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PARADISE LOST - The Plague Within / 2015

Confesso que os Paradise Lost são uma das minhas bandas de referência e que a partir do momento em que começaram a flectir para uma onda à la Depeche Mode me começaram a tirar do sério. Desde «One Second» que ansiava pelo regresso ao rumo certo mas deixei de ter esperanças após o álbum homónimo de 2005. Dizem que o «Tragic Idol» já trazia algumas reminiscências mas é certo que só agora, voltamos a ver a luz. Eventualmente os Vallenfyre puxaram por Greg Mackintosh e os Bloodbath por Nick Holmes para que o quinteto britânico voltasse a enveredar por trilhos mais obscuros, numa fusão Death / Doom / Goth como há muito tempo não se ouvia. Nick Holmes já berra novamente à séria e os riffs arrastam recordações dos primeiros tempos. Mas nem tudo é passado à volta deste «Plague Within», as vocalizações melancólicas e límpidas prevalecem, as linhas de guitarra continuam numa linha mais melódica e a produção permanece bem poderosa. Ao 14º álbum, os Paradise Lost combinam de uma forma perfeita, elementos mais recentes com a agressividade dos primeiros 5 trabalhos, excelentes partes eléctricas, uma amplitude vocal a destacar, num disco que mergulha de caretas num legado importante mas continua perfeitamente válido actualmente. Jul-15

[ 84 / 100 ]

 

PRIMORDIAL - Where Greater Men Have Fallen / 2014

Sendo uma banda consensual, cada novo disco dos Primordial depara com uma fasquia elevada pela qual ninguém espera menos do que um álbum repleto de emotividade, atmosferas lúgubres e aquela sonoridade enleante, um misto folclórico de tonalidades celtas com Black Metal, atenuado pela cadência de cada composição.
E são 8 os temas que integram «Where Greater Men Have Fallen», um registo de contornos Doom mas onde a banda Irlandesa mergulha frequentemente nas suas raízes mais remotas. Com a presença do colombiano Jaime Gomez, que já tinha masterizado «Redemption at the Puritan's Hand» e produzido anteriormente trabalhos dos Angel Witch, Cathedral ou Ghost, este 8º álbum encerra um forte sentimento épico e "live" que emana dos riffs orientados para uma mescla de estilos black / folk. Negro, apaixonante, atmosférico e sempre com uma qualidade assinalável, este é um daqueles discos que cresce a cada audição, justificando desde logo o seu lugar na já importante lista de trabalhos do quinteto de Dublin. Palavras finais para nova demonstração de atitude e dedicação postas na performance de A.A. Nemtheanga, que o colocam num patamar superior no que a vocalistas de metal diz respeito. Aquele grito no inicio de «The Seed of Tyrants» é elucidativo. Dez-14

[ 89 / 100 ]

 

POWERWOLF - Preachers of the Night / 2013

É inquestionável que os Powerwolf criaram um estilo único, algo do qual poucas bandas actualmente se podem orgulhar. É indiscutível que os temas da banda alemã são cativantes e resultam muito bem ao vivo. É ainda absolutamente consensual que o Power Metal litúrgico protagonizado pelo quinteto liderado por Attila Dorn é uma pedrada refrescante para esta época estival, carente de álbuns de maior interesse. Caso utilizássemos esta introdução para algum dos primeiros discos do colectivo estaríamos plenamente de acordo sobre uma série de factores que nos levariam a recomendar esta rodela.
Ao quinto álbum, os Powerwolf repetem todos os seus clichés, mantendo-se numa zona de conforto que começa a tornar-se repetitiva, retirando parte da longevidade que os trabalhos iniciais ainda possuíam. Acima da faceta mais operática, das orquestrações majestosas e da excelente mistura, novamente a cargo de Fredrik Nordström, pouco sobra neste «Preachers of the Night» que já não tenha sido escutado anteriormente. Enfim, revelados os segredos da sacristia, comidas meia dúzia de hóstias, ouvidas algumas homilias e penetrando por alguns confessionários, a costela religiosa fica algo fora de prazo. Set-13

[ 75 / 100 ]

 

PROCESS OF GUILT - Fæmin / 2011

A terceira ogiva dos eborenses Process of Guilt já assola os palcos nacionais e quem teve a oportunidade de os ver no recente Steel Warriors Rebellion assistiu à actuação de uma banda cada vez mais coesa e ciente do caminho que pretende percorrer, numa altura em que a industria discográfica caminha a passos largos para o abismo. Depois da estreia com «Renounce», um opus de Death / Doom como mandam as regras, o quarteto envereda por caminhos ainda mais negros, onde a melodia dá lugar ao feedback e à deconstrução instrumental, criando um monstro de Post-Rock chamado «Erosion».
Numa linha ainda mais intrincada, os 5 temas de «Fæmin» escorregam lentamente ao longo de todo o registo de forma quase catártica. A cadência repetitiva, uma ambiência quase tribal e um tempo infinito para que se alcance um outro estado de alma, obrigam o ouvinte a estar comprometido com os sentimentos que emanam deste processo de distorção e negritude. Novamente gravado nos estúdios 5ª Dimensão, com a excepção da bateria, «Fæmin» tem selo da Division Records, só por si uma garantia de reconhecida qualidade, naquela que é talvez a aposta nacional com maior possibilidade de singrar internacionalmente nos dias que correm. Mai-12

[ 77 / 100 ]

 

POWERWOLF - Blood of the Saints / 2011

A cada registo, os Powerwolf vão criando uma aura de perversidade que invade o imaginário religioso por onde vão deambulando de forma sarcástica, à custa de canções irresistíveis, com um enorme potencial para serem debitadas ao vivo. Neste 4º álbum, Attila Dorn domina as hostilidades, graças à sua poderosa capacidade vocal de grande amplitude, um cicerone que nos guia às catacumbas do horror e cuja presença lidera a restante alcateia pelos claustros desta aventura. Instrumentalmente, a componente Power Metal é mais agressiva que a praticada pela maioria das bandas do velho continente, tendo como base uma série de riffs e melodias de cortar a respiração. O órgão, gravado na igreja francesa de St. Barbara de Crusnes, incute-lhes um conteúdo litúrgico e gótico, sendo os coros, clássicos ou não, outro dos pontos altos de cada tema, onde se atinge o reclamado clímax espiritual, ajudando a construção de hinos dignos de serem apresentados em qualquer cerimónia macabra. As misturas finais, a cargo de Fredrik Nordström, trazem a este disco a magnitude sonora pretendida, com a edição em digipack a incluir algumas das malhas mais emblemáticas da quadrilha protagonizadas por uma orquestra em formato sinfónico, revelando a tal faceta clássica que a versão standard já deixa antever. Set-11

[ 84 / 100 ]

 

PRIMORDIAL - Redemption at the Puritan's Hand / 2011

Esbatidas as fronteiras entre os mais diversos estilos que se podem encontrar nos registos recentes dos Primordial, cada passagem ostenta uma intensidade dramática extraordinária que presentemente não tem rival dentro do universo da música mais extrema. Valendo-se de temas densos que transportam a gélida brisa marinha que banha a costa atlântica para dentro das ambiências e paisagens bucólicas da Irlanda, Alan “Nemtheanga” e seus pares fazem-se valer da paixão que empregam a cada instante, envolvendo a audiência no resultado sonoro que se esvai a cada espira. Ao sétimo álbum, os Primordial apresentam-se cada vez mais acutilantes, não porque a sua música se tornou mais letal ou agressiva, como nos tempos em que deambulavam algures pelos meandros do Black/ Folk mais tradicional, mas porque actualmente a banda extravasa, de uma forma ainda mais arrastada, melancólica e sentimental, uma sonoridade superior em termos emotivos. Em média, cada malha de «Redemption at the Puritan’s Hand» supera os 8 minutos de duração, algo que lhe proporciona um carácter místico e duradouro só ao alcance das grandes obras, revelando-se em malhas que seguramente não deverão falhar nos, cada vez mais geniais, concertos efectuados pelo colectivo celta. Mai-11

[ 91 / 100 ]

 

PENTAGRAM - Last Rites / 2011

O percurso dos norte-americanos Pentagram sempre foi sinuoso e repleto de fases menos profícuas, não só pela inconstância de line-up, como pelos problemas de dependência sentidos por Bobby Liebling, um dos pilares desta autêntica instituição ao qual o Heavy/ Doom muito deve. Com novo regresso de Victor Griffin ao colectivo, o guitarrista dos Place of Skulls como que trouxe aquilo que faltava para que «The Last Rites» seja, desde já, um dos melhores álbuns da banda, em décadas.
Possuindo uma produção quente e encorpada, uma orientação com mais groove, mas ainda assim não perdendo a faceta psicadélica e Stoner de outros tempos, estes 11 temas ostentam uma pesada herança retro, parte deles até foram desenterrados no baú de recordações, e de forma melancólica e descomprometida, oferecem-nos uma viagem saudável ao passado longínquo. Além da performance de Griffin, a voz de Liebling é obviamente um dos pontos altos desta gravação, não só porque mantém o seu registo característico, acrescentando-lhe a maturação própria da sua já provecta idade, a par da cedência lenta e eficiente protagonizada por Greg Turley, outro dos regressos ao seio da banda. Um disco que por direito próprio figurará nos 40 anos de história deste lendário grupo de Washington. Mai-11

[ 82 / 100 ]

 

PROCESS OF GUILT - Erosion / 2009

É salutar a grande actividade para os lados dos Process of Guilt, comprovada através dos lançamentos em associação com a Major Label Industries e a edição em cassete de obras mais antigas pela Bubonic Productions. Assim, a banda vai ao fundo de catálogo revisitar as demos «Demising Grace» e «Portraits of Regret», revive o álbum de estreia noutros formatos e ainda nos oferece um split EP com os britânicos Caïna, um balanço abrangente antes de nos convidar a emergir nos círculos de «Erosion».
Mais uma vez registado nos estúdios 5ª Dimensão pela mão de João Bacelar; a masterização desta feita ficou a cargo de Collin Jordan que nos próprios The Boiler Room de Chicago já tratou do som de projectos como Minsk, Nachtmystium, Yakuza ou Ministry; esta segunda incursão integral do quarteto eborense reveste-se de uma roupagem menos directa, onde a base inicial Doom / Death se embrenha presentemente em sonoridades mais actuais, algures com ramificações post-Rock e em enleantes passagens que se vão repetindo em crescendo, num emaranhado de sentimentos difusos, tons carregados e efeitos controladamente aleatórios.
Pesado, envolvente e quase viciante, estamos perante um disco ao nível do que se vai fazendo nos movimentos mais alternativos, de pura fusão estilística. Ago-09

[ 81 / 100 ]

 

POWERWOLF - Bible of the Beast / 2009

Numa altura em que os sons mais tradicionais parecem querer retomar um certo protagonismo, o qual foi estando afastado face a correntes mais experimentais e de vanguarda, os Powerwolf fazem essa ponte de forma quase perfeita ao misturarem uma diversidade impressionante de estilos clássicos, fundindo-os num álbum que, apesar da variedade de composição, mantém um nível elevado desde o seu inicio.
Baseado nas aparições bíblicas de satanás, recorrendo à ajuda de um coro clássico de 25 elementos, cuja presença em 8 dos temas juntamente com Falk Maria Schlegel em torno dos seus tubos do purgatório, vincam a aura eclesiástica que o quinteto germânico teima em envergar, este 3ª álbum reporta em todo o seu esplendor ao metal teutónico, envolto em atmosferas Heavy/Folk e executado com o entusiasmo próprio de uma banda em ascensão. Deixando para trás alguma sonoridade Doom que varreu a estreia «Return in Bloodred», o quinteto germânico deambula em torno das palestras de Attila Dorn com um manancial de temas efusivos, bem direccionados e com um enorme propensão live. Com misturas a cargo de Fredrik Nordström, este documento destila ironia por todos os poros, numa orgia entre anjos e demónios. Mai-09

[ 86 / 100 ]

 

PITCH BLACK - Hate Division / 2009

Quatro anos depois do álbum que colocou os Pitch Black como uma das mais emblemáticas bandas do underground nacional, uma série infindável de concertos e alguns retrocessos causados pelas dificuldades em reter um vocalista, o quinteto nortenho disponibiliza finalmente a sua segunda descarga de thrash para a elite.
Este disco é um grande salto em frente relativamente ao seu predecessor e já deu para confirmar ao vivo que, além de todas as malhas destilarem pura adrenalina, existe maior variedade de ganchos e riffs e acima de tudo muito suor. «Hate Division» conta ainda com a poderosa presença de Hugo dos Switchtense, elemento que os tem acompanhado no últimos anos mas, pese toda a dedicação e postura inigualáveis, todos sentiam que tal solução seria transitória. Aliada à natural postura mais core que alguns pretendiam mais rasgada e mordaz, é pois com expectativa que se aguarda como Tiago Albernaz, o front-man dos The Endgate, irá agora agarrar neste ambicioso fardo. Em mais uma produção de Rui Danin, a banda opta por masterizar com Jacob Hanson, decisão projectada num som final absolutamente esmagador.
Não acreditam no urderground? Abram o booklet ou então apareçam por aí num dos vários palcos preparados para altas descargas da thrash killing machine. Abr-09

[ 85 / 100 ]

 

PESTILENCE - Resurrection Macabre / 2009

A onda de revivalismo que varreu alguns dos clássicos do Thrash parece ter-se agora virado para quem, em plena década de 90’, se dedicava a injectar doses de experimentalismo à volta do Death Metal. Embora todo o tipo de cambiantes já tenha sido utilizada dentro deste género, é justo realçar que foram bandas como os Cynic, Atheist ou Pestilence que tiveram a ousadia em iniciar este tipo de profanação.
Assim, Patrick Mameli reformula a banda recrutando o talentoso baterista Peter Wildoer aos Darkane, completando a secção rítmica com Tony Choy, elemento que já o acompanhava nos C-187, virtuoso membro dos Atheist e ainda integrante do colectivo por altura de «Testimony of the Ancients». E é exactamente nessa fase que mergulha este 5º álbum de originais dos holandeses, uma vez que a faceta Jazz e de fusão apresentada em «Spheres» é quase colocada de lado, enveredando o trio, com Patrick Uterwijk reintegrado para as actividades ao vivo, pela brutalidade orgânica e crueza dos primeiros tempos, sobre um desempenho gutural do seu líder.
É certo que em tempos Mameli renegou de forma veemente toda a cena e como que regressa ao encontro da árvore das patacas mas ainda bem que o faz com inspiração, num trabalho pejado de desarmonias de guitarra e dissonantes melodias. Mar-09

[ 81 / 100 ]

 

PRIMORDIAL - To the Nameless Dead / 2007

Cada vez mais introspectivo, épico e arrastado, o som dos irlandeses Primordial há muito que abandonou as tonalidades mais Blackish dos primeiros tempos, dedicando-se agora a explanar de forma contemplativa uma miríade de sensações e sentimentos enleantes que se desenvolvem ao longo de cada um dos temas.
«To the Nameless Dead» é já o 6º trabalho desta banda de Dublin e como que reflecte a postura e o estatuto que já alcançaram no meio underground a nível internacional. Longos pedaços de poesia cantados com o coração, onde o lamento e a tristeza patenteados se fundem com toda a dor e o pesar que lhes vão na alma, ajudam a criar uma paisagem de uma melancolia atroz, cuja beleza é inultrapassável. A utilização de elementos Folk é agora mais limitada, uma vez que existe uma maior aposta nas linhas hipnóticas das guitarras e na voz cada vez mais a trabalhar sem rede deA. A Nemtheanga, numa produção propositadamente crua para o efeito. Transpiram-se momentos de sacrifício, numa áspera mistura sangrenta de alívio e morte.
Aconselhável a edição em digipack que, além de belíssima, inclui um segundo CD gravado ao vivo durante a actuação no Hard Open Air 2006, sem grandes truques de estúdio mas com o maior dos sentimentos. Dez-07

[ 9.5 ]

 

PROCESS OF GUILT - Renouce / 2006

Oriundos de Évora, os Process of Guilt integram uma nova vaga de bandas com acentuada faceta Doom / Death que tem aparecido recentemente em Portugal. Juntamente com os Before the Rain e os Why Angels Fall, o quarteto alentejano tem evidenciado um maior dinamismo criativo, tendo já disponibilizado 2 extensas demos datadas de 2002 e 2004 que serviram de suporte a uma série de espectáculos que os levaria a abrir para bandas como os Morgion ou os Mourning Beloveth.
Iniciando as gravações em finais de 2005 no estúdio 5ª dimensão e novamente com produção de João Bacelar, após 3 meses de árduo labor, «Renouce» é remetido para os Cutting Room Studios, onde é remasterizado pelas mãos de Thomas Eberger, responsável por trabalhos de bandas como Opeth ou Katatonia. Ao longo de 7 temas com uma média de 10 minutos, este disco deambula entre os arrastados riffs propostos pela dupla Hugo Santos / Nuno David e a pesarosa secção rítmica composta por Gonçalo Correia e Custódio Rato. A voz de Hugo Santos acentua a natureza pessoal deste registo, elevando a fasquia de qualidade para patamares superiores.
Com distribuição a cargo da recém criada Major Label Industries, este é mais um trabalho do underground nacional que não merece passar despercebido. Nov-06

[ 8 ]

 

PATHS OF POSSESSION - Promises in Blood / 2005

Com história para contar desde 1994 e mesmo com Richard Brunelle um ex-guitarrista dos Morbid Angel na formação, só a edição de um split CD com os Dark Faith datado de 2003 fez com que a banda da Florida começasse a ter algum impacto no panorama internacional, pelo simples facto do vocalista George “Corpsegrinder” Fisher passar a integrar o quinteto como elemento oficial.
É agradável constatar que este «Promises in Blood», o segundo álbum do colectivo, se revela um disco extremamente descomplexado em relação à instituição Cannibal Corpse. Os 12 temas que aqui podemos encontrar são tão thrashados que parece estarmos a ouvir algum projecto oriundo da Bay Area. Mesmo sendo um disco brutal e demolidor, todos os momentos adquirem uma sonoridade acessível e dinâmica, onde se sentem fortes tendências da melódica cena Death sueca mescladas com devaneios mais catchy, como sempre fizeram bandas como os Obituary.
Com produção a cargo de Erik Rutan e misturas finais de Alan Douches, verifica-se que este disco pode ser comparado, sem qualquer tipo de menoridade, com o que hoje vai fazendo Chris Barnes com os seus Six Feet Under. Afinal a grande diferença, continua mesmo a ser a voz. Jan-06

[ 8 ]

 

PROJECTO 103 - Inside / 2005 (MCD)

Os Projecto 103 são uma banda de Lagos, criada na continuação de uma outra formação algarvia com bastante experiência de palco, os Caveman Society.
Numa onda mais industrial, suportada por uma base predominantemente Thrash e de cariz bem old-school , este MCD de apresentação surpreende-nos pela quantidade invulgar de programações e samples que, adicionados ao resultado final, o tornam num registo muito envolvente e interessante. Todo o trabalho necessário para a realização deste disco – desde o layout até ás misturas finais – foi feito pela própria banda, o que seguramente lhes trará uma maior bagagem e experiência no futuro.
Como aspectos menos positivos, temos as vocalizações algo deficientes e o som sofrível da bateria, principalmente o proveniente da tarola, que a espaços faz lembrar as terríveis sonoridades do «St. Anger» dos Metallica.
Nota-se que existe uma enorme margem de progressão e muitas ideias para por em prática desde já, nada que um produtor consciente e uns estúdios de inegável categoria não possam resolver com alguma facilidade. Uma experiência bem criativa, que se espera e deseja, tenha a merecida continuidade. Set-05

[ 6.5 ]

 

PITCH BLACK - Thrash Killing Machine / 2005

Os portuenses Pitch Black já andam nestas lides há cerca de 10 anos e entre a edição de demo-tapes e espectáculos ao vivo, incluindo a abertura de concertos de bandas conceituadas e vitórias em concursos de música moderna, foram ganhando uma forte base de apoio e consideração dentro do panorama mais underground . Em finais de 2002, chega finalmente a oportunidade de gravarem o álbum de estreia nos Trigger Studios, sendo que as misturas e master finais são realizadas nos Rec 'N' Roll. Infelizmente, numa altura em que bandas de metalcore , neothrash ou emodeath proliferam como cogumelos, foram necessários mais 2 anos para que uma editora como a Recital pegasse neste produto.
O som dos Pitch Black é puro Thrash , desprovido de polimentos desnecessários ou modernices típicas da nova vaga. Aqui seguem-se os padrões regulamentados pelo estilo na década de 80' e para quem ainda não os conhece, ficará a impressão que «Thrash Killing Machine» contém material que a banda tem vindo a usar e abusar nas suas excitantes actuações ao longo da última década.
Agora que o primeiro grande passo está dado, que o próximo seja firme e bem mais rápido. Abr-05

[ 8 ]

 

PARADISE LOST / 2005

Quando em 97' a banda britânica decidiu redireccionar o som que até então tinha praticado, com um sucesso crescente no seio da comunidade mais extrema, cedo se começaram a sentir algumas dificuldades de comunicação entre a banda e os antigos fãs. Todos os discos que entretanto foram gravados traziam inicialmente perspectivas de um certo retorno às raízes mas que no final se revelavam perfeitamente infrutíferas. A colagem a bandas mais mainstream, revelando uma postura menos energética e ao mesmo tempo alguma falta de inspiração, factos que facilmente se constatam nas diversas actuações ao vivo, criaram uma imagem de alguma insegurança e indefinição no seio do grupo.
Embora ainda se sinta um cheirinho a «Draconian Times», este disco está demasiado colado a «Symbol of Life» para se acalentar ainda alguma esperança numa recaída de Nick Holmes & Co num hipotético regresso ao passado há muito esquecido. Abr-05

[ 6 ]

 

PRIMORDIAL - The Gathering Wilderness / 2005

Ao 5º registo de longa duração, um maior reconhecimento parece ter chegado ao colectivo liderado pelo vocalista A.A Nemtheanga e pelo guitarrista C. MacUilliam, os principais responsáveis pelas composições do quinteto irlandês. Na poderosa Metal Blade, tem finalmente as condições necessárias para alcançar um público que ainda os desconhece. Quando bandas como os My Dying Bride, Opeth ou Katatonia fazem as delícias das hordas mais melancólicas, é uma pena que estes Primordial fiquem à margem desse reconhecimento.
Ainda mais negro e arrastado que os trabalhos anteriores, somos confrontados ao longo dos 7 temas que perfazem quase uma hora de duração, com paisagens monocromáticas em tons de cinza carregadas de intensos lamentos, sofrimento e depressão. A produção crua e despida de artifícios tecnológicos aliada às vocalizações límpidas e não raras vezes a fugir do tom “politicamente correcto”, incutem sinceridade e muita honestidade a «The Gathering Wilderness», um álbum apaixonante e cheio de sentimentos que merecem ser descobertos. Mar-05

[ 8 ]

 

PREDATOR / 2004

De um passado quase desconhecido, sabe-se que iniciaram as suas actividades em 96 sob a designação de Stormblade, pelos quais lançam 2 EPs e uma demo. Em 2001 adoptam o actual nome - Predator.
Este jovem quinteto oriundo de Rödinghausen (Alemanha) pratica um género de Power / Speed Metal musculoso e cru, muito bem estruturado, com algumas partes melódicas mas quase sempre a "abrir". A estreia contém dez temas muito lineares, onde o mais difícil é destacar algo no meio de significativa falta de originalidade. Complementado com coros sofríveis, solos metidos à pressão e frequentes passagens algo irritantes - falhas de produção!?, este é o típico Metal teutónico que me tira do sério. A (in)dispensável balada da praxe também não podia faltar.
Embora o potencial da banda seja evidente, o uso e abuso de clichés torna este disco, juntamente com dezenas de outros registos semelhantes que se fizeram nas últimas 3 décadas, absolutamente dispensável.
Apenas aconselhável a familiares da banda ou fanáticos do género. Ago-04

[ 4.5 ]

 

PLACE OF SKULLS - With Vision / 2003

Victor Griffin, guitarrista dos extintos Pentagram, dispensa apresentações para a vasta comunidade stoner / doom. Com o anuncio da entrada de Scott "Wino" Weinrich, outro dos mais importantes guitarristas de Doom Metal, o cérebro de colectivos como Saint Vitus, Obsessed ou Spirit Caravan, a banda americana apresenta-se com uma inigualável dupla de talentos. A colaboração entre estas grandes referências, não só na composição deste segundo álbum, mas também nas vocalizações e nas espantosas partes de guitarra e solos, fazem deste trabalho um clássico dentro do género, um disco repleto de vitalidade e frescura.
Talvez escaldados pelas más experiências passadas com as drogas, distinguem-se pela mensagem positiva, renegando as referências a satanás e ao oculto, tão em voga em projectos semelhantes. Com claras influências de Black Sabbath e anos 70', estamos perante algo verdadeiramente terapêutico de tão relaxante que é. Um som caloroso e potente, um balanço Blues e um forte groove marcam este trabalho apaixonante e vibrante.
Entretanto "Wino" abandonou os POS, o que torna este "With Vision" ainda mais especial e único.

[ 9.5 ]

 

PARAGON - The Dark Legacy / 2003

Os germânicos Paragon representam tudo aquilo que pessoalmente não aprecio - Power / Speed teutónico com fortes influências Judas Priest, repleto de clichés e para piorar ainda mais as coisas, uma voz extremamente irritante. Por isso, sempre fugi a sete pés de discos de bandas como Grave Digger ou Primal Fear.
Esquecendo este preconceito enraizado, eis que me chega às mãos o 6º trabalho! desta banda de Hamburgo. Os temas até não são maus, também não são nenhumas pérolas de criatividade, mas a voz de Andreas Babuschkin arruina por completo qualquer estrutura sonora. Ainda bem que não há baladas pois não sei se conseguia suportar. O "artwork" de "The Dark Legacy" diz tudo sobre a rodela interior.
Mas há quem goste pois ainda não encontrei uma única critica negativa.

[ 3 ]

 

PARADISE LOST – Symbol of Life / 2002

Desde que lançaram «One Second» em 1997, o som dos Paradise Lost foi-se tornando cada vez mais comercial e a genialidade de outros tempos, com as suas raízes góticas, deu lugar a sons melódicos e mais populares. As guitarras foram perdendo a força e a voz de Nick Holmes a agressividade. Em «Symbol of Life» era esperado um certo regresso ao passado e o disco até começa muito bem com um potente “Isolate” mas rapidamente se chega à conclusão que embora mais pesado e repleto de boas canções este é um disco na linha dos anteriores mas felizmente muito melhor. Os Paradise Lost já não são uma banda de referência mas mesmo assim ainda sabem fazer boa música.

[ 7.5 ]

 

PAIN - Nothing Remains the Same / 2002

Este projecto a solo de Peter Tagtgren nada tem a ver com Hypocrisy, logo aconselho os fãs a escutar com atenção antes de terem um ataque de pânico. O tema mais forte deste disco está longe, em termos de peso, dos mais calmos alguma vez gravados pela banda sueca que de entre vários álbuns nos ofereceu pérolas como «The Fourth Dimension» ou «Abducted».
«Nothing Remains the Same» até começa de uma forma bem interessante mas a partir da quinta faixa tudo se torna demasiado previsível e aborrecido. Um disco muito "cool", pouco pesado e bastante certinho, onde o multi-talentoso guitarrista, cantor e super produtor usa e abusa de tiques e toques industriais através de arranjos sintetizados.
Uma nota ainda de destaque para a boa interpretação dada ao clássico dos The Beatles «Eleanor Rigby».

[ 6 ]

 

PAIN CONTROL - Subvert / 2002

De uma maneira diferente da habitual este CD entrou na minha aparelhagem. Sem conhecer ou sequer alguma vez ter ouvido falar deste quarteto britânico decidi dar-lhes uma oportunidade.
Claramente este é um disco de uma banda ainda à procura de um som mais personalizado. Dos dez temas de «Subvert» não há um que se imponha embora todos eles tentem abordar géneros musicais um pouco diferentes - do Hardcore ao Industrial, do Modern ao Gothic Metal - mas sempre numa base Thrash, a lembrar por vezes os primórdios dos Iced Earth. O grande destaque acaba por ser a participação do teclista Les Smith (Anathema e ex-Cradle of Filth) que ajuda, e de que maneira, a criar alguma atmosfera a este insosso e confuso registo.

[ 5 ]

 

PRIMORDIAL - Storm Before Calm / 2002

Influenciados e inspirados no folclore irlandês, na sua cultura e história e interligando isso a um som épico mas poderoso, pessoal e melancólico, o quinteto liderado por A. A. Nemtheanga consegue de disco para disco cimentar a sua posição no ranking mundial do Black Metal mais arrastado.
Desta vez escolheram o caminho da violência em vez do da emoção o que torna este registo mais igual a tantos outros. No entanto, as excelentes guitarras e a bateria consistente - a uma velocidade hipnótica - continuam a ser os trunfos fortes, num registo novamente sincero e bastante positivo.


[ 7 ]