: : MALEITAS/ANÁLISES : : K : : .

KREATOR - Gods of Violence / 2017

Estes últimos tempos tem-nos trazido uma série de discos de bandas consagradas dentro do estilo que, mesmo não atingindo a glória dos tempos iniciais, como se isso fosse alguma vez possível, demonstram cabalmente que o Thrash dentro da música extrema é - de muito longe - o género mais "em forma". No outro lado do Atlântico bandas como Metallica, Megadeth, Anthrax, Slayer, Testament ou Overkill, só para falar dos gloriosos 6, não parecem abrandar, enquanto que no velho continente Sodom, Destruction ou Tankard, continuam inapelavelmente a oferecer-nos álbuns atrás de álbuns, com uma qualidade acima da média. E há os Kreator
«Gods of Violence» é o 14º disco do quarteto liderado por Mile Petrozza e um forte argumento para a banda germânica continuar a esgotar lotações. A popularidade continua a aumentar, apesar dos quase 35 anos de existência (contando com as raízes nos
Tormentor), e estes 11 temas só a tornarão mais forte. A modernidade e a melodia envolvem as tendências mais selvagens das suas origens, num todo agressivo, feroz, harmonioso e dinâmico. Mille prossegue como imagem de marca dos Kreator, mais versátil na voz do que nunca, Ventor destrói tudo lá atrás e Sammi Yli-Sirniö é há muito o guitarrista que proporciona à banda atingir um patamar superior. Fev-17

[ 91 / 100 ]

 

KHOLD - Til Endes / 2014

Enquanto os primeiros 5 álbuns encaixam numa janela temporal de 7 anos, foi este o tempo necessário para os Khold colocarem cá fora o sucessor de «Hundre år gammal». Se bem que os Tulus possam ser considerados uma extensão aos Khold e a banda tenha editado o seu 5º álbum em 2012, o Black 'n' Roll presente em «Til Endes» mantém a veia arrastada dos trabalhos anteriores, com todos os seus temas envolvidos naquele groove bem característico. De resto quase nada muda, as letras são literalmente narradas em norueguês, incluindo a interessante versão de «Troops of Doom» dos Sepultura, o line-up sofre nova mudança de baixista, permanecendo inalterável desde a formação inicial nas outras funções e o resultado continua glaciar, incisivo e agreste. Gravado nos Studio Fredman, com as misturas finais a cargo de Fredrik Nordström, é dado particular cuidado à secção rítmica, puxando-a bem cá para a frente, exponenciando assim o dinamismo destes instrumentos de uma forma ainda mais evidente. Fica no entanto a ideia que este interregno acabou por não resfriar a progressão e ritmo adquiridos até então, sendo que este registo possui, no seu todo, o mesmo impacto dos seus predecessores e é, indiscutivelmente, de igual forma viciante. Nov-14

[ 76 / 100 ]

 

KREATOR - Phantom Antichrist / 2012

Este promete ser um ano de arromba no que diz respeito a um movimento revigorado mas que nunca chegou a perder as suas bandas emblemáticas. Com o excelente álbum dos Overkill e o regresso dos Testament já na forja, os Kreator, a gozar uma das mais reconhecidas fases da sua longínqua carreira, apresentam-se com «Phantom Antichrist», um manancial de caos e destruição, ainda mais poderoso que os discos responsáveis em trazer o quarteto teutónico de volta ao som mais aclamado.
A fórmula usada neste 13º trabalho é uma sequência lógica da progressão dos
Kreator desde que se revigoraram em «Violent Revolution», deixando de parte a exagerada postura gótico-industrial. Formando uma dupla cada vez mais rotinada com Sami Yli-Sirino, sob o fogo cruzado projectado pela bateria de Ventor, Mille vomita ante uma cortina de excelentes riffs e solos magistrais, hinos versando temáticas apocalípticas acerca dos desígnios da humanidade, culminado em coros que nos invadem as entranhas. Moderno e ainda mais obscuro, épico e brutal, a banda não deixa de recorrer a apontamentos góticos e linhas mais melódicas, proporcionando ao disco uma maior longevidade. Como bónus, vale a pena escolher a edição em DVD com memoráveis apanhados durante as actuações de 2008 e 2011 do WOA. Jun-12

[ 85 / 100 ]

 

KEEP OF KALESSIN - Reptilian / 2010

Olhando para trás, embora a sonoridade dos Keep of Kalessin tenha sempre revelado uma forte componente sinfónica e orquestral, foi a partir do álbum «Armada» que a vertente mais ecléctica foi ficando mais acentuada, em detrimento da proeminente (até então) veia Black Metal. Em termos evolutivos e embora por períodos relativamente curtos, não é de menosprezar a passagem de músicos como Frost e Attila Csihar pelo seio do colectivo, mesmo durante uma fase mais conturbada.
Depois de «Kolossus», um álbum mais directo e linear que o seu predecessor, ao 5º álbum a banda resolve dar novo salto em busca de um reconhecimento maior. O sacrilégio de terem tentado representar o país no Euro Festival da Canção com o que viria a ser o single de avanço deste trabalho não augurava nada de bom, muito menos depois de termos ouvido «The Dragontower» mas felizmente «Reptilian» está repleto de enormes melodias e grandes temas, dentro do que de melhor os noruegueses vem fazendo. Com a formação estabilizada e misturas a cargo de Daniel Bergstrand, eis-nos perante uma torrente infindável de
blast-beats, arranjos sublimes, riffs majestosos, coros épicos e envolventes melodias, numa mistura extrema de estilos construídos de uma forma mais madura e acessível que anteriormente. Jun-10

[ 83 / 100 ]

 

KATATONIA - Night Is the New Day / 2009

Existem demasiados exemplos de bandas que com o passar dos anos vão amolecendo a sua sonoridade, a maior parte das vezes por incapacidade em manter a pedalada, outras por razões meramente artísticas ou de amadurecimento. Olhando para a carreira dos Katatonia, facilmente se percebe que é utilizando projectos paralelos que os seus principais elementos conseguem actualmente exorcizar os demónios interiores, abrindo-se assim espaço para que na entidade mãe se vá dando largas à criatividade, a novas abordagens e experimentações com um cunho ambiental.
Ao 8º álbum pouco resta do rumo
Doom/Death que o colectivo sueco percorria nos seus primórdios, substituído-o nos dias de hoje por um som progressivo e melancólico, pleno de sentimento, depressão e negritude. Uma produção cuidadosa enfatiza a emotividade que brota a cada instante, num emaranhado ecléctico que extravasa as mais recentes passagens Goth / Metal, uma musicalidade Indie onde a banda liderada por Jonas Renkse e Anders Nyström gravita como se de uma harmoniosa viagem introspectiva se tratasse. Infelizmente há uma enorme falta de força e riffs memoráveis neste disco, uma fragilidade que por certo provocará algum desconforto nos apreciadores das fases bem menos ligeiras. Nov-09

[ 76 / 100 ]

 

KREATOR - Hordes of Chaos / 2009

Num novo advento que atravessa o thrash metal, projectos vão surgindo em catadupa, não só do outro lado do atlântico, enquanto o trio germânico constituído por Sodom, Destruction e Kreator faz por transparecer uma saúde de ferro, incólume à travessia da fatídica década de 90’e rondando já 25 anos de estrada.
Mesmo tendo ultrapassado a fase mais estranha de «Outcast» e «Endorama» com o retorno à normalidade nos álbuns «Violent Revolution» e «Enemy of God», o quarteto envereda por uma abordagem mais directa, registando os 10 temas que compõe «Hordes of Chaos» em pleno ambiente
live, algo muito semelhante ao que fizeram em ‘86 aquando da gravação de «Pleasure to Kill». Numa combinação perfeita entre a sonoridade mais moderna e melódica e o caos dos primórdios, uma torrente de batidas colide de forma avassaladora com o groove que brota dos riffs, solos e escalas desenvolvidas pela dupla Petrozza / Yli-Sirniö, em temas curtos mas sempre enérgicos, marcantes e agressivos e ainda vocalizados de forma apocalíptica.
Ao fim de pouco mais de meia hora, estamos perante um álbum cru e um pouco sujo mas poderoso, orgânico e que por certo irá soar muitíssimo bem ao vivo, já no final deste mês, em pleno coração da cidade do Porto.
Jan-09

[ 83 / 100 ]

 

KHOLD - Hundre år Gammal / 2008

Desde a estreia «Masterpiece of Pain» que cada disco dos Khold permanece num mesmo patamar, não se criando nada de novo em relação ao disco anterior. Seguindo a fórmula imutável, a banda sediada em Oslo, liderada pelo vocalista / guitarrista Gard e que teve a sua génese nos Tulus, projecto entretanto retomado à custa do hiato de 3 anos por que passaram após o lançamento de «Krek», chega ao 5º álbum de originais de forma descontraída e em velocidade de cruzeiro.
Mais uma vez recorrendo às letras de Hildr, elemento sombra do colectivo nórdico e mulher de Gard na vida real, «Hundre år Gammal» é, como não poderia deixar de ser, um disco repleto de
groove, executado numa toada mais lenta que os seus predecessores mas sempre dominado pela qualidade de alguns dos riffs, pela performance vocal, crua e seca e pelas linhas do baixo galopante, a cargo de Grimd, o único membro que não acompanha a banda desde a sua formação, em 2000.
Não oferecendo nada de novo, os
Khold continuam a descarregar temas de Black N’Roll que, sem pretenciosismos de maior e ambições desmedidas, garantem pouco mais de uma boa meia hora de música obscura e gélida, capaz de nos arrancar alguns acenos de cabeça em sinal de aprovação. E quando assim é... basta! Out-08

[ 73 / 100 ]

 

KEEP OF KALESSIN - Kolossus / 2008

Não sendo uma tarefa fácil suplantar «Armada», um disco arrasador lançado em 2006 e que lhes proporcionou um reconhecimento quase unânime por parte da imprensa especializada e o salto editorial para as mãos da Nuclear Blast, a banda norueguesa liderada pelo guitarrista Obsidian C., numa atitude inteligente, evita um confronto aberto com o “colosso” que nos deixou em legado e envereda por uma postura menos épica e com um som muito mais directo e de forte sentimento “live”. Graças a uma produção menos polida mas ainda assim perfeitamente clara e elaborada, ao 4º trabalho, continuamos perante mais uma descarga de riffs Death / Thrash que fluem através de uma base predominantemente Black Metal de contornos melódicos. Mais uma vez é a assinalável a performance de Vyl que literalmente arrasa com qualquer ambiente mais sossegado que a restante banda teima em recriar. A agressividade controlada proveniente dos registos vocais de Thebon, complementa na perfeição o cimentar de uma posição numa categoria onde se procura incutir tendências mais acessíveis, sinfónicas e técnicas em viscerais estruturas cruas e directas.
Enquanto se aguarda o próximo lançamento dos Satyricon, este disco é uma companhia perfeita para a duração desse impasse
. Jul-08

[ 81 / 100 ]

 

KING DIAMOND - Give Me Your Soul... Please / 2007

Construído à volta de mais um enredo terrífico - uma criança procura almas para se poder juntar ao irmão que foi brutalmente assassinado - o 12º álbum a solo de King Diamond possui a particularidade de ser o disco onde o versátil vocalista menos utiliza os seus agudos falsetes e artifícios vocais em claro favorecimento da construção das canções. Estas, menos amarradas a uma história rígida fluem mais facilmente e, por arrasto, somos brindados por fantásticos riffs e magníficos solos proveniente da dupla Mike Wead / Andy LaRocque. «Give Me Your Soul... Please» é um disco que revela um conjunto de temas bastante acessíveis e melódicos, onde os coros e a banda assumem posição de destaque mas, ainda assim, uma atmosfera maléfica paira a cada instante.
Certo que mais de vinte anos a puxar pela voz merecem alguns instantes de descanso, este parece ser um álbum onde King Diamond passou parte do protagonismo e sente-se, mais do que nunca, que estamos perante uma banda.
Olhando para toda a discografia lançada após o retorno em meados dos anos 90', GMYSP é seguramente um ponto alto na carreira do artista dinamarquês que no final desta saga, morre novamente... Shhhhh... Oh.. No..
Jul-07

[ 9 ]

 

KEEP OF KALESSIN - Armada / 2006

Poucos estariam à espera que depois dos abandonos de Attila Csihar e Frost, a banda liderada por Obsidian C fosse capaz de colocar no mercado um álbum monstruoso, elevando os KoK a um patamar superior. Se «Through Times of War» e «Agnen: A Journey through the Dark», juntamente com o EP «Reclaim» editado há 3 anos, já tinham desviado as atenções para o colectivo de Trondheim, este «Armada» revela – por si só – uma extraordinária maturidade e um assombroso crescimento.
As composições deste registo destilam tecnicismo, diversidade e muita rapidez. Os riffs gélidos, a melodia criada através de linhas de guitarra clássica, os solos competentes e as ligações mais thrash, executadas por Obsidian, são bem complementadas por uma secção rítmica composta por Wizziac e Vyl, um duo eficaz e um sólido pilar para a construção de cada tema. A voz de Thebon é bastante variada, alargando o espectro de um Black Metal mais extremo a paisagens mais eterogéneas. Os teclados e as vozes adicionais acrescentam ainda maior dimensão a um som majestoso, fortemente encorpado e claro, criado através de uma produção fantástica.
«Armada» é um disco épico, em que cada espira consegue superar a anterior, sendo possível constatar ao vivo todas as virtudes deste trabalho.
Jun-06

[ 9.5 ]

 

KORPIKLAANI - Tales Along this Road / 2006

Pode-se dizer que os Korpiklaani fizeram uma pequena inflexão ao som mais electrificado que debitaram no anterior «Voice of Wilderness» e regressaram com maior ênfase às sonoridades predominantemente Folk que caracteriza a estreia «Spirit of the Forest», muito graças à inclusão de Juho Kauppinen, o novo acordeonista recrutado pelo colectivo. Este terceiro trabalho dos finlandeses respira emoção, boa disposição por todos os poros e é um convite irrecusável à dança e ao consumo de quantidades astronómicas de bebida. Aos tradicionais instrumentos do Metal, misturam violinos, acordeão, flautas, harmónicas e outros ainda mais folclóricos, complementados com recorrentes incursões na língua materna, tornando cada tema do sexteto nórdico numa celebração única, já apelidada de Humppa Metal.
Este “clã florestal” é uma horda positivamente enérgica, onde não falta espaço para a criatividade e há muito que já extravasou as cada vez mais elásticas fronteiras de qualquer estilo musical mais estanque.
Mai-06

[ 9 ]

 

KATATONIA - The Great Cold Distance / 2006

A progressão da carreira dos Katatonia tem sido uma constante. A transformação gradual que foram fazendo ao evoluir de sonoridades Death Metal para um som mais progressivo, melódico, acessível e arrastado, não lhes trouxe grandes perdas na sua base de apoio, resultando mesmo daí a convicção generalizada de que na actualidade são uma das bandas de maior qualidade e categoria dentro do universo mais extremo.
Como consequência do aclamado «Viva Emptiness», surge um disco moderno mas ainda assim com subtis referências a um passado mais pesado e opressivo. Com estruturas intrincadas e um forte sentimento depressivo, este emocional e nada imediato trabalho desenvolve-se assente nas inigualáveis malhas criadas pela dupla de guitarristas Anders Nyström e Fredrik Norrman, na voz única e angustiante de Jonas Renske e numa secção rítmica a cargo de Mattias Norrman e Daniel Liljekvist, fortemente compassada e que não raramente toma as rédeas da acção.
«The Great Cold Distance» é mais um disco poderoso e frágil ao mesmo tempo, profundo e complexo, melancólico, desolador e muito denso mas com diversos momentos acessíveis, como o hit single «My Twin».
Abr-06

[ 8.5 ]

 

KHOLD - Krek / 2005

«Masterpiss of Pain», o primeiro álbum dos noruegueses Khold, trouxe alguma frescura a uma cena repleta de clones e bandas reféns do passado. Aos ritmos primitivos e crus, aliam sonoridades fortemente cadenciadas e repletas de groove , com o baixo sempre a desempenhar um papel preponderante, criando um som próprio o que adicionado às guitarras e aos seus riffs gélidos, cortantes e muito rockish e à voz do soturno e misterioso Gard, capaz de ir injectando veneno a cada espira, completam o cenário que seria recebido com entusiasmo no meio circundante.
Com uma produtividade assinalável, «Krek» é o quarto disco em 5 anos, os Khold não abrem mão do seu estilo e sem surpresa oferecem nova série de temas vocalizados em norueguês, melancólicos, obscuros e ásperos como habitualmente.
O início é arrebatador mas infelizmente o álbum vai perdendo algum gás e denota alguma fadiga e falta de diversidade à medida que caminha para o final, revelando algumas lacunas em campos onde a banda se mostrava mais forte. Mas, mesmo assim, ao longo dos 10 temas encontram-se muitos momentos sublimes e do black'n'roll que tão bem os caracteriza, constatando-se que este é talvez o trabalho mais simples e directo que os Khold fizeram até há data
. Nov-05

[ 7.5 ]

 

KAMELOT - The Black Halo / 2005

Sem sobra de dúvida que a entrada de Roy Khan, o antigo vocalista dos noruegueses Conception, para a banda da Flórida antecedendo o lançamento de «The Fourth Legacy», trouxe ao colectivo norte-americano uma dose extra de classe e maior potencial.
Continuando o conceito explorado em «Epica», os
Kamelot voltam a recorrer à obra Fausto, um clássico de Goethe e através de outro álbum conceptual, desta feita ainda mais progressivo e dinâmico, apresentam alguma da música mais pesada, obscura e intensa que alguma vez fizeram. Coros grandiosos, agradáveis melodias enriquecidas com a participação de Jen Johansson dos Stratovarius, excelentes riffs de guitarra e ataques demolidores protagonizados por um secção rítmica única, são características às quais se adicionam fantásticos jogos vocais protagonizados por Khan e pelos pontuais convidados, como é o caso de Shagrath no papel de Mephisto em dois temas ou Simone Simons no genial «The Haunting (Somewhere in Time)».
«The Black Halo» é pois um disco extremamente maduro e variado, encontrando a banda num momento de forma extraordinário.
Abr-05

[ 9 ]

 

KREATOR - Enemy of God / 2005

 Depois de um período algo experimental, quase como que por imposição fanática, Mille Petrozza & Co. regressam para o novo milénio com um registo que pisca os dois olhos ao passado.
«Enemy of God» é um digno sucessor de «Violent Revolution» e volvidos 3 anos, deparamos com um colectivo que destila Thrash Metal e raiva, para um formato repleto de riffs enérgicos, bem suportado numa secção rítmica em que se destaca a agilidade de Ventor e obviamente onde a voz de Petrozza faz a diferença. Numa competente produção a cargo de Andy Sneap que cuida em não abafar o som cru característico da banda germânica, deparamos com agrado na plena integração de Sami Yli-Sirniö, guitarrista dos finlandeses
Waltari, que “desenha” solos vertiginosos ao longo de todo o disco.
Excelente o conceito elaborado por Joachim Luetke para embrulhar este CD e o DVD que nos é oferecido como bónus na edição especial.
Fev-05

[ 8 ]

 

KING DIAMOND - Deadly Lullabyes Live / 2004

Juntar á versátil e inimitável voz de King uma dupla de guitarristas da qualidade de Andy La Rocque e Mike Wead e uma secção rítmica composta por Hal Patino e Matt Thompson, numa gravação profissional que não deixa de captar o ambiente LIVE de uma actuação com forte componente teatral, só pode ter bom resultado.
Uma vez que o primeiro CD é quase integralmente dedicado à saga Abigail, enquanto que o segundo CD abre com 4 canções de «The Puppet Master», todos os álbuns entre «The Eye» de 90 e «Abigail II» de 2002 ficaram de fora do alinhamento, o que poderá não agradar a toda a gente. No fim temos duas agradáveis surpresas com «Halloween» e «No Presents for Christmas», os primeiros singles da carreira a solo do dinamarquês. Out-04

[ 7.5 ]

 

KHOLD - Mørke Gravers Kammer / 2004

Os discos dos Khold sempre me fascinaram pela capacidade de, sobre estruturas predominantemente TRVE Black Metal, colocaram elementos Doom e de Punk Rock. O resultado final é bastante conseguido e original, ganhando os temas, quase todos executados a meio gás, uma forte personalidade.
As partes vocais são declamadas em norueguês, como manda a tradição, e são de uma crueza atroz. As linhas de baixo estão bem marcadas na mistura final, tornando o registo mais envolvente e ao mesmo tempo proporciona-nos uma falsa sensação de aquecimento e conforto neste gélido documento. As guitarras desempenham a sua missão e não fogem do que está convencionado dentro do género.
Mais uma vez a banda oferece-nos um disco no seu estilo único, cheio de groove mas algo limitado quando confrontado com os trabalhos anteriores.
A morte espreita na escuridão.

[ 7 ]

 

KING DIAMOND - The Puppet Master / 2003

Uma história de fantoches humanos serve de mote ao novo disco do inimitável King Diamond. E podemos desde já afirmar que este 11º trabalho de originais está repleto de novas ideias, como por exemplo as vozes femininas, que tornam tudo ainda mais variado, como se tal ainda fosse possível.
No DVD que acompanha «The Puppet Master», King Diamond apresenta-nos a história deste álbum conceptual. O ambiente é simples mas eficaz. Velas negras, candelabros de prata, muita luz e o semblante aterrador do narrador. Ele e ... nós. A entoação que dá ao enredo, ao longo de quase 40 minutos de interacção King / espectador, é do melhor que já vi / ouvi. Um verdadeiro contador de histórias. Com poucos recursos eis-nos perante um pedaço de terror muito melhor que 95% dos filmes do género que para aí andam.
Escusado será dizer que estamos perante algo aterrador e que tem como resultado um disco brilhante.

[ 9 ]

 

KREATOR – Live Kreation / 2003 – Live

Quase vinte anos de carreira é um feito digno de um lançamento deste quilate, ainda por cima quando o fazem pela primeira vez - um CD, duplo por sinal, gravado ao vivo expondo em detalhe a carreira dos Thrashers germânicos, liderados pelo vocalista / guitarrista Mille Petrozza. Desde «Endless Pain» até ao mais recente «Violent Revolution», todos os trabalhos de estúdio estão contemplados pelo menos uma vez neste desfilar de 24 temas, quase integralmente colhidos em São Paulo a 1 de Setembro do ano passado.Não sendo uma obra prima da interacção público / banda, mas esse também nunca foi o seu forte, esta corrente de agressividade não compromete o passado do quarteto e é um disco fundamental para fãs ou os poucos que desconhecem o colectivo. Para os restantes, é mais uma colecção de temas recolhidos num enorme estúdio exterior sem direito a repetições.

[ 8 ]

 

THE KOVENANT – SETI / 2003

Este álbum é uma valente banhada. Tenho mesmo de continuar?... Bem, após ouvir «SETI» pela primeira vez foi com muita coragem e espírito de sacrifício que tornei a colocar esta rodela cibernética no leitor. Já sabia que o som nada tem a ver com o dos Covenant que lançaram dois fantásticos trabalhos de Black Metal. Com a mudança de nome, Nagash, Blackheart e Hellhammer transfiguraram-se em Lex Icon, Psy Coma e Von Blomberg!!!!!!! «Animatronic» até é bem interessante mas esta mistura de Rammstein com o pior de Theatre of Tragedy é um perfeito lixo espacial. A palhaçada termina com a cover mais ridícula de que há "Memory...". Chega, não me torturem mais”

[ 3.5 ]

 

KATATONIA – Viva Emptiness / 2003

Embalado ainda pelos dois trabalhos anteriores, autênticos manuais de fazer boa música orientada basicamente para a criação de canções, retirei o plástico protector de «Viva Emptiness» e logo me apercebi que este disco seria algo diferente. Primeiro é menos directo e necessita de muito mais tempo para ser absorvido / compreendido. Depois é um pouco mais pesado e agressivo - um pouco na linha das primeiras criações da banda sueca - embora na essência, a composição dos temas continue apoiada em atmosferas melódicas recheadas de espaços bem progressivo / depressivos contrastando com outros completamente alucinantes. A maior atenção dedicada às partes de guitarra e a voz que por momentos quer saltar para fora dos tons mais harmoniosos remetem, sem comprometer, para tempos passados.

[ 9.5 ]

 

KRUX / 2003

Em plena euforia de edições disco / videográficas e notícias sobre o possível regresso dos Candlemass aos estúdios, foi com algum espanto que agarrei este disco de estreia, mais um projecto do baixista Leif Edling. Ao lado do talentoso instrumentista e compositor, encontramos uma constelação de artistas. A Jorgen Sadstrom (guitarra) e Peter Stjarnvind (bateria) actualmente nos Entombed, junta-se Mats Levém que, além de já ter trabalhado com Yngwie Malmsteen, era o vocalista dos Abstrakt Algebra. Fechando a "quadratura do círculo", para quem não sabe, essa era a banda liderada por Edling antes de regressar com os Candlemass ao activo. Em termos sonoros estamos perante um registo repleto de ambientes psicadélicos e onde as influências arrastadas e épicas dos senhores do Doom Metal se fazem claramente sentir. Um trabalho despretensioso como se de uma enorme "jam session" se tratasse.

[ 8 ]

 

KAMELOT – Epica / 2003

Confesso que o primeiro contacto que tive com esta banda americana foi através do excelente registo de 2001 «Karma», um enorme salto qualitativo quando comparado com os seus antecessores, sei-o agora. «Epica» marca a minha primeira aquisição de 2003 o que é um óptimo pronuncio. Este disco conceptual, liricamente baseado em «Fausto» de Goethe - obra do mais célebre dos poetas alemães- está repleto de Metal maduro, melódico e emotivo, onde os momentos progressivos se diluem durante quase uma hora com passagens Epica(s), coros majestosos e brilhantes orquestrações. Como não poderia deixar de ser a mão da famosa dupla Sascha & Miro arranca mais uma soberba produção. Destaque final para o fantástico "lay-out" e a pequena aventura multimedia.

[ 9.5 ]

 

KILLSWITCH ENGAGE - Alive or Just Breathing / 2002

Oriundos de Massachusetts, os Killswitch Engage tem tudo o que a maior parte das bandas do pseudo intitulado "nu-metal" não possui. A sua mistura explosiva de Hardcore com Death Metal de tradição sueca, na linha de uns In Flames, Dark Tranquillity ou principalmente Darkane e Soilwork, devia fazer corar de vergonha qualquer colectivo de boné à arrumador.
E se o peso das canções é a principal característica que os distancia desses fenómenos efémeros, os riffs apresentados ao longo de todo o disco, os solos consistentes, o ataque enérgico nas peles que se traduz em persistentes descargas sonoras, o constante e fantástico duelo entre vozes brutais e límpidas, torna bandas como os Slipknot uma autêntica anedota. A raiva de Jesse David Leach é algo inacreditável e que dá a este registo o peso mais do que necessário para equilibrar os momentos mais melódicos e de clara influência escandinava.
A produção é feita pela própria banda, mais concretamente pelo guitarrista Adam Dutkiewicz, e as misturas finais pelo requisitado Andy Sneap. O resultado final desta colaboração é um som extraordinário, potente, cristalino e directo.
Era assim de deveria soar o "novo metal" mas infelizmente não é.

[ 8.5 ]

 

KHOLD - Phantom / 2002

Ainda mal refeitos da destruição causada por «Masterpiss of Pain», aí está o novo lançamento desta banda norueguesa, novamente através da independente Moonfog.
Apenas os verdadeiros amantes do som duro e cru do
Black Metal mais old school poderão apreciar um disco como este, repleto de atmosferas gélidas, riffs cortantes e sons de arrepiar.
Este segundo registo traz-nos, no entanto, algum amadurecimento ao projecto, os temas estão melhor construídos e são de assimilação um pouco mais fácil. Canções em norueguês para ouvintes destemidos.

[ 7.5 ]

 

KING DIAMOND - Abigail II: The Revenge / 2002

O segundo trabalho a solo do excêntrico vocalista dinamarquês sempre foi considerado o mais bem conseguido da sua longa carreira. A história terrível da pequena Abigail La Fey não ficou totalmente fechada e 15 anos depois está encontrado o tempo ideal para a vingança.
É frequente os discos de músicos super dotados, ainda por cima obras conceptuais, serem uma autêntica estopada e demonstração de virtuosismo exagerado. Com King Diamond não é assim. As músicas seguem uma linha lógica mas podem ser perfeitamente ouvidas como malhas isoladas. Além disso, a formação que está por trás do mestre é também ela muito boa. Quem desdenharia ter guitarristas como Andy LaRoque e Mike Wead ou um baixista como Hal Patino?

[ 9 ]

 

KAMELOT - Karma / 2001

O quinto trabalho de estúdio destes norte americanos liderados por um norueguês, Roy Khan antigo vocalista dos Conception, é um exemplo real de um colectivo que consegue estar na linha da frente de um som praticado por centenas de bandas mas sem qualquer necessidade de plagiar grupos como os Helloween, Hammerfall, Stratovarius ou Edguy.
A ajuda da experiente dupla Sascha Paeth / Miro na produção ajudam a preencher o som de «Karma» tornando os 13 temas do disco um regalo para os apreciadores do género.
Enfim,
Power Metal melódico com arranjos inteligentes e boas, mesmo muito boas canções.

[ 8 ]