música destes Australianos, isolados do resto do mundo na ilha da Tasmânia, é construída sobre uma estrutura gélida e crua. No entanto, quer pelas vocalizações ora guturais ora berradas, quer pelas composições intrincadas, o resultado chega a ser deveras elaborado. Os 8 temas deste registo soam lentos mas sólidos numa amálgama sonora bem produzida, tornando o resultado final poderoso e convincente.
Infelizmente os Ruins não nos trazem rigorosamente nada de novo, a não ser o exotismo geográfico e, não havendo muita paciência, pela complexidade aparente, o desenlace torna-se difícil de entranhar podendo chegar a ser monótono. Jan-06

[ 7 ]

 

RANSACK, The - Necropolis / 2005 - MCD

Os The Ransack são uma jovem banda de Barcelos cuja formação remonta a 2001. Desde então gravam 2 demos, «Chaotic» e «Promo 2004», de onde é retirado «Vírus» para o 2º volume da compilação «Dark Music for the New Millenium». Completa a formação com a entrada do baterista Zeus para o lugar de Flechas, 2004 revela-se um ano recheado de concertos, o que lhes permite adquirir a bagagem necessária e útil para a gravação um registo mais profissional. Durante o corrente ano recorrem ao Echosysthem onde sob a orientação de Rui Santos, baixista dos Oratory, terminam os trabalhos necessários para a conclusão deste MCD.
«Necropolis» é composto por uma «Intro» e 4 temas que demonstram uma clara progressão em relação aos anteriores registos. O som final revela uma mistura de influências diversas que vão desde bandas como os Hypocrisy ao Thrash da Bay Area. A voz de Shore, que acumula funções nos Demon Dagger, sobressai de um emaranhado de riffs bem delineados, protagonizados por Zorro e por si próprio, sendo complementados por uma secção rítmica bem intrincada, a cargo de Jay e do já citado Zeus. Nota positiva ainda para o simpático conteúdo do booklet.
Estamos seguramente perante mais uma banda com um futuro promissor. Out-05

[ 7 ]

 

RAM-ZET - Intra / 2005

Um dos trabalhos de estreia que mais interesse e impacto me causaram foi «Pure Therapy», uma mistura esquizofrénica de Black Metal com diversas sonoridades aparentemente não miscíveis. De projecto solitário, o vocalista e guitarrista Henning Ramseth (aka Zet) viria a reunir à sua volta uma série de músicos que, de certa forma complementar, trouxeram solidez à banda.
Com poucas alterações no line-up que gravou «Escape», não é pois de estranhar que este novo registo pouco difira, em linhas gerais, do trabalho antecessor. As mudanças de tempo continuam uma constante numa imensa manta de retalhos sonora, por vezes quase industrial, por outras absolutamente dramática, mas na maior parte delas a linha condutora parece que simplesmente desaparece. Em termos vocais, Zet descarrega a sua ira esquizofrénica desenfreadamente e nem as suaves melodias do violino protagonizadas por Sareeta parecem conseguir apaziguar.
Com mais tempo dedicado à composição e pela produção irrepreensível de Daniel Bergstrand, «Intra» apresenta-se com um excelente som, ao mesmo tempo que com o aumento de protagonismo dado a Sfinx, uma vocalista que incute um tom bem The Gathering ao resultado final, consegue-se estancar um pouco da loucura e caos que reinavam no disco de estreia. E isso se calhar é uma pena… Ago-05

[ 8 ]

 

RUNNING WILD - Rogues es Vogue / 2005

Se as contas não me falham, este é já a 13ª gravação de estúdio de Rolf Kasparek (aka Rock'n'Rolf) e, como já vai sendo habitual dada a repetição constante de uma fórmula mais do que assimilada e conhecida, praticamente se dispensam comentários sobre o que se poderá escutar ao longo dos 65 minutos – no caso da versão limitada que inclui 2 temas extra – que compõe «Rogues en Vogue».
Com o trabalho praticamente todo a cargo do senhor Kasparek, incluindo o som da bateria que parece mais programado que executado por Matthias Liebetruth, a quem são creditados os méritos no livrete que acompanha a obra, este registo compila mais uma série de temas sobre pirataria e revela como principal preocupação a escrita de canções para serem tocadas ao vivo.
Infelizmente inspiração e emotividade deixaram há muito de fazer parte do léxico dos Running Wild, sendo que a partir do 3º ou 4º tema, este disco cai num marasmo e torna-se um pouco maçador. Abr-05

[ 7 ]

 

RAGE - From the Cradle to the Stage / 2004 - Live

Duas décadas de actividade, onde raramente falhou a edição de um álbum por ano, são agora comemoradas através deste duplo ao vivo, registado a 25 de Janeiro deste ano em Bochum / Alemanha.
Uma vez que já tinham lançado o live «Power of Metal» em 93, é compreensível que a selecção de temas incida agora sobre a fase mais actual, embora quase todos os 15 álbuns de estúdio tenham sido contemplados. O trio respira saúde e verifica-se que tanto o público como a banda continuam em franca sintonia. Dez-04

[ 7.5 ]

 

RHAPSODY - Symphony of Enchanted Lands II - The Dark Secret / 2004

A passagem da pequena Limb Music para a poderosa SPV, a qual já funcionava como distribuidora, permitiu reunir os meios realmente necessários para a gravação de mais um trabalho conceptual na carreira dos transalpinos Rhapsody. Com recursos suficientes para registar uma dúzia de temas com o auxílio de um narrador da categoria do actor Christopher Lee e de uma infindável lista de músicos clássicos e coristas líricos, «The Dark Secret» marca o início de mais uma saga que se prevê longa, assente numa espectacular e potente produção. Depois da “espada esmeralda” procura-se o “livro secreto”, através de uma atmosfera épica e brilhante mas mais do que plagiada ao universo Tolkien.
Nem tudo é original mas também tal não deverá ser exigível a uma banda que criou um estilo muito próprio – o Hollywood Metal , como os próprios admitem. Nov-04

[ 8.5 ]

 

ROTTING CHRIST - Sanctus Diavolos / 2004

Mais um álbum estranhíssimo chega às nossas mãos, o oitavo da carreira dos gregos Rotting Christ, desta feita embalado numa prodigiosa obra de forte conotação demoníaca. O trio helénico sempre apresentou uma surpreendente capacidade para produzir discos diferentes a cada lançamento e se nos anteriores «Genesis» e «Khronos» denotavam alguns cuidados em tornar cada momento mais acessível, este «Sanctus Diavolos» revela uma complexidade a todos os nível, provocando um enorme choque à primeira audição.
Repleto de ambientes soturnos provenientes de coros aterradores e amplificados por um emaranhado sonoro deveras perturbador e por estranhas e hipnóticas rezas em grego, este registo revela-se de muito difícil digestão. Com um pouco de paciência lá encontramos as habituais atmosferas melódicas, provenientes das teclas de Sakis.
Um álbum diabólico que esconde pormenores deliciosos a cada passagem. Out-04

[ 8.5 ]

 

RHAPSODY - The Dark Secret / 2004

«The Dark Secret» serve de antevisão ao próximo álbum da banda italiana «Symphony of Enchanted Lands Part 2 - The Dark Secret». Que a falta de originalidade que dá nome a esse disco não seja um mau agoiro...
Este EP oferece-nos um tema que será incluído no longa duração mais quatro faixas gravadas exclusivamente para este formato.
«Unholy Warcry», com uma potente narração a cargo de Christopher Lee, mantém-se dentro do típico estilo clássico dos Rhapsody e os restantes temas seguem a mesma linha épica, de forte influência barroca, onde não faltam orquestrações sinfónicas e coros bombásticos.
Aguardem pois nova invasão de Orks, Trolls com alguns Hobbits à mistura. Ago-04

[ 7 ]

 

RAMP - Nude / 2003

Cinco anos após «Evolution, Devolution, Revolution», regressam ao activo com um trabalho auto-produzido e pelas mãos da independente Paranoid Records. A excelente apresentação de «Nude» e a promoção feita em redor deste disco levavam-me a antever um lançamento muito especial e que seria agora que a banda da margem sul daria um salto para uma mais do que merecida internacionalização.
Se o single «Alone» orientava as nossas expectativas numa direcção mais calma e comercial, ao som dos primeiros temas do novo disco cedo nos apercebemos que toda a essência Ramp está aqui bem vincada e inclusive podemos encontrar pormenores que fazem deste trabalho o mais completo e conseguido até à data.
Certo que não será este «Nude» que os colocará nos cartazes das grandes digressões mundiais mas por mérito próprio continuarão a ser os fieis representantes do metal feito em Portugal.

[ 7.5 ]

 

RAGE - Soundchaser / 2003

A caminho das 2 décadas de carreira, os germânicos Rage, ou Peter Wagner & Co., põem ao nosso dispor um disco conceptual sobre a história da criatura bio-mecânica que desde cedo pontificou nas capas dos discos da banda.
O terceiro disco do trio Wagner / Victor Smolski / Mike Terrana revela uma formação estável e muito bem oleada ou não estivéssemos na presença de um verdadeiro super-grupo. A técnica e destreza do guitarrista / teclista russo é por demais evidente e chega para nos cortar a respiração. Atrás das peles temos uma verdadeira máquina de triturar e na frente a carismática voz rasgada de Wagner. Longe de ser um bom cantor é sem dúvida um excelente compositor e baixista.
A terceira geração da Raiva veio para ficar.

[ 9 ]

 

RE:AKTOR - Zero Order / 2003

O lançamento do trabalho de estreia dos portugueses Re:aktor pela Nuclear Blast foi sem qualquer dúvida a grande surpresa deste ano. Um segredo muito bem guardado que caiu no meio metálico como uma autêntica bomba.
Compostos por [Nexion] (Draconiis dos extintos Sirius), Ca2 (actualmente baterista dos Enslaved), R.A.D. (Rui Duarte dos Ramp) e pelo baixista D-Void, presenteiam-nos com um disco que segue uma orientação fortemente industrial, repleta de ambientes cibernéticos mas que por diversas vezes se aproxima das típicas sonoridades do Metal "moderno".
Longe de ser um trabalho original, somos constantemente confrontados com momentos que nos trazem à memória bandas como Fear Factory, Misery Loves Co. ou Ministry, estamos ainda perante um álbum algo monótono e muito mal produzido. No entanto, esta oportunidade poderá ser uma rampa de lançamento para algo grandioso não só para o projecto mas também para outros colectivos lusos. Em suma, estamos perante uma rodela de alta tecnologia futurista mas que parece ter ficado sem pilhas. Quando a fasquia é colocada muito alta, o trambolhão pode ser enorme. Aqui ficamos pelo meio espalhanço.

[ 5 ]

 

RUNNING WILD – Live / 2002 - DVD

Como não há banda que se preze que não tenha o seu DVD eis o dos piratas do metal, lançado simultaneamente ao duplo CD ao vivo e quase pelo mesmo preço. Confesso que à 15 anos atrás os Running Wild eram uma das minhas bandas preferidas mas após o grandioso «Under Jolly Roger» o fulgor foi decaindo e o som do grupo liderado por Rock’n’Rolf (Rolf Kasparek) tornou-se demasiado redutor. O som está muitíssimo bom e estamos perante um verdadeiro “Best Of” com a surpresa de constatar que ao vivo as malhas do inferior «The Brotherhood» soam bastante bem. Louva-se o cuidado de não eliminar as imperfeições técnicas, o que torna o documento muito mais credível. O espectáculo visual está razoável sendo um bom complemento para aquilo que realmente interessa, o desfilar de grandes temas como «Riding the Storm», «Prisoners of Our Time» ou «Uaschitschun».

[ 8.5 ]

 

RAGE – Unity / 2002

Mantendo o mesmo trio após as gravações de “Ghosts”, os Rage saíram da onda mais orquestral e melódica de encontro a um som mais pesado e agressivo. O russo Victor Smolski é um músico e compositor excelente e Mike Terrana o baterista que nunca tiveram. Mas parece faltar algo ao grupo liderado por Peter Wagner, talvez uma identidade própria entretanto perdida.

 

[ 7.5 ]

 

ROTTING CHRIST - Genesis / 2002

Ao longo dos tempos os Rotting Christ foram desenvolvendo o seu próprio som, combinando riffs potentes com épicas melodias e melancolia. Criando atmosferas carregadas através da mistura apaixonada de um certo Black Metal com algo etéreo, quase folclórico e certamente exótico. Claramente originais, sempre lhes faltou, na minha modesta opinião, um trabalho acima da média.
«Genesis» partilha a negritude e alguns trejeitos góticos, os riffs pesados e agressivos e as complexas harmonias de guitarra já demonstrados em trabalhos anteriores. Desta vez alguns discursos narrativos, vozes límpidas e coros gregorianos ganham uma dimensão nunca antes experimentada.
Mais uma vez os teclados desempenham um papel fundamental na estrutura destes 10 temas atribuindo-lhes ainda mais peso, ou não fossem os Samael uma das grandes influências destes ícones do metal grego. A escalada continua.

[ 7.5 ]

 

RHAPSODY - Power of the Dragonflame / 2002

Chega ao fim a saga da "Emerald Sword", uma história quase plagiada da excelente narrativa de Tolkien, "O Senhor dos Anéis". Novamente com os músicos Sasha Paeth e Miro (Heavens Gate, Virgo, etc.) á frente da produção, uma dupla que tem estado com a banda desde o inicio, este registo demonstra já alguma falta de originalidade embora a diversidade sonora seja enorme. Músicas pesadas, rápidas e agressivas, ao mesmo tempo épicas e orquestrais, condimentadas com coros clássicos e uma parafernália de instrumentos como violinos e flautas, são a base de um conjunto de bons temas mas que infelizmente não superam o EP anterior.

[ 7.5 ]

 

RUNNING WILD - The Brotherhood / 2002

A caminho dos 20 anos de carreira Rock'n'Rolf e companhia continuam a lançar álbuns atrás de álbuns com os mesmos conceitos e as mesmas fórmulas. Entre «Under Jolly Roger» e «Death or Glory» atingiram o pico de criatividade mas a partir daí quem conhece um disco dos Running Wild conhece-os a todos.
Todo o trabalho de composição é, como sempre foi, de Rolf Kasparek logo, «The Brotherhood» é mais um registo onde a paixão pela pirataria e por um certo imaginário militarista prevalecem como a temática principal. Pena é que essa imaginação não dê para mais pois este trabalho é mesmo muito fraquito.

[ 4.5 ]

 

RAM-ZET – Escape / 2002

O trabalho de estreia do projecto liderado por Zet foi uma autêntica pedrada no charco do já deveras congestionado cenário do Black Metal. «Pure Therapy» surpreende pela mistura e diversidade de estilos e sons, onde se podem encontrar demasiados momentos melódicos e líricos em profundo contraste com a voz esquizofrénica e louca do vocalista. «Escape» é uma continuação lógica desse trabalho mas obviamente perde o efeito surpresa. Todos os temas poderiam fazer parte do trabalho anterior e a diferença entre os dois registos assenta essencialmente em dois factores: a predominância das vozes femininas é muito maior com nítidas referências aos The Gathering; os temas são muito mais equilibrados e parecidos, e pelo facto de serem extremamente longos, tornam esta obra um pouco monótona, mas ao mesmo tempo muito boa. Em «Escape» toda esta diversidade de factores está bem mais equilibrada, o que no caso é uma pena.

[ 8 ]

 

ROB ZOMBIE - The Sinister Urge / 2001

Eis-nos perante mais um exercício de imaginação auditiva sempre na fronteira do cinema clássico de terror e fantástico. Explorando uma vertente mais acessível em algumas faixas, por vezes demasiado próximo do som Pop, depressa se contorce em espasmos bem pesados e eléctricos.
Destacam-se as participações de Ozzy Osbourne, Kerry King, Tommy Lee e DJ Lethal (dos
Limp Bizkit), além de uma orquestra de 30 elementos que aparece em vários momentos do álbum. Para completar a receita temos samples com fartura que personificam habitualmente o imaginário deste singular personagem.

[ 7.5 ]

 

RHAPSODY - Rain of a Thousand Flames / 2001 - EP

Os criadores de uma sonoridade que não é mais que uma mistura de Power Metal melódico com enorme carga épica, música clássica e sinfonias brilhantes, complementado com um conteúdo lírico envolto em magia e folclore, hoje muito em voga com o sucesso do universo Tolkien e a saga do "Senhor dos Aneis".
Este EP, se assim se pode chamar a um disco que possui 42 minutos de duração, serve de aperitivo para o próximo registo a ser lançado brevemente. Aguardemos pois a 4ª e última parte da saga da espada esmeralda ao som destes magníficos 7 temas. As passagens de «Symphony of the New World» de Dvorak na última faixa são simplesmente divinais.

[ 9 ]