: : MALEITAS/ANÁLISES : : M : : .
METALLICA - Hardwired... to Self-Destruct / 2016

A maior banda de Metal de todos os tempos deixou de ser consensual a partir do momento em que enveredou pelos terrenos mais Rockish dos «Loads», por caminhos inqualificáveis como em «St. Anger» ou «Lulu» e mesmo «Death Magnetic», lançado há 8 anos, revelou-se incapaz de reverter esse cepticismo. Apesar de tudo os Metallica continuaram a ser a maior banda de Metal de todos os tempos.
Quando foi anunciado que a banda de Los Angeles se encontrava em estúdio para gravar aquele que seria o seu 10º álbum de originais os ânimos não ficaram ao rubro mas a partir do momento em que os temas começaram a sair a público, a receptividade para com os mesmos aumentou. Além da produção estar uns furos acima do que ultimamente nos tinham habituado, este duplo álbum está repleto de malhas avassaladoras, num misto de sensações a cair ali por entre «… and Justice for all», «Metallica» e «Load». Caso tivessem encurtado um pouco a sua duração, este disco seria seguramente um dos poucos clássicos do novo século. Mais pesado e directo, consistente e menos experimental do que se poderia esperar, a banda aparenta estar a divertir-se como nunca e como se, na verdadeira acepção da palavra, continuassem a ser a maior banda de
Metal de todos os tempos. Dez-16

[ 89 / 100 ]

 
MEGADETH - Dystopia / 2016

Qualquer coisa que Dave Mustain fizesse após um desinspirado «Super Collider», o menos conseguido que o quarteto americano produziu em 30 anos de carreira (sim, chega a ser pior que «Risk»), dificilmente ficaria aquém desse álbum. Não é que após um conjunto de seis registos que marcaram uma época, os Megadeth nos tenham alguma vez oferecido um disco a esse nível, exceptuando talvez «Endgame» de 2009, mas qualquer oferta sólida e trilhando terreno seguro seria sempre bem recebida.
E é um pouco isso que podemos encontrar em «Dystopia», um trabalho que recupera a chama e um pouco da raiva que (quase) sempre caracterizou o som dos
Megadeth. Com Kiko Loureiro (Angra) a partilhar as partes de guitarra, substituindo Chris Broderick que assumiu esse papel nos anteriores 3 registos, os riffs e os solos da velha escola voltam à cena e de forma bem vincada, não ficando descurada a faceta mais melódica que uma sonoridade mais Heavy nunca poderá desmerecer. Dave Ellefson marca mais uma vez o seu lugar enquanto que Chris Adler dos Lamb of God, outro dos ingressos no actual colectivo, acentua uma componente thrashy algo arredada nos últimos tempos. O mundo dorme enquanto os seus senhores nos fazem acreditar numa realidade bem diferente mas isso já nos dizem os Megadeth desde 1985. Fev-16

[ 86 / 100 ]

 
MOTÖRHEAD - Bad Magic / 2015

Uma coisa é certa, os Motörhead são eternos. Mesmo com os problemas de saúde que mais recentemente se agudizaram, obrigando Lemmy a cortar no tabaco e deixar de lado o Jack Daniel's (ok... vodka pode ser), qualquer disco deste trio britânico é um fortificante para o corpo e um lenitivo para a alma. Em 40 anos de lançamentos ininterruptos, «Black Magic» é o take #23, Phil Campbell acompanha Kilmister desde 1984, enquanto Mikkey Dee está sentado atrás da bateria há 23, não existem questões... é tocar e andar. Do alto dos seus 69 anos, apenas durante a balada «Till the End» Lemmy aparenta a passagem do tempo de uma forma que até fortalece o tema em carga emotiva, pois nas restantes malhas a sua voz e o baixo condutor não vacilam, Phil é um catalisador de riffs incríveis, linhas de guitarra terríficas e solos do caralho, enquanto Dee funciona como um rolo compressor. Com a atitude habitual, numa mistura do que tem feito ao longo de décadas, «Bad Magic» soa pesado, fresco e obviamente primário. No ano em que acaba por desaparecer "Philthy Animal", o baterista da formação clássica dos Motörhead que participou em todos os discos antes da entrada de Mikkey Dee, com a excepção de «Orgasmatron», mais uma certeza, o Snaggletooth jamais deixará de nos atormentar. Nov-15

[ 86 / 100 ]

 
 
MY DYING BRIDE - Feel the Misery / 2015

Parece ser uma opinião unânime que o novo álbum dos My Dying Bride inflecte de uma forma consistente numa direcção a que a banda de Halifax nos habituou desde muito cedo e que os trabalhos mais recentes, mais envoltos em melodias arrastadas e alguma perda de interesse, pouco evidenciavam. O regresso aos Academy Studios aparenta ter sido bastante inspirador, assim como o retorno, já com «Feel the Misery» praticamente todo escrito, do guitarrista fundador Calvin Robertshaw, ausente desde o distante «34.788%... Complete» de 1998, como que provocaram no sexteto uma retoma de forma, num disco emocional, com uma cadência mais forte e com uma qualidade inquestionável. Por vezes bebendo da água de «The Angel and the Dark River» ou até perdendo-se nos tempos de «Turn Loose the Swans», o 12º opus em 25 anos de estúdio dos britânicos revela-se através de 8 obscuros e pesarosos temas. Stainthorpe assinala aqui uma extraordinária performance vocal, Andrew e Calvin não evidenciam em momento algum os 15 anos de separação e Shaun Macgowan consegue transmitir aquelas passagens arrepiantes sacadas dos teclados e violino como há algum tempo não sentíamos. Num ano em que os Paradise Lost voltaram a tocar forte, aguardemos agora que os Anathema deixem o Pop. Nov-15

[ 83 / 100 ]

 
MOONSPELL - Extinct / 2015

Ao 10º álbum os Moonspell já possuem um estatuto ímpar que lhes permite fazer o que lhes apetece, sem se preocuparem com o que daí advenha. Aliás, se olharmos para trás, isso tem sido um pouco o que sempre tem acontecido. Depois do duplo «Alpha Noir / Omega White», onde a banda acaba por piscar um pouco o olho ao melhor de 2 mundos, em «Extinct» oferecem-nos o álbum mais catchy de que há memória, um misto de Dark Metal com aquela costela gótica no seu esplendor. Repleto de melodias inebriantes, é Ricardo Amorim quem se destaca num trabalho de guitarras bem conseguido, embora a parte orquestral realizada por Pedro Paixão não fique muito aquém. Desta feita o quinteto sobe ao Inferno, onde o produtor Jens Bogren desempenha um papel determinante no resultado final, coadjuvado por David Castillo, com uma participação eloquente no som das cordas. A faceta mais Pop, apresentada por alturas da fase «Sin» / «The Butterfly Effect» volta a transparecer de forma vincada mas a viagem não se fica por aí, «Medusalem» é quase um regresso aos tempos orientais de «Under the Moonspell» e para o final ainda temos uma incursão em terrenos pouco experimentados, como no coloquial e afrancesado «La Baphomette». Mar-15

[ 76 / 100 ]

 
 
MIDNIGHT PRIEST - Midnight Steel / 2014

Confesso que a forma algo atabalhoada, por vezes a roçar o ridículo, transmitida por cada tema cantado e tocado pelos Midnight Priest sempre me agradou. O autêntico plágio arrancado aos saudoso anos '80, os riffs sacados aos Maiden ou os coros à King Diamond e um front-man que parecia ter entrado em palco por engano, tornavam a banda de Coimbra um dos melhores acontecimentos para se ver ao vivo. Com «Midnight Steel» o quinteto resolve fazer uma inflexão nesse panorama, começando pela substituição The Priest por Lex Thunder e lixaram tudo...
Perdeu-se a mais valia de cantarem em português, uma das principais razões para a originalidade do conceito, substituiu-se o carismático vocalista, não confundir com jeito para a função, por um executante talvez mais competente mas que, juntamente com a nova orientação musical da banda, agora ainda mais
Heavy Metal, não é de todo suficiente para distanciar este resultado final daquele que, há 2 décadas atrás, já muitos projectos underground faziam de forma bem mais interessante. Numa produção certamente realizada num estúdio há muito desactivado, os Midnight Priest deram grande tiro no pé, quiseram talvez seguir numa direcção mais séria mas perderam toda a piada. Dez-14

[ 57 / 100 ]

 
MARTELO NEGRO - Equinócio Espectral / 2014

Das cinzas dos Black Hammer, sob os quais chegaram a lançar um EP e 2 singles, o quarteto Black/Death/Thrash de Lisboa imprime exclusivamente em formato vinil o seu 2º álbum, a primeira face da trilogia "Antimatéria". Ao longo dos 14 temas de «Equinócio Espectral», a rodagem que todo o colectivo foi adquirindo em bandas como Grog, Namek, Firstborn Evil, Filii Nigrantium Infernalium ou Iron Sword, evidencia-se de forma clara. Instrumentalmente apresentam um som cru, aparentemente simples mas repleto de grandes riffs e momentos enleantes, captando-nos a atenção através de estruturas rítmicas absolutamente cativantes. Não havendo qualquer cuidado em esconde-lo, as influências aqui são notórias e facilmente identificáveis, bebendo na fonte da mais pura velha escola. Liricamente a liturgia soa a blasfémia por todos os poros alternando, como já o haviam feito em «Sortilégio dos Mortos», entre malhas cantadas em inglês e na língua nativa, felizmente com muito maior tendência para esta última, onde a identidade da banda se torna mais vincada.
Eis mais um álbum com enorme potencial para explodir ao vivo e a clamar por uma edição em CD. Caso contrário, daqui a muito pouco tempo, será impossível por a mão nesta limitadíssima tiragem de 300 unidades
. Set-14

[ 76 / 100 ]

 
MAYHEM - Esoteric Warfare / 2014

Em linha com o anterior «Ordo Ad Chao», álbum que viu partir Blasphemer, compositor e guitarrista de longa data, os Mayhem regressam ao activo 7 anos depois. Com uma produção mais robusta, ainda assim sombria e crua, «Esoteric Warfare» poder-se-á considerar uma variante com laivos mais agrestes do seu antecessor, incluindo ainda reminiscências de «Chimera» e incursões no fundo do catálogo. Sendo Teloch um excelente executante, o antigo membro dos 1349 salta de riff em riff quase com a mesma cadência com que Hellhammer destrói a bateria. A performance de Attila Csihar, como não poderia deixar de ser, é doentia e perturbadora, intensificando o sentimento obscuro que todo o conjunto emana. Necrobutcher vagueia por ali… sente-se. Parecendo algo dividido, este disco começa de forma mais directa e agressiva, acalmando a meio e tornando-se mesmo avant-garde até, não sendo particularmente acessível e imediato.
Após 4 trabalhos completamente distintos e marcantes, cada um de forma bem vincada, este registo falha nesse aspecto, ao não se conseguir impor de maneira assinalável, embora tal facto não possa ser, por si só, uma desilusão. Para a posteridade fica um manancial dissonante de caos organizado
. Ago-14

[ 77 / 100 ]

 
MEGADETH - Super Collider / 2013

O regresso ao activo dos Megadeth em 2004, já com um Mustaine convertido e com a lesão debelada, tem-nos trazido um pouco de tudo mas, centrando-nos na música, apenas um álbum deste período mais recente consegue aproximar-se do que a banda fez de melhor. E certamente não é o caso deste disco...
O que falha rotundamente em «Super Collider» é a tentativa de se fazer um som mais orientado para uma vertente
Rock quando no seu seio existem músicos claramente mais vocacionados para o universo Thrash e, olhando então para um exímio guitarrista como Chris Broderick, essa opção chega a ser um sacrilégio. Mustaine parece declamar mais do que canta, mas isso também não é de todo negativo, as linhas de guitarra chegam a entusiasmar e facilmente se destacam da mediania mas é na produção demasiado insípida e um pouco baça que a porca também torce o rabo. Porra, então aquele trabalho brilhante que Andy Sneap fez em «Endgame» não é muito melhor que isto!? Finalmente os temas, que à semelhança do disco anterior parecem sobras de «Cryptic Writings», soando pouco inspirados e bastante comerciais, resultam num conjunto supostamente inferior ao odiado «Risk». E quando a melhor música até é um tema bónus, algo não está mesmo a funcionar bem. Jul-13

[ 52 / 100 ]

 

MANOWAR - The Lord of Steel / 2012

Menos frequente tem sido a incursão em estúdio desde que, nos saudosos anos 80', gravaram «Kings of Metal», considerado unanimemente um dos expoentes máximos do Heavy / Power Metal. A partir daí, a banda enveredou por uma série de lançamentos mais ou menos interessantes e cinco anos depois de «Gods of War» e uma década após «Warriors of the World», já não era sem tempo… Longe de serem uma banda consensual, os Manowar são uma instituição junto da sua legião de seguidores. Para os outros, não passam de uma caricatura daquilo que sempre criticaram mas, isso são conversas completamente irrelevantes.
Para quem teve um primeiro contacto com a «Hammer Edition» e ficou com a clara sensação de que o produto não estava acabado, a verdadeira versão de «The Lord of Steel» dissipa todas as dúvidas, numa produção mais equilibrada, onde todos os instrumentos sobressaem de igual forma, os arranjos encontram-se muito mais trabalhados e o som, bastante mais encorpado, está definitivamente longe de parecer o de uma demo. Apesar de alguma repetitividade nos coros, os
Manowar continuam a fazer excelentes malhas e para quem gosta dos condimentos habituais, isto já é mais do que suficiente! Nov-12

[ 82 / 100 ]

 

MY DYING BRIDE - A Map of All Our Failures / 2012

enslavedGravitando em torno de sonoridades mais arrastadas e melancólicas, o posicionamento dos britânicos My Dying Bride sempre transportou consigo uma aura Death Metal que, apesar de se ter esbatido ao longo do tempo, foi deixando marcas que ainda se conseguem descortinar nos dias que correm.
Duas décadas depois da estreia com «As the Flowers Withers», Aaron Stainthorpe e o guitarrista Andrew Craighan encabeçam o quinteto de Yorkshire neste álbum número 12, isto se levarmos em consideração as recentes remisturas de «Evinta». Abarcando uma série de momentos arrancados ao passado mas que continuam a fazer todo o sentido, as passagens lentas e obscuras vão prevalecendo sobre as restantes texturas orquestrais, o violino, agora a cargo de Shaun Macgowan, não deixa qualquer margem para dúvidas sobre as origens
MDB, enquanto o tom ora declamado ora gutural de Aaron vai definindo uma linha ténue, entre um mar envolto em desespero sobre uma praia de angústia. Com uma forte componente teatral, falta espontaneidade e um pouco de emotividade a este novo trabalho da banda, deixando-o ao nível de um «For Lies I Sire», o que nem é uma prestação por aí além quando confrontado com um legado tão mais impactante. Nov-12

[ 76 / 100 ]

 

MANOWAR - The Lord of Steel / 2012 (Hammer Edition)

Menos frequente tem sido a incursão em estúdio desde que, nos saudosos anos 80', gravaram «Kings of Metal», considerado unanimemente um dos expoentes máximos do Heavy / Power Metal. A partir daí, a banda enveredou por uma série de lançamentos mais ou menos interessantes e cinco anos depois de «Gods of War» e uma década após «Warriors of the World», já não era sem tempo… Longe de serem uma banda consensual, os Manowar são uma instituição junto da sua legião de seguidores. Para os outros, não passam de uma caricatura daquilo que sempre criticaram mas, isso são conversas completamente irrelevantes.
Concentrando-nos em «The Lord of Steel» algo nos soa, desde logo, muito estranho. A produção a cargo de Joey DeMaio, ao tentar recrear ambientes primitivos em detrimento da sumptuosidade mais moderna, retira pujança aos temas, efeito ainda vincado pelo excessivo destaque dado ao baixo. Entretanto o álbum vai correndo sem grande sentido parecendo estarmos na presença de uma demo. Ainda com a esperança desta «Hammer Edition» não ser a versão final a sair em Setembro, é evidente que, apesar dos defeitos, os
Manowar continuam a fazer excelentes malhas. E para quem gosta dos condimentos habituais, isto já é mais do que suficiente! Ago-12

[ 77 / 100 ]

 

MARDUK - Serpent Sermon / 2012

O Black Metal sueco, quando comparado com o seu semelhante norueguês, sempre se distinguiu pela sonoridade mais melódica e por um posicionamento não tão agreste. Isto se não estivermos a falar dos Marduk. Com uma revolução a nível de line-up protagonizada em 2004 aquando do lançamento de «Plague Angel», álbum que contou com o regresso do baixista Devo e com o ingresso de Mortuus, vocalista e mentor do projecto Funeral Mist, a banda como que encetou uma busca aprofundada no que concerne ao alargamento dos seus horizontes. «Rom 5:12» e «Wormwood» deixaram-nos alguns indícios que o quarteto poderia deixar para trás um estilo assente basicamente em blastbeats e num som devastador, cada vez mais brutal.
Desta feita, algumas nuances multi-facetadas e incursões esporádicas com elementos mais dinâmicos, trazem a variedade necessária a esta 12ª proposta, quer pelas partes declamadas de forma distorcida ou pelas passagem mais lentas onde o
Doom e o Post-Rock parecem querer emergir. No entanto, na generalidade tudo volta a ser rápido e agressivo, sendo diminuto o espaço deixado à melodia e emoção. Em termos sonoros, Magnus "Devo" Andersson continua a desempenhar um valoroso trabalho no campo da produção, num disco seguro e ao mesmo tempo moderno. Jun-12

[ 79 / 100 ]

 

MOONSPELL - Alpha Noir / Omega White / 2012

Quatro anos entre discos de estúdio não é um tempo normal olhando para o que os Moonspell fizeram nos últimos 20, mas se analisarmos esta nova entrega como contendo dois registos distintos, estatisticamente esse interregno reduz-se para metade. E é assim que devemos abordar esta obra, uma vez que seria injusto para com «Omega White» considerá-lo apenas um bónus ao álbum principal.
Numa toada agressiva, onde Fernando Ribeiro adopta predominantemente uma postura gutural e toda a banda o acompanha num desempenho mais pesado e menos complexo, «Alpha Noir» contém 9 temas simples e directos, algo que os Moonspell já não faziam há algum tempo. A portugalidade continua bem presente em malhas como «Em Nome do Medo», na qual atingem o ponto mais alto desta dupla oferta. Relativamente ao lado mais acessível, experimental e melódico, a faceta que foi sempre a menos interessante do quinteto, perdem-se no habitual turbilhão de trejeitos góticos e manifestos de alguma pseudo-intelectualidade que os torna algo prepotentes e, ao mesmo tempo, maçadores.
Esteticamente superior, o regresso dos Moonspell oferece-nos música para todos os gostos, num processo variado e para marcar presença. Mai-12

[ 83-74 / 100 ]

 

METALLICA - Beyond Magnetic / 2012 - EP

Poucas são as bandas à escala planetária que se podem orgulhar em atingir um patamar de sucesso e de influência semelhante ao conseguido pelo quarteto de Los Angeles. Além de terem criado um estilo, os Metallica tornaram-se, a milhas de distância de todos os outros, o mais famoso colectivo dentro das sonoridades mais pesadas, suplantando nessa vertente Monstros como Black Sabbath, Iron Maiden ou Judas Priest. Sem qualquer espaço para discussão, há um marco na história da música que se ergue quando álbuns como «Kill ‘Em All», «Ride the Lightning» ou «Master of Puppets» romperam a cena internacional colocando o Thrash Metal nas bocas do mundo ou “o álbum negro”, gravado há vinte anos atrás, foi capaz de catapultar a música mais extrema para fora do underground.
A partir daí a banda foi ganhando anti-corpos dentro dum espaço que ficou demasiado pequeno para si, embora as produções mais recentes não tenham acompanhado o que fizeram durante os primeiros tempos. Mesmo assim, um suporte como este EP, que reúne interessantes sobras do último disco a sério da banda, é mais do que suficiente para vermos um resultado mais apelativo que a porcaria da música descartável que se vai fazendo hoje em dia, a qual daqui a duas semanas ninguém recorda. Fev-12

[ 77 / 100 ]

 
MEGADETH - Th1rt3en / 2011

O regresso de Dave Mustaine ao activo, após uma série de problemas físicos e psicológicos e com diversos elementos em rotação constante à volta da sua personalidade egocêntrica, numa altura em que a banda de San Francisco como que deambulava entre a postura radio-friendly e o thrash mais furioso, valeu dois álbuns menos conseguidos e um grande «Endgame», certamente uma das suas melhores e convincentes prestações do novo milénio.
Indo beber uma série de influências à fase «Countdown to Extinction» / «Youthanasia», ou não fossem 3 destes 13 temas regravações de malhas escritas em 1991, não é pois de estranhar que a sonoridade deste novo opus enverede por caminhos mais acessíveis em detrimento da raiva patente na faceta mais agreste ds
Megadeth. Infelizmente os momentos memoráveis e os coros envolventes são raros embora não faltem excelentes solos e riffs, protagonizados em conjunto com Chris Broderick, eventualmente o melhor complemento a Mustaine desde Marty Friedman. O regresso de David Ellefson é de saudar, embora o baixista não tenha dado grande contributo aos créditos deste álbum. A produção está exageradamente baça, num disco enérgico e competente, é certo, mas um pouco linear e demasiado mid-tempo. Nov-11

[ 74 / 100 ]

 

METALLICA & LOU REED - Lulu / 2011

Antes de mais convém esclarecer que iremos abordar esta parceria como um álbum dos Metallica embora, na realidade, «Lulu» seja um disco de Lou Reed estando reservado para estes o estatuto de banda de suporte. Visto por esse prisma, o primeiro impacto é desolador. Ao longo de quase 90 minutos somos fustigados por um desafinado cantor que declama palavras desconexas e por vezes, muitas vezes infelizmente, de conteúdo poético absurdo. Em várias situações, principalmente quando os temas atingem o clímax, Lou Reed repete até à exaustão palavras sem nexo, enquanto James as repete ainda mais alto, numa espiral de non-sense absoluto. Instrumentalmente até existem momentos interessantes, valha-nos isso, mas o facto de não haver ligação entre o que Reed canta e o resto da banda, torna o conjunto aflitivo. Argumentar que estamos na presença de entidades que já não tem nada a provar e que decidiram avançar com uma obra fora do cânones habituais, é uma opinião aceitável, embora o resultado final seja um rotundo desastre e nada, mas mesmo nada, visionário como alguns ainda poderão creditar. Não passa de uma jam mal preparada.
Quando pensava que nada destronaria o «St. Anger» como o pior álbum dos Metallica, eis que estes se conseguem meter numa alhada equivalente. Nov-11

[ 33 / 100 ]

 

MIDNIGHT PRIEST - Midnight Priest / 2011

Para uma banda ainda a dar os primeiros passos, a profícua presença ao vivo e o forte apoio recolhido junto de uma das franjas mais ortodoxas da comunidade metálica nacional, além do reconhecimento internacional por parte da Stormspell Records, uma pequena editora americana que gravita nos meandros mais clássicos e tradicionais do Metal, tem proporcionado aos Midnight Priest uma actividade constante e um crescimento sustentado, ao longo destes 3 anos de existência. A demo «The Priest Is Back» e o subsequente EP «Rainha da Magia Negra», ambos de 2009, foram a pedra basilar para este álbum de estreia, colocando a fasquia num patamar elevado e perante o qual este registo forçosamente teria de corresponder.
Sem o efeito surpresa e mantendo a filosofia que rege a Santíssima Trindade do cabedal, o quinteto de Coimbra não se desvia um milímetro da ténue fronteira entre um rip-off descarado do que faziam bandas como os Mercyful Fate ou Iron Maiden no inicio dos saudosos anos 80’ e o conceito de joke band. Pode ser um trabalho de qualidade questionável, mas garantidamente dá um gozo do caraças a todos os que já se encontram saturados dos registos estéreis, pseudo-metálicos e isentos de sentimento que, aos magotes, se vão produzindo hoje em dia. Abram alas! Out-11

[ 82 / 100 ]

 

MORBID ANGEL - Illud Divinum Insanus / 2011

Os que viam na banda da Flórida um dos porta estandartes dos tempos áureos do Death Metal e com expectativa aguardaram por isto durante 8 longos anos, por certo não conseguirão chegar a meio deste registo sem evitar as gargalhadas de nervosismo, mesmo com as raras incursões dentro de terrenos mais abrasivos, que o retorno de David Vincent, 15 anos depois, não chega de todo para compensar. Outras correntes, mais dedicadas ao tempos modernos, onde a experimentação e a sonoridade industrial parecem tomar as rédeas, não encontrarão, nos quase 2/3 do álbum dedicados aos géneros citados, muitos momentos que bandas como Pantera, Fear Factory, Rammstein, NIN ou até Rob Zombie, não tenham feito bem melhor. Por fim, temos aqueles que até vão achar interessante esta vertente menos ortodoxa, a qual, mesmo conhecendo as abordagens passadas em terrenos circundantes aos Laibach e a colaboração de Mr. Vincent nos Genitorturers, dificilmente deixaria antever. Apesar de exageradamente acessível e até mal produzido, as vozes e a bateria estão demasiado à frente, abafando as guitarras, IDI até consegue suplantar em alguns aspectos os trabalhos mais recentes da banda. Afinal qual é a diferença entre «St. Anger», «Grand Declaration of War» e «Illud Divinum Insanus»? Jul-11

[ 80 / 100 ]

 

MY DYING BRIDE - Evinta / 2011

A propósito das comemorações dos 20 anos da banda britânica, Aaron Stainthorpe regrava uma série de melodias que varrem todo esse trajecto, incorpora-lhes novas texturas orquestrais e passagens sinfónicas e com a ajuda da soprano francesa Lucie Roche, adiciona-lhes outras roupagens vocais, resultando daí um álbum diversificado e repleto de melancolia e tristeza, um projecto que demorou cerca de 15 anos a sair da gaveta. Numa colaboração com Johnny Maudling, maestro e conhecido teclista dos Bal-Sagoth, recria em forma de compilação a densidade introspectiva e o ambiente que vamos encontrando ao longo de toda a carreira do agrupamento de Halifax.
Necessitando forçosamente de alguma paciência e dedicação, «Evinta» encerra momentos de grande intensidade e beleza, correndo de forma pausada ao longo de quase toda a sua enorme duração, onde os ambientes negros, as intervenções declamatórias e as labirínticas e dormentes estruturas instrumentais, como que nos arrastam para um túmulo de depressão. Embora não possa ser considerado na sua essência um novo trabalho de originais, é interessante darmo-nos a cada instante de caras com momentos incrivelmente familiares, mas explorados de forma diversa e é aí mesmo que reside o encanto de «Evinta».
Jun-11

[ 82 / 100 ]

 

MOURNING LENORE - Loosely Bounded Infinities / 2010

Não existem dúvidas que é na fronteira que separa o Doom Metal do universo Death onde se podem encontrar as bandas mais categóricas dentro do panorama extremo nacional e quem já segue as peugadas de colectivos como os Process of Guilt, Before the Rain ou Why Angels Fall, só para citar os principais, encontrará motivos de interesse suficientes neste álbum de estreia dos sulistas Mourning Lenore.
Logo após a primeira experiência em estúdio, um split de 2 temas com os
Insaniae, outra das bandas nacionais a vaguear pelos caminhos arrastados e melancólicos da escuridão, o quarteto aproveita a ligação a Fernando Matias e, sob o selo de qualidade da Major Label Industries, regista «Loosely Bounded», um manancial de sonoridades lentas, onde a melodia desempenha um papel preponderante. Através de descargas emocionais, onde os ritmos deambulam entre passagens progressivas de contornos atmosféricos e a sofisticação instrumental que nos traz à memória alguns projectos bem identificados e com o recurso pontual às vocalizações limpas, característica que lhes retira alguma da conotação mais brutal dos exemplos acima referidos, mas que os coloca numa posição mais confortável em termos de evolução, estamos perante mais uma entidade promissora com potencial de exportação. Nov-10

[ 76 / 100 ]

 

MIDNIGHT PRIEST - Raínha da Magía Negra / 2009

Reza a lenda que um fugitivo, em busca de salvação, entregou a sua alma ao Diabo. Ao tropeçar na campa de um padre, mestre de magia, o bandido desencadeou uma série de acontecimentos miraculosos que culminam na aparição deste quinteto, durante o ano transacto. O burburinho que entretanto se gerou à volta da banda de Coimbra, tomou proporções pouco vistas e, após o lançamento da demo «The Priest Is Back» eis que surge o acordo via Stormspell para a tiragem destas 1000 unidades.
Com 3 temas originais na veia do
Heavy Metal tradicional, tocado de forma rude, pouco polido e que nos remete para os primórdios da dupla Maiden / Priest, são as malhas agora regravadas que, mesmo perdendo alguma da magia inicial, acabam por se revelar como as suas melhores composições. Ao par de guitarristas que consegue criar jogos de riffs e solos bem eficazes, junta-se uma secção rítmica capaz e um vocalista, que longe de se revelar virtuoso, desempenha um papel vital na interpretação dos temas, todos eles escritos na língua nativa. Influências Punk induzem a cada passo um toque original mas é o conteúdo lírico e a forma como ele é expressado por The Priest que se revelam um verdadeiro must. Nota de relevo ainda para o artwork que nos remete de imediato para plenos eighties. Nov-09

[ 77 / 100 ]

 

MY EYES INSIDE - Anatomy of Ties / 2009

Foi durante o lançamento do álbum de estreia dos My Eyes Inside que tomei contacto com os temas de «Anatomy of Ties» e embora já os tivesse visto anteriormente durante a 4ª edição do Liperske, na altura ainda em fase de maturação, fiquei agradavelmente surpreendido pela postura e lufada de ar fresco que transmitem comparativamente com uma actual legião de formações idênticas que não consegue fugir ao maçador eixo Black / Brutal Death / Modern Thrash.
Compostas pelos 4 jovens músicos oriundos do norte do país e que extravasam as suas influências para dentro do universo
Prog / Rock, as criações que vão colocando desde 2005 em suporte físico possuem particularidades muito próprias, apesar de ainda piscarem os olhos a bandas como... Opeth. Relativamente ao CD em questão, há algumas arestas que poderão e deverão ser limadas no futuro, particularmente ao nível da produção, colocação de voz nos registos mais limpos ou na captação do som de bateria mas no cômputo geral estamos perante um álbum bastante promissor, nomeadamente ao nível das composições e no interessante resultado alcançado pela secção de cordas. Resta agora fazer a rodagem no sempre difícil mercado apenso a este tipo de sonoridades. Out-09

[ 72 / 100 ]

 

MARDUK - Wormwood / 2009

Desde que em 2004 Daniel “Mortuus” Rosten (a.k.a. Arioch) tomou o lugar de Legion e Magnus “Devo” Andersson substituiu B.War na posição de baixista, acumulando ainda as funções de produção nos seus Endarker Studio quando tais tarefas cabiam anteriormente aos irmãos Tägtgren, o quarteto sueco começou a enveredar por terrenos mais experimentais, abandonando progressivamente aquele Black Metal linear e pouco inspirado que começava a transparecer desde «Panzer Division Marduk».
Ao 11º álbum de originais, a banda liderada pelo guitarrista Morgan como que rejuvenesce e embora se apresente a espaços mais calma e atmosférica, recorrendo até a alguns devaneios
Doomicos, certamente por influências passadas pelo mentor dos Funeral Mist, não perde em intensidade quando em confronto com o passado menos recente. Liricamente a vontade de cortar cristãos às postas parece ter passado em prol de conteúdos mais interessantes e insanos, relatos contados através das implacáveis vocalizações que brotam sobre arrepiantes torrentes de riffs e infindáveis blastbeats.
A caminho das 2 décadas de existência, parece assim trilhado o rumo evolutivo, suficiente para que cada novo álbum seja aguardado com a necessária expectativa, nem que para isso seja obrigatório reformular novamente todo o
line-up. Out-09

[ 82 / 100 ]

 

MEGADETH - Endgame / 2009

Começar uma análise a um disco dos Megadeth com a afirmação de que este é, sem margem para grandes dúvidas, o melhor álbum que a banda de San Francisco conseguiu produzir nos últimos 15 anos, parece colocar a fasquia demasiado alto. No entanto, se nos recordarmos da fase mais mainstream dos finais dos anos 90’ e do regresso ao activo mais como um projecto a solo do seu mentor, essa sentença poderá até tornar-se numa declaração menos abonatória.
À semelhança de «So Far, So Good… So What!», «Endgame» abre com um instrumental onde Mustaine em duelo com Chris Broderick, outro exímio guitarrista que já circulou pelos
Jag Panzer e Nevermore, descarregam um emaranhado de riffs e solos que dão logo o mote para o que se seguirá. É pois suportado num excelente trabalho de guitarras que este disco se vai esvaindo, um misto da raiva dos primórdios com a costela mais melódica dos tempos recentes e onde Andy Sneap em conjunto com Dave garantem um som encorpado e límpido, resultando num conjunto de grandes temas Heavy / Thrash que não faltarão nos futuros alinhamentos do colectivo.
Numa altura em que os
The Big Four regressam simultaneamente ao activo, parece claro que, salvo alguma surpresa de maior, Mustaine leva a melhor. Out-09

[ 88 / 100 ]

 

MY DYING BRIDE - For Lies I Sire / 2009

Considerada uma das mais influentes bandas provenientes do Reino Unido e que a par dos Anathema e Paradise Lost ajudaram a construir um estilo ainda hoje de vanguarda, os My Dying Bride chegam ao décimo álbum de estúdio com uma prestação digna dos mais profundos e depressivos registos até à data.
O retorno do violino, a cargo da também teclista Katie Stone, afastado desde o longínquo ano de 1996 logo após «Like Gods of the Sun», reintroduz a carga emocional e a melancolia que a banda sempre soube retirar deste instrumento, complementando na perfeição os
riffs bem poderosos e os jogos da dupla de guitarras. Outro retrocesso prende-se com a voz de Aaron Stainthorpe que a espaços recupera os registos mais guturais, embora sejam as vocalizações mais límpidas, registos emotivos e o declamar de alguns excertos que fazem as honras temporais destas composições. Certos elementos mais progressivos são misturados à cadência predominantemente Doom, deixando para trás a faceta Death Metal que a certa altura ajudou a construir o som da banda britânica. Mais introspectivo e cerebral, «For Lies I Sire» é um manancial de sensibilidade, agonia e morte, num álbum profundo, menos pesado e mais subtil mas muito menos excitante que algumas obras anteriores. Abr-09

[ 73 / 100 ]

 

METALLICA - Death Magnetic / 2008

É infalível que a maioria das análises se perca em considerações sobre os últimos 20 anos de carreira do quarteto de San Francisco, fase em que a banda como que assassinou o seu pesado legado através de incursões mainstream, pelos caminhos do pop-rock, country western, nu-hardcore e ou outras “porcarias” do género. Falar mal de Metallica parece dar estatuto de entendido e aí nem «Master of Puppets» escapa.
Se os abusos que os devastaram poderão justificar algo tão mau como «St. Anger», foi com curiosidade que desembrulhei o caixão magnético para verificar o resultado de tanta sessão terapêutica, ginástica oriental e contemplativa. Talvez um álbum naïf…
«Death Magnetic» é um Bom disco de metal, orientado para as guitarras, repleto de grandes
riffs e onde as mudanças de ritmo e tempo são uma constante. James apresenta-se em boa forma mas é Kirk que brilha ao longo de todo o trabalho, Trujillo poderá demonstrar mais livremente todo o seu potencial nos concertos, enquanto que a bateria soa novamente mal. A segunda metade decai com a inclusão de alguns temas dispensáveis, sendo que a extensão de alguns deles se revela exagerada. Finalmente a produção de Rick Rubin, é plana e suja e não faz toda a justiça a quem a caminho dos 30 anos de existência continuará a ser a maior banda de metal de sempre. Set-08

[ 84 / 100 ]

 

MOONSPELL - Night Eternal / 2008

Posteriormente a terem abandonado a Century Media, editora onde lançaram todos os discos de «Wolfheart» a «Antidote» e recuperarem o passado através da colectânea «The Great Silver Eye» e das regravações de «Under Satanae», é certo que «Night Eternal» seria um disco de descompressão e livre de certas amarras discográficas.
Mantendo algumas reminiscências góticas e mediterrâneas, a sonoridade deste registo produzido por Tue Madsen e antecipadamente trabalhado por Waldemar Sorychta, envereda por caminhos mais extremos, emanando desde logo incursões em ambientes mais ocultos e debitando ondas de negritude plena. Instrumentalmente deparamos com tremendas orquestrações, riffs mais pesados, a bateria e os teclados vão criando verdadeiras explosões de escuridão enquanto Fernando Ribeiro recorre com maior frequência às vocalizações mais arranhadas. Existem momentos mais lentos e cadenciados, o dueto com Anneke van Giersbergen será uma prova cabal de que este álbum chegará facilmente a toda a gente e as participações de Carmen Simões, Sophia Vieira e Patrícia Andrade, incutem a melodia necessária a cada espaço.
Ninguém minimamente lúcido negará que estamos perante um grande disco mas com alguns momentos que se esgotarão mais rapidamente.
Jun-08

[ 85 / 100 ]

 

MONSTER MAGNET - 4-Way Diablo / 2007

Naturalmente após passar pela convalescença de uma valente overdose, o novo trabalho de Dave Wyndorf e dos seus Monster Magnet reflete a perda de algumas faculdades mais enérgicas mas revela, ao mesmo tempo, uma forte vontade de voltar às raízes alucinogénicas e ao som de garagem, numa orgia de sabores, desde o Stoner ao Space Rock com muito Acid à mistura.
Sendo já o 7º álbum da banda com sede em New Jersey, «4-Way Diablo» apresenta uma roupagem menos pesada em favor do groove e do Rock'n'Roll, onde passagens mais psicadélicas e a simplicidade de muita coisa parecer ter sido sacada quase ao primeiro ensaio, conferem ao produto final um sincero e honesto sentimento live. Com uma evidente direcção retro e com uma performance capaz de Wyndorf nos vocais, muitos dos temas deste disco não alcançam a mestria a que a banda nos habituou, ficando a sensação de algum cansaço e falta de pujança, lacuna maior para o reduzido espaço dedicado a enleantes jogos de guitarra e canções mais apelativas.
Num disco construído em fase de ressaca e não na plenitude da euforia, como se a banda vivesse ainda numa fase de recobro, são mesmo os temas mais lentos, como por exemplo “Cyclope”, os que apresentam categoria superior.
Dez-07

[ 7.5 ]

 

MOONSPELL - Under Satanæ / 2007

«Under Satanæ» revisita todo o material que a banda gravou no período 1992-94, uma demo ainda sob o nome de Morbid God que lhes valeu a presença na mítica colectânea «The Birth of a Tragedy», a demo «Anno Satanæ» de onde retiraram «Goat on Fire» para «Mortuary Vol. 1», outra excelente colectânea lançada na altura e que lhes abriu as portas da independente francesa Adipocere Records e o EP «Under the Moonspell», tido actualmente como um disco de culto e que os viria a colocar na gigantesca Century Media. O resto é história…
Mantendo a estrutura base dos temas, recorrem durante 2 semanas aos estúdios Antfarm na Dinamarca, onde sob os comandos do produtor Tue Madsen, todos os arranjos, erros e o próprio som sofrem melhoramentos, colocando este trabalho ao nível do que se faz actualmente. Os coros femininos, total responsabilidade de Carmen Simões, a atmosfera mediterrânea, os teclados mais escondidos, os instrumentos acústicos e o próprio som dos lobos, revelam-se nas misturas finais.
Goste-se ou não, é por demais evidente que os Moonspell são uma banda de nível internacional, com um estilo muito peculiar e disso poucos, muito poucos, se podem orgulhar. Além do mais, quem quiser pode continuar a ouvir as demos. Out-07

[ n.a. ]

 

MANOWAR - Gods of War - Live / 2007

Terceiro álbum ao vivo da discografia oficial dos Manowar, descontando vídeos e DVDs, este duplo CD foi gravado durante a recente “Demons, Dragons & Warriors World Tour» e possuiu como atributos o facto de repassar praticamente todos os álbuns do quarteto americano, incluindo alguns temas que não tocam habitualmente ao vivo, casos de «Mountain» ou «The Oath» e, num segundo disco, como que a dar ênfase ao título escolhido, assistimos ao desfilar de uma série alusiva à novidade «Gods of War», terminando o evento com o hino «The Crown and the Rings».
Obviamente para quem já possui outros registos ao vivo do colectivo, aqui não se encontram surpresas, ainda que seja interessante verificar que as malhas mais recentes possuem também algum do carisma guerreiro e do carácter épico do passado. Por outro lado, os 27 anos de carreira começam a pesar e nota-se alguma falta de frescura na execução de alguns momentos, facto mais evidente na voz de Eric Adams.
Ultrapassando modas e correntes antagónicas, os Manowar são hoje em dia uma banda com um passado mais do que meritório, líderes claríssimos de um movimento que ajudaram a escrever mas que para alguns, não os seus indefectíveis fãs, poderá ter já passado à história. Jul-07

[ 7 ]

 

MEGADETH - United Abominations / 2007

Depois de uma paragem de 3 anos, provocada pela lesão que lhe afectou o braço esquerdo, Dave Mustaine resolve reactivar a sua prematuramente extinta banda para construir «The System Has Failed», um disco que se revelaria demasiado fraco, não criando expectativas muito animadoras para um novo trabalho. No entanto, logo nos primeiros acordes de «United Abominations», nota-se uma preocupação em soar mais thrashy e uma melhoria clara em vários departamentos.
Uma banda completamente reformulada, com os irmãos Drover dos Eidolon e ainda com a adição do talentoso baixista James Lomenzo e um trabalho muito bem produzido, veloz e moderno, traz os Megadeth de volta à boa forma, patente numa série de solos virtuosos e riffs bem agressivos, protagonizada por ambos os guitarristas e onde se nota algum piscar de olho a «Rust in Peace». Com a voz de Mustaine em grande, à medida que os temas vão passando, assalta-nos um certo esmorecer do entusiasmo inicial, provocado pela repetição das linhas de guitarra que culmina numa dispensável reposição do clássico «A Tout Le Monde».
Vivendo com o eterno fantasma da rejeição, Mustaine consegue escrever actualmente música bem mais poderosa e incisiva que os 4 cavaleiros. Jul-07

[ 8 ]

 

MONS LVNAE - Seven Winds / 2007

Quase dez anos de actividade, tem levado os Mons Lvnae a percorrer caminhos antagónicos em busca da sonoridade mais adequada. A mudança constante de elementos, a sucessiva rotação de vocalistas femininas e a adição de Ana Figueiredo na flauta, direccionaram o som do sexteto para terrenos clássicos e mais ambiciosos.
«Seven Winds», a terceira demo do colectivo que esteve na eminência de se chamar «Kyrie», abre com um extraordinário desempenho vocal de Célia Ramos, seguido dum trecho gregoriano e desagua em «Inexistence», um tema que marca desde logo todo o registo, com uma forte costela Goth de reminiscências Folk a lembrar, a espaços, algumas fases da carreira de uns Theatre of Tragedy ou The Gathering.
Composto por 8 temas melódicos, três dos quais regravações de músicas mais antigas, vamos assistindo a uma enleante batalha entre as angelicais e fantásticas vocalizações de Célia com esgares masculinos, completada por uma interessante mistura de teclas e assaltos de guitarra que resultam em poderosas composições.
Obviamente que num trabalho de autor, existem algumas lacunas que poderiam ser limadas com recurso a um produtor e a um estúdio de nomeada mas, muito sinceramente, estamos perante um disco com valor muito elevado. Jul-07

[ 8 ]

 

MAYHEM - Ordo Ad Chao / 2007

Detentores do álbum com maior impacto na história do Black Metal e de uma das mais extremas e intrigantes biografias, é com redobrada curiosidade que um disco da banda é aguardado, ainda por cima sendo o 4º em quase 25 anos de carreira.
O primeiro aspecto a ter em consideração é a performance do regressado Attila Csihar, substituindo Maniac que esteve na banda em 1986 / 87 e entre 94 e 2004. O vocalista húngaro replica a postura já atingida aquando gravou DMDS, com os seus profundos guturais e lamentos constantes, num registo de pura agonia, incutindo uma atmosfera demoníaca e demencial a cada momento, comprovando que é de facto um dos melhores vocalistas do género, como poderá ser verificado nas suas colaborações anteriores com Keep of Kalessin, Aborym, Anaal Nathrack ou Sunn O))). Hellhammer é o suporte de toda a estrutura com uma actuação arrebatadora enquanto Blasphemer debita gélidos e mecânicos riffs ao longo de todo o álbum.
Com uma produção demasiado necro, quase como se de uma demo se tratasse, «Ordo Ad Chao» é um álbum perturbador e de muito difícil assimilação, o qual poderia ter sido lançado no hiato de tempo entre o visceral «De Mysteriis Dom Sathanas» e as experimentais escalas do magnífico «Grand Declaration of War». Jun-07

[ 8.5 ]

 

MARDUK - Rom 5:12 / 2007

Com uma constância editorial assinalável, os suecos Marduk atingem o 10º trabalho de originais com a mesma formação do disco anterior, caso raro num colectivo que apenas mantém Morgan Håkansson como membro original.
E «Rom 5:12» revela-se uma mistura explosiva entre a velocidade supersónica de álbuns como «Plague Angel» ou «Panzer Division Marduk», a rispidez dos primeiros tempos e vai-se envolvendo em atmosferas mais calmas e ao mesmo tempo variadas como algumas das apresentadas em «La Grande Danse Infernal» ou «World Funeral».
Com uma mórbida prestação, Mortuus comprova mais uma vez que é a escolha acertada para a banda, ao longo de um registo impressionante e que chega a conter temas épicos que ultrapassam os 8 minutos de duração. Numa dessas faixas, A. A. Nemtheanga dos
Primordial apresenta-se com o seu característico registo vocal, ajudando a banda a alcançar uma impensável tonalidade Doomish .
Numa descarga de aniquilação total e pura blasfémia mas com espaço para incursões em caminhos mais experimentais e maduros, esta busca de novos elementos poderá indiciar uma possível direcção no futuro som dos
Marduk. Jun-07

[ 8.5 ]

 

MORGANA LEFAY - Aberrations of the Mind / 2007

Resolvidos os problemas legais em torno do nome, a banda regressa à Black Mark com o conceptual «Grand Materia», deixando para trás os tempos mais conturbados de Lefay, ainda assim muito bons mas comercialmente menos apetecíveis.
Não se espere que uma banda com 20 anos de carreira vá agora fazer um álbum demasiado ambicioso ou original mas confrontando a actual sonoridade do quinteto sueco com aquilo que se faz hoje em dia, este Heavy / Power agressivo e directo é uma autêntica gota no meio do oceano. Com uma produção propositadamente crua, o som de «Aberrations of the Mind» é sustentado na distinta voz de Charles Rytkonen que pela rispidez e ênfase que dá a cada tema, torna o resultado final num manancial de emotividade e energia. Instrumentamente, nada a assinalar pois a experiência e traquejo adquiridos é mais do que suficiente para estarmos perante músicos de eleição mas, ainda assim, somos constantemente confrontados com muralhas de riffs e solos como já não se fazem nos dias que correm.
É sempre bom conhecer bandas destas que estiveram sempre do lado contrário das modas, mantendo-se fieis às suas raízes mas sabendo sempre evoluir, progredindo dentro de padrões de qualidade assumida pelos próprios. Mai-07

[ 9 ]

 

MACHINE HEAD - The Blackening / 2007

«Through the Ashes of Empires» marcou uma inflexão na sonoridade do quarteto californiano em detrimento da veia mais moderna que vinham adoptando a partir de «The Burning Red». Em «The Blackening», a banda acentua essa faceta mais Thrash, com um disco ainda mais poderoso, composto por temas extensos e capazes de apresentar resultados e efeitos imediatos mas ao mesmo tempo proporcionar uma longevidade segura a este novo álbum, pela descoberta de cada detalhe escondido.
Toda a estrutura é suportada em riffs repletos de groove, vozes que destilam raiva e paixão - neste trabalho Robb Flynn demonstra imensa versatilidade nas vocalizações, com incidência no seu registo mais limpo e cantado - e numa secção rítmica que vai controlando o desenrolar de cada tema, entre arrastadas e quase doomicas passagens até violentas torrentes de destruição. Por vezes entra-se em campos mais progressivos mas a aparente acalmia rapidamente se transforma em ódio visceral.
A produção a cargo do próprio Flynn é impecável, denunciando um cuidado extremo em nos proporcionar intensas descargas de harmonia facilmente miscíveis com doses grandiosas de poderio sónico. A par de «Burn My Eyes» este é seguramente o melhor trabalho do colectivo. Então ao vivo isto será letal.
Mai-07

[ 8.5 ]

 

MASTERPLAN - MK II / 2007

Inicialmente previsto para ser um projecto paralelo aos Helloween, com a dissidência de Uli Kusch e do guitarrista Roland Grapow, a ideia logo se materializou em dois álbuns bem estruturados e de extremo bom gosto.
«MK II» pode ser visto como uma segunda fase na carreira da super banda alemã, depois de perder o seu baterista fundador e o carismático Jorn Lande, que abandonaram o colectivo por divergências musicais e viram os seus lugares ocupados por Mike Terrana, talvez o mais experiente baterista da actualidade dentro do género e por Mike DiMeo, um elemento que passou pelos
Riot e que se revela como uma excelente alternativa a Lande. Numa linha bem mais próxima da estreia de 2003, este disco evidencia um grande trabalho de guitarra, com poderosos riffs e grandes solos, onde quase todos os temas resultam em excelentes canções à medida que o disco se entranha mas talvez existam momentos lentos a mais quando facilmente se percebe que o quinteto explode à medida que a velocidade aumenta.
Bem melhor que o demasiado melódico e linear registo anterior, veremos se definitivamente com alguma estabilidade os
Masterplan criarão mais à frente algo de transcendental pois capacidade e qualidade não lhes faltará certamente. Mar-07

[ 8.5 ]

 

MANOWAR - Gods of War / 2007

Em três décadas a escrever na história do Metal mais musculado e tradicional, os Manowar enveredaram mais recentemente por caminhos algo sumptuosos, adicionando à sua sonoridade típica passagens mais elaboradas, enormes orquestrações e faustos arranjos que mais parecem subterfúgios para disfarçar alguma falta de ideias. Já assim tinha acontecido com «Warriors of the World», um trabalho com dispensáveis invenções que não caíram nada bem na sua base de seguidores.
Volvidos 5 anos, o quarteto tenciona trabalhar numa série de álbuns conceptuais dedicados aos Deuses da Guerra, iniciando esta epopeia com Odin, o mítico e emblemático governante de Asgard. Esgotando cada minuto desta rodela digital, entre introduções, divagações, algumas excelentes ideias e autênticos espalhanços ao cumprido, «Gods of War» revela-se um registo pouco sólido quando comparado com verdadeiras pérolas que constam da sua própria discografia. Erik Adams aparece em grande forma mas o abuso de temas orquestrais onde os teclados desempenham papel predominante em detrimento das guitarras, o som seco e mecânico da bateria e o excesso de tempos mortos, comprometem grandemente o resultado da obra que no final, após tão longo jejum, provoca uma sensação de coito interrompido.
Mar-07

[ 7.5 ]

 

MELECHESH - Emissaries / 2006

Frequentemente considerados uma banda israelita pelo simples facto de se terem constituído em Jerusalém e de lá terem sido expulsos, os Melechesh são compostos por músicos oriundos da Arménia, Síria, Holanda e Ucrânia, estando radicados nos Países Baixos desde 1998. Dos Nile, a quem são erradamente comparados, apenas se poderá encontrar paralelismo na abordagem quase que Lovecrafteriana, ao misticismo e ao registo algo étnico. Muita da cultura do Médio Oriente servirá como fonte de inspiração para uma sonoridade predominantemente Black Metal, com uma forte veia Thrash, resultando em composições de teor esotérico, fortemente originais.
Mais profissional que os três trabalhos anteriores, «Emissaries» revela em todo o seu esplendor a costela cosmopolita do quarteto, num conjunto de ataques assentes em complexas estruturas claramente orientadas para as linhas de guitarra. A substituição de Proscriptor, baterista de longa data, não se chega a ser relevante, num disco onde não é descorado o uso dado a alguns instrumentos tradicionais, cujo efeito folclórico não deixa de fazer sentido. Auto-produzido de forma muito competente e cristalina, o elevado nível técnico de cada momento é bem evidenciado, num álbum refrescante, ao mesmo tempo muito agressivo e difícil de largar.
Jan-07

[ 9 ]

 

MY DYING BRIDE - A Line of Deathless Kings / 2006

Juntamente com os Paradise Lost e os Anathema, os My Dying Bride completam o triunvirato de bandas britânicas que no inicio da década de 90' tomaram de assalto a Europa através de uma sonoridade Doom / Death que se revelaria importante na redefinição da música extrema. Entretanto, mesmo com os dois primeiros a descartar progressivamente as suas raízes, os MDB foram-se mantendo fieis ao estilo.
Neste 9º trabalho de estúdio, o colectivo de Halifax apresenta um som mais progressivo e experimental, remetendo a nossa mente para os tempos do incompreendido «34.788%… Complete». As vocalizações guturais de Aaron Stainthorpe desapareceram, ouvindo-se por diversas vezes frases declamadas que adicionadas aos momentos calmos, induzem ainda mais melancolia e comoção ao resultado final. Cada tema difere do anterior, percorrendo caminhos sinuosos entre algumas tonalidades mais fortes e paisagens de acalmia profunda, originando atmosferas intensas, épicos momentos de sofrimento e estados de pura depressão.
Um disco mais orientado para o trabalho da dupla de guitarristas e que, ao deixar as teclas a cargo de Sarah Stanton numa posição secundária, se vai tornando num objecto bem negro e pesado, com algum travo mais gótico amiúde.
Nov-06

[ 8 ]

 

MOONSPELL - Memorial / 2006

Há muito aguardado como o lançamento de uma nova etapa na vida dos Moonspell, «Memorial» apresenta-se com uma sonoridade crua que não é de todo casual. Após a saída da Century Media, muito se falou sobre o futuro da banda e este disco marca esta nova fase de uma forma forte, pujante e com a indelével marca moonspeliana.
As letras de Fernando Ribeiro mergulham-nos uma vez mais nas angústias do ser, misturando no pensamento o gosto a sangue, aprofundando nessas estranhas ligações, o sabor do destino e a ligeireza da morte. «In Memoriam», uma intro que há semelhança de álbuns anteriores marca bem o início, arranca de forma explosiva para «Finisterra», um tema que dá o mote sendo ainda contemplado como primeiro videoclip . Ao longo de 14 faixas, incluindo um tema bónus, este disco apresenta alguns instrumentais que lhe dão uma cadência especial. A utilização das teclas e samples para criar o cenário das músicas, com a notória marca pessoal de Pedro Paixão, a cada vez mais acutilante bateria de Mike Gaspar, a indissociável sonoridade metálica de Ricardo Amorim na guitarra e a voz sempre carismática de Fernando Ribeiro, resulta num álbum maduro e com evidente selo de palco.
«Memorial» recria a atmosfera a que já fomos habituados pelos Moonspell e mesmo não trazendo em si nada de novo, possui malhas fortíssimas que atingirão um público mais abrangente, alargando ainda mais a já extensa legião de fãs. Mai-06

[ 9 ]

 

MISERY INC. - Random End / 2006

Com um primeiro álbum intitulado «Yesterday's Grave», lançado há dois anos, esta banda finlandesa não conseguiu demarcar-se de uma corrente entretanto surgida, que quase coincidiu com o desaparecimento dos já saudosos Sentenced, e ofereceu-nos um disco típico de Suomi Metal, promissor mas muito pouco inovador e onde as tendências góticas se demarcavam das demais.
Para substituir o anterior vocalista, a banda recruta dois novos elementos e é sem dúvida nessa aposta que assenta grande parte da sonoridade mais moderna que este disco respira. As vocalizações mais guturais e gritadas de Niko Mankinen, num estilo mais Death Metal, arrasam por completo por altura de cada refrão enquanto se encontra espaço para ganhar algum fôlego nas partes mais melódicas e limpas, a cargo de Jules Näveri. Cada tema de «Random End» descarrega energia em catadupa, numa ambiência muito apelativa aos sentidos, graças a mais uma produção exemplar, onde como já é hábito, cada nota se destaca do emaranhado sonoro.
Os
Misery Inc. agradarão seguramente aos apreciadores dos sons mais melódicos proveniente da Suécia, das correntes mais emocionais oriundas da Finlândia e ainda, porque não, aos amantes de ondas mais Metalcore e Nu Metal. Mai-06

[ 6.5 ]

 

MACHINE MEN - Elegies / 2005

Contrariamente ao que seria de esperar de uma banda proveniente da Finlândia, este colectivo cuja idade dos seus elementos ronda os 20 anos, pratica um Heavy Metal de cariz mais tradicional e que nos trás constantemente à memória as marcantes sonoridades dos clássicos dos Iron Maiden ou dos Queensrÿche. Para não deixar dúvidas, até o nome do grupo e a cover com que terminam este registo foi retirada da discografia a solo de Bruce Dickinson.
Apesar de tantas parecenças e coincidências não se pense que este trabalho não é válido por si só e ao mesmo tempo bem interessante e refrescante. Terminado nos Finnvox Studios, o segundo álbum dos
Machine Men já revela uma banda adulta, na plenitude das suas faculdades e capaz de adicionar um toque pessoal a excelentes canções repletas de mudanças de tempo e qualidade. Instrumentalmente o relevo vai por inteiro para a dupla J.V. / Jani responsável pelos brilhantes duelos de guitarra e clássicos solos que se fazem ouvir ao longo de todo o disco mas é a voz de Antony e a semelhança incrível com a de Bruce Dickinson que se destaca a cada passo principalmente durante os trauteáveis e orelhudos coros.
Certo que o tempo é bom conselheiro e isso é algo que não lhes faltará certamente, desde que se libertem de algumas colagens mais óbvias e decidam arriscar.
Dez-05

[ 7.5 ]

 

THE MACHETE - Regression / 2005

Os finlandeses The Machete são um quinteto de Thrash Metal composto por elementos que pertencem aos Mokoma e já passaram pelos extintos Mind Riot e que depois da gravação de uma demo de 3 temas em 2004, conseguiram um acordo com a Spinefarm Records, quando a edição de autor para este disco já estava prevista.
«Regression» é o álbum de estreia, um trabalho variado, onde nos vem logo à memória o característico som de uns
Entombed, mesclado com a melodia típica dos Paradise Lost, não esquecendo a modernidade e o vigor de colectivos como os Killswitch Engage.
Ao longo de 11 intensos temas, sobressai a versátil voz de Tuomo Saikkonen, capaz de utilizar amplos grunhidos e gritos extremos como colocar a voz em registos mais melódicos e limpos. As influências Thrash sobressaem e são as mais nítidas embora incursões noutros géneros limítrofes não sejam nada desprezáveis.
Mais uma recente banda a ter debaixo de olho pois seguramente este é um produto que irá brilhar ainda mais ao vivo.
Nov-05

[ 7 ]

 

MESHUGGAH - Catch Thirtythree / 2005

Depois do EP «I» lançado em finais do ano passado, consistindo num tema único com 21 minutos de duração, os suecos Meshuggah ganharam-lhe o gosto e regressam agora com o álbum «Catch Thirtythree», composto novamente por uma malha apenas, dividida em 13 pequenas secções, completamente intrincadas entre si e impossíveis de serem escutadas isoladamente sem que percam algum sentido.
Como não poderia deixar de ser, são as guitarras de Fredrik Thordendal e Marten Hagstrom e as 16 cordas à disposição da dupla que produzem um emaranhado de hipnóticos e caóticos riffs e que constroem as já famosas estruturas, apelidadas por alguns, como matemáticas. As vocalizações algo monocórdicas, por vezes computorizadas e a bateria completamente programada mas nem assim artificial – não se percebe porque é que Thomas Haake ficou a fazer gazeta – dão aos cerca de 47 minutos deste suporte um resultado algo mecânico.
Mais um disco que exige alguma paciência e dedicação para que dele se possam extrair bons momentos de Metal técnico, devastador mas bem menos complexo do que seria expectável. Não fossem os
Meshuggah forte inspiração para uma legião de bandas quer gravita em volta dos sons mais actuais. Jul-05

[ 8 ]

 

MORGANA LEFAY - Grand Materia / 2005

Embora nunca tenham sido uma banda de topo da cena Power europeia, destacaram-se facilmente da maré de colectivos mais melódicos e dos clones de Helloween através de uma postura mais agressiva, a roçar sonoridades vindas do outro lado do Atlântico. A banda viria a desmembrar-se há cerca de 10 anos apesar de alguns dos seus elementos terem fugazmente continuado com o nome. Por seu lado, o carismático vocalista Charles Rytkönen e o guitarrista Tony Eriksson, o verdadeiro núcleo dos Morgana Lefay, prossegue o seu caminho sob a designação Lefay, até que um «SOS» os deixa sem resposta, corria o ano de 2000.
Felizmente esta onda de regressos também nos trás boas propostas...
Aproveitando uma situação legal, voltam à carga praticamente com o mesmo line-up dos extintos Lefay e com mais uma magnífica capa a cargo de Kristian Wahlin, o colectivo sueco oferece-nos um trabalho conceptual sobre um alquimista que viaja através dos séculos. Mais uma vez a voz única de Rytkönen marca a diferença, bastante bem secundada pela muralha de riffs produzida pela dupla Eriksson / Grehn, numa competente produção, moderna, enérgica e pujante, que valoriza os excelentes e variados temas, num disco poderoso e francamente apetecível. Jun-05

[ 8.5 ]

 

MORGUL - All Dead Here... / 2005

A mudança de editora associada a obrigações contratuais custou aos Morgul um interregno superior a 4 anos entre as edições de «Sketch of Supposed Murderer» e «All Dead Here». Agora sob o selo da independente francesa Season of Mist, o solitário e enigmático Jack D. Ripper, mais uma vez o único responsável por todos os arranjos, “strings, things and voices” e com a engenharia a cargo de Terje Refsnes, apresenta-nos mais uma colectânea de canções de horror, num cenário sinistro e riquíssimo em termos de conteúdo e variedade instrumental. Com pinceladas aqui e ali de tendências Gothic / Industrial, somos frequentemente colocados num vaivém entre ritmos mais pausados e completas orgias sonoras, onde prevalecem os ambientes Black de cariz mais sinfónico, complementados pelas habituais e muito carismáticas incursões de violino que dão um forte cunho sedutor a cada momento.
Jack utiliza a sua poderosa amplitude vocal, alternando com frequência entre o gutural e o declamatório, raiando às vezes as fronteiras do Death / Grind.
O único senão é o facto de que quando comparado com os discos anteriores, «All Dead Here…» perde “aos pontos” em termos de criatividade. Mai-05

[ 8 ]

 

MASTERPLAN - Aeronautics / 2005

Não é novidade que os Masterplan se formaram após a dissidência de Roland Grapow e Uli Kusch dos Helloween. Graças à colaboração de músicos de reconhecida categoria, casos do vocalista Jorn Lande, do baixista Jans Eckert dos Iron Savior e do teclista Axel Mackenrott, lançaram no início de 2003 um fantástico álbum homónimo.
«Aeronautics» não atinge a fasquia imposta pelo registo de estreia e embora seja composto por temas bem estruturados, peca pela linearidade e pelo facto de pouco acrescentar em relação ao seu predecessor. Infelizmente grande parte dos temas flúi a meio gás e em registo algo baladesco , o que pouco ajuda a que a voz de Jorn Lande – a grande mais valia da banda quando em confronto com qualquer outro colectivo de Power Metal melódico – possa sobressair e revelar todo o seu potencial.
Muito bem produzido por Andy Sneap e com um trabalho sonoro irrepreensível a cargo da dupla Mikko Karmila / Mika Jussila, estamos perante um disco que provoca com demasiada frequência algum aborrecimento embora com espaço para boas interpretações, ou não estivéssemos perante músicos geniais. Fev-05

[ 6 ]

 

MELIAH RAGE - Barely Human / 2004

Nos finais dos anos 80' , os Meliah Rage alcançaram algum protagonismo com o álbum de estreia «Kill to Survive» e com o EP ao vivo que se lhe seguiu, intitulado «Live Kill». O crescimento desenfreado de bandas Thrash , onde qualquer conjunto de músicos com instrumentos obtinha os requisitos mínimos para gravar um disco, cedo começou a saturar a cena. Surgiu o Grunge e tudo se desmoronou muito rapidamente. A banda de Boston ainda tentou permanecer activa mas ficou-se pela edição de «Death Valley Dream» em 1996, um álbum que passou praticamente despercebido.
Com o advento do Thrash , 3 dos elementos fundadores resolvem recrutar o vocalista Paul Souza e o baterista Barry Spillberg para a gravação deste «Barely Human», uma rodela de Power / Thrash Metal como se fazia há 20 anos atrás algures pela zona da Bay Area. Sem soar demasiado datado, este disco assenta sobre uma base de riffs e coros extremamente atractiva e embora por vezes tocado a meio gás, não falta energia a muitos dos 9 temas aqui presentes. Um regresso interessante. Dez-04

[ 7 ]

 

MARDUK - Plague Angel/ 2004

Morgan Håkansson continua a baralhar as cartas e desta vez a vitima foi o baixista B. War que já integrava o colectivo desde 1992. A juntar a esta baixa de peso temos as saídas recentes de outros elementos carismáticos como a do vocalista Legion e a do baterista Fredrik Andersson, por alturas do último «World Funeral».
Mas se as mudanças no alinhamento são mais do que profundas, o som dos Marduk continua hiper violento, e com a excepção do épico «Perish In Flames», os momentos construídos propositadamente para retomar o fôlego são quase inexistentes. Carregando a cruz da dupla apocalíptica Death / War , não restam grandes hipóteses de evolução. Dez-04

[ 8 ]

 

MERCENARY - 11 Dreams / 2004

De um país com pouca expressão no meio metálico como a Dinamarca, não fossem King Diamond e Lars Ulrich, têm surgido ultimamente algumas bandas que indiciam o aparecimento de uma corrente interessante, colada ao Death Metal de tendências mais melódicas mas incorporando doses massivas de Thrash e Metalcore . Assim, temos forçosamente de juntar estes Mercenary a uma série de bandas como os Invocator, Withering Surface, Hatesphere, Raunchy ou Mnemic.
«11 Dreams» é já o terceiro álbum do sexteto e embora já tivessem chamado a atenção com o anterior «Everblack», é com esta produção a cargo de Jacob Hansen que atingem o ponto mais elevado da carreira. O destaque vai inteirinho para os dois vocalistas que nos transmitem distintas atmosferas, entre a agressividade e a acalmia, terminando sempre em fortíssimos coros. Aqui e ali, algumas tendências mais góticas e progressivas resultam em algo francamente inovador e refrescante.
Mais uma excelente capa a cargo de Niklas Sundin, num disco que cresce à medida que as espiras vão passando, cheio de intensidade emocional e diversidade. Nov-04

[ 7.5 ]

 

MEGADETH - The System Has Failed / 2004

No seguimento de uma inexplicável lesão que lhe limitou a utilização da mão esquerda, Dave Mustaine dá por finda a carreira dos Megadeth.
Pouco depois chama o guitarrista Chris Poland, que já tinha participado nos 2 primeiros álbuns e, juntamente com músicos de estúdio, começam os preparativos para «The System Has Failed».
Com um começo devastador, que nos trás logo à memória os primeiros tempos do colectivo, é sempre agradável retomar o contacto com o som característico proporcionado pela voz de Mustaine a rasgar uma cortina sonora de Speed / Thrash Metal , ainda por cima quando condimentada com fabulosos duelos e solos de guitarra.
Infelizmente, cedo somos confrontados com um punhado de temas banais e pouco inspirados, num regresso desequilibrado que mais parece um trabalho a solo
. Out-04

[ 7 ]

 

MASTODON - Leviathan / 2004

«Leviathan» é um disco que criou imensas expectativas e que rapidamente se tornou num dos mais aguardados do ano, graças às análises esmagadoras que entretanto começaram a surgir. A crítica foi unânime em classificar este disco acima de óptimo logo, havendo um consenso tão alargado, só interessa perceber porquê.
Agora que estamos novamente numa fase em que se procura avidamente a "the next big thing", tudo apontando para que o género Metalcore abrace por momentos essa glória efémera, seria no entanto injusto colocar estes Mastodon nessa categoria.
E se realmente aqui podemos encontrar Hardcore misturado com Metal, a distinção faz-se pela elevada capacidade técnica do colectivo, pela fusão com outros estilos - com destaque para o Rock mais independente, pela complexidade e pela diversidade presente em todas as faixas. Aparentemente um disco difícil mas que nem o é.
Para incrementar ainda mais o valor desta obra conceptual, deliciem-se com o livrete que acompanha o CD enquanto escutam os temas do áudio DVD apenso
. Out-04

[ 8.5 ]

 

MESHUGGAH - I / 2004 - EP

Aproveitando o relacionamento com os Meshuggah, Jason Mann, vocalista dos Mushroomhead, convenceu a banda a lançar este EP como estreia da sua recém criada editora Fractured Transmitter Record Co.
«I»é um tema de 21 minutos que ocupa integralmente este disco e apresenta-se como um excelente aperitivo para o álbum «Catch 33». Eis-nos pois perante mais um festival de técnica e experimentação, protagonizado pelas guitarras de 8 cordas de Fredrik Thordendal e Marten Hagstrom, bem secundados por uma muralha sonora de blast beats e enérgicos rugidos. Quando as estruturas ameaçam desabar, tudo se organiza à volta de alguns momentos mais melódicos que entretanto progridem para o caos, em constantes mudanças de tempo, num esboço matemático e maquinal
. Out-04 

[ 7 ]

 

MOTÖRHEAD - Inferno / 2004

Entre dezenas de álbuns ao vivo e compilações, «Inferno» é já o 17º disco de estúdio (oficial) do trio britânico, liderado pelo carismático Lemmy Kilmister.
É óbvio que a genialidade alcançada com os de discos que formam a The Bronze Age - Overkill, Bomber, Ace of Spades e Iron Fist - não será igualada, mas o facto de encontrarmos em «Inferno» um elevado número de temas que em nada envergonham o passado desta instituição, é motivo para enorme regozijo. A banda está bem viva, enérgica e este é um dos melhores trabalhos desde essa fase.
Uma incrível sensação de juventude a caminho dos 30 anos de idade.
Ago-04 

[ 9 ]

 

MORGION - Cloaked by Ages, Crowned in Earth / 2004

Com uma discografia ainda relativamente curta, para uma banda formada há 15 anos, os Morgion são uma entidade de culto dentro do movimento Doom. Depois de um interregno superior a 5 anos, e quando muitos temiam por um final precoce, eis que assinam em 2003 pela independente Dark Symphonies, surgindo então os primeiros rumores sobre um novo disco.
«Cloaked by Ages, Crowned in Earth» é um trabalho belíssimo, onde as emoções fluem constantemente através de atmosferas, ora delicadas, ora extremamente carregadas.
Profundos grunhidos Death, potentes riffs e exímios solos de guitarra, vozes límpidas e diversos momentos acústicos, fazem-nos atravessar ambientes distintos, mundos antagónicos, pintando paisagens desde o céu até às profundezas do inferno.
Majestoso e poético, um regresso a descobrir, um álbum que cresce a cada audição
.     

[ 8 ]

 

MAYHEM - Chimera / 2004

Embora tenham sido os responsáveis pelo surgimento de um movimento ainda hoje com franca adesão, os Mayhem são bem mais conhecidos pelos acontecimentos ocorridos em torno da banda do que pela música em si.
Se «De Mysteriis Dom Sathanas» é um dos mais importantes álbuns de sempre, «Grand Declaration of War» foi um passo demasiado avançado para muitos. «Chimera», o terceiro disco de estúdio em 20 anos de carreira, não é um regresso às raízes mas agradará por certo a uma maior fatia de adeptos "fundamentalistas". Brutal e incrivelmente técnico, esta gravação revela um nível de detalhe espantoso, pairando o caos sobre a aura de mistério e insanidade que rodeiam o quarteto
.

[ 9 ]

 

MY DYING BRIDE - Songs of Darkness, Words of Light / 2004

Que os My Dying Bride são uma das bandas com maior qualidade artística do planeta ninguém tem qualquer dúvida e se alguma razão para preocupações invadiu a mente de alguns devido às produções mais recentes, este semi regresso às origens é revelador de todo o potencial de Aaron Stainthorpe & Co.
Temas extremamente longos com a habitual melancolia mesclada com ambientes profundos e agoirentos, uma trama relatada por vozes ora límpidas ora guturais e com uma banda sonora que percorre arrastados e melódicos caminhos Death / Doom, provocam uma sensação final de que realmente se perdeu algo e o desespero apodera-se da nossa alma. Um passo depois do abismo..
.

[ 9 ]

 

MONSTER MAGNET - Monolithic Baby! / 2004

O regresso dos Monster Magnet é uma autêntica bomba de ganza. Para quem aprecia o som de bandas como os Kiss, Black Sabbath, Motörhead ou Soundgarden, não pode deixar de cair na tentação deste monumental som retro, com fortes conotações Stoner e que respira revivalismo por todos os poros. Com uma produção brilhante e poderosa, onde o destaque dado às guitarras é evidente, estamos perante um disco repleto de clichés e momentos déjà-vu. Mas é aí que reside toda a sua força pois estas situações desaguam numa enorme vitalidade, num som moderno e irresistivelmente refrescante.
A complementar a edição especial temos um DVD com excertos de uma actuação ao vivo no Astoria de Londres e dois excelentes vídeos - «Unbroken (Hotel Baby)», com resmas de gajas boas e «The Right Stuff», onde Dave Wyndorf abate aviões.
Puro gozo, um disco monstruoso
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[ 9.5 ]

 

MACHINE HEAD - Through the Ashes of Empires / 2003

Com «Through the Ashes of Empire», o quarteto oriundo de Oakland e liderado pelo talentoso vocalista e guitarrista Robb Flynn, abandona a monótona faceta Nu-Metal e regressa em força ao som mais brutal dos álbuns iniciais. Assente no já habitual e característico groove, este disco destila toda a sua energia ao longo dos dez temas que o compõe. Uma descarga de raiva directamente na cara do ouvinte, garantia certa de quase uma hora de muito mosh e headbanging.
Aqueles que em tempos foram uma das grandes esperanças do Metal provam mais uma vez a sua competência
.


[ 8 ]

 

MOONSPELL - The Antidote / 2003

Anunciado como um regresso aos velhos tempos, «The Antidote» não é nada disso e ainda bem. É, isso sim, mais um passo em frente, mais um trabalho inovador e arriscado. Dos últimos lançamentos permanece a estrutura experimental das composições mas a agressividade substitui a melodia, sendo os teclados relegados para um plano mais secundário. A produção de Hiili Hiilesmaa está perfeita tornando tudo claro como água. Destaque para a voz de Fernando Ribeiro, que com mestria percorre diferentes estilos balançando entre as vocalizações límpidas e guturais e ainda para a excelente prestação de Mike Gaspar na bateria.
A componente multimédia é do melhor que já vi e a obra de José Luís Peixoto um excelente complemento para este disco.

[ 8.5 ]

 

MORBID ANGEL - Herectic / 2003

Os Morbid Angel sempre exibiram nos seus temas, de conteúdo predominantemente satânico, uma técnica magistral e um imenso virtuosismo na manipulação dos instrumentos. O baterista Pete Sandoval e o fabuloso guitarrista Trey Azagthoth são sem qualquer exagero ícones dentro do estilo. Actualmente, a principal preocupação da banda parece ser a de criar e registar autênticos compêndios de como fazer...
Assim sendo, os últimos trabalhos do grupo americano contém um manancial de trechos, apelidados de «Lava» ou «Levels», para maníacos de guitarra ou bateria. Três anos após «Gateways to Annihilation» somos brindados com 30 excertos desse género e apenas 8 faixas vocalizadas, o que é manifestamente pouco para tanta espera. Mas também quem quiser Death Metal à Morbid Angel que compre discos de qualquer banda polaca. Aqui, eles só dizem como se faz...

[ 8 ]

 
METALICA – St. Anger / 2003

Focando a nossa atenção neste registo deparamos com algo estranho e deveras insípido. Um disco muito mal produzido (se é de propósito só pode ser a gozar), a voz desafina por tudo quanto é sítio, uma bateria que parece ser feita de bidões de óleo e latas de tinta, um baixo que mal se ouve e guitarras completamente desenquadradas. Solos para condimentar a coisa, népia!? Para não nos esticarmos muito mais, nem vale a pena, estamos perante um trabalho demasiado aborrecido e merdoso, agressivo mas pouco conseguido, falso como Judas e sem qualquer tema para a história. Se é para agradar às massas vivam as minorias.

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MARDUK – World Funeral / 2002

Os suecos Marduk continuam incansáveis e aí está mais um trabalho de musica brutal, repleta de riffs supersónicos que acompanham uma voz diabólica, deveras rasgada e cruel, ao ritmo de uma batida ciclónica. Gravado e misturado nos estúdios Abyss, relação que já dura desde 1996, o novo trabalho do grupo liderado por Morgan segue uma linha muito semelhante ao anterior «La Grande Danse Macabre». E ainda bem pois apesar da violência, o som está impecável. Apesar da intensidade e força deste registo, nota-se a preocupação em levantar um pouco o pé, e a completa devastação e caos, por vezes são interrompidos por curtos espaços de alguma melodia que de imediato degenera em torrentes sonoras de Black Metal capazes de derrubar uma legião completa de católicos fanáticos. Como "quem vai à guerra dá e leva", quem ouvir isto apanha pela certa.

[ 8.5 ]

 

MASTERPLAN / 2003

Uma das estreias mais aguardadas para o inicio deste ano era sem dúvida a da nova banda de 2 ex-Helloween, Roland Grapow e Uli Kusch. Após a tentativa gorada de recrutar Russell Allen, o magnífico vocalista dos Symphony X, a escolha recaiu no não menos reconhecido Jorn Lande (Ark). Estavam assim reunidas condições mais do que suficientes para um lançamento de peso. E realmente «Masterplan» está repleto de grandes malhas executadas de forma exemplar, canções orelhudas e melodias geniais. A produção é da responsabilidade de Andy Sneap logo, neste particular, está tudo dito. O único senão reside no facto de tudo isto me trazer à cabeça bandas como os próprios Helloween - em «Heroes» temos Michael Kiske e tudo! - ou os Whitesnake. Será que as sementes que ficaram dentro da "abóbora" terão resposta à altura?

[ 8 ]

 

MANOWAR – The Dawn of Battle / 2002 - EP

«Warriors of the World» não gorou as expectativas mas ficou uma sensação de vazio provocada pelos dois instrumentais e pelos dois temas fora do estilo Manowar. Assim este EP "cai que nem ginjas". Composto por 2 originais de qualidade superior escritos propositadamente para este trabalho, apenas «Call to Arms» foi retirado do álbum, por material para ver em PC e por um DVD do lado oposto, eis um CD com 2 lados! Quem ainda assim não estiver saciado pelos duplos ao vivo de 97 e 99, foi lançado um duplo DVD com cerca de 5 horas de duração que também aqui é apresentado através de um trecho promocional. Enfim, motivos mais do que suficientes para adquirir esta rodela de 2 caras.

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MEGADETH - Rude Awakening / 2002 - Live

"Rude Awakening" não é só o primeiro registo ao vivo dos Megadeth ao longo de quase duas décadas de existência mas é também o disco que marca o fim da banda de Dave Mustaine. O acidente sofrido em Janeiro causou-lhe delicadas lesões nos nervos da mão e braço esquerdos, incapacitando-o de tocar pelo menos durante um ano. O músico vai dedicar-se a reavaliar a sua carreira e o futuro.
A escolha dos 24 temas deste duplo álbum foi votado para o efeito via www.megadeth.com e cobre toda a carreira da banda ficando apenas de parte «Risk», o registo mais comercial e polémico do quarteto.
Pouco polido em estúdio é um disco bem cru, afinal como deve soar um Live
.

[ 7.5 ]

 

MANOWAR – Warriors of the World / 2002

Quando os auto proclamados Reis do Metal entravam numa fase de declínio, 2 duplos álbuns ao vivo seguidos contra dois trabalhos de estúdio nos últimos 13 anos, eis o tão aguardado novo trabalho. Obviamente as expectativas eram enormes e não fossem o inqualificável «Nessun Dorma», onde Eric Adams tenta rivalizar com Pavarotti, ou o inenarrável «An American Dream», uma homenagem a Elvis que quando muito poderia figurar num EP, estamos perante um puro sangue Manowar. É pena que retirando os dois instrumentais sobrem apenas 7 temas, muito bons e diversificados, mas escassos para 8 anos de jejum.

[ 8 ]

 

MESHUGGAH - Nothing / 2002

Para qualquer pessoa menos habituada a sons mais extremos, a diferença entre qualquer tema dos suecos Meshuggah e barulho numa serração é pura coincidência. Mesmo para um experimentado e conhecedor amante do som mais pesado, as malhas interpretadas por este quinteto escandinavo não são de fácil assimilação. Para cúmulo como explicar a presença de uma banda como esta no Ozzfest americano junto de colectivos melosos como P.O.D., Adema, Soil ou Flaw?!
Os temas executados pelos Meshuggah são únicos e incomparáveis, a começar pela destreza de um músico chamado Fredrik Thordendal com a sua guitarra de 8 cordas, cadenciada e grave. Coadjuvado por uma secção baixo / bateria mecânica mas meteórica, uma voz rasgada e uma produção a cargo de Daniel Bergstrand, é o bastante para criar um registo inclassificável e ao alcance de muito poucos mas talvez demasiado complexo. Melodia nem vê-la.

[ 7.5 ]

 

MY DYING BRIDE – The Dreadful Hours / 2001

My Dying Bride é melancolia, desolação e angústia. Com o passar dos anos a banda liderada por Aaron Stainthorpe foi-se tornando ao mesmo tempo mais melódica e arrastada. Os sons guturais quase desapareceram sendo substituídos por deambulações hipnóticas em temas que ultrapassavam os 10 minutos de duração. Este último produto, menos polido que os registos mais recentes, não pretendendo ser um regresso aos tempos de «Turn Loose the Swans», apresenta-nos 8 temas bem mais carregados e seguindo um caminho um pouco mais pesado.


[ 8 ]

 

MANOWAR – Fire & Blood / 2002 - DVD

Composto por 2 DVDs - «Hell on Earth Part II» e «Blood in Brazil» - quase 5 horas de som e imagem farão as delícias de qualquer apreciador da banda. A primeira rodela documenta a digressão europeia de 98 intitulada «Hell on Stage» e além das habituais cenas de bastidores, ao contrário da parte I, temos bastantes temas completos, tocados em diferentes locais. Destaque ainda para os minutos dedicados ao nosso país. Como extra poderemos encontrar, entre outras curiosidades, a versão em francês, desde a gravação até ao resultado final, de «Courage». O conluio entre a banda e os fãs é inquestionável.«Blood in Brazil» contém na integra de uma das mais extraordinárias performances do quarteto americano, captada em São Paulo no Monster of Rock de 1998, perante 30 mil extasiados espectadores. Alucinante.


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MANOWAR – Hell on Earth Part I / 2001 - DVD

Este trabalho é muito diferente de um DVD normal. Aproveitando a digressão «Hell on Wheels», temos aqui mais de 2 horas de curiosidades gravadas ao longo de 5 anos essencialmente nos bastidores, uma total interacção com os fãs e com os habituais clichés - motos, sexo, álcool - "and so on". Isto não é um disco ao vivo mas sim um bom documentário. "The other bands play, Manowar Kills".

 



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