: : MALEITAS/ANÁLISES : : O : : .

OBITUARY / 2017

A caminho das 3 décadas de existência, com algumas paragens mais ou menos prolongadas pelo meio, os Obituary chegam ao 10º álbum plenos de vitalidade. E se os trabalhos lançados logo após o regresso em 2005 deixaram um pouco a desejar, com o mais recente «Inked in Blood» o quinteto da Florida soube captar a agressividade e a energia que que faltava. A entrada de Kenny Andrews parece ter feito bem à banda e tal volta a repetir-se nesta rodela auto-intitulada, onde o guitarrista não acusa o legado deixado por Allen West, James Murphy ou um mais metódico Ralph Santolla e com uma performance extraordinária, técnica o quanto baste, devolve a «Obituary» muito do vigor e complementaridade que pareciam arredados, combinando de forma imperial com Trevor Peres. Terry Butler e Donald Tardy formam uma secção rítmica coesa e absolutamente fundamental enquanto John Tardy volta a não deixar os seus créditos (nem a garganta) por mãos alheias. Com um arranque avassalador, este disco cedo desagua em águas mais calmas, num estilo característico, pujante e carregado de riffs vigorosos. Não tão polidos como no registo precedente, os Obituary são uma máquina de groove e que a qualquer tema nos remete para o Death Metal mais old-school. Mai - 17

[ 82 / 100 ]

 

OVERKILL - The Grinding Wheel / 2017

Parceiros desde 1980, D.D. Verni em conjunto com o Bobby "Blitz" Ellsworth tem, de uma forma persistente, criado um impressionante legado de álbuns coerentes, não perdendo ponta de energia a caminho dos quarenta (40) anos de carreira! Com a mesma formação desde 2005, a banda de New York adquiriu uma pujança suplementar, apresentando-se numa forma admirável desde então. Foi principalmente após a entrada do baterista Ronald Lipnicki e com «Immortalis», que passou a haver uma maior apetência pela rapidez em detrimento de alguma progressividade e abrandamento que ia vigorando na altura e é um pouco de tudo isso que podemos encontrar em «The Grinding Wheel», um admirável take #19. Dos gritos incorrigíveis de Blitz ao groove poderoso e sempre presente debitado pelo baixo de Verni, na marcante e sólida percussão e no trabalho fantástico dos guitarristas Dave Linsk / Derek Tailer vão-se fazendo incursões, ao longo de todo o disco, nas várias fases da sua longuíssima história. Os acelerados temas de abertura como «Our Finest Hour» evocam o que de melhor os Overkill tem para nos dar em termos do mais puro Thrash Metal enquanto que em «The Long Road» ou «Come Heavy», por exemplo, decaem para aquela faceta mais refinada e negra que tão bem sabem fazer. Mar - 17

[ 89 / 100 ]

 

OPETH - Sorceress / 2016

A veia introspectiva e dominantemente progressiva que assalta a fase mais recente dos suecos liderados por Mikael Akerfeldt não pode, de todo, ser considerada uma nova tendência mesmo quando aquela faceta mais agressiva, patente nos primeiros registos, tenha ficado para trás. É claro que à medida que a carreira dos Opeth foi progredindo, as vocalizações guturais, as guitarras mais agressivas e alguns devaneios Death Metal foram desaparecendo mas quem pega, por exemplo, em algumas partes dos álbuns iniciais, consegue visualizar passagens mais serenas que poderiam estar perfeitamente neste «Sorceress». Infelizmente eram esses momentos contrastantes e mais letais que davam aos Opeth uma aura especial, colocando-os sem grande discussão num patamar superior.
Ao 12º álbum o quinteto sueco, em linha com o que nos ofereceu em «Heritage» e «Pale Communion», embarca em nova proposta ultra-progressiva, desta feita de uma forma mais directa e descomplexada, num claro tributo aos 70s, onde Akerfeldt nunca deixou de beber inspiração. Infelizmente «Sorceress» soa aborrecido e, ao contrario de outros trabalhos, não cresce com as audições. Embora irrepreensivelmente executado, a falta de energia torna este disco num profundo bocejo. Nov - 16

[ 56 / 100 ]

 

OBITUARY - Inked in Blood / 2014

Antes de entrarem numa fase de menor fulgor, através de álbuns inatacáveis como «Slowly We Rot» ou «Cause of Death», os Obituary colaram-se à primeira linha do movimento Death Metal, estilo que já começava a ter um enorme reconhecimento no final dos anos 80'. O interregno de quase uma década e os discos a meio gás que se foram sucedendo, não ajudariam a recolocar a banda da Flórida no topo.
Após mais um afastamento, agora de 5 anos, viram partir Frank Watkins surpreendentemente para os Gorgoroth, substituição entretanto bem colmatada por Terry Butler ex-baixista dos Death, Six Feet Under e Massacre, Ralph Santolla que raramente se adaptou à posição dá lugar a Kenny Andrews enquanto os irmãos Tardy e Trevor Peres iniciam uma campanha junto dos fãs no sentido de recolherem fundos para aquele que seria o 9º álbum. E em boa hora o fizeram pois, a começar pela capa, «Inked in Blood» é agressivo, repleto de temas enérgicos construídos à volta de tempos variados, superando facilmente tudo o que fizeram desde «Frozen in Time». Sob uma produção crua e denotando uma inspiração há muito perdida, John rasga as suas cordas vocais a cada estrofe, entrecortadas por torrentes de riffs (e que riffs) envolvidas pelo groove de uma sessão rítmica novamente bem marcante. Nov - 14

[ 87 / 100 ]

 

OPETH - Pale Communion / 2014

O caminho que os suecos Opeth foram percorrendo, tornando-se cada vez mais progressivos e ao mesmo tempo afastando-se das ramificações Death Metal, quer nas vocalizações abrasivas como em partes de guitarra mais carregadas, tem em «Pale Communion» o seu apogeu. Para quem, a partir de «Damnation», ou até antes ainda, foi perdendo empatia com o percurso entretanto trilhado, este é um álbum seguramente para esquecer. Os que sempre apreciaram as influências setentistas, as partes de órgão bem nostálgicas, desta feita a cargo de Joakim Svalberg que substitui na perfeição Per Wiberg, o qual já esteva na banda desde 2003, o mundo psicadélico com contornos atmosféricos, bem marcadas pelas misturas finais do sempre presente Steven Wilson, os tons fortemente progressivos e complexos, acentuados pela prestações rítmicas de Martín Méndez e Axenrot e os momentos de fusão emotiva, saídos das guitarras de Fredrik Åkesson e Mikael Åkerfeldt, cuja voz está cada vez mais límpida e harmoniosa, vão adorar este novo trabalho. Certo que, com o passar dos anos, os Opeth foram desacelerando mas se voltarmos a ouvir «Orchild» ou «Morningrise» não se pode, em consciência, afirmar que estaremos a falar de uma banda diferente. Set - 14

[ 86 / 100 ]

 

OVERKILL - White Devil Armory / 2014

E ao terceiro álbum na gigantesca Nuclear Blast os Overkill voltam a arrasar e, se dúvidas existissem elas ficam totalmente dissipadas, pois a banda de Nova Jérsia é sem dúvida aquela que actualmente se apresenta com maior vitalidade, dentro de toda a comunidade Thrash, incluindo mesmo os projectos que tentam apanhar o comboio do revivalismo. «White Devil Armory» possui a potência dos dois discos anteriores mas vence-os em termos de diversidade, explorando até ao limite a competente variante rítmica, brincando com os tempos e groove, não poupando a energia debitada pela melhor dupla de guitarristas que já passou pelo colectivo, e já lá vão quase 15 anos que Dave Linsk e Derek Tailer comungam todas as passagens de guitarra, enquanto Ellsworth faz o resto de forma avassaladora, com 55 anos de idade no lombo! Ao fim de 11 temas, ao nível do melhor que já produziram, mostram a sua força com mais 2 faixas bónus que teriam lugar no alinhamento de qualquer álbum, o que comprova a forma imparável do quinteto americano. Creio que será impossível esta autêntica besta de Thrash moderno continuar com esta performance durante os próximos 35 anos pelo que é obrigatório aproveitar já a próxima incursão dos Overkill pelo nosso país, pois é ao vivo, onde eles (e nós) se sentem melhor. Ago - 14

[ 94 / 100 ]

 

OVERKILL - The Electric Age / 2012

Injustamente arredados da luz emitida pelos holofotes dos Big Four, a par dos Testament, os Overkill são sem dúvida a banda mais activa de entre todas as que estiveram na génese do movimento Thrash americano. Enquanto o estilo esteve quase moribundo o grupo de New Jersey continuou a editar desenfreadamente trabalhos que foram, a espaços, tentando adaptar-se aos sinais dos tempos mas nunca perderam aquele cunho característico que os destacou dos demais. Com a ressurgimento em força do revivalismo Thrash e coincidindo com entrada na Nuclear Blast, o quinteto como que ganhou nova vida com «Ironbound» que, aos trinta anos de carreira, consegue ser um dos melhores registos duma extensa e recheada discografia.
Neste mais recente «The Electric Age» toda a qualidade e pujança do álbum anterior é aqui revisitada, num compêndio de violência e desenfreada devastação sonora. A produção encorpada, agora a cargo da própria banda, confere uma enorme potência e modernidade aos temas quase sempre a abrir, numa mescla do groove apresentado durante os mais recentes trabalhos e a costela Punk / Old School que nunca abandonaram. Um line-up perfeitamente estável e em grande forma, proporciona-nos um disco a todos os níveis esmagador, diverso e cheio de energia. Mai - 12

[ 88 / 100 ]

 

OPETH - Heritage / 2011

Num patamar superior no que ao som mais pesado diz respeito e numa altura em que a música é cada vez mais descartável e efémera, se existem instituições imaculadas e com uma legião de fãs considerável, de entre as cerca de meia dúzia actualmente nessa situação, os Opeth são evidentemente uma delas.
Num percurso cada vez mais pausado, quase como se «Damnation» ressurgisse em toda a sua plenitude, embora de forma menos ligeira, «Heritage» evidencia ao longo de todo o seu esplendor uma miríade de World Music, do Jazz ao Hard Rock, passando pelo universo da música Folk, explanada em períodos de pura excelência, magia e hipnose. Obviamente não serão os trechos acústicos, as partes declamadas, as diversas incursão de piano, melotron ou órgão, os acompanhamentos de flauta e os exóticos devaneios na percussão que se enquadrarão no gosto dos seguidores de longa data, mesmo que todos estes sons proporcionem momentos subtis e duradouros. Sem growls e isento de conteúdo Metal, este décimo opus dos Suecos evidencia toda a sua versatilidade que, sempre com um cunho Prog Rock acentuado, se vai debruçando em influências recolhidas no final da década de 60’ e nos anos subsequentes, bem registadas numa excelente e orgânica produção. Out - 11

[ 84 / 100 ]

 

OVERKILL - Ironbound / 2010

O quinteto de New Jersey tem revelado uma regularidade impressionante ao longo dos 30 preenchidos anos de carreira e embora parte dos trabalhos lançados desde que a banda abandonou a Atlantic não acompanhe todo o fulgor de outros tempos, é nas inúmeras incursões live que a máquina se tem revelado letal.
Esta entrada na Nuclear Blast garante-lhes uma produção mais robusta e poderosa à custa de um orçamento acima do que estariam habituados, fazendo de «Ironbound» um álbum mais intenso, veloz e pesado que os seus antecessores, onde o excesso de mid-tempo e experimentalismo induziam uma certa ideia de cansaço. A dupla Dave Linsk / Derek Tailer é em muito responsável pela dinâmica que emana deste disco, através de uma série de riffs empolgantes e um maior investimento nos solos, o baixo de D.D. Verni continua marcante coadjuvando mais um valente desempenho de Bobby Blitz e mesmo com um som da bateria poderoso mas algo clinico, talvez a única pecha no trabalho de Peter Tagtgren, estamos perante um imaculado manancial de speedthrash, repleto de passagens trituradoras e com inevitáveis inflexões para o campo do NWOBHM. Fica assim reforçada a integridade de uma banda old-school que nos tempos actuais aniquila por completo toda a concorrência. Fev - 10

[ 92 / 100 ]

 

ORPHANED LAND - The Never Ending Way of ORwarriOR / 2010

O universo do Metal sempre se sentiu confortável na dicotomia do bem e do mal, nos conflitos entre deuses e demónios ou no contraste das trevas contra a luz. Mais raro, mas não menos interessante, é abarcar num mesmo conceito culturas que fomentam o ódio entre si, trabalhá-las em termos artísticos e chegar à conclusão que afinal elas até nem diferem assim tanto. Caso a cidade de Jerusalém, multi-cultural e sede de eternos conflitos religiosos, se reunisse em torno de um mesmo ideal, tal acontecimento utópico seria uma analogia perfeita com o que a banda judaica pretende suportar.
Seis anos após «Mabool» e uma interminável estadia em estúdio, o quarteto israelita em conjunto com uma série de músicos convidados e Steven Wilson na produção e misturas finais, apresenta-se com um álbum repleto de elementos progressivos, forte conteúdo étnico e as habituais incursões no folclore arábico. Deambulando através de estruturas desconexas, onde a brutalidade pontual logo se transforma em melodia que vai fluindo de forma natural, resultados só possíveis á custa da diversidade vocal de Kobi Farhi e pelo exímio
performer que é Yossi Sassi Sa’aron à volta da sua panóplia de instrumentos, fazendo deste complexo e longo 4º trabalho de originais, uma etapa majestosa de maturidade, reflexão mística e excelente musicalidade. Fev - 10

[ 87 / 100 ]

 

OBLIQUE RAIN - October Dawn / 2009

Quando há 2 anos auto-editaram o trabalho de estreia, os Oblique Rain granjearam desde logo alguma atenção pela qualidade então explanada. Conhecida por actuar em certos nichos de mercado e pelas suas criteriosas escolhas, a Major Label Industries acaba por lhes deitar a mão, com vista ao lançamento deste outonal «October Dawn».
Se a escolha acabou por recair no mesmo estúdio onde a formação registou «Isohyet», aproveitando a contribuição de Daniel Cardoso como elemento da banda e produtor e ainda de Pedro Mendes que neste álbum participa no solo de «Reminescence», préstimos que já se vão tornando habituais às bandas que gravam nos USS, existe um amadurecimento evidente, comprovado nos 2 gigs que a banda do Porto realizou recentemente a abrir para os Anathema. Mantendo a veia progressiva mas revelando maior cuidado em evitar colagens mais óbvias, esta experiência intimista vai-se desenhando à custa das 3 guitarras que povoam cada faixa e onde a sessão rítmica se vai afirmando decisiva, uma trademark muito própria e que não deverá ser beliscada com a integração do novo baterista, em substituição do cada vez mais requisitado antecessor. E nem o rugido de Nuno Rodrigues em «Spiral Dreams» parece desvanecer a melancolia que transborda de uma sonoridade turva e cinzenta. Nov - 09

[ 81 / 100 ]

 

OBITUARY - Darkest Day / 2009

Os 3 álbuns e o EP que a banda da Flórida lançou desde o seu regresso ao activo em 2005, pondo fim ao longo interregno de cerca de 10 anos que sucedeu a «Back from the Dead», além de reflectirem uma real cadência editorial, comprovam que a fasquia, principalmente a dos últimos 2 lançamentos, permanece elevada.
«Darkest Day» é um disco mais balanceado que a anterior gravação e, embora essa desaceleração seja mais evidente na parte inicial deste 8º álbum de estúdio, é neste tipo de registo que o groove característico do quinteto mais sobressai. Por outro lado, a dinâmica imposta por Ralf Santolla, principalmente a nível de solos, incute outra dimensão a cada um dos temas embora sendo discutível que tal desiderato represente uma vantagem para os Obituary que sempre primaram pela simplicidade instrumental, como uma das suas mais valias. A secção rítmica liderada por um dos irmãos Tardy continua cirúrgica e a inimitável voz de John vai fazendo o resto, num trabalho equilibrado mas que não deixa de voltar a ser um pouco limitado, principalmente pela forma como a banda jamais conseguiu libertar-se das amarras de «Slowly We Rot» e vinte anos depois esse estigma continua presente. Mesmo assim, a estreia marcada para a edição deste verão do Ermal é para não perder. Jul - 09

[ 75 / 100 ]

 

ONIRIK - After Centuries of Silence / 2009

Abordar um registo introspectivo, frio, negro e minimal, onde os temas quase se fundem uns nos outros, criando um conjunto extenso com perto de 1 hora de duração, não é de assimilação fácil e, mesmo para ouvidos experientes, não será seguramente muito apelativo para repetidas audições. No entanto, quem já conhece o passado de Gonius Rex sabe que, no seguimento das demos, do split com Morte Incandescente e dos álbuns anteriores, não seria de esperar outra coisa que não fosse Raw Black Metal, profundo e sincero, construído à volta de riffs gélidos e hipnóticos, vocalizações agonizantes e monocórdicas, quase sempre em tom declamatório. Neste projecto pessoal - G. Rex interpreta todos os instrumentos e é ainda responsável pela composição destes 10 temas - o autor coloca-se num estado de alheamento e de contemplação perante o declínio da humanidade. Sabendo que evolução é palavra proibida em certos meandros, é certo que se voltam a notar lacunas na secção rítmica e na produção caseira, embora aqui tal resultado seja obviamente o desejado.
«After Centuries of Silence» é já o 5º trabalho lançado pela War Arts Productions que, após recentemente ter colocado no mercado o último álbum dos Irae, se prepara para fazer o mesmo com o regresso dos Morte Incandescente. Jun - 09

[ 66.6 / 100 ]

 

OLD MAN'S CHILD - Slaves of the World / 2009

Após a descarga «Vermin», os Old Man’s Child regressam de um hiato de quatro anos com a percussão entregue a mais uma estrela - Peter Wildoer - o exímio instrumentista que já representou, entre muitas outras, bandas como Arch Enemy, Darkane, Majestic ou Pestilence.
Neste projecto que se tem tornado num escape, o actual guitarrista dos Dimmu Borgir apresenta-se novamente como o único responsável pela composição e execução da totalidade dos instrumentos, excepção feita à já mencionada bateria, mostrando menos pompa e teatralidade em confronto com os trabalhos anteriores, revelando ainda uma orientação marcadamente mais BlackDeath, principalmente a nível de guturais e passagens de guitarra. Com a assiduidade já habitual de Fredrik Nordström aos comandos e produzido pelo próprio Galder, vamos deparando com diversas explosões sonoras, acamadas de forma complexa e quase aleatória, o que dificulta de forma suprema uma correcta assimilação, exigindo-se para tal, um número inusitado de audições para uma maior retenção. E quando ao 7º álbum o tema mais memorável, ainda por cima um bónus, provém de uma regravação do disco homónimo de ’95, algo não caminha em consonância com o pretendido. Jun - 09

[ 76 / 100 ]

 

OPETH - Watershed / 2008

Muitas dúvidas poderiam ser lançadas sobre o futuro dos Opeth, não só pela inclusão na exigente Roadrunner, como pela perda quase simultânea de dois elementos com qualidade mais que reconhecida e comprovada, casos do guitarrista Peter Lindgren e do baterista Martin Lopez. No entanto, verdade seja dita, os Opeth são Mikael Åkerfeldt e embora não seja fácil encontrar por aí músicos capazes de acompanhar tão brilhante compositor, o nível evidenciado por Fredrik Akesson e a precisão clinica de Martin Axenrot demonstram logo a razão desta escolha óbvia.
Neste 9º trabalho do quinteto sueco - o teclista Per Wiberg dos Spiritual Beggards é parte integrante do line-up de pleno direito - a banda permanece dentro dos cânones ultra-progressivos que ultimamente tem atravessado, adensando cada vez mais a sua componente melódica em detrimento das partes mais pesadas. Após uma abertura em tons acústicos e com voz feminina, os restantes 6 temas que compõe «Watershed» deambulam aleatoriamente entre passagens mais introspectivas e sombrias, orquestrações bizarras e dissonantes, momentos repletos de harmonia mas sempre elegantes e ainda algumas partes mais guturais e densas. Como complemento quase obrigatório, chamo a atenção para a edição especial com 3 temas extra. Jun - 08

[ 92 / 100 ]

 

OPETH - The Roundhouse Tapes / 2007

Registado em Novembro de 2006, durante uma actuação da banda sueca na Camden Roadhouse de Londres, ainda com Peter Lindgen a formar a dupla de guitarras com Mikael Åkerfeldt mas já com Martin Axenrot na bateria no lugar que era de Martin Lopez, «The Roundhouse Tapes» percorre ao longo de 9 extensos temas toda a carreira do colectivo, deixando apenas de fora uma referência a «Deliverance».
Equilibrando na perfeição a fase mais antiga com abordagens mais recentes, é com naturalidade que escutamos «Ghost of Perdition» estrategicamente colocado ente temas de «My Arms, Your Hearse» e «Orchild». Ao longo de hora e meia, a imensidão de detalhes e constantes mudanças de tempo da música dos Opeth, provocam uma autentica viagem aos sentidos. Com uma atitude relaxada mas revelando uma categoria evidente e um grande à vontade, não faltam aqui as habituais incursões humorísticas por parte de Åkerfeldt, fechando os olhos facilmente nos sentimos entre a plateia ou não estivéssemos estado presentes num dos últimos concertos realizados no Hard Club, exactamente um mês depois deste evento.
Um documento valioso, complementar à discografia do colectivo e que tem o capítulo visual já agendado para edição em 2008. Dez - 07

[ 8 ]

 

OVERKILL - Immortalis / 2007

Numa fase em que o Thrash Metal volta a estar em grande evidência, graças a um fenómeno de popularidade decorrente de injecções de modernidade e colagem a outros estilos periféricos, casos do Hardcore ou do Death Metal, algumas das bandas que fizeram a história do movimento, há 2 décadas atrás, resolvem aproveitar a boa onda e regressam ao activo de forma mais ou menos consensual. Certamente que os Overkill estão completamente alheios a estas posições de aproveitamento, uma vez que desde 1985 ainda não pararam de nos tentar arrancar a cabeça do pescoço.
«Immortalis» é já o 15º álbum da banda liderada pelo inimitável Bobby ‘Blitz' Ellsworth e pelo não menos carismático D.D. Verni que assistem à partida de Tim Malare, companheiro que já os acompanhava desde 92, sendo substituído por Ron Lipnicki, um baterista que já passou pelos Hades e HavocHate. Em termos sonoros, a “marca do morcego” continua bem evidente, num álbum que abre de forma arrebatadora e mesmo sofrendo alguma desaceleração e excesso de groove ao longo dos 10 temas produzidos pela própria banda, não destoa de todo o seu legado. Ironia do destino, não deixa de ser interessante verificar a partilha de vozes durante «Skull and Bones», entre ‘Blitz' e Randy Blythe, o vocalista dos Lamb of God. Nov - 07

[ 7.5 ]

 

OBLIQUE RAIN - Isohyet / 2007

Cada vez mais produtivo, o underground nacional oferece-nos a cada dia que passa mais uma banda para juntar à colecção e um pequeno click na mais famosa enciclopédia do metal, proporciona acesso imediato a 700 bandas dedicadas ao som mais pesado. Da fartura, é possível encontrar alguma qualidade acima da média e desse filtro mais fino, este colectivo nortenho cujo nascimento remonta a 2004.
Completada a formação, começa então o processo de composição do álbum de estreia. Recorrendo aos préstimos de Daniel Cardoso, não só como produtor mas também como baterista de sessão, os Oblique Rain apresentam um trabalho extremamente competente suportado numa sonoridade que desde logo nos remete para as influências mais marcantes da banda. Os ambientes são progressivos, criando-se em volta de toda a componente instrumental uma mescla de sentimentos melancólicos e de grande beleza musical. O som embora melódico, é bastante poderoso e encorpado, proporcionando espaço para todos os músicos, sem excepção, se revelarem.
Como ponto menos positivo temos, a espaços, alguma colagem a bandas mais consagradas mas com a rodagem ao vivo e alguma persistência, rapidamente teremos os Oblique Rain na linha da frente do panorama interno. Out - 07

[ 8.5 ]

 

OBITUARY - Xecutioner's Return / 2007

O interregno de quase uma década, quebrado em 2005 com «Frozen in Time», trouxe de volta ao cenário o quinteto da Flórida que em 1989 abalou todo um género, através de um marco na história do Death Metal, intitulado «Slowly We Rot».
«Xecutioner's Return», ao remeter para os nomes que a banda chegou a ostentar, pode ser encarado como um regresso ao passado, mesmo que a música proposta pelos Obituary nunca tenha primado pela originalidade, depois do período inicial. O som continua podre e balanceado e a produção demasiado baça incute uma atmosfera retro ao produto final. O álbum desenrola-se numa toada arrastada e com uma forte componente Doom, muito por culpa da secção rítmica que teima em não dar espaço a grandes devaneios por parte de Trevor Peres e Ralph Santolla. Este último que substitui o guitarrista Allen West encarcerado até Fevereiro de 2008, consegue demonstrar toda a sua categoria e técnica, num claro contraste com a crueza e simplicidade envolventes. John Tardy mantém-se como portador de uma voz que destila raiva, um complemento perfeito para o som poderoso e o groove circundantes.
Agora na Candlelight, quebrada que foi a parceria de muitos anos com a Roadrunner, cumprem-se 20 anos de carreira ainda longe da anunciada certidão de óbito. Set - 07

[ 8 ]

 

OMITIR - Meu Fado / 2007 - EP

Omitir é um projecto solitário de Tormentv, criado em 2006, na sequência de um outro de nome Bahamut de onde saíra a demo «Hidden Theory». Já sob a nova designação, no inicio do corrente ano e através da distribuidora austríaca Warfront Productions, são lançadas 666 cópias do álbum «Old Temple of Depression».
Numa toada mais pautada e consciente, provavelmente absorvendo ideias e conceitos decorrentes de longas caminhadas pelo Monte Córdova e embrenhado na poesia emanada pelos Castros locais, o EP «Meu Fado» flui entre melancólicos interlúdios e sofridas composições. O som vai-se tornando claustrofóbico, espesso e dilacerante mas ao mesmo tempo transmite uma calma a roçar os limites da depressão. Por vezes, parece que estamos a escutar um produto oriundo da nova escola francesa, tal a emotividade que alguns trechos nos transmitem mas logo descobrimos que as influências serão porventura mais alcoólicas e bem lusitanas. Sedento de sujidade ainda se prevê que durante o corrente ano Omitir partilhe outros registos com os serranos Bruma Obscura e com os albicastrenses Odium Perpetuum.
Comprovado está que há qualidade no underground e que ela passa forçosamente por aqui. Mai - 07

[ 7.5 ]

 

OLD MAN'S CHILD - Vermin / 2005

Como já tinha acontecido com «Ill-Natured Spiritual Invasion», este disco dos OMC foi escrito, produzido e executado quase na integra por Galder, responsável pelas vozes, guitarras, baixo e teclas, deixando a bateria para Reno Kiilerich, um músico dinamarquês de sessão que já passou por bandas como os Exmortem ou Panzerchrist e detém um impressionante registo de batidas por minuto.
O génio criativo do guitarrista dos Dimmu Borgir é vasto e este projecto é mais um espaço onde poderá descarregar todos os riffs que constrói, principalmente numa altura em que o colectivo norueguês se encontra numa fase mais parada.
Assim em «Vermin» podemos encontrar com facilidade elementos que também caberiam nos discos da banda supracitada, as sonoridades sinfónicas, as harmonias épicas, grandiosas e atmosféricas e uma produção polida, encorpada e muito cristalina. Os 9 temas que perfazem a duração de 37 minutos balançam entre estruturas mais ou menos rápidas, envolvidas numa atmosfera de sonoridades variadas e por vezes mesmo muito acessíveis. Gravado e misturado nos estúdios Fredman, este é um disco aconselhável a apreciadores de bom Black Metal melódico. Nov - 05

[ 8 ]

 

OPETH - Ghost Reveries / 2005

A inclusão do teclista dos Spiritual Beggars Per Wiberg, elemento que já tinha participado nas últimas digressões da banda sueca e o acordo discográfico com a Roadrunner Records, marcam o lançamento do 8º opus na carreira dos Opeth mas, ao contrário do que os mais alarmistas poderiam supor, a qualidade e a imagem de marca de uma das melhores – senão a melhor – banda do século, mantém-se intacta.
Descrever música é sempre uma tarefa ingrata e de lógica discutível, então quando se trata de um trabalho protagonizado por músicos como Åkerfeldt, Martin Mendez, Peter Lindgren ou Martin Lopez, então essa lógica transforma-se numa valente batata.
Mas uma coisa é certa, os apreciadores de Death Metal progressivo irão por certo deliciar-se com mais uma série de texturas ricas em melodia profunda, emoção, momentos sentidos e angustiantes, pintadas por um quinteto de instrumentistas exímios, ora em postura acústica ora em posição marcadamente agressiva, onde registos psicadélicos e jazzisticos não são negligenciados. Realce ainda para as vocalizações límpidas de Michael Åkerfeldt cada vez mais à vontade nestes registos embora, faça questão de provar que é um dos melhores growlers da actualidade.
Mais um álbum irrepreensível e de muitíssimo bom gosto. A não ser o melhor do ano será seguramente um deles. Out - 05

[ 9.5 ]

 

OBITUARY - Frozen in Time / 2005

«Frozen in Time» marca o aguardado regresso ao activo dos norte-americanos Obituary que no inicio da década de 90 surpreenderam meio mundo pela extraordinária descarga de Death Metal e injecção de juventude que incutiram num género algo estagnado - e em clara perda para um emergente Black Metal - que rapidamente colocou o colectivo de Tampa / Flórida no patamar cimeiro de um movimento encabeçado, na altura, por bandas como os Death, Morbid Angel ou Cannibal Corpse.
Desta feita e mais uma vez John Tardy vomita literalmente para dentro das 9 composições que, juntamente com uma extensa introdução instrumental, perfazem pouco mais da meia hora que marca este retorno, enquanto que o desempenho do restante quarteto, bastante bem oleado nos estúdios Morrisound, revela uma confrangedora falta de originalidade, denotando evidentes dificuldades em transpor para o suporte digital a rebeldia patenteada nos tempos áureos da banda.
Um disco a meio gás, onde quase todos os temas soam iguais e lineares. Uma experiência que nem é fraca de todo mas que perde claramente quando confrontada com umas memórias que são evidentemente muito mais fortes. Ago - 05

[ 7 ]

 

OVERLORDE - Return of the Snow Giant / 2004

Os Overlorde são uma banda de Heavy Metal clássico cujas origens remontam há duas décadas atrás. Entre 1985 e 1988 gravam um EP e duas demos que viriam a ter alguma receptividade no meio mais underground mas acabariam por sucumbir à crise que assolou o panorama metálico por essa altura.
Regressam em 2000 com a demo «Overlorde 2000», suporte que alcança óptimas criticas junto da imprensa especializada. Com vários veteranos de volta à cena, casos de
Manilla Road, Brocas Helm, Elixir e porque não dos nossos Alkateya, os Overlorde resolvem também mostrar às novas gerações como é que se fazia música antigamente e embora, estou em crer, estes não estejam muito receptivos para estas sonoridades mais old school , a “velha guarda” agradecerá de bom grado.
Como não poderia deixar de ser, os norte-americanos recorrem ao reino da fantasia para sobre ele descarregarem o seu Heavy Metal tradicional, descomprometido, por vezes agressivo mas sempre melódico. Para os mais distraídos «Return of the Snow Giant» até pode parecer que está por diversas vezes fora de tom. Estará!?
Abr - 05

[ 6.5 ]

 

OVER KILL - ReliXIV / 2005

Há mais de 20 anos que esta banda de Brooklyn não perde uma oportunidade de nos proporcionar elevadas doses de adrenalina, graças ao seu característico Thrash Metal que já remonta há época áurea de um estilo responsável pelo despontar de bandas como os Metallica, os Megadeth ou os Slayer.
«ReliXIV» é, como o próprio nome indica, o 14º ataque do “morcego”, revelando um colectivo sólido, onde obrigatoriamente ainda pontificam os membros originais Bobby “Blitz” Ellsworth e D.D. Verni, o já lendário Tim Malare na bateria - na banda desde 93' - e uma dupla de guitarristas de peso - casos de Dave Linsk e Derek Tailer - que em nada ficam a dever aos seus numerosos antecessores. Com a máquina oleada e um som directo e eficaz, riffs agressivos e solos ultra-rápidos, relatos cuspidos pela voz estridente de “Blitz” e uma secção rítmica demolidora, garantem que a nossa cabeça dificilmente parará de abanar. Para finalizar, um típico tema de inspiração Punk, na linha de «In Union We Stand», fatalmente intitulado «Old School». Abr - 05

[ 7 ]

 

OPUS DRACONIS - Satanic Truth about False Union / 2005

O guitarrista luso-brasileiro Aeturnus formou os Opus Draconis em 2002 e depois da habitual fase de consolidação, a banda grava de imediato 2 EPs que serão posteriormente compilados no álbum «The Blasphemy in My Throne», lançado através da independente Verdasca Records, numa limitada edição de 500 cópias.
Com um line-up reconstruído quase de raiz e com Nuno Loureiro dos Painstruck no papel de produtor, entram em estúdio no final do ano passado para registar este «Satanic Truth about False Union». Trata-se de um trabalho de Black Metal de forte teor satânico e onde, como é natural, se notam ainda algumas indefinições sobre que rumo tomar. Se por um lado deparamos com temas puramente old-school , ásperos e de uma crueza visceral, somos também confrontados frequentemente com momentos mais sinfónicos e melódicos, ambientes criados muito graças aos teclados de Goeogoth, elemento que ainda é responsável pelos vocais. Mas esta variedade divergente desequilibra um pouco todo o conjunto, ficando no final a sensação de que há temas que foram compostos em alturas diferentes da vida da própria banda.
O potencial dos Opus Draconis é evidente no entanto é importante afinar a estratégia. Por mim prefiro-lhes claramente a vertente mais atmosférica. Abr - 05

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ORPHANAGE - Driven / 2004

A par de colectividades como os Within Temptation, The Gathering ou After Forever, os Orphanage são representantes de uma forte corrente, predominantemente gótica, oriunda dos Países Baixos. O que os destingue dos seus conterrâneos é o facto de ser a voz masculina, gutural e deveras agreste, que se destaca no cômputo geral. George Oosthoek causa uma impressão tal que fica a sensação de que a harmonia que parece reinar em cada tema é de repente interrompida por uma torrente de violência que tudo derruba à sua passagem.
A compensar esta faceta mais agressiva, temos a angélica e reconfortante voz de Rosan van der Aa que canta e encanta com cada palavra que pronuncia. Além disso, a componente instrumental incute-nos uma paz de espirito assinalável. Coros gregorianos, melancolia a rodos, um certo toque místico e diversas estruturas progressivas de cariz melódico e romântico, onde não faltam violinos e uma imensidão de teclados, criam uma atmosfera relaxante num resultado final francamente equilibrado.

[ 8 ]

 
OPETH - Lamentations - Live at Shepherd's Bush Empire 2003 / 2003 - DVD

A primeira aventura audiovisual dos suecos Opeth não poderia estar mais bem conseguida. Compostas por uma actuação ao vivo e por um documentário, as quase 3 horas de duração incluem material suficiente para justificar um bom investimento.
A actuação, registada num teatro londrino durante a digressão promocional a «Damnation», está dividida em 2 partes distintas, uma mais acústica, introspectiva e melódica que abraça por completo o último disco do quarteto e outra mais pesada, com temas retirados de «Deliverance» e «Blackwater Park». A qualidade da gravação é irrepreensível.
No making of ainda há espaço para se ver uma série de entrevistas a todos os elementos da banda e assistir a interessantes fases da gravação dos 2 últimos álbuns.
Apenas com o senão de excluir a fase inicial da carreira da banda, este documento é fundamental para qualquer apreciador de Opeth ou de música em geral.

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OVER KILL – Killbox 13 / 2003

Incluindo o registo de covers de 99 este é o 13º disco de estúdio da banda de New Jersey. Fiéis a um estilo muito peculiar, onde cada tema é construído em redor de um riff, temos que ao luxuoso quarteto formado por Bobby Ellsworth (voz), D.D. Verni (baixo), Dave Linsk (guitarra) e Tim Mallare (bateria) se junta o guitarrista Derek Tailer para o lugar deixado vago por Joe Comeau agora nos Annihilator. «Killbox 13» é um desfilar de 10 malhas quase sempre a abrir do mais puro Thrash Metal, sob o comando da dupla Verni / Blitz. Neste trabalho estão muito bem secundados por um poderoso som proveniente das peles. A incorporação de alguns elementos um pouco mais modernos não desvirtua de modo algum o som desta autêntica lenda do Metal, com energia para dar e vender.

[ 8 ]

 

THE OLD DEAD TREE - The Nameless Disease / 2003

O suicídio do baterista Frederic Guillemot em 1999 atrasou o arranque dos The Old Dead Tree, que nesse mesmo ano tinham lançado o EP «The Blossom». Quatro anos passados chega até nós o primeiro álbum de originais do quarteto francês, que como dificilmente poderia deixar de ser, é fortemente influenciado pelo trágico acontecimento. Uma homenagem conceptual, fortemente melancólica e depressiva, que até pelo assunto abordado faz-nos lembrar «River Runs Red» dos Life of Agony. Outras influências mais ou menos óbvias podem ser encontradas no som dos TODT como Opeth ou Katatonia.
Destaque para Manuel Munoz que com a sua amplitude vocal consegue recrear diversos ambientes fulcrais para o desenrolar da terrífica história.

[ 8 ]

 

OVER KILL – Wrecking Everything an Evening in Asbury Park / 2002 - DVD

Disponível em dose dupla, este DVD dos norte americanos Overkill é um tesouro que por motivo algum nenhum fã da banda deve perder. A primeira rodela desta edição é a reprodução do concerto que deram em Março de 2002 em Astbury Park / New Jersey, a terra natal da banda. Embora já exista a versão áudio do espectáculo, a mais valia deste registo é o facto de conter a "setlist" completa, o que perfaz mais 10 temas que não aparecem no CD, além obviamente do espectáculo visual e sonoro permitido por este tipo de formato digital. A empatia entre a banda e o público é total e todos, nós inclusive, chegamos exaustos mas muito satisfeitos ao fim de mais de 2 horas de puro Thrash Metal. O segundo disco vale pela entrevista aos dois membros originais da banda - Bobby Blitz e DD Verni - que através de um detalhado documentário, nos contam todos os pormenores de quase 20 anos de carreira - One, Two ... FUCK YOU.

[ 9 ]

 

OPETH – Damnation / 2003

Gravado ao mesmo tempo que «Deliverance» este trabalho sempre foi anunciado como sendo algo muito mais calmo e intimo. Novamente com Steve Wilson (Porcupine Tree) no cargo de produtor, Mikael Akerfeldt e os fabulosos músicos que o rodeiam apresentam-nos mais uma rodela repleta de sentimentos, desta feita muito mais melancólicos e psicadélicos, muito na senda do que os Pink Floyd fizeram nos seus tempos áureos. A influência de Wilson no som dos Opeth não se fica pelo trabalho sonoro pois as suas participações nos teclados e nas partes vocais são ainda mais relevantes do que no disco anterior. Repleto de momentos acústicos e vocalizações límpidas, nunca guturais, este é o disco perfeito para complementar o seu predecessor. Se quiserem encontrar o expoente máximo da qualidade, longe do exibicionismo técnico e do virtuosismo exagerado, não procurem mais ... chamam-se Opeth.

[ 9 ]

 

OLD MAN’S CHILD – In Defiance of Existence / 2003

Os Old Man's Child são a banda principal de Galder, actualmente também guitarrista dos Dimmu Borgir, que apenas em «Ill Natured Spiritual Invasion» não teve a companhia do outro membro fundador, o guitarrista Jardar. Nicholas Barker (ex- COF e Dimmu Borgir) é desta vez o baterista de serviço. Não é pois de estranhar a semelhança entre as duas bandas no que concerne à composição dos temas, embora estes sejam um pouco mais caóticos e não usem vozes limpas nem orquestras reais. A produção, desta vez levada a cargo nos estúdios Fredman, é a melhor de sempre e dá razão ao grupo por este nunca ter gravado com o mesmo produtor. Embora necessite de várias audições atentas estamos perante um excelente disco de Black Metal sinfónico. Graficamente simplesmente genial.

[ 9 ]

 

OPETH - Deliverance / 2002

Este é o primeiro de 2 discos a lançar pela banda de Mikael Akerfeldt num curto espaço de tempo. «Damnation», com saída prevista para o 1º trimestre de 2003, será um trabalho mais calmo e experimental. Será?!
Definitivamente esta "entrega" não é mais pesada que as anteriores. A complexidade das texturas musicais, a emoção e a riqueza de cada tema, cuja duração raramente é inferior a 10 minutos, fazem de «Deliverance» uma obra a não perder. A diversidade patente em todas as canções, porque são de facto verdadeiras canções que aqui se podem encontrar, onde se funde sem qualquer tipo de dificuldade diversos géneros de metal, desde o Doom, Black, Gothic, Progressive, Death ou Folk, tornam-nos numa das bandas mais multifacetadas do planeta. A naturalidade das passagens entre os momentos acústicos e metálicos é feita com um requinte inigualável.
Se este era o trabalho pesado aguardo com enorme expectativa pelo próximo que certamente também será genial.

[ 9.5 ]

 

OVER KILL - Wrecking Everything / 2002

Dos 4 gigantes do Thrash (a par dos Metallica, Megadeth e Testament) apenas os Over Kill tem uma carreira linear, com edições sucessivas e sempre com a energia que se exige. É certo que quantidade não é sinónimo de qualidade mas a banda de Bobby Blitz e D. D. Verni não desilude facilmente os seus fãs.
Neste registo ao vivo só ficaram de fora os álbuns de 91, 93 e 94 que no entanto são os mais revisitados no duplo ao vivo de 95, que não vê aqui qualquer malha repetida, o que quer dizer que a carreira da banda está repleta de bons temas.
Boa actuação esta, gravada em 23 de Março deste ano no teatro Paramount em New Jersey, a terra natal da banda. Só não entendo como é que se faz para comemorar 10 anos de carreira em 95 e 20 em 2002?!

[ 8.5 ]