: : MALEITAS/ANÁLISES : : H : : .

H.O.S.T - Bastard of the Fallen Thrones / 2016

Enquanto os Head:Stoned e os Cycles ganham nova embalagem, elementos de ambas as bandas começaram a compor material numa onda mais Heavy Metal. O tempo foi passando, o assunto por mim esquecido, até que mais recentemente, enquanto procurava por algumas pérolas na Bunker Store, eis que me perguntam:
- Já conheces isto?
- Não pah, parece Nevermore!
- Não, não é, são os H.O.S.T, o novo projecto do Gusto.
- Então passa para cá a lata…
Ou seja, eis-me proprietário de mais um trabalho revestido pelos requintes estilísticos do designer irondoom, algum merchandise oferta à mistura e, mais importante de tudo, um EP com 6 interessantes temas. Vocalizado por um holandês de nome Gerrit Dries, residente no país há cerca de 10 anos e cuja experiência centrada em projectos de cariz acústico ou cenas mais pessoais proporciona por isso mesmo uma singularidade peculiar ao resultado final. «Catharsis by Carnage» conta com a participação de Jorge Marques e revela-se o tema com maior potencial de um todo que no final nos deixa na expectativa em ver como isto irá evoluir. Jan-17

[ 75 / 100 ]

 

HEAVENWOOD - The Tarot of the Bohemians / 2016

Editando os 2 primeiros álbuns através da Massacre Records, os Heavenwood foram umas das primeiras bandas lusitanas a conseguir o ambicionado salto mas a desejada progressão internacional acabaria cortada por um interregno de uma década. Em linha com o passado o colectivo regressa em força em 2008 reassumindo-se como uma das mais importantes bandas do movimento Goth Metal nacional. Com Ernesto Guerra e Ricardo Dias à frente desta quinta incursão discográfica, a banda de Gaia volta a contar com o contributo de Daniel Cardoso naquela que pretende ser a primeira parte de um conceito dedicado às cartas mais enigmáticas do Tarot.
Mais agressivos e ríspidos que anteriormente e com uma produção não totalmente feliz, faltam talvez em «The Tarot of the Bohemians» momentos marcantes, refrães inesquecíveis e até aquelas canções de referência, embora no seu conjunto estas 12 cartadas possuam diversos pontos de interesse e uma diversidade digna de registo ao nível das composições. OK, não temos aqui nenhum «Judith Heavenwood», nem sequer um «Rain of July», o Jeff Waters a rasgar num «Bridge to Neverland» ou um sublime «Leonor» mas temas como «The Empress» são suficientes para que os Heavenwood continuem a merecer a nossa atenção. Mai-16

[ 74 / 100 ]

 
 

HELLOWEEN - My God-Given Right / 2015

Chegar à conclusão que «Walls of Jericho» já tem 30 anos, tem um sabor agridoce, nostálgico por um lado mas recorda-nos que o tempo voa. Acompanhados por Charlie Bauerfeind, o mesmo produtor desde «The Dark Rider» de 2000, as abóboras mergulham de cabeça, como há muito não faziam, em temas que nos lembram de imediato fases da trilogia inicial que colocou a banda germânica na ribalta do Power Metal europeu. Malhas como «Heroes» e «Battle's Won» revelam uma frescura assinalável, contrariando todos os que julgavam que o quinteto seguia em velocidade de cruzeiro, editando álbuns seguros, uns atrás dos outros. Acessível a espaços, piscando novamente o olho ao solo americano, contagiante através dos memoráveis refrães e com toques de modernidade, «My God-Given Right» mantém a fasquia acima do que recentemente continuam a fazer os elementos emblemáticos que outrora passaram por aqui. Liderados por uma dupla de guitarristas com a classe de Michael Weikath / Sascha Gerstner, uma pujante sessão rítmica que mantém Markus Grosskopf desde a formação e Andi Deris, o tal vocalista dos Pink Cream 69 que já gravou o dobro dos álbuns dos seus predecessores, os Helloween poderão já não ter a mesma influência de outrora mas sabe sempre bem voltar lá trás. Jun-15

[ 88 / 100 ]

 

HYPOCRISY - End of Disclosure / 2013

Ultimamente mais dedicado ao projecto de contornos industrias Pain, Peter Tägtgren investe agora na sua banda principal, quatro anos após nos terem deixado «A Taste of Extreme Divinity», um trabalho na linha do que foram fazendo no pós «Catch 22» de 2002. Não desfazendo dos seus antecessores, o trio mantém aquele sentido melódico que sempre o caracterizou, enfatizado pelo baixo pungente envergado pelo eterno Mikael Hedlund. As reminiscências ao passado mais pausado de «The Fourth Dimension» e «Abducted» são recorrentes, embora o espaço dedicado a sonoridades mais extremas, tenha lugar de destaque ao longo de todo o disco. E é precisamente nos momentos mais apocalípticos que a destreza de Horgh se evidencia e a voz gutural de Tägtgren irrompe na sua forma verdadeiramente letal. Complementos sinfónicos e até electrónicos introduzem diversidade a «End of Disclosure» mas são as linhas de guitarra que lhe proporcionam grande parte do dinamismo, seja através de obscuros e sinistros riffs ou pelas passagens mais melódicas que desaguam em coros memoráveis. Destaque final para o tema escrito por Lars Szöke, antigo baterista e compositor dos suecos, uma malha pesadíssima mas ao nível de outras notáveis músicas deste registo, novamente com uma vertente alienígena. Abr-13

[ 89 / 100 ]

 

HEAD:STONED - Present Inexistence / 2012

Num mercado pequeno e densamente povoado, é com alguma dificuldade que um projecto de música mais pesada, à custa de concertos mais cirúrgicos e lançamentos espaçados no tempo, consegue ir mantendo cativada uma razoável audiência. No caso dos Head:Stoned essa tarefa torna-se mais facilitada graças ao reconhecimento que alguns dos seus componentes já vão tendo no meio, pelo som menos habitual quando comparado com a miríade de bandas de estilos mais vulgares e repetitivos e seguramente pela concentração artística com que "embrulham" os seus trabalhos.
«Present Inexistence» é um registo com 6 temas, sucessor do álbum «I Am All» de 2011, lançado neste momento para colmatar hiatos desaconselháveis e ir mantendo o colectivo do Porto bem no activo. Com uma cadência progressiva desde o seu inicio mas com uma faceta bem ríspida e rasgada, o EP conta com uma série de convidados, todos especiais é certo, mas cujo destaque mais peculiar vai para a participação do vocalista dos Genocide num dos temas deste disco. Instrumentalmente o quinteto apresenta uma excelente forma, não só na dupla de guitarras bem como na sua competente secção rítmica. Palavra final para a amplitude vocal de Vítor Franco, talvez o elemento em maior destaque neste pequeno / grande registo. Mar-13

[ 78 / 100 ]

 

HELLOWEEN - Straight Out of Hell / 2013

Descontando aquilo que deve ser posto de parte, caixas de música com playlists estranhas ou ensaios comemorativos despojados de electricidade, os Helloween chegam ao 14º álbum numa posição inigualável, batendo qualquer outro colectivo que vagueie nos terrenos do Power Metal, mesmo com uma longevidade muito menor. Num registo pesado, em linha com o que já tinham realizado em «The Dark Ride» ou «Gambling with the Devil» mas não de forma tão acentuado como no último «7 Sinners», os germânicos permanecem rápidos mas melódicos, debitando um conjunto de hinos apelativos, que fluem naturalmente e soam, dentro do que o género ainda vai tornando possível, modernos e surpreendentemente fortes.
Andi Deris continua capaz de nos impressionar pela vasta gama de registos, enquanto Sascha Gerstner e Michael Weikath se digladiam continuamente em rápidos riffs e solos inspirados, sob a marcação sempre audível de Markus Grosskopf. No entanto, neste disco em particular, é Dani Löble que se destaca atrás das bombos, num desempenho arrasador, adicionando energia e criatividade a um disco já de si categórico, onde Charlie Bauerfeind é responsável por mais uma poderosa produção. E o resto it's Halloween... Jan-13

[ 85 / 100 ]

 

HEAVENWOOD - Abyss Masterpiece / 2011

Felizmente não foi necessário esperar nova década pelo sucessor de «Redemption», um álbum que recolocou os Heavenwood nos trilhos, não só por se tratar de um excelente disco, como ainda por lhes ter trazido motivos para um forte regresso aos palcos. Novamente pela mão de uma editora internacional, desta feita a francesa Listenable Records, a banda de Gaia tem razões de sobra para encarar os próximos tempos com optimismo.
Mais uma vez recorrendo aos estúdios UltraSound, incluindo os préstimos de Daniel Cardoso e Pedro Mendes como músicos complementares ao seu núcleo duro, a banda envereda por uma faceta mais dura e sinfónica, sem perder aquela forma autêntica de conseguirem compor fantásticos trechos de melodia que nos vão ficando colados na memória. Com Ricardo Dias a embrenhar-se ainda mais nas partes vocais, outrora domínio absoluto de Ernesto Guerra, uma maior diversidade e amplitude tonal vão tomando conta desse capítulo enquanto, em termos instrumentais, as orquestrações deambulam entre atmosferas carregadas e sonoridades mais enleantes. Não sendo um disco tão imediato como o seu antecessor, «Abyss Masterpiece» é significativamente mais audacioso e distinto.. Abr-11

[ 85 / 100 ]

 

HEADSTONE - I Am All / 2011

E eis que chega o verdadeiro grande passo na carreira dos portuenses Head:stoned, através da edição do álbum de estreia e logo pela conceituada Major Label Industries. Vitimas de ameaça legal pela posse de um nome idêntico por parte dum colectivo sueco, o quinteto resolve redesenhar o seu nome, conseguindo-o de forma brilhante uma vez que praticamente nem se dá pela mudança. Alterações que, desde o EP de edição de autor, não se ficaram por aqui, com a substituição de Carlos Barbosa por Nuno Silva, outro guitarrista oriundo dos Cycles, duas bandas cada vez mais alinhadas. Entretanto o cuidado posto no trabalho gráfico e na composição do booklet continua sendo uma mais valia, graças ao contributo do baterista Augusto Peixoto, que acumula a vertente de músico com a de reconhecido designer no meio.
Num álbum que se mantém pelos Soundvision Studios sob a batuta de Paulo Lopes dos Crushing Sun, o tónico geral deambula entre várias vertentes do Som Eterno, do Thrash ao Power mais melódico com alguns momentos progressivos e arrastados pelo meio, num trabalho equilibrado e assente em bons desempenhos de todos os seus intervenientes, mas a necessitar de maior atenção, uma vez que se torna mais exigente em termos de absorção que o EP de estreia. E a boneca continua a encher... Mar-11

[ 78 / 100 ]

 

HELLOWEEN - 7 Sinners / 2010

Há bandas que fizeram história, outras marcaram uma época e poucas, muito poucas, criaram um movimento. Falar de um colosso responsável pela explosão do Power / Speed Metal em solo europeu, por onde até já passaram músicos como Kai Hansen, Roland Grapow ou Michael Kiske e que ao longo de mais de 25 anos foi sofrendo mutações nem sempre compreendidas, embora seja complicado é desafiante.
Depois de um registo comemorativo onde, para muitos, conseguiram assassinar por completo todo um legado intemporal, «7 Sinners» torna-se no 13º álbum de estúdio do quinteto alemão, patenteando uma agressividade pouco habitual se pensarmos nos registos mais melódicos apontados à voz de Andi Derris que soa, mais uma vez, confiante e enérgico. Em termos estilísticos este disco pode ser perfeitamente colocado entre «The Dark Ride» e «Rabbit Don’t Come Easy» devido a um som mais metal oriented imposto quer pelas guitarras de Michael Weikath e, do cada vez mais integrado, Sascha Gerstner mas também através da poderosa e pujante sessão rítmica. A produção, novamente a cargo de Charlie Bauerfeind, é moderna e encorpada, sendo mais um factor relevante neste regresso dos Helloween à liderança, num ano em que os Masterplan se espalharam ao comprido, Kai Hansen anda a cantar baladas e os Gamma Ray como que se enganaram no percurso. Nov-10

[ 81 / 100 ]

 

HYPOCRISY - Taste of Extreme Divinity / 2009

Ultimamente mais envolvido noutras andanças, dividindo parte do tempo entre o projecto Pain e trabalhos de remisturas em estúdio, Peter Tägtgren volta agora à carga com os Hypocrisy, quatro longos anos volvidos sobre o lançamento de «Vírus».
De regresso ao formato trio, é sem grande surpresa que esta 11ª mostra de originais - descontando o álbum «Catch 22 (v2.0.08)» - não se desvia muito do som que foi amadurecendo desde que a banda se começou a afirmar como um dos principais baluartes do Death Metal sueco. Entre temas a rasgar e outros mais pausados, estamos perante um álbum fortíssimo e bem mais pesado que muitas das incursões que foram fazendo ao longo do tempo, a fusão entre as partes mais melódicas e letais vai-se diluindo de forma perfeitamente natural, evitando o recurso abusivo às facetas mais modernas do Metal actual. Tägtgren domina em toda a linha graças à sua inusitada amplitude vocal e capacidade instrumental embora a cooperação na composição protagonizada pelo baixista Mikael Hedlund seja, como quase sempre, bastante relevante. O tom acelerado da maior parte deste registo fica ainda em grande parte a dever-se ao desempenho arrasador de Horgh, potenciado por uma produção não demasiado polida mas com a habitual chancela dos Abyss Studio. Nov-09

[ 86 / 100 ]

 

HYUBRIS - Forja / 2009

O EP «Desafio» e principalmente o álbum homónimo colocaram a banda do Tramagal num nicho difícil de catalogar, não só pela peculiar voz de Filipa Mota mas pelas orquestrações folclóricas e utilização de instrumentos menos usuais como a guitarra portuguesa, a flauta, o acordeão ou a gaita-de-foles, num rumo eclético, ligeiro mas sempre forte, uma brisa que varreu a cena nacional desde que começaram a deambular por terrenos outrora propícios a bandas mais extremas.
Com gravações e misturas efectuadas nos estúdios In/Out a cargo de Nuno Loureiro e masterização de Mika Jussila, «Forja» revela-se através de 11 temas cantados em português, em linha com o que já nos tinham oferecido em 2005, onde ambiências medievais se mesclam com sentimentos de forte portugalidade. Certo que desapareceu o efeito surpresa mas a ambição e o risco parecem querer atingir outro patamar, num álbum mais maduro, viciante e, a espaços, mais agressivo e intenso que o anterior.
Era óptimo que alguns cartazes, em vez de recaírem invariavelmente na miríade de bandas de black/death/core, algumas que praticamente só tocam para os amigos, dessem oportunidades a colectivos com esta postura. E há outros projectos dentro desta linha de diversidade a merecer uma aposta séria… Jerónimo!!!! Ago-09

[ 86 / 100 ]

 

HEAVEN & HELL - The Devil You Know / 2009

Encurtando a habitual introdução, estamos na presença de 4 músicos de top que há cerca de dois anos se juntaram para registar alguns temas a incluir numa colectânea representativa da presença de Ronnie James Dio nos Black Sabbath e, afim de evitar conflitos com uma eventual relação paralela com Ozzy, após uma muito bem sucedida tour, resolvem alargar os seus horizontes sob a designação de Heaven & Hell.
Através de uma capa esmagadora, que só por si revela o poder e importância que o colectivo apresenta perante a descartável e insignificante população que gravita pela música actual, encontramo-nos perante um registo sinistro, predominantemente mid-tempo, repleto de grandes riffs e solos que já não se fazem, com Iommi a liderar um grupo que, rondando as seis décadas, ainda apresenta muito para ensinar. É certo que Dio já não possui a frescura de outros tempos mas ainda assim a sua voz é inigualável, enquanto G//Z//R demonstra uma capacidade inata de condução, encontrando-se aqui com uma posição destacada nas poderosas misturas finais.
Soando mais a Dio a solo que a Sabbath por alturas de «Dehumanizer», só não estamos na presença de um clássico pois faltam os temas memoráveis, além de que esse tipo de registos como que se extinguiu no novo milénio. Beware 25:41... Mai-09

[ 82 / 100 ]

 

HACKSAW - Rise and Disobey / 2009

Oriundos da Cidade Berço e compostos por membros com passado no meio underground, nomeadamente com a passagem de alguns dos seus elementos por bandas como Bloody Tears, Infernal Kingdom ou Final Mercy, o quarteto inicia as suas actividades em 2005, escrevendo o seu nome numa compilação e posteriormente participam num primeiro Fest, também promovido pelo Vimaranes Metallvm.
Confesso que esta nova corrente de bandas nortenhas de Death Metal pouco me seduz e nem seria o conteúdo deste EP, sacado nos Grave Studios, que iria alterar muito a minha opinião mas basta ver esta banda ao vivo para que tal mude de figura. Além de um front-man imparável, comportamento inimaginável para quem já privou com a serenidade em pessoa, a banda apresenta um indomável dueto de cordas de se lhe tirar o chapéu. Enquanto a Susana dá o mote num baixo repicado de escalas rítmicas coadjuvando na perfeição o trabalho competente de Luís Barroso, Toni vai crescendo como guitarrista, demonstrando uma capacidade evolutiva muito acima da média, não fosse Erik Ruten um exemplo a seguir. Depois deste passo, que mais não será do que o registo documental num suporte essencial para o desenvolvimento de um projecto, ponham os olhos em cima destes senhores (e senhora) daqui para a frente. Mai-09

[ 67 / 100 ]

 

HEADSTONE - Within the Dark / 2009

A primeira coisa que chama a atenção neste trabalho dos portuenses Headstone, é a extraordinária qualidade gráfica e a belíssima fragilidade deste formato em claro contraste com o deboche descontrolado colocado nas actuações ao vivo, perante uma atitude mais reservada da baixista Vera Sá, responsável também pela cadência rítmica e groove dos conterrâneos Cycles. E tem sido à volta de algumas bandas da cidade que o grupo tem escolhido os seus elementos como sejam os casos dos Dove, In Solitude, nos já citados Cycles ou até nos primórdios dos Pitch Black.
Vitor Franco é outra das recentes aquisições por parte da banda nortenha e é a ele que se deve alguma da colagem a um som mais progressivo proveniente algures de Seattle... Com Augusto Peixoto no ataque literal à bateria, Carlos Barbosa e Pedro Vieira como uma dupla de guitarristas competente, 4 temas foram gravados nos estúdios Sounvision, uma mistura de thrash com algumas sonoridades modernas mas felizmente bem longe das modas passageiras, marcando desta forma nova etapa na curta carreira do quinteto. Graças a uma rodagem francamente boa e com uma audiência entusiasta, que «Within the Dark» seja um passo para voos mais elevados, nem que para tal se torne necessário insuflar ainda mais a boneca. Abr-09

[ 77 / 100 ]

 

HEAVENWOOD - Redemption / 2008

Uma década após «Swallow», silêncio imposto por questões internas e litígios contratuais, a banda de Vila Nova de Gaia regressa em excelente forma com um disco que os colocará nos trilhos desde que ressurgiram das cinzas dos Disgorged.
Com o núcleo duro assente no vocalista Ernesto Guerra e nas guitarras de Ricardo Dias e Bruno Silva, os cuidados postos na produção, mistura e masterização, levaram-nos a percorrer caminhos desde os cada vez mais badalados UltraSound Studios em Braga, até aos categorizados Fascination Street Studios na Suécia, onde pela mão de Jens Bogren sai um disco com uma das melhores captações de som alguma vez encontrada em Portugal, dentro do panorama mais extremo. Para explanar na plenitude toda a reconhecida faceta Rock / Metal, agora um pouco mais acutilante mas mantendo a característica melodia que brota das linhas de guitarra, o trio recorre aos préstimos de Daniel Cardoso na bateria, criando ainda outros focos de interesse com a participação pontual de músicos como Jeff Waters, Gus G. ou Tijs Vanneste.
Com data de lançamento agendada para meados de Outubro, aproveitem já a edição antecipada, exclusiva para Portugal, que inclui como bónus a oferta de bilhete para um dos dois espectáculos a realizar a propósito desta brilhante redenção
. Set-08

[ 88 / 100 ]

 

HATE ETERNAL - Fury & Flames / 2008

À quarta tentativa, Eric Ruten como que aniquila o legado que foi construindo à volta de um conceito real com Hate Eternal, com um disco ainda mais pesado, intrincado, obscuro e devastador. Perturbado pela morte do antigo baixista e amigo Jared Anderson, Ruten elabora e produz uma peça de artilharia cuja exponencial demonstração de técnica e velocidade resultam numa amálgama sonora no limiar do humanamente suportável. Secundado por Shaune Kelley, também um ex- Ripping Corpse, as paredes de riffs e os solos tornam-se mais profundos e complexos, desaguando em atmosferas pouco variadas, rápidas e sedentas de melodia. Alex Webster, emprestado pelos Cannibal Corpse, desempenha o seu papel rítmico de forma competente mas é Jade Simonetto, um baterista menos conhecido dentro destas sonoridades mais extremas, quem se destaca através da projecção constante de blastbeats e ataques incansáveis ao duplo bombo, puxadas em estúdio até ao limite juntamente com os esgares monocórdicos e sofridos de Ruten.
Perante tamanho massacre, é natural que «Fury & Flames» nos vença pelo cansaço à medida que vamos caminhando para o seu final, deixando no ar uma desagradável mas simultaneamente relaxante sensação de violência forçada.
Mar-08

[ 77 / 100 ]

 
HELLOWEEN - Gambling with the Devil / 2007



Passando por diversas mutações e vendo partir músicos como Kai Hansen, Roland Grapow ou Michael Kiske, isto só para falar dos mais mediáticos, nos Helloween só restam dos tempos iniciais o guitarrista Michael Weikath e o baixista Markus Grosskpf. Inventores de um género que ainda hoje é tido como um dos mais influentes dentro do metal mais tradicional, a banda como que ganhou um novo fôlego com a entrada de Andi Derris, em 1994.
Depois de uma conseguida incursão no legado «Keeper of the Seven Keys» e consequente e intensa tour mundial, o sexteto regressa com um som poderoso e enérgico, repleto de riffs e melodias contagiantes, sem descurar a velocidade e a típica alegria que não poderia estar arredada das composições das abóboras. Algures entre um «The Dark Rider» e «Master of the Rings», pela orientação agressiva dada às guitarras enquanto a voz de Derris apresenta uma postura mais sinistra, este álbum até se encontra mais colado ao passado que o anterior. Pena Biff Byford só ter colaborado com umas curtas frases na introdução de um trabalho cuja virtude principal é a sua identidade própria, raramente soando datado, mesmo que esteja muito longe das modas actuais. Dez-07

[ 7.5 ]

 
HELLFUCK - Carnal Blasphemies / 2006 - Demo



Gravado na integra numa tarde de verão em 2004 e mantido em segredo até agora, a primeira demonstração dos Hellfuck revela 6 temas de Black n'Roll carnal, simples, directo e muito eficaz, com distribuição a cargo da Mistress Dance Records.
Numa conjugação de esforços entre J.A. dos Decayed (bateria e teclas) e Andremon (guitarra, baixo e voz), actualmente nos Filii Nigrantium Infernalium e Simbiose, o duo destila 15 minutos de pura e alucinante blasfémia, numa toada old school onde diversos estilos mais extremos se misturam com uma forte componente Punk. Letras curtas e apelativas, ilustram o universo dos Hellfuck que se rege através de um som fortemente descomprometido, alcançando um desiderato final deveras interessante.
Claro que os Hellfuck nunca passarão de um projecto paralelo ao qual ambos os músicos jamais dedicarão muito do seu tempo mas quem sabe se, com um pouco mais de sol e umas grades de cerveja, «Carnal Blasphemies» não terá um digno sucessor.
Evidenciando um trabalho artístico muito completo e dedicado, esta cópia em CDr vem acompanhada de uma zine de 12 páginas em tamanho A5, contendo diversa informação sobre este registo, destacando-se do todo uma original entrevista.
Em suma, uma demo com imenso putencial.
Nov-06

[ 7.5 ]

 
HYUBRIS / 2005



O nível qualitativo que os Hyubris tem evidenciado desde a edição do EP «Desafios», também possível de constatar nos diversos espectáculos que a banda vai dando pelos meios mais underground , atinge no auto intitulado registo de estreia o seu ponto mais alto.
As sonoridades espelhadas nestes 12 temas respiram cultura e folclore lusitano, versando sobre mundos fantásticos de duendes e fadas. Recorrendo, por vezes, a instrumentos pouco convencionais como a flauta, as gaitas de foles ou a guitarra portuguesa, criam-se ambientes diversos, onde a originalidade é um dos pontos mais fortes. É claro que a língua materna é uma evidente mais valia no som da banda pelo que convém evitarem, no futuro, muitas deambulações por caminhos mais fáceis e seguros, como os já ensaiados aqui com «Rose on My Grave», um tema forte mas que perde algum do impacto que brota da característica e versátil voz de Filipa Mota.
A produção realizada nos Rec'n'Roll e as masterizações a cargo de Tommy Newton conseguem adicionar o necessário complemento tecnológico a um trabalho obrigatório e que merece um reconhecimento bem maior do que aquele que tem obtido. Um caso para ser seguido com atenção pois, com uma pontinha de sorte e os necessários investimentos, a música portuguesa voltará às bocas do mundo
. Fev-06

[ 8.5 ]

 
HORDES OF YORE - Of Splendour and Ruin / 2005

Uma combinação inovadora de ambiências mais extremas com orquestrações pouco usuais define o som dos Hordes of Yore que neste disco conceptual, sobre a ascensão e queda do império romano, revelam forte personalidade e ambição. Das cinzas dos Walpurgis Natch, o baixista Tiago Martins e o guitarrista Hélder Marciano repescam Bruno Vaz e após morosa definição da formação André Vasconcelos, elemento que já percorreu bandas como os Arcane Wisdom, Sirius e Before the Rain, é o eleito para tomar conta das vozes principais e ainda arcar com a responsabilidade de todos os instrumentos menos convencionais.
Percorrer repetidamente as espiras deste disco é uma tarefa quase obrigatória para daí se conseguirem captar os pormenores escondidos nos complexos arranjos instrumentais e nos deliciamos com o conteúdo lírico desta trama, urdida juntamente com competentes músicos de sessão como Rolando Barros (bateria), Tiago Martins (teclas) e Tânia Vaz (coros). Como aspecto menos positivo temos algumas lacunas no campo da produção e falhas nas misturas finais, certamente devido ao reduzido orçamento disponível para tão grandiosa empreitada. Muita atenção… Dez-05

[ 8.5 ]

 
HELLOWEEN - Keeper of the Seven Keys - The Legacy / 2005

O nome deste trabalho causa tantos anticorpos que a melhor atitude para o analisar é mesmo ouvi-lo sem grandes comparações. Os tempos recentes não têm sido fáceis para os Helloween, sujeitos a algumas mudanças de formação e a lançamentos menos inspirados mas este trabalho, principalmente os 2 épicos que iniciam cada um dos lados deste duplo CD, chegam de per si para recolocar o quinteto na primeira linha do Power Metal europeu.
As majestosas melodias, os monumentais solos, os riffs vertiginosos, o humor e as excelentes canções, trazem a abóbora de volta. Andi Deris tem aqui o seu melhor desempenho vocal, ao passo que Sascha Gerstner se revela talentoso para as batalhas de guitarra com Weikath e a secção rítmica é tão demolidora que Stefan Schwarzmann foi substituído por Dani Löble (Rawhead Rexx e Blaze) durante as gravações por aparentemente não conseguir acompanhar a velocidade exigida.
Com um som excelente, não fosse um par de temas menos inspirados, tínhamos aqui um clássico – o tempo o dirá. Claramente o melhor disco da banda desde as famosas partes 1 e 2 e que faz por merecer o nome que ostenta, apesar do sacrilégio. Dez-05

[ 9.5 ]

 
HYPOCRISY - Vírus / 2005

Com «The Arrival», o trabalho do ano passado, os Hypocrisy voltaram aos melhores momentos através do seu Death Metal agressivo e intenso mas ao mesmo tempo repleto da característica melodia que só a banda liderada por Peter Tägtgren consegue extravasar.
Sem renegar as ambiências alienígenas, o novo “vírus” destila raiva por todos os poros, não sendo a isso alheia a composição do agora renovado quarteto sueco, com a inclusão de um segundo guitarrista Andreas Holma no line-up, complementada pela substituição do baterista de longa data Lars Szöke pelo carismático Horgh dos extintos Immortal. E é exactamente esta alteração que possibilita a que agora os Hypocrisy possam atingir mais facilmente velocidades devastadoras e precisas, como se pode desde logo constatar pelo tema de abertura «War-Path». «Vírus» é um álbum bastante acelerado, totalmente escrito e produzido por Tägtgren mas composto por toda a banda, facto que comprova a existência de um saudável espírito de grupo.
Mas é ao vivo que os Hypocrisy melhor se movem e aí seguramente encontrarão motivos mais do que suficientes em «Vírus» para lhe destacarem uma mão cheia de temas que farão as delícias dos headbangers.
Out-05

[ 8 ]

 
HAMMERFALL - Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken / 2005

Os primeiros lançamentos, os agora clássicos «Glory to the Brave» e «Legacy of Kings», proporcionaram aos Hammerfall uma enorme exposição e sucesso, numa altura em que o Power Metal europeu tinha uma autêntica legião de fãs. Com o aparecimento de dezenas de novos projectos muito pouco originais e verdadeiramente castradores para a cena, rapidamente se esgotou com esse filão.
A postura “metaleira”, os apelativos e acessíveis hinos guerreiros e as potentes baladas, na linha do que faziam uns Manowar mas injectando alguma leveza mesclada com as características próprias do Metal nórdico, nunca foram do agrado de todos, sendo este o tipo de bandas que, desde a primeira hora, ou se adora ou se detesta. Com o passar dos anos e com o correspondente e natural amadurecimento, as composições dos suecos foram-se tornando um pouco mais progressivas.
«Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken» é mais um disco que não destoa no resto da carreira do colectivo, com uma excelente produção e temas orelhudos mas que decorre fatalmente a meio gás. Para os fanáticos de coros memoráveis, riffs frenéticos e potentes ritmos, certamente um disco a escutar. Abr-05

[ 6 ]

 
THE HAUNTED - rEVOLVEr / 2004

«rEVOLVEr» é sem sombra de dúvida um registo de mudanças que de certeza marcará a carreira dos suecos The Haunted, não só por terem trocado a editora de sempre, a Earache pela Century Media ou porque Marco Aro, que resolveu abandonar a vida errática em favor de uma forma de estar mais familiar, foi substituído pelo seu antecessor, o regressado Peter Dolving. E o primeiro ponto forte deste disco vem exactamente da prestação de Dolving, desde sempre conotado como um elemento mais ligado ao Hardcore e sem a veia mais metálica de Aro. A performance do vocalista original, revela uma amplitude e diversidade nunca antes manifestada e proporciona uma maior largura de banda ao colectivo. Sem prejuízo dos riffs alucinantes e com a manutenção da diabólica secção rítmica a cargo de Per Möller Jensen e Jonas Björler, a banda procura outras abordagens, talvez mais modernas, como sejam a adição de vozes com um registo mais límpido e de partes mais calmas e experimentais.
Uma arma letal, um disco envolvente produzido nos Studio Fredman. Nov-04

[ 9 ]

 

HATESPHERE - Ballet of the Brute / 2004

O terceiro longa duração, em quatro anos, dos dinamarqueses Hatesphere demonstra uma vitalidade e uma perseverança típica de uma banda em inicio de carreira, embora o quinteto oriundo de Aarhus já exista à cerca de uma década. Na senda do Metal sueco, mais especificamente o de Gotemburgo, os Hatesphere misturam os géneros Death / Thrash com algumas influências provenientes do outro lado do Atlântico, nomeadamente as infiltrações Hardcore.
«Ballet of the Brute» é como o próprio nome indica, um disco brutal, directo e eficaz onde se destaca a tremenda exibição de bateria por parte de Anders Gyldenøhr, também membro dos Grope e um ex-Pixie Killers. A parte do "ballet" é que fica um pouco para a nossa imaginação pois os momentos mais calmos, ao longo dos cerca de 36 minutos que duram os 10 temas desta rodela, são difíceis de discernir.
Um pouco mais de diversidade seria bem vinda a esta descarga super acelerada de adrenalina pura e agressão. Ago-04

[ 7 ]

 

HELLFUELED - Volume One / 2004

A formação da banda data de 1998 e embora já tenham ostentado nomes como Below e Firebug, acabariam, por razões legais, de lançar o álbum de estreia, intitulado «Volume 4», já sob a designação de Hellfueled. Para trás, numa tentativa de combater esse período algo conturbado, gravam uma data de demo-tapes.
Volvidos 4 anos voltam aos estúdios, desta feita nos reconhecidos Studio Fredman e com produção, engenharia e misturas a cargo do "mago" Fredrik Nordström, atiram-nos à cara um refrescante disco de Heavy Metal como se os Black Sabbath tivessem "ressuscitado" ou sido injectados por qualquer substância revigorante.
É surpreendente a semelhança entre a voz de Andy Alman com Ozzy Osbourne, na sua fase áurea bem entendido. A ajudar à festa temos os riffs e os incríveis solos do guitarrista Jocke Lundgren que se não é um clone de Zakk Wylde, por certo será um seu adorador confesso.
Um excelente disco de Doom Metal, bem rápido por sinal, que se funde com outras correntes miscíveis como o Sludge, Stoner ou Heavy Metal. Ago-04

[ 7.5 ]

 

HYPOCRISY - The Arrival / 2004

«The Arrival» é já o nono álbum dos suecos Hypocrisy e mais uma vez chegamos à inequívoca conclusão de que estamos perante mais um excelente conjunto de temas capazes de nos proporcionarem actuações vibrantes e arrasadoras.
As 9 malhas que compõem este disco, pouco ou nada trazem de novo em relação ao que a banda de Estocolmo já nos habituou por alturas de «Abducted», «The Final Chapter» ou «Hypocrisy», e ainda bem. Temas envolventes, estruturas por vezes arrastadas e extremamente melódicas, momentos épicos e ambientes etéreos, contrastam e esbarram em atmosferas brutais de uma agressivas sem limites.
Com uma grande parte das letras escritas pelo genial Dan Swanö, eis uma autêntica bomba programada para estourar nas nossas cabeças. Para tal basta ter coragem de assistir ao próximo concerto do trio, agora com Horgh (ex-Immortal) no lugar de Lars Szöke. Eles andam aí...

[ 9 ]

 

HEAVENLY - Dust to Dust / 2004

«Dust to Dust» é um disco ambicioso, bem pesado e obscuro e que relata a história da fatídica maldição que atinge os vampiros. Com produção a cargo de Sasha Paeth, cada vez mais requisitado para este género de trabalhos, esta é uma das razões para este disco estar a anos luz dos seus predecessores. As estruturas sonoras estão muito bem conseguidas e as canções bem ligadas entre si, o que por vezes não é fácil quando se quer desenvolver um enredo continuo. Metal épico a desaguar em autênticos hinos, coros grandiosos, solos competentes e toneladas de riffs a rasgar, são por certo características que deixarão os fãs deveras agradados.
Foi necessário chegar ao 3º álbum para atingirem um patamar que os destingue de simples clones de bandas como Gamma Ray ou Helloween.

[ 8 ]

 
HAMMERFALL - One Crimson Night / 2003 - LIVE



Ao contrário da grande maioria dos álbuns ao vivo gravados actualmente, esta autêntica compilação dos melhores momentos da carreira dos suecos Hammerfall foi registada apenas numa - por certo fria - noite de Gotemburgo, a terra natal da banda. O resultado assim conseguido dá-nos uma sensação muito real do que é um verdadeiro concerto pois existe uma ligação muito mais fluída entre todos os momentos da actuação, ou seja, as quebras são imperceptíveis.
O som está muito claro e potente, a participação do público não poderia ser mais calorosa e a escolha dos temas, que abarcam toda a discografia de forma muito equilibrada, é consensual e não deixa espaço para muitos reparos.
Goste-se ou não dos Hammerfall este é um dos melhores trabalhos do género, e em 2003 foram imensos, do ano que agora finda.

[ 8 ]

 

HELLOWEEN - Rabbit Don't Come Easy / 2003

Desde que Andy Deris assumiu os vocais das abóboras em 94 que o expoente máximo do Power Metal europeu procurou, nem sempre da melhor forma, o regresso aos tempos áureos dos «Keepers of the Seven Keys». Se por vezes conseguiram andar lá por perto, noutras ocasiões esbarraram de frente com uma herança demasiado pesada e muito difícil de suportar. «Rabbit Don’t Come Easy» sucede à tentativa, pelos vistos abortada, de progredir por caminhos mais obscuros e pesados e é a resposta ao abandono de dois pesos pesados, o guitarrista Roland Grapow e o baterista Uli Kusch, que decidiram sair da banda onde tocaram ao longo de vários anos para formar os Masterplan. Infelizmente este registo não faz justiça ao passado primando pela mediania.

[ 7 ]

 
THE HAUNTED – One Kill Wonder / 2003



Nascidos das cinzas dos At the Gates, os irmãos Björler e o baterista Adrian Erlandsson, que entretanto já abandonou, juntaram-se ao guitarrista Jensen - hoje em dia também nos Witchery – e formaram um digno sucessor do grupo que durante algum tempo liderou o movimento Deaththrash europeu. «One Kill Wonder» não engana ninguém. É um registo rápido, brilhante, intensamente agressivo e repleto de canções que esmagam contra a parede a cabeça de qualquer ouvinte menos preparado. Marco Aro, um vocalista proveniente dos Face Down e que integrou o colectivo após a auto intitulada estreia, acrescenta um certo timbre Hardcore aos temas, enquanto que a dupla de guitarristas é uma autêntica fábrica de riffs com alguns trejeitos provenientes do som de Gotemburgo. A secção rítmica debita a cadência necessária para tornar este registo no mais pesado e ao mesmo tempo diversificado registo até à data.

[ 8.5 ]

 
HAMMERFALL - Crimson Thunder / 2002



«Glory to the Brave» foi um dos principais responsáveis pelo ressurgimento em grande força do Power Metal melódico influenciado no estilo desenvolvido pelos germânicos Helloween. «Crimson Thunder», o quarto longa duração dos guerreiros suecos, é claramente superior aos 2 trabalhos anteriores. Boas melodias acompanhadas por excelentes guitarradas, canções orelhudas e as histórias do costume. Tudo o que poderá agradar ao verdadeiro fanático deste género comercial.
Mesmo cantando uma oitava mais abaixo, Joacim Cans continua a irritar-me solenemente. Um ponto a favor é a excelente embalagem da edição especial.


[ 7 ]

 

HATE ETERNAL - King Of All Kings / 2002

À semelhança do disco de estreia aí vão mais 30 minutos de profunda devastação sonora, raiva e velocidade. Tal qual um exército que não faz prisioneiros, o trio liderado por Erik Ruten (guitarrista dos Morbid Angel) arrasa por completo com a massa encefálica de qualquer pessoa mais sensível.
Death Metal brutal, cru e directo, com alguns primores técnicos mas distante da complexidade dos já citados Morbid Angel, estamos na presença de algo extremo e muito mas mesmo muito pesado. A velocidade vertiginosa, quase impossível, do baterista Derek Roddy (que integrou bandas como Nile e Malevolent Creation) e os magníficos solos e devaneios de guitarra, são em parte afectados pela pouca diversidade entre os temas e pela voz algo monocórdica de Erik Ruten.

[ 6.5 ]

 

HALFORD - Crucible / 2002

Vocalista dos Judas Priest durante 20 anos, o "Metal God" ataca de novo deixando para trás as "mutações" dos Fight e o "voyeurismo" dos Two.
Com a mesma formação inicial, Halford abandona um pouco o som que caracterizou a estreia e abre portas para algo mais moderno. Canções como «Sun» percorrem direcções mais obscuras e progressivas acompanhando na perfeição malhas que figurariam sem qualquer favor no extenso "set-list" dos Priest.

[ 7 ]

 

HYPOCRISY - Catch 22 / 2002

A música dos Hypocrisy segue as tendências da moda ou não fossem Peter Tägtgren e Lars Szöke (2 dos elementos do trio) os responsáveis pela produção de centenas de discos no famoso Abyss Studio, propriedade do primeiro.
«Catch 22» começa a rasgar mas logo no segundo tema, as influências melódicas e as estruturas cadenciadas começam a tomar conta do disco. Por vezes somos surpreendidos com alguns trechos demasiado Nu-Metal para o meu gosto.
Ainda cheios de força, apesar de algum abrandamento em termos sonoros, são um dos líderes incontestáveis do movimento Death.

[ 7 ]