: : MALEITAS/ANÁLISES : : L : : .

LMO - Lingua Mortis Orchestra - feat. RAGE / 2013

Desde que lançaram «Lingua Mortis» em 1996, um álbum que conta com a colaboração de músicos com formação erudita, numa orientação mais clássica e sinfónica, os Rage não mais abandonaram essa vertente, sendo recorrente a utilização da LMO nos discos do trio germânico ao longo da sua vastíssima carreira. Aproveitando a participação da referida orquestra nos espectáculos ao vivo e usando, desta feita, material novo em detrimento dos arranjos de temas mais conhecidos, os cerca de 100 elementos integrantes de 2 orquestras provenientes de Espanha e da Bielorrússia, juntamente com mais duas vocalistas de apoio, uma das quais com uma forte componente operática, assumem o papel de protagonistas com Peavy Wagner, Victor Smolski e Andre Hilgers, em posição de igual destaque.
Composto quase na totalidade pelo exímio guitarrista russo e redigido por Peavy, este primeiro álbum dos LMO, cuja temática versa a caça às bruxas durante o período da inquisição, continua na senda dos seus antecessores, transpirando melodia, óptimas orquestrações e imensa energia. Como nota final e tomando este registo como uma dedicatória a todos os músicos que têm funcionado como um complemento, «Lingua Mortis Orchestra» pode ser perfeitamente considerado o 21º álbum dos Rage. Set-13

[ 78 / 100 ]

 

LVCIFYRE - The Calling Depths / 2011

Um pouco à revelia, eis que encontro um dia destes na caixa do correio um pack composto pelos álbuns de estreia de duas bandas que gravitam em redor dos meandros do underground londrino. A curiosidade aguça-se sabendo que existe algo em comum entre os dois projectos, a presença de Menthor atrás do kit de percussão.
«The Calling Depths» é um desfilar de riffs e devaneios de guitarra que logo à cabeça nos recordam bandas como Immolation ou Morbid Angel, sob um fogo cruzado de blastbeats e vocalizações rasgadas. Graças a uma produção cuidada, cortesia de Janusz Bryt, alguém que já trabalhou, entre outros, com os Behemoth, os 8 temas propostos pelos Lvcifyre emergem como descargas de pura devastação e negritude.
Num terreno ainda mais submerso movem-se os Necrosadist, banda com origem cipriota mas actualmente radicada no Reino-Unido. A um ritmo alucinante, as referências nacionais não se esgotam na execução maquinal e avassaladora de Menthor, sobrando para Cristiano Gomes as competências de uma produção obscura e sufocante, onde o caos estrutural degenera numa carnificina sonora.
Mesmo que originalidade não abunde por aqui, ambos os CDs possuem capacidade para agradar aos mais exigentes adeptos de Black / Death Metal extremo. Dez-11

[ na / 100 ]

 

LUX FERRE - Atrae Materiae Monumentum / 2009

Se existe em Portugal um género extremo com contornos bem delineados, o Black é sem dúvida um deles. Infelizmente a quantidade de bandas e projectos ultrapassa largamente a qualidade e poucos, muito poucos, terão a hipótese de obter reconhecimento fora do seu restrito circulo de amigos. Gravitando à volta de uma dúzia de personalidades, o apelidado Lvsitanian Black acaba assim por ficar a perder.
Com o auxílio de Pestilens, guitarrista com quem congrega esforços nos Penitência e do baixista Vilkacis e 5 anos após «Antichristian War Propaganda» ter visto a luz, Devasth deixa conscientemente para trás os conteúdos blasfemos dos tempos de Baal Sabbath, enveredando por caminhos mais directos e realistas. Num disco onde a guitarra emerge, são os temas que destilam portugalidade que melhor funcionam, transmitindo um maior sentido e sinceridade. «Pira» é aquela faixa bem próxima do veneno que nos poderia consumir no entanto, um pequeníssimo passo parece faltar.
Não sendo uma obra monumental, até porque há temas menos conseguidos, os Lux Ferre encontram-se já ao nível dos melhores, sendo dos tais “muito poucos” referidos no parágrafo inicial com maior potencial para chegar a um patamar superior. Out-09

[ 74 / 100 ]

 

LIFELOVER - Konkurs / 2008

Se o sarcasmo presente em «Pulver» induziu certa curiosidade à volta desta peculiar banda sueca, foi com o álbum do ano passado, o qual flectiu para uma abordagem mais urbana e doentia, que as atenções se viraram para este enigmático projecto com obscuras referências em torno de colectivos como Hypothermia, IXXI ou Ondskapt.
Seguindo uma linha muito próxima de «Erotik», o terceiro disco do sexteto ruma numa direcção mais sombria, onde elementos ambientais se vão fundindo com ritmos depressivos, numa mescla de estilos que gravita entre o Black Metal mais arrastado e um post-Rock insano. Encontramos por aqui passagens vocais que abarcam uma vasta gama de registos enquanto estruturas a roçar o universo Pop vão rasgando paredes de distorção, numa torrente de delirante esquizofrenia. Através de samples completamente desconexos e alguns discursos despropositados, tudo acaba por fazer algum sentido quando o resultado se vai construindo, de uma forma viciante e demente, à custa de dolentes passagens de piano e riffs absolutamente alucinantes.
Sem dúvida que os Lifelover primam pela diferença, mesmo que uma corrente de pensamento os remeta, de forma algo redutora é certo, para um inteligente mas indisfarçavel abuso de ideias e trejeitos de uns Joy Division. Nov-08

[ 86 / 100 ]

 

LORD BELIAL - Nocturnal Beast / 2005

Num ano difícil, principalmente devido aos problemas físicos que afectaram o baterista Micke Backelin, obrigando-os a fecharem prematuramente a agenda de espectáculos, o quarteto sueco decide, voltar outra vez à carga com outro registo de Black / Death predominantemente lento, dominado pelo groove e pelas descargas de melodia muito típicas das bandas desta zona do globo. Com a mesma formação, o trio de irmãos Backelin e o guitarrista Hjalmar Nielsen e novamente com Andy LaRocque no papel de produtor, num curto espaço de tempo de 22 dias, rapidamente despacham o 6º trabalho de originais, desta feita mais directo e simples quando comparado com o anterior «The Seal of Belial», um álbum mais rebuscado e ambicioso.
Com muito menos espaço dedicado a vocalizações femininas e a orquestrações majestosas, os 11 temas que varrem literalmente «Nocturnal Beast» revelam inicialmente alguma monotonia que se dissipa após repetidas audições. O som ao longo de todo o disco é polido e bastante denso, o que amplifica de forma categórica toda a escuridão mórbida que se pretende transmitir através de composições arrastadas e de melodias perturbadoras. Por momentos assalta-nos à memória algo já anteriormente feito por colectivos como os
Dissection ou os Khold. Jan-06

[ 8 ]

 

LVPERCALIA - The New Blood / 2005 - MCD

Oriundos de Mem-Martins, os
Lvpercalia regressam às edições discográficas, após o interregno de quase 5 anos que se seguiu à edição do álbum de estreia «The Sublimination of Darkness». Formados em 1998, o quarteto da zona de Lisboa cedo enveredou pelos obscuros caminhos do Black Metal , mais orquestral e sinfónico no caso, sendo que esse registo logo lhes augurou um futuro promissor.
Com um novo baixista na formação, a banda entra nos estúdios da Virtual Records para registar 3 novos temas reveladores de uma verdadeira “transfusão sanguínea”. Death Metal de cariz progressivo, apresentado numa vertente bem mais melódica que anteriormente e onde inclusive se constatam algumas vocalizações limpas, num disco que apresenta uma atitude mais ambiciosa e um maior trabalho de composição. Destaque ainda para o, sempre difícil de captar, som da bateria de Mário Chincho.
Com a produção repartida entre Fred e a própria banda, este MCD peca pela sua curta duração e ainda pelo facto da faixa «Memory Hall», uma estranha power-ballad, ainda se encontrar numa fase bastante embrionária. Assim sendo e chegado o final, há que recolocar este disco novamente no início
. Abr-05

[ 7 ]

 

LORD BELIAL - The Seal of Belial / 2004

«The Seal of Belial» é já o quinto trabalho de longa duração proposto pelo quarteto de Black Metal sueco
Lord Belial, preparado para esta ocasião pelos irmãos Backelin (Thomas, Anders e Micke) e pelo guitarrista Hjalmar Nielsen.
Bem menos agressivo e old school quando comparado com os registos anteriores, as 8 malhas que preenchem este disco, revelam-se através de diversas passagens predominantemente melódicas e graças a uma cadência mais pausada. Nota-se uma maior preocupação em termos de composição, na criação de atmosferas algo épicas, arrastadas, emotivas e, por vezes, sumptuosas.
Com produção de Andy La Rocque , que apostou num som cheio e potente, é por demais evidente a atenção especial que é dada ás guitarras, o que proporciona ao conjunto final alguns momentos mais acessíveis, a roçar o mainstream.
Não muito longe da musicalidade de uns
Cradle of Filth ou Dimmu Borgir, os Lord Belial são a banda perfeita para fazer a ponte entre apreciadores do Black Metal mais cru e amantes de colectivos mais sinfónicas ou orquestrais. E daí, há sempre a possibilidade de não agradar nem a uns, nem a outros. Mar-05

[ 8.5 ]

 

LAKE OF TEARS - Blackbrickroad / 2004

O som ligeiro e arrastado, por vezes progressivo e com claros contornos góticos, executado pelos suecos
Lake of Tears, sempre me despertou algum interesse e foi com bastante agrado que acompanhei a sua evolução até ao excelente «Forever Autumn», editado em 1999.
A melancolia, tristeza até, com que nos brindam a cada tema e as influências de
Pink Floyd ou Tiamat que até aí os acompanharam, ficam algo esbatidas em «The Neonai», o disco que marcaria um interregno na careira do colectivo.
Tal paragem foi rapidamente quebrada com este «Black Brick Road», um registo levezinho, sempre a meio gás, com abusivos recursos aos teclados mas que apresenta um agradável ambiente cósmico e uma atmosfera relaxante e de profunda acalmia.
O problema deste 6º álbum é a pouca variedade existente entre as 9 faixas que o compõe e a sua teimosa linearidade. Ao longo de pouco mais de meia hora, somos confrontados com um registo muito amorfo e pouco emotivo.
Nov-04

[ 7 ]

 

LAMENTED SOULS - The Origins of Misery / 2004

Nem sei se «The Origins of Misery» se poderá considerar o disco de estreia dos
Lamented Souls pois esta compilação é composta por material antigo, gravado entre 1993 e 1997 e abarca um álbum nunca editado, uma demo e algumas raridades.
O lineup deste quarteto é composto por quatro músicos que fazem / fizeram parte de inúmeras bandas de elite da cena Black Metal norueguesa. Assim, temos na voz Simen Hestnaes aka ICS Vortex (
Dimmu Borgir, Borknagar, Arcturus), Olav Knutsen no baixo (Infernö), Ole Jørgen Moe aka Apollyon (DHG, Cadaver Inc., Aura Noir, Darkthrone, Gorgoroth, ...) na guitarra e ainda o baterista Einar Sjursø (Beyond Dawn, Virus e Infernö). Surpreendentemente, ou talvez não, o que temos aqui é um disco de puro Doom Metal, muito denso e poderoso, na linha do que uns Saint Vitus nos proporcionaram nos seus últimos lançamentos.
Épico, pesado e muito arrastadoooooooooooooooooooom. Ago-04

[ 7 ]

 
THE LEGION - Unseen to Creation / 2003

No encalço de outras bandas suecas de Black Metal, como os
Dark Funeral ou os Marduk, encontramos este jovem quinteto proveniente de Jonkoping. Neste trabalho de estreia poderemos encontrar a consistência técnica bem característica dos músicos deste país, com destaque evidente para a extraordinária performance de Emil Dragutinovic na bateria e para o gutural desempenho de Anders Faldt; a já habitual mistura de doses industriais de sonoridades predominantemente Death ás estruturas instrumentais típicas do Black Metal e ainda os ambientes gélidos das regiões escandinavas.
Embora na presença de um disco muito profissional e bem produzido, cortesia de Tommy Tagtgren e dos Abyss Studios, a originalidade é um factor que não abunda por estas paragens. Além disso após escutarmos os 11 temas vezes sem conta, ficamos com a sensação que o resultado final até nem apresenta muito substrato.
Fica a promessa.

[ 7 ]

 

LUCA TURILLI – Prophet of the Last Eclipse / 2002

O segundo álbum a solo do guitarrista dos Rhapsody é um complemento ao que este faz na banda italiana, embora com as inevitáveis semelhanças, Turilli oferece-nos outras sonoridades bem diversas. Os coros épicos, as participações orquestrais e líricas e as sagas intermináveis não são nenhuma novidade mas neste seu projecto deparamos com momentos mais electrónicos e espaciais sendo o espaço dedicado à guitarra muito maior. O estilo tarantella amplamente influenciado em músicos clássicos como Vivaldi, Paganini ou Bach faz-se sentir com intensidade.No entanto a história é demasiado ridícula (ainda por cima vai continuar) e o desempenho dos músicos deixa um pouco a desejar principalmente o do vocalista alemão Olaf Hayer (Dionysus) que denota algumas limitações. Outro ponto a desfavor é o enorme conjunto de influências que se tentam incluir no disco que em vez de o tornarem em algo original resultam numa autentica manta de retalhos.

[ 6 ]

 

LACUNA COIL – Comalies / 2002

Quando tomei pela primeira vez contacto com esta banda italiana fiquei com a clara sensação que estava perante um clone dos The Gathering. A voz de Cristina Scabbia parecia sair da boca de Anneke van Giersbergen e o som proveniente de «Mandylion». Por coincidência até o produtor era o mesmo. Mas agora não, o peso das guitarras é bastante superior e além disso as intervenções complementares do outro vocalista - Andrea Ferro - fazem deste sexteto oriundo de Milão um colectivo a ter em conta. A miúda também não é desengraçada...
Doces melodias, música com classe, energia e emoção é o que se pode encontrar neste disco bem mais competente que o seu antecessor «Unleashed Memories».

[ 8 ]

 

LAKE OF TEARS - The Neonai / 2002

Cada trabalho dos suecos é um disco distinto do anterior. A evolução de sonoridades Doom Death melódico tipo Cemetary ou Tiamat antigo para ambientes mais atmosféricos e progressivos de nítidas influências Pink Floyd levou 6 anos («Greater Art», «Headstones», «A Crimson Cosmos» e «Forever Autumn»).
«The Neonai» é um disco que ficaria muito bem colocado entre os 2 últimos. Repleto de momentos psicadélicos e algo góticos, com um groove bem anos 70', uma batida deveras dançável e comercial, este disco está um pouco distante da serenidade e sonho de «Forever Autumn» graças aos alegres momentos repletos de teclados. Como já li algures, os Abba do Metal estão de volta embora com um ligeiro sabor a desilusão.
Na terra dos feiticeiros os duendes saltam em cima de coloridos cogumelos...

[ 7 ]

 

LOADED – Darkdays / 2002

Agora que parece estar quase certo o regresso dos Guns N’Roses ao activo com Axl Rose na liderança, os restantes elementos que já pertenceram ao colectivo – Slash e Duff McKagan incluídos – estão mais preocupados em continuar a sua actividade com outros projectos embora também esteja na calha um grupo para lhes fazer frente, faltando para tal apenas um vocalista de renome. Entretanto, os Loaded são um conjunto de músicos comandados pelo guitarrista McKagan, aqui também no papel de vocalista, que interpreta temas com influências Punk, por sinal não muito distante do que fizeram os Guns e que lança agora o seu disco de estreia composto por 12 temas despretensiosos e de fácil audição.

[ 5 ]