: : MALEITAS/ANÁLISES : : F : : .

FLOTSAM AND JETSAM / 2016

Aliando uma componente marcadamente Power Metal a estruturas próprias da sonoridade Thrash, os Flotsam and Jetsam foram construindo uma carreira sustentada e sólida o longo das últimas 3 décadas, sem nunca terem alcançado a exposição e mediatismo de muitas das bandas que nasceram e cresceram nessa mesma época. Após um arranque onde conseguiram alguma atenção, não só e apenas por terem sido a banda onde os Metallica foram buscar o substituto para Cliff Burton, o quinteto do Arizona tem gravado ininterruptamente ao longo dos anos, por vezes de uma forma menos conseguida, uma discografia que chega agora ao 12º original.
Em nome próprio e apenas com Eric A.K. como membro original, embora o guitarrista Michael Gilbert e o baixista Michael Spencer apesar das (re)entradas mais recentes sejam velhos conhecidos, principalmente o primeiro que já tocou em 8 álbuns do colectivo, estamos perante mais um conjunto de temas onde a voz inconfundível do vocalista que além da boa forma nos trás um pouco da nostalgia dos tempos passados, a melodia brilha através das canções e as guitarras manifestam-se num excelente trabalho de execução e groove. Com «Iron Maiden» presta-se uma homenagem a uma das referências base num tema absolutamente devastador. Jun-16

[ 82 / 100 ]

 

FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM - Pornokrates: Deo Gratias / 2013

Para quem esperou 14 anos pela edição do primeiro álbum dos Filii Nigrantium Infernalium, este interregno para «Pornokrates: Deo Gratis» nem parece assim tanto tempo. Com o EP «Rëtrofornicatör» pelo meio, Belathauzer volta a destilar veneno e blasfémia sob a forma de uma ecuménica hóstia de vinil negro ou, para aqueles mais abastados, através de um sacro suporte dourado, restando a todos aqueles que já não veneram os aparelhos de leitura mais old-school o saque via cyber espaço.
Secundado por Helregni, Mantus e Maalm, o line-up que registou o anterior sacrilégio, Bthzr esvai-se em ironia e sátira religiosa, derramando sobre a seita de infiéis salmos de rancor e homilias de pornografia. Instrumentalmente este longa duração não se desvia muito do rumo há muito traçado, uma sonoridade crua e negra, uma eucaristia de sonoridades ríspidas, uma amálgama de atrocidades thrash /black / punk que fazem de «Fellatrix Discordia Pantokrator» um missal orgástico bem mais elaborado. Descréditos para Paulo Vieira no resultado obtido, mais um passo em falso: cadafalso. Um disco de necro rock'n roll, repleto de novas metástases dignas de serem lançadas sobre o rebanho de lobos que se digne aparecer numa das próximas matanças celebradas pela banda lisboeta. Out-13

[ 88 / 100 ]

 

THE FIRSTBORN - Lions Among Men / 2012

Mais uma vez à volta do conceito budista, uma temática que se apoderou do colectivo desde cedo, o novo álbum da banda liderada por Bruno Fernandes, progride numa direcção ainda mais abrangente e, aparentemente, mais fácil.
Atravessando um período conturbado com a saída dos guitarristas Paulo Vieira e Miguel Santos, que entretanto já foram substituídos por Filipe Lima, um elemento que fez parte dos W.A.K.O., os The Firstborn detém entre mãos um trabalho repleto de grandes momentos instrumentais e espirituais, que por certo darão azo a uma série de apresentações de grande valor nos palcos que os receberem. Novamente com a ilustre colaboração de Hugo Santos dos Process of Guilt, que empresta a sua poderosa voz a mais de metade dos temas deste «Lions Among Men», complementando na perfeição a performance do próprio Bruno Fernandes, e de Luís Simões, o responsável pela produção dos sons orientais que percorrem este disco, são necessários atentos períodos de reflexão para se conseguirem extrair sensações mais profundas e persistentes. Mesmo um pouco mais acessível e equilibrado que os trabalhos anteriores do colectivo da "outra margem", este não deixa de ser um álbum que cresce (muito) a cada nova audição. Mar-12

[ 82 / 100 ]

 

FALKENBACH - Tiurida / 2011

Em boa verdade, não há estilo que hoje em dia não esteja completamente repleto de projectos idênticos, sendo neste caso o Folk um dos mais concorridos, uma moda que já começa a tomar contornos enjoativos. Infelizmente a industria musical consegue assassinar qualquer corrente ainda antes desta tomar contornos de movimento e isto só irá parar quando tudo ruir... objectivamente, há bandas a mais!
Alheio a modas está Vratyas Vakyas que, 6 anos após a extraordinária regravação da nunca editada estreia «The Fireblade», volta à carga envolto na penumbra de um denso nevoeiro, clamando novamente a pesada herança de Quorthon, no que a Viking Metal atmosférico diz respeito. Cada capítulo de «Tiurida» emana ambiencias escandinavas por todos os poros e mesmo com 3 instrumentais diluídos num todo de 7 temas (fora o bónus), não se perde nem um pouco da postura épica que pretendem transmitir a cada momento. À margem da vaga mais festivaleira e alegre que corrompe o panorama actual, cada espira deste registo transpira classe, melancolia e desgosto, uma sensação que perdura o longo de cada composição, numa profunda e gélida transmissão de sentimentos e embolias cerebrais. Um álbum acima da media, mas que não deixa de saber a pouco quando confrontado com a longa espera. Fev-11

[ 79 / 100 ]

 

FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM - Rëtrofornicatör / 2010 - EP

Numa altura em que se preparam para comemorar 20 anos de carreira, os Filii Nigrantium Infernalium aproveitam a ocasião para adicionar à sua singela discografia um EP em vinil, numa edição limitada a 500 unidades, composto por 3 temas de BlackThrash obscuro, ferrugento e necro. Como a periodicidade de lançamentos da banda liderada por Belathauzer nunca foi uma das suas características mais marcantes, a juntar à pequena exposição que a banda lisboeta apresenta ao vivo, é com interesse redobrado que se escuta esta curta oferenda.
Se «Fellatrix Discordia Pantokrator» colocou os Cães de Guerra no topo da cena underground, espera-se que «Rëtrofornicatör» seja apenas um pequeno aperitivo para algo mais grandioso e para o qual não haja necessidade de um jejum tão prolongado. Embora o ultra-speedado e já badalado «Necropachacha» valha, por si só, a aquisição deste suporte, os outros temas, um deles totalmente debitado em inglês, não destoam da habitual orgia religiosa e circense que o colectivo teima em incutir nas suas criações blasfemas. Agora resta aguardar pacientemente pelas novas matanças de uma das melhores, senão a mais carismática, das entidades extremas a tocar pelo nosso país. Ácido... Dez-10

[ 78 / 100 ]

 

THE FIRSTBORN - The Noble Search / 2008

Em ascensão desde que retiraram os malefícios ao próprio nome, os The Firstborn atingem o pico criativo com o lançamento de «The Unclenching of Fists», um complexo álbum conceptual, concebido durante um longo período de reflexão, pleno de densas atmosferas étnicas, ambientes idílicos e forte conotação espiritual.
Mantendo o rumo na senda oriental, apresentam-se hoje com uma postura mais simples e directa e com um conjunto mais acessível de temas capazes de perdurarem no tempo. A produção analógica e profissional, realizada no mesmo estúdio de Gales por onde já passaram bandas como Primordial ou Napalm Death, favorece claramente o resultado final, tornando-o o mais competente até à data. A nível instrumental a abordagem é vasta, tocando extremos, onde o uso de instrumentos díspares como a cítara e percussão real prevalecem em detrimento do excesso de samples do disco anterior, sendo complementados pelas vocalizações que cobrem uma grande amplitude de registos e pelo valoroso contributo de convidados externos.
A busca poderá tornar-se menos nobre quando mergulha nas tendências neurosianas e mastodónicas, retirando-lhe alguma identidade mas isso já terá a ver com o karma de cada um, o qual vai fluindo consoante a subjectividade e o gosto. Dez-08

[ 84 / 100 ]

 

FLAGELLUM DEI - Under the Might.../ 2007

Ultrapassando os 10 anos de actividade, este colectivo da Brandoa atinge o 2º álbum contando com uma trajectória ascendente que desde há muito os colocou na linha da frente da legião de profanadores dos templos cristãos. Para trás ficaram algumas edições mais reduzidas que lhes permitiram chegar à estreia «Tormentor… of the False Creator», uma blasfema edição de 999 cópias com selo Bloody Productions.
Três anos depois e com alguns acertos de line-up, Vulturius e Byleth há muito que já não pertencem aos Flagellum Dei enquanto Nefastus abandonou o microfone que ficou a cargo do guitarrista Sepulchral Winds que agora é secundado por Vagantis no baixo e Kako Daemon na percussão, gravam na Academia de Música durante o verão passado «Into the Might…», uma revelação Black / Thrash muito mais limpa e elaborada quando confrontada com a agressividade e crueza de outros tempos. Mantendo a tonalidade fria e uma postura mais old-school, é mais do que óbvio que a banda pretendo rumar para direcções mais ambiciosas e actuais, demonstrando-o com um som mais técnico e, acreditem, bem mais melódico e distinto. A par de alguns lançamentos que varreram o mercado durante o ano transacto, este opus merece ficar em lugar de destaque, nem que seja pelo anuncio de que o ceifeiro retornou. Jan-08

[ 82 / 100 ]

 

FREEDOM CALL - Dimensions / 2007

Em «Circle of Life», 4º trabalho da banda com edição em 2005, o quarteto germânico liderado pelo baterista Dan Zimmermann e pelo guitarrista e vocalista Christian Bay procurou trilhar novos caminhos, numa atitude clara de retirar alguma da conotação mais happy que vinha denegrindo a imagem da banda. As tendências vão-se modificando e sem dúvida que o Power Metal demasiado festivo, com claras influências de Helloween ou Gamma Ray, não seria propriamente algo a que o mercado actual estivesse receptivo ainda por cima estando este estilo em clara perda.
Com nova remodelação no line-up, o baixista Armin Donderer substitui Ilker Ersin que estava na banda desde a sua formação enquanto Lars Rettkowitz toma o lugar do guitarrista Cedric Dupont, o quinteto parece retornar ao que sempre soube fazer bem e com participação activa dos 2 membros na elaboração de alguns dos temas, eis-nos perante mais um disco repleto de velocidade, coros apelativos, melodias épicas e passagens bombásticas.
Responsáveis por «Eternity», um dos melhores álbuns de sempre dentro do Power Metal mais melódico, os Freedom Call decerto não agradarão presentemente a quase ninguém mas ao menos fazem-no com um sorriso estampado no rosto. Jun-07

[ 7.5 ]

 

FALKENBACH - Heralding the Fireblade / 2005

«Heralding – The Fireblade» deve ser visto como uma compilação de temas que Vratyas Vakyas foi coleccionando ao longo dos tempos e por alguma razão foram sendo deixados de parte das edições discográficas dos Falkenbach até aos dias de hoje. Neste disco podemos encontrar composições desenhadas ainda antes do lançamento de « … En Their Medh Riki Fara…» de 1996, temas regravados e ainda épicos completamente inéditos.
Claro que repescando algumas canções bem antigas, mesmo recorrendo às mais recentes tecnologias de estúdio, as sonoridades revelam-se mais cruas e agressivas que as apresentadas no mais recente «Ok Nefna Tysvas Ty». Analisando este registo como um álbum isolado, nem daria para nos apercebermos que os temas pertencem a épocas completamente diferentes, uma vez que encaixam na perfeição. As paisagens nórdicas brotam a cada instante e à medida que vamos progredindo e absorvendo este trabalho vamos sendo invadidos por uma mescla de ambiências Viking, atmosferas predominantemente folclóricas e diversas reminiscências mais Black Metal.
Desta feita, acompanhado por outros músicos em estúdio, Vratyas Vakyas regista aqui o seu melhor desiderato vocal até há data. Fev-06

[ 9.5 ]

 

FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM - Fellatrix Discordia Pantokrator / 2005

Indubitavelmente uma das bandas nacionais com maior carisma e personalidade e que consegue aliar a essas virtudes uma acentuada originalidade e competência. Desde 1991 que um peculiar vocalista e competente guitarrista – encarnando na personagem de Belathauzer – juntamente com uma legião de músicos que entretanto vão entrando e saindo, tem construído uma grande expectativa em torno dos Filii Nigrantium Infernalium, suportando-se no material gravado nos 2 EPs lançados até há data, «A Era do Abutre» em 95 e mais recentemente «A Queda…» em 2002.
Quase 15 anos depois da formação, finalmente o primeiro álbum do colectivo vê a luz, um disco áspero e demoníaco, com marcantes laivos old school mas com evidentes melhorias ao nível técnico. As influências Black / Thrash mantêm-se intocáveis – hail to the mighty riffs – assim como as incursões em terrenos mais limítrofes, chegando como é óbvio e consciente ao campo do Punk Rock, onde a voz tortuosa de Belathauzer navega sem qualquer tipo de dificuldades.
Uma anarquia descrita na língua materna e de trás para a frente, talvez para confundir as altas “entidades espirituais”, um disco assombroso, bastando para o comprovar os primeiros momentos de «Bordel no Éden». Nov-05

[ 9 ]

 

THE FIRSTBORN - The Unclenching of Fists / 2005

Conhecidos como Firstborn Evil, cedo começaram a cimentar a sua posição com a demo «Awakening of Evil» de 96 e com o álbum de estreia «Rebirth of Evil», gravado dois anos depois através da Guardians of Metal. Já com nova designação, sai em 2000 «From the Past Yet to Come», um disco muito mais maduro e que coloca desde logo os The Firstborn já como uma certeza do underground nacional.
Quatro anos de clausura, permitiram ao vocalista Bruno Fernandes (aka Mindwalker) e ao guitarrista Paulo Vieira (aka Flamebearer) trabalharem metodicamente sobre o "Livro dos Mortos" - «Bardo Thödol» - e desenharem um álbum conceptual assente num assunto tão estranho como o Budismo Tântrico. No estúdio G22 de Paulo Vieira, a banda investiu cerca de um ano ajustando todos os pormenores de «The Unclenching of Fists». Misturando vários estilos de música extrema com influências étnicas orientais, este trabalho exige audições atentas para que se desfrutem dos detalhes escondidos algures nas complexas estruturas de cada composição.
Uma forte aposta da banda amorense, valorizada ainda pela preciosa ajuda dos músicos convidados e pela excelente qualidade posta no layout . Não terá sido por certo em vão que enviaram cerca de 500 cópias deste excelente CD para todo o lado.
Que das sementes nasçam os “frutos do bom karma ”. Abr-05

[ 8.5 ]

 

FREEDOM CALL - The Circle of Life / 2005

No apogeu do movimento Power Metal na Europa, o baterista Dan Zimmermann (Gamma Ray e ex-Iron Savior) junta-se com o vocalista e guitarrista Chris Bay (ex-Moon Doc), no sentido de formarem um grupo onde pudessem extravasar de uma forma ainda mais festiva, a música que entretanto iam compondo, alcançando relativo sucesso com os discos iniciais.
Chegados a este «The Circle of Life», o 4º trabalho de originais do agrupamento de Nuremberga, constata-se que há agora uma maior preocupação com as composições e com o nível de detalhe. No entanto, algumas das pequenas alterações introduzidas nesta edição, retiram força e brilho aos temas que, mesmo mantendo a chancela Freedom Call– os coros festivos e as estonteantes estruturas melódicas – ao correrem maioritariamente a meio gás perdem alguma da habitual energia e carisma.
Esta postura mais séria torna-os mais banais, independentemente de estarmos perante 5 exímios executantes mas ainda assim, algumas destas malhas seguramente farão as delícias dos apreciadores quando debitadas ao vivo. Abr-05

[ 7 ]

 

FEAR THY NAME - Riding the Chariots of War / 2005 - MCD

Oriundos da Invicta e formados em 1998 pelos actuais guitarristas Hugo Santos e Ivo Neves, os Fear Thy Name precisaram de cerca de 3 anos e meio para reunir as condições necessárias para a gravação da primeira demo, intitulada «I-The Awakening». A fusão de estilos patente nesta pequena apresentação destinada a alcançar um público mais vasto, revelou desde logo uma banda acima da média.
Através de 3 temas ainda mais técnicos e atmosféricos, regressam agora com um novo registo cuja duração ultrapassa os vinte minutos. Numa mistura de BlackDeathThrash que remete, numa comparação simplista, para uns
Dimmu Borgir lá mais para o inicio de carreira, a principal característica a destacar deste «Riding the Chariots of War» é a aparente fluidez e facilidade, sem nunca parecer forçada, com que vagueiam entre as sonoridades mais extremas e melódicas.
Com uma produção brilhante, nada comum dentro do género em Portugal, responsabilidade de Rui Santos, baixista dos
Oratory, este mini CD é mais um passo em frente para a banda nortenha e que já justificava algo que não seja apenas demo(nstrativo). Obrigatório para qualquer “trve undergrounder”. Abr-05

[ 8 ]

 

FRONTSIDE - Forgive Vs Ovr Sins / 2004

Com um passado pouco conhecido, os Frontside apresentam-nos agora a versão inglesa de «I Odpusc Nam Nasze Winy» de 2002, um disco galardoado localmente com o Fryderyki, um prémio equivalente ao Grammy.
Depois de «Nasze Jest Królestwo… / Our Is Kingdom, Power and Glory» de 2001, «Forgive Vs Ovr Sins» pode ser considerado uma alternativa ao segundo trabalho de um colectivo que não esquece as suas raízes Hardcore , mesclando essas influências com as correntes mais extremas do Metal, explorando algo que poderá ser catalogado como Deathcore, um turbilhão sonoro onde certamente terão sido apanhadas bandas como os
Slayer, Dismember e Agnostic Front.
Um dos principais problemas deste tipo de bandas são as vozes, que além de serem pouco variadas, chegam a aborrecer pela linearidade patenteada.
Na forja parece estar já o novo álbum, que para variar terá uma edição base em polaco «Zmierzch Bogów» e uma outra mais internacional «Twilight of the Gods». Dentro dos géneros Core ( Metal, Emo ou Death ), este é sem dúvida um dos mais apelativos, mas não deixa de ser, como todos os outros, algo limitado.
Jan-05

[ 6.5 ]

 

FINAL BREATH - Let Me Be Your Tank / 2004

Com mais de uma década de carreira, os germânicos Final Breath alcançam finalmente a maioridade. «Let Me Be Your Tank», que raio de nome para um disco, é composto por 10 temas rápidos e directos, onde a fusão Death / Thrash nos traz imediatamente à memória colectivos como os The Haunted ou Dew-Scented. A voz arranhada de Jürgen Aumann remete-nos frequentemente para Mille Petrozza e os riffs bem poderiam pertencer aos últimos trabalhos dos Slayer ou Machine Head. No meio de tantas e tão boas influências, salienta-se também a produção de Andy Classen que alcança aqui um perfeito equilíbrio entre o moderno e o tradicional.
A edição limitada ainda nos oferece o álbum de estreia «Flash Burnt Crucifixes», a demo de 95 «Soulchange» e um tema solto, tudo completamente remisturado.
Um manual de agressividade, a demonstração cabal de que para se fazer Thrash Metal sem cheirar a mofo, não é necessariamente obrigatório adicionar-lhe doses industriais de Hardcore . Não fosse a inclusão de 2 faixas já conhecidas à já curta duração do disco e estaríamos perante uma “bomba” ainda mais potente e brutal.
Nov -04

[ 8.5 ]

 

FREEDOM CALL - Live Invasion / 2004, LIVE

Retirado da digressão de 2002 - Eternity World Tour - este material foi recolhido em cidades germânicas como Dusseldolf, Munique e Estugarda.
Como não poderia deixar de ser, eis-nos perante uma colecção de temas de Power Metal melódico, sempre muito bem executados por músicos de reconhecida técnica, onde a colagem a bandas como Helloween ou Gamma Ray não pode, nem pretende, ser dissociada.
No entanto, os Freedom Call conseguem ser ainda mais "alegres" e irradiar uma energia positiva capaz de por um zombie a fazer piruetas. Sem dúvida um trabalho divertido para os adeptos deste género.
Como bónus temos direito a um segundo disco composto pela versão integral do EP «Taragon», lançado no ano de 99 apenas no Japão e em França, complementado com 2 versões de temas de Helloween e Wishful Thinking.

[ 7 ]

 

FEAR FACTORY - Archetype / 2004

Depois do lançamento de «Digimortal» em 2001, o verniz estalou no seio dos Fear Factory, gerando-se um conflito irresolúvel entre Dino Cazares e Burton C. Bell, tendo este último ficado com o apoio dos restantes elementos. Dois anos após uma morte anunciada, entretanto preenchidos com o lançamento de «Concrete», um apanhado de gravações que constituiriam um possível disco de estreia, e de uma compilação intitulada «Hatefiles», regressam ao activo sem o carismático guitarrista, substituído por Christian Olde Wolbers que deixa o seu lugar de baixista para o recrutado Byron Stround (SYL e Zimmer's Hole).
Este retorno apresenta bem vincada a marca FF, nomeadamente na potente batida quase mecânica de Raymond Herrera e nos rasgados esgares de Bell, o qual deambula frequentemente entre vocalizações límpidas e extremas. A temática homem / máquina é uma constante mas nota-se alguma falta de frescura, emotividade e de inovação no som do quarteto de Los Angeles. O disco, embora variado de tema para tema, denota uma linearidade e falta de ambição assinaláveis.
É mais do que óbvio que Dino Cazares era o elemento mais esclarecido e uma peça fundamental na engrenagem. Assim, e mesmo bem oleada, a máquina não carbura na plenitude das suas faculdades.

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FACEBREAKER - Bloodred Hell / 2004

Esta estreia dos Facebreaker vem na sequência de um certo revivalismo proporcionado pelo regresso de bandas como os Grave ou Dismember, que trouxeram de volta à ribalta um género que se praticava massivamente na Suécia antes da explosão do som de Gotemburgo. O sucesso dos Katatonia ou Opeth e o super-projecto formado com elementos destas duas bandas - os Bloodbath - certamente foram de uma importância vital para o acentuar desta onda saudosista.
Liderados por Roberth Karlsson, o homem que só podia falhar na tentativa de substituir Dan Swano nos Edge of Sanity, os Facebreaker vão directos ao assunto e desde os primeiros momentos atiram-nos à cara com uma descarga de Death Metal brutal e directo, na eminência de nos deixarem cair uma torradeira no banho de imersão.
Não sendo um disco extraordinário, sabe sempre bem sentir a adrenalina e recordar "bons velhos tempos".

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FREEDOM CALL - Eternity / 2002

Canções orelhudas, sonoras melodias, arranjos certinhos, bons executantes, um vocalista sensacional e uma produção soberba fazem dos Freedom Call uma banda de eleição dentro do universo infinito do Power Metal melódico. Cada tema é um hino, cada refrão é empolgante, cada segundo está preenchido com algo bonito.
O único senão é que nada disto é original e muito menos surpreendente. Cada tema faz lembrar outra banda conhecida - dos Helloween aos Rhapsody, dos Edguy aos Angra, dos Savatage aos Europe.


[ 7 ]