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JUDAS PRIEST - Redeemer of Souls / 2014

Quarenta anos após o lançamento do primeiro álbum, os Priest estão de volta com o sucessor de um não muito conseguido «Nostradamus», ao qual se seguiu a reforma (antecipada) de KK Downing e uma suposta tournée de despedida. Por indicação de Steve Harris, Richie Faulkner guitarrista da banda da sua filha Lauren, foi escolhido por Glenn Tipton para substituir o seu eterno companheiro naquela que era a melhor dupla da história do Metal, um desafio que o jovem londrino de 34 anos jamais estaria à espera mas que suplantou de forma impecável, injectando até algum sangue novo e irreverência ao grupo. Preparado desde 2011, «Redeemer of Souls» revela-se um trabalho directo onde, à semelhança de «Angel of Retribution», muitas das fases do quinteto britânico são revisitadas. Halford continua a soar como um exímio performer num disco que denota, a espaços, alguma falta de originalidade e energia, esta última muito mais por culpa da produção, mas feitas as contas estamos a falar de um 17º álbum, que não destoa da restante discografia e, nem que seja só por isso, suficiente pra qualquer fã já se poder dar por muito satisfeito. A versão limitada acrescenta-lhe 5 temas que, longe de serem leftovers, perfazem 18 faixas, cuja dimensão se torna mais consentânea com estes longos 6 anos de espera. Ago-14

[ 82 / 100 ]

 

JON OLIVA'S PAIN - Festival / 2010

Acompanhado novamente por elementos dos Circle II Circle, banda também criada das cinzas dos Savatage, Jon Oliva está de regresso com o 4º disco de originais do seu projecto Pain, mantendo a performance de um trabalho a cada 2 anos.
Voltamos a reviver uma série de experiências com abundantes abordagens ao Rock mais clássico, onde o legado de Criss Oliva prevalece à custa das tapes perdidas, em composições repletas de groove e de passagens sonoras que transbordam melodia. Não faltam aqui as já obrigatórias power-balads, onde a distinta e eficaz voz de Oliva, coadjuvada por incursões acústicas e teclas, nos transporta para alguns dos grandes momentos que a progressiva banda de Tampa, por si outrora liderada, nos ofereceu no seu glorioso passado. Em relação ao magistral «Global Warning», «Festival» revela uma agressividade suplementar em detrimento do factor teatral, em parte pelas toneladas de riffs e pistas de guitarra, experimentação e estranhas orquestrações que evidencia ao longo dos seus 11 temas, empurrando-o um pouco para o campo dos trabalhos de uns Doctor Butcher, Chris Caffery ou Circle II Circle.
A juntar ao duplo dos Trans-Siberian Orchestra, lançado em finais de 2009, Jon Oliva continua portanto bastante activo e a sua carreira recomenda-se. Mar-10

[ 87 / 100 ]

 

JUDAS PRIEST - Nostradamus / 2008

Para marcar o regresso de Rob Halford após 15 anos de ausência, os Judas Priest gravam «Angel of Retribution», um disco inspirado em muitas das fases áureas da carreira dos Metal Gods. Com a casa arrumada, o novo passo é anunciado como um enorme desafio, uma obra conceptual, ambiciosa e inigualável.
Ao longo de quase duas horas, a banda britânica oferece-nos um álbum baseado na vida do médico e profeta Michel de Nostredame, uma grandiosa ópera- Rock com momentos onde sentimos a voz inigualável de Halford e vibramos durante a exibição da exímia dupla de guitarristas, formada por Glenn Tipton e K.K. Downing. No entanto, não é necessário deixar passar muito tempo para nos apercebermos que as composições se tornam reféns da história, num álbum que corre quase sempre a meio gás e onde o enorme espaço reservado às orquestrações de teclados, chega para abafar quase tudo em seu redor. «Nostradamus» parece um único tema épico, variado mas com uma gritante falta de peso. (NR: não, não é nenhuma piada a Rob Halford).
Claro que é salutar para qualquer banda enveredar por abordagens diferentes, até quando seria muito mais seguro não arriscar mas assim habilitam-se a nem agradar aos seguidores mais antigos, quanto mais recolher outros mais novos. Jun-08

[ 76 / 100 ]

 

JON OLIVA'S PAIN - Global Warning / 2008

Descartando a habitual introdução que poderá ser lida nas análises mais abaixo, o terceiro álbum a solo de Jon Oliva com o projecto Pain recorre novamente a alguns riffs gravados pelo seu malogrado irmão, mergulhando grande parte deste disco nos tempos áureos dos fabulosos Savatage e ainda na sua génese, os Avatar.
Com uma produção actual, repartida com o baterista Christopher Kinder, este trabalho deambula entre a emotividade e carga dramática de «´Tage Mahal» e a orientação mais bombástica do segundo opus. Se é verdade que existem temas que foram escritos aquando «Streets» ou «Gutter Ballet» e partes colhidas ainda há mais tempo, mais uma vez se comprova o brilhantismo das composições de Jon Oliva e a intensidade inigualável que estas orquestrações de cariz predominantemente teatral conseguem atingir. Por outro lado, existem momentos onde cada verso se torna mais pessoal, transparecendo uma forte carga emocional e uma intensidade perturbadora. Nenhum disco com a chancela do Mountain King estaria completo sem o recurso à sonoridade dos anos 70' num exorcizar de confessadas influências Led Zep e The Beatles e cujas incursões de piano, num estilo muito próprio, amplificam todas essas reminiscências clássicas para algo grandioso, intemporal e apaixonante. Abr-08

[ 92 / 100 ]

 

JON OLIVA'S PAIN - Maniacal Renderings / 2006

Enquanto os Savatage não voltam ao activo, pausa que já dura desde «Poets and Madman» de 2001, os seus elementos vão-se aventurando em projectos paralelos, como é o caso de Jon Oliva, a alma do agrupamento norte americano e o seu principal compositor. Depois de «'Tage Mahal» e inspirado numa série de tapes repletas de riffs sacados por Criss Oliva e registadas nos finais da década de 80 antes da sua morte prematura, temos entre mãos um álbum que pelos ambientes e inspiração patenteada, nos remete logo de imediato para a época áurea onde o colectivo gravou discos como «Gutter Ballet» ou «Streets – A Rock Opera».
Alternando músicas rápidas, pesadas e progressivas com momentos mais acústicos e dramáticos, «Maniacal Renderings» faria toda a justiça ao selo Savatage se possuísse uma produção ainda mais poderosa e cuidada. No entanto, os 11 temas que compõe este trabalho estão cheios de brilhantismo e de instantes mágicos proporcionados pelas numerosas partes de piano executadas por Oliva ou pelos solos exímios a cargo da dupla Matt Laporte / Shane French, músicos que já passaram pelos Circle II Circle. Acima de tudo, o que prevalece continua a ser a fantástica carga emotiva que o “Mountain King” nos oferece com o seu inimitável registo vocal. Out-06

[ 8.5 ]

 

JUDAS PRIEST - Angel of Retribution / 2004

Após 15 anos de afastamento, o carismático Rob Halford regressa ao seu lugar. E não é necessário ouvir muitas vezes «Angel of Retibution» para se ficar com a certeza de que um digno sucessor do clássico «Painkiller» teria de ser feito com o “Metal God” a bordo, por muito bom e esforçado que tenha sido “Ripper” Owen.
Entre o agressivo arranque de «Judas Rising» e o épico final a cargo de «Lochness», a banda como que percorre a sua longa carreira, através de várias referências a temas e personagens do passado e também recorrendo a diversas passagens que nos lembram alguns dos álbuns que ajudaram a fazer a história do Heavy Metal .
Suportados no triângulo definido por Halford e pela fantástica dupla Tipton / Downing e ainda secundados por uma ímpar secção rítmica composta por Ian Hill e Scott Travis, fica a sensação que se poderia ter arriscado um pouco mais mas … felizmente os Priest estão de volta. Abr-05

[ 8.5 ]

 

JON OLIVA'S PAIN - 'Tage Mahal / 2004

Os Pain de John Oliva são mais um projecto a solo do líder e principal mentor dos norte-americanos Savatage, uma década depois de ter feito algo parecido com os Doctor Butcher. Numa altura em que o colectivo se encontra como que em banho maria após o lançamento de «Poets and Madman» e os Trans-Siberian Orchestra vão esgotando lotações com os seus ambiciosos espectáculos, Oliva encontra assim forma de registar em disco o que lhe vai na alma, sem ter que passar pela pressão que se exige a uma banda da categoria dos Savatage, onde não há espaço para nada que, em teoria, não seja demasiado perfeito.
Socorrendo-se de músicos que pelos vistos foram libertados dos seus compromissos com os Circle II Circle de Zak Stevens, mais uma banda a gravitar em torno do universo Savatage, Oliva decide viajar através de direcções musicais e influências que, segundo ele, já não revia há algum tempo, desde os The Beatles aos Black Sabbath, dos Queen aos Deep Purple, entre outros.
«'Tage Mahal» oferece-nos 13 temas épicos e progressivos, bem pesados e agrestes e que dificilmente teriam lugar num trabalho da banda principal deste genial instrumentista e esforçado vocalista. E ainda bem que assim é. Fev-05

[ 9 ]

 

JUDAS PRIEST – Live in London / 2002 - DVD

Os Priest que ao longo das décadas de 70 e 80 deixaram para a posteridade dezenas de hinos ficarão para sempre associados à história do Heavy Metal. A troca de Rob Halford por “Ripper” Owens deu algum sangue novo a estes dinossauros mas o tempo não perdoa. É exactamente isso que se sente em «Live in London». A entrada é de leão mas à medida que o concerto decorre a garra esvai-se sendo só recuperada já na fase final. Owens não tem o potencial de Halford logo, qualquer novo registo dos Priest só pode ser uma pequena amostra do que é um grande legado. A milhas de um dos melhores registo ao vivo de sempre – «Priest ... Live!».



[ 7.5 ]