: : MALEITAS/ANÁLISES : : E : : .

ENSLAVED – E / 2017

enslavedSendo uma das mais prestigiadas bandas vindas do som extremo e sem os Emperor no activo, os Enslaved são presentemente um dos expoentes máximos saídos da cena Black Metal norueguesa. A faceta Viking mantém-se, nem tanto em termos sonoros mas ainda pelas referencias conceptuais, envolta em texturas experimentais e de uma complexidade tal que cada tema como que nos transporta numa cruzada épica através de oceanos de som. Håkon Vinje é o novo teclista e responsável pelas vozes limpas, duas das características principais do som actual do quinteto, ficando perto da performance de Herbrand Larsen mas, ao mesmo tempo, consegue acrescentar um cunho pessoal a um dos mais ambiciosos álbuns da discografia dos Enslaved. Ao duo fundador, composto pelo guitarrista Ivar Bjørnson e pelo baixista Grutle Kjellson, que mais uma vez se revela um dos melhores vocalistas de Black Metal, ao resto da formação que além da mudança acima referida já se mantém unida desde «Isa», ainda há espaço para juntar incursões Shoe Gaze e Jazz, onde um saxofone chega a desempenhar papel relevante. Incrivelmente variado, mais Black que os 2 registos anteriores, melódico sem deixar de ser pesado e dominantemente progressivo, «E» dificilmente envelhecerá exigindo paciência para se ir descobrindo. Nov-17

[ 87 / 100 ]

 

EPPING FOREST - LebaBVoid / 2017

Os Epping Forest estão fadados para funcionar em períodos de uma década. A formação remonta a 1998 mas apenas 10 anos volvidos editaram o álbum de estreia «Everblasting Struggle». Esta janela temporal volta a repetir-se com «LebaBVoid». Os motivos de tão grandes hiatos estão também ligados às prioridades profissionais dos seus elementos que actualmente são obrigados a gerir a expatriação de Azrael e Menthor, o qual ainda acumula funções em bandas como Enthroned, Lvcifyre, Necrosadist e Nightbringer (só para citar algumas). Entretanto NøctisLunariis abandonou o colectivo, facto que tornou o som do quarteto menos agarrado às passagens sinfónicas dos teclados, uma imagem de marca que conscientemente quiseram preterir a partir de 2010, enquanto Trevash assumiu o baixo, deixando Azrael totalmente livre para as vocalizações, presentemente num registo muito mais amplo. E é um pouco de todas estas vivências que este novo disco faz transparecer, com um som amadurecido, onde tudo foi sendo trabalhado até ao mais ínfimo detalhe por MysticCosmos & Cia. As colaborações de Ricardo Pinto ao piano e Fábio Almeida no saxofone incutem alguma World Music ao resultado final, num álbum de Black Metal que exige tempo, em respeito ao tempo que demorou a fazer. Abr-17

[ 82 / 100 ]

 

ENFORCER – From Beyond / 2015

enslavedA nova vaga do Heavy Metal tradicional (NWOTHM) está aí e recomenda-se, sendo os Enforcer um dos projectos de maior sucesso. Após um bem sucedido «Diamonds», lançado pela Earache em 2010, a banda liderada por Olof Wikstrand assina pela Nuclear Blast e a exposição tem sido crescente. Bebendo dos primeiros dois álbuns dos Iron Maiden, mergulhando de uma forma revivalista no Heavy Metal britânico ou no Speed norte-americano de uns Agent Steel, Exciter ou Anvil, o quarteto sueco emana 80's por todos os poros. Cada tema do quarteto sueco é um clássico de pura clase, assente em guitarras harmoniosas a uma velocidade esmagadora, Speed Metal robusto e suficientemente retro, uma autêntica descarga de adrenalina para quem já teve a sorte de os apanhar ao vivo. De uma forma mais trabalhada, quando comparado com os seus 3 predecessores, «Far Beyond» é um disco competente e que termina com um dos riffs mais viciantes que ouvi ultimamente, daqueles que já não se fazem. Numa altura em que as bandas que são influências notórias destes movimentos mais old-school desapareceram ou se arrastam em tentativas progressivas de acompanhar o passado, é refrescante e profilático receber estas propostas totalmente directas e genuínas. Abr-15

[ 84 / 100 ]

 

ENSLAVED – In Times / 2015

enslavedA levantar o pé desde «Monumention», os noruegueses Enslaved vão-nos apresentando, ao longo dos últimos 15 anos, álbuns mais experimentais que, sem nunca esquecer as raízes Viking / Black Metal dos primeiros tempos, deambulam por caminhos mais suaves e melancólicos. «In Times» é já o 13º opus do quinteto nórdico, imutável desde 2002, o qual percorre ao longo de 6 longos temas, passagens multi-facetadas de diversos estilos, em sintonia com o que a banda tem vindo a produzir ultimamente. Com uma incursão mais Blackish, apoiada predominantemente na voz mais gritada de Grutle Kjellson, «In Times» é um registo mais duro quando comparado com os seus antecessores, embora a base progressiva, os movimentos jazzisticos, as tonalidades post-rock, ou as complexas atmosferas, suportadas na voz mais calma e emotiva de Herbrand Larsen, recoloquem os Enslaved de volta à actualidade. Não sendo um álbum fácil, à semelhança de quase todos os restantes, é factual verificar que o passado e o presente coexistem na perfeição, numa exigente mistura de sonoridades facilmente dissociadas. Recorrendo uma vez mais a Jens Bogren, uma parceria que dura desde «Axioma Ethica Odini», os Enslaved persistem em se manterem num patamar elevado. Abr-15

[ 86 / 100 ]

 

EXODUS - Blood In Blood Out / 2014

enslavedO fulgor que os Exodus pareciam ter conseguido alcançar com os 2 álbuns gravados com Rob Dukes, não só por causa do som moderno mas também pela orientação mais progressiva e de um groove acentuado, começou a esmorecer com o sacrilégio cometido ao regravarem de forma polida e com laivos Hardcore «Bonded by Blood», um dos intocáveis ícones do movimento Thrash. «Exhibit B: The Human Condition» ainda tentou refrear esse total fracasso mas o mal estava feito. Com Steve "Zetro" Souza de volta ao lugar que quase sempre lhe petenceu, a voz regressa cheia de alma e força, como já tinha acontecido com «Tempo of the Damned», um disco que pôs fim a 12 anos de silêncios. Com SS aos berros os Exodus soam muito mais a Bay Area Thrash e menos a um grupo revivalista e é exactamente isso que se pretende. O resto são as barreiras de riffs intermináveis saídas das guitarras de Gary Holt e Lee Altus, com Kirk Hammett a dar uma perna num solo de «Salt the Wound», ele que ajudou a fundar a banda mas, excluindo algumas demos, faz aqui a sua estreia discográfica. Tom Hunting esmaga graças a uma mistura que o puxa cá para a frente e não fosse o petardo recente dos Overkill, o efeito final teria sido ainda mais devastador. Out-14

[ 85 / 100 ]

 

EVOKEN - Atra Mors / 2012

enslavedUniversos arrastados e cinzentos revelam características comuns a muitos projectos que vagueiam dentro do universo Doom Metal de contornos mais extremos. A evolução em torno de um acorde infinito, repetição exaustiva eas vertentes introspectivas cravam nas espiras de cada disco sulcos profundos para onde o som mergulha e de onde jamais consegue escapar.
O 5º trabalho dos americanos
Evoken emerge dos labirintos profundos do Funeral Doom, uma fórmula amadurecida que se foi tornando, por altura de «Antithesis of Light», ainda mais meditativa e ressonante. Cada malha de «Atra Mors» envolve-nos numa cadência sincopada, sob um pano de graves carregados e tonalidades obscuras, parecendo imóvel no espaço mas bastante fluída no tempo, proporcionando uma densa e melancólica viagem. Os momentos mais brutais vão alternando com outros bastante belos, num emaranhado ruidoso de passagens harmoniosas, desaguando num resultado geral inquietante e esmagador.
Seguramente a música dos
Evoken não é para qualquer um e mesmo depois dos contactos iniciais parece não querer sair do próprio suporte mas a persistência acaba por ser fortemente recompensada, fazendo deste álbum um verdadeiro grower. Out-12

[ 79 / 100 ]

 

ENSLAVED – RIITIIR / 2012

enslavedNuma toada cada vez mais progressiva, os Enslaved ainda hoje fazem justiça ao seu passado, nunca descartando incursões no sub-mundo dos sons mais extremos. Mesmo imersos em paisagens dispersas, o quinteto sediado em Bergen jamais perdeu aquela centelha Viking que sempre os acompanhou, incendiada por uma faceta Black Metal que nunca fizeram questão em abandonar.
«RIITIIR» é um digníssimo sucessor de álbuns desafiantes e expressivos, aglutinando a violência de «Axioma Ethica Odini» e a suavidade de «Vertebrae», numa incursão cirúrgica nos mais diversos detalhes, tornando-o num registo multi-facetado e dinâmico, uma amálgama de sentimentos envoltos em descargas de energia. Além das vozes complementares de Larsen e Kjellson, que varrem todo um espectro entre registos cantados e os esgares mais viscerais, a dicotomia entre a intensidade voraz e alguma carga dramática revela-se totalmente numa paleta instrumental de tonalidades psicadélicas, esbatidos acústicos, sombreados orgânicos ou densidades bastante fortes. Cada passagem exige grande investimento temporal, um ritual profundo e emotivo e que não se esgota às primeiras audições, imortalizando este 12º monólito rumo à eternidade.
Out-12

[ 87 / 100 ]

 

ENSLAVED – Axioma Ethica Odini / 2010

enslavedSe é verdade que a partir de «Eld», onde o colectivo norueguês envereda por caminhos mais progressivos, apartando a faceta Black Metal para canto, os Enslaved se vão tornando cada vez mais atmosféricos e orquestrais, com «Vertebrae» atingem um surpreendente nível de suavidade. Mantendo o line-up desde «Isa», confirma-se que o papel de Herbrand Larsen é cada vez mais proeminente, não só como músico, mas também como produtor, complementando a performance ríspida e gutural de Grutle Kjellson com vocalizações mais limpas e de cariz emotivo. Ainda assim, ao 11º capítulo voltam a potenciar a agressividade, numa mescla metafísica de inovação e pura intensidade, uma verdadeira viagem sensorial, onde a atenção aos detalhes atinge contornos primorosos. Mesmo com um ligeiro olhar sobre as raízes, cada tema flui à volta de texturas pouco delimitadas, onde incursões Doom / Black / Death se fundem com correntes Viking / Post-Rock progressivas de forma subtil e perfeitamente natural, algo quase desonesto para a debilitada concorrência.
E já que se aborda a questão ética, não haja qualquer dúvida em catalogar este quinteto como um dos que fazem arte a sério, honrando um legado imaculado, mas não deixando de colocar os olhos num futuro que se quer marcante.
Out-10

[ 89 / 100 ]

 

ENSLAVED – Vertebrae / 2008

enslavedOutrora uma das entidades pioneiras ao introduzir elementos mais progressivos e experimentais numa base Black Metal, o colectivo liderado por Ivar Bjørnson e Grutle Kjellson como que injectou cultura Viking no estilo, criando obras que desde logo se tornaram referencias incontornáveis dentro do género. A cada álbum, trouxeram-nos uma dimensão ambiental cada vez maior, desaguando neste registo mais recente, aquela que poderá ser considerada a sua obra mais suave e sinfónica até à data.
Aparentemente um disco de fácil assimilação, é certo que «Vertebrae» cresce a cada audição e de forma alguma se pense que a complexidade está arredada da composição destes 8 temas, predominantemente dominados pelas vocalizações limpas e arranjos onde a harmonia é um vector claramente privilegiado. A espaços, o quinteto nórdico mergulha numa toada mais obscura, criando momentos de pura brutalidade, rapidamente sugados pela acalmia etérea que desde logo se instala.
Novamente com produção a cargo da própria banda, ao décimo registo de originais os
Enslaved revelam, mais uma vez, uma noção perfeita do caminho que pretendem percorrer, num sentido evolutivo mas coerente tanto com os primórdios mais viscerais, como com a actualidade introspectiva, madura e relaxada. Out-08

[ 81 / 100 ]

 

EXODUS - The Atrocity Exhibition... Exhibit A / 2007

Uma das pedras basilares do movimento Thrash Metal proveniente da Bay Area, regressou em 2004 após um longo período de hibernação, podendo desde já ser considerada a mais activa, coerente e agressiva banda old school da actualidade. Fundados por Tom Hunting e Kirk Hammett, tem sido mais a persistência do guitarrista Gary Holt que tem trazido o som dos Exodus até aos dias de hoje, nunca descurando a muralha de poderosos e directos riffs e as sucessivas mudanças de tempo, com o claro intuito de nos arrancarem a cabeça dos ombros.
Com Hunting novamente no seu lugar, o resto da formação que gravou «Shovel Headed Kill Machine» mantém-se intacta, com relevo para Rob Dukes, um vocalista tremendo e que parece ter ultrapassado com distinção e toda a competência a tenacidade e irreverência deixadas por Steve Souza e Paul Baloff. A longa duração de alguns temas poderá ser um obstáculo pois as malhas atingem momentos demasiado rebuscados e perfeitos para uma banda Thrash. No entanto, o som trabalhado por Andy Sneap é inacreditável, com destaque para a secção rítmica, colocada em primeiro plano nas misturas finais, num colectivo que descarrega groove e uma frescura atroz e que desde já ameaça com nova descarga para o inicio de 2008.
Dez-07

[ 8.5 ]

 

EPPING FOREST - Everblasting Struggle / 2007

Contando com 10 anos de existência, a actividade dos Epping Forest começou a desenvolver-se após junção de Menthor e Azrael, ao duo fundador composto por MysticCosmos e Noctis Lunariis. Abrindo algumas das raras actuações ao vivo para bandas como Primordial, Decapitated e mais recentemente Samael, foram adquirindo a experiência necessária para se lançarem em estúdio.
Assinando pela Unexploded Records, casa de bandas como Shining ou Craft, encontram assim um experiente aliado para colocar no mercado um trabalho morosamente gravado nos Grave Studios, às mãos de Pedro Alves e produzido por Cristiano Gomes. Com a ajuda de Ivo Santos e I.S.K. em alguns interlúdios e de Geno(cide) em 3 solos que se podem encontrar ao longo do álbum, o quarteto oferece-nos uma majestosa mistura de Black Metal de carácter sinfónico, mergulhando em vastas passagens de Death Metal veloz e incursões mais étnicas, como a brilhante introdução ao tema «Sphinx's Riddle». Como seria de prever, a bateria desempenha aqui um papel demolidor, massacrando as nítidas e cortantes linhas de guitarra e os guturais e esgares esforçados de Azrael, enquanto os teclados possuem o irónico e importante papel de sobressaírem incólumes do meio de todo este caos sonoro.
Dez-07

[ 8.5 ]

 

ENSLAVED - Ruun / 2006

Continuando a percorrer um caminho cada vez mais progressivo e experimental, os noruegueses Enslaved chegam aos 15 anos de carreira com a edição de «Runn», um trabalho na linha dos anteriores, logo razão mais do que suficiente para garantia de qualidade e um desempenho global bem acima da concorrência.
Varrendo a mitologia Norse e abraçando temáticas como a psicologia ou a natureza, há muito que as sonoridades do quinteto escandinavo deixaram para trás os registos tipicamente Black Metal iniciais embora, as atmosferas gélidas e o frio cortante de alguns riffs se façam ainda sentir a espaços. São cada vez mais frequentes as passagens onde se notam fortes influências dos anos 70', quer pelas vocalizações mais cantadas de Grutle Kjellson quer – essencialmente – pelo trabalho de teclas a cargo de Herbrand Larsen. Com uma autoprodução muito bem conseguida, os instrumentos sobressaem e desde a guitarra acústica à tarola mais orgânica, todos os sons são claros, resultando daí um importante contributo de cada músico para o resultado final.
Mesmo podendo parecer uma criação menos inspirada, «Runn» é um registo consistente e que vai crescendo com o tempo embora lhe falte alguma agressividade instrumental para acompanhar as vocalizações mais abrasivas.
Jun-06

[ 8.5 ]

 

ETHEREAL - Towers of Isolation / 2005

Com o EP «Shades of Sadness» e o subsequente álbum de estreia «The Dreams of Yearning», um disco conceptual e de cariz predominantemente progressivo, os Ethereal construíram, consolidaram e destacaram-se de imediato, numa área algo negligenciada e com muito pouca oferta no panorama nacional.
De parto algo difícil, «Towers of Isolation» é sem sombra de dúvida um salto em frente relativamente ao seu predecessor, revelando um septeto bem mais maduro, oleado e com um evidente sentido de orientação. A música dos setubalenses é complexa e recheada de ideias e pormenores pelo que, qualquer produção menos competente ou captação de som menos profissional poderia arruinar por completo o resultado final. Felizmente não é esse o caso, pois o trabalho realizado nos MB Studios gerou um conjunto de temas envolventes e bastante bem conseguidos.
Por vezes temos reminiscências de um dos melhores álbuns conceptuais da história do Metal – por coincidência até está aí a rebentar uma mais que dispensável parte II – mas os
Ethereal possuem uma identidade própria e bastante carisma que tornam injustificada qualquer análise comparativa.
Indiscutivelmente uma obra acima da média e que merece derrubar fronteiras.
Fev-06

[ 8 ]

 

EDGUY - Rocket Ride / 2006

Em crescendo de álbum para álbum e face ao excelente «Hellfire Club», aguardava este 7º trabalho de originais dos alemães com algum interesse.
Uma constatação que salta logo ao ouvido é a variedade de momentos e estilos que se podem encontrar em «Rocket Ride». Outra situação, sempre referida mas que aqui faz mais sentido do que nunca, é a maturidade atingida pela banda. Nos 12 temas que compõe este registo - descontando com a faixa bónus de «Land of the Miracle» gravada ao vivo no Brasil - não faltam composição melódicas, estruturas sinfónicas e momentos bombásticos mas, no computo geral, este disco revela-se na sua essência como um álbum marcadamente Rock, ou melhor, muito Hard Rock.
Claro que as trade marks continuam a ser, a poderosa voz de Tobias Sammet e o sentido de humor que o grupo emana, recordando aos mais desatentos e deprimidos que o Rock sempre deverá ter propósitos declarados para a diversão.
A produção a cargo de Sascha Paeth em conjunto com os próprios
Edguy cristalina e poderosa, estando o resultado final muito próximo das sonoridades de um registo ao vivo em estúdio. Fev-06

[ 7.5 ]

 

EXODUS - Shovel Headed Kill Machine/ 2005

O regresso dos Exodus no ano passado com o poderoso «Tempo of the Damned», depois de 7 anos antes e em forma deficitária terem abandonado a actividade de estúdio, trouxe alguma emoção aos fãs do género. O facto das novas sonoridades usarem e abusarem do estilo, criando misturas pouco convencionais de Hardcore e Thrash Metal, sempre foi encarado com alguma reserva pelos amantes mais old-school mas eis que os Thrashers estavam novamente de volta e em grande forma.
Um ano depois, até para confirmar que este (re)_regresso não foi algo efémero como em 97, os Exodus voltam à carga com mais um disco arrasador mas com uma formação completamente devastada pelas alterações. Gary Holt, o guitarrista original e o baixista Jack Gibson, são os únicos elementos que se mantêm no line-up anterior, o guitarrista Rick Hunolt é substituído por Lee Altus, Steve ‘Zetro' Souza abandona os vocais pela 3ª ou 4ª vez em cinco anos, sendo o seu lugar ocupado por Rob Dukes, um vocalista com uma postura bem mais moderna e por razões de saúde Tom Hunting abandona o cargo para Paul Bostaph, um furacão humano que se revela uma mais valia evidente para o colectivo da Bay Area e a pedra chave neste trabalho.
Com uma produção refinada e actual, estamos perante mais um disco feroz, muito rápido e repleto de mudanças de tempo.
Nov-05

[ 8 ]

 

EQUILIBRIUM - Turis Fratyr / 2005

Os primeiros passos deste quarteto germânico oriundo de Starnberg datam de 2001 mas foi graças ao trabalho demonstrativo que lançam 2 anos depois que recolheriam excelentes criticas junto da imprensa especializada, aumentando assim as expectativas em relação à edição do álbum de estreia.
Recorrendo essencialmente à mitologia escandinava e praticando uma mescla de sonoridades que desaguam num Viking Metal sem fronteiras muito rígidas e definidas, os
Equilibrium proporcionam-nos com este «Turis Fratyr» excelentes passagens melancólicas envoltas em momentos épicos, por vezes condimentadas com excertos mais bucólicos, onde os ambientes musicais mais folclóricos são, como não poderia deixar de ser, claramente dominantes. À memória assaltam-nos bandas como os Turisas, Bal-Sagoth, Finntroll ou Moonsorrow mas a banda revela bastante criatividade e uma forte personalidade.
Sem sombra de dúvida que estamos perante um agrupamento promissor e se tiverem a oportunidade de lançar o segundo registo dentro de uma companhia de outra dimensão, estamos certos que se poderão afirmar como um caso sério. Uma estreia muito interessante num disco que cresce a cada audição.
Jul-05

[ 8.5 ]

 

EPICA - Consign to Oblivion / 2005

Os Epica são uma banda em franca ascensão e este registo, o segundo de originais do sexteto holandês, é uma clara confirmação do que já se antevia com a estreia «The Phantom Agony», o qual seria ainda projectado com maior sucesso no DVD «We Will Take You With Us», uma gravação posterior em formato semi-acústico.
O som é bombástico e sinfónico parecendo uma banda sonora de qualquer filme épico. A orquestra e os majestosos coros dão-lhe ainda uma maior amplitude, envolvendo de forma pujante a cada vez mais extraordinária voz de Simone Simons. Em menor evidência quando confrontado com o álbum de estreia, o guitarrista Mark Jansen ainda vai fazendo algumas incursões com a seu gutural vozeirão, principalmente durante a segunda parte do disco, claramente a mais pesada. Mesmo sem grande destaque, as guitarras assumem um papel importante na construção da atmosfera deste disco, alicerçado numa competente secção rítmica e no fogoso trabalho de sintetizadores, a cargo de Coen Janssen. A produção de «Consign to Oblivion» é do mais sofisticado e competente que se faz actualmente dentro deste género.
Ainda há espaço para a participação de Roy Khan dos
Kamelot, retribuindo a cortesia de Simone no álbum «The Black Halo». Mai-05

[ 8.5 ]

 

EVOKEN - Antithesis of Light / 2005

Data de 1992 o ano de formação dos Evoken, altura em que o guitarrista Nick Orlando, inicialmente sob a designação de Funereus e posteriormente Asmodeus, reuniu a massa critica necessária para desenterrar das profundezas da escuridão, uma sonoridade brutal e ao mesmo tempo incrivelmente lenta e pesada. Depois de uma série de demos e um EP, o quarteto de Nova Jérsia foi cimentando sua posição no meio underground com «Embrace de Emptiness» de 98' e principalmente através de «Quietus» em 2001.
Com um som ainda mais negro e ameaçador, os Evoken estão aí com uma nova proposta de desolação e desespero. Estilos diversos que vão desde o Death / Doom ao Dark / Black , criam ambientes sinistros reportando a um género muito peculiar que alguns já resolveram catalogar como Funeral Doom . Além de guitarrista e baixista, Paradise vai combinando palavras soltas, esgares cavernosos, murmúrios e gritos angustiantes com um emaranhado e espesso nevoeiro sonoro, produzido pela dupla de guitarras, ora em pura distorção, ora em formato semi-acústico, pelos teclados que nos transmitem sensações de vazio e horror e por uma secção rítmica esmagadora, resultando num disco difícil de digerir mas que vale plenamente um esforço.
Abr-05

[ 8.5 ]

 

EPICA - We Will Take You With Us / 2004 - DVD

O disco de estreia «Phantom Agony» foi já editado no ano passado mas os Epica apenas me despertaram verdadeiramente interesse após o concerto realizado em Novembro no Hard Club, muito por culpa do vestido insinuante envergado por Simone Simons. Os temas épicos, construídos á volta de uma filosofia marcadamente sinfónica e grandiosa, sobressaem claramente graças às vocalizações da escultural soprano, reforçadas pelos rugidos do antigo guitarrista dos After Forever, Mark Jansen.
Este trabalho, além de compilar uma série de documentos acerca da banda holandesa, oferece-nos o som e a imagem captados durante as gravações da «2 Meter Sessions», uma espécie de MTV Unplugged, a que raramente têm acesso agrupamentos em início de carreira e muito menos neste estilo musical. Contando com uma pequena secção de cordas e um conjunto de cantores profissionais, alguns dos quais já tinham participado nas gravações do álbum, é com agrado que acompanhamos a recriação perfeita de vários temas, com o bónus de ainda termos ao dispor 3 números em formato acústico, genialmente interpretados pela Diva.
Dez-04

[ 9 ]

 

ENSLAVED - Isa / 2004

«Isa» é já o oitavo capítulo do legado Enslaved e como não poderia deixar de ser, é mais uma pérola de dificílima caracterização.
Desde os míticos «Vikingligr Veldi» e «Frost», marcos lendários do movimento Black Metal , que a banda nos habituou à sua postura vanguardista, originalidade e sobretudo excessiva capacidade criativa com álbuns extremamente complexos, onde diversos elementos técnicos e progressivos se juntam a passagens mais melancólicas e acústicas que conferem uma solidez tremenda a cada momento, com resultados muitas vezes extremos e brutais. As vocalizações, ora guturais ora límpidas, adaptam-se inteligentemente às estruturas quase hipnóticas e às diversas paisagens instrumentais.
«Isa» é um trabalho na linha do anterior «Below the Lights», o que é caso para dizer que necessita de tempo para ser compreendido e apreendido. Depois dessa fase, estamos perante mais um disco absolutamente absorvente e muito à frente de toda a banalidade que continua a ser editada de forma desenfreada.
Dez-04

[ 9 ]

 

ENTHRONED - Xes Haereticum / 2004

Com Harris Jones na cadeira de produtor, desde o anterior «Carnage in Worlds Beyond», o quarteto belga começa a procurar outros elementos para adicionar ao Black Metal mais directo, cru e extremamente old-school , do qual são um dos expoentes máximos nos dias que correm. É claro que se pode estar eternamente a gravar o mesmo disco mas desde já fica a sensação que essa vontade não passa pelos Enthroned. Ouçam o tema «Seven Plagues, Seven Wraths (Xes Revelation)» ou o instrumental «A.M.S.G.» para o confirmar.
Ao longo do CD, podemos encontrar vozes limpas e alguma experimentação mas, como da provável vontade de mudança à constatação desse facto vai um longo caminho a percorrer, «Xes Haereticum» é mais um disco supersónico de Black Metal com alguns momentos melódicos e calmos para recuperar as forças.
Fica a dúvida se uma mistura final mais encorpada, mesmo em detrimento da atmosfera pretendida, não daria uma outra força ao resultado final.
Nov-04

[ 8 ]

 

EDGUY - Hellfire Club / 2004

«Hellfire Club» é um álbum bem pesado e com pouco espaço para baladas embora os momentos calmos e melódicos abundem ao longo dos temas, assim como os elementos que tem caracterizado a banda nestes 10 anos de carreira, como os coros grandiosos e épicos, as estruturas clássicas, os agradáveis solos de guitarra, hoje em dia tão maltratados por uma série de grupos da nova vaga e uma GRANDE voz.
A inclusão da Babelsberg Film Orchestra a espaços, confere uma mais valia adicional a este disco com mais de 70 minutos de duração, onde a banda revela uma postura bem mais madura em termos técnicos e de composição.
A produção, a cargo da própria banda e a gravação entregue a Norman Meiritz e Sascha Paeth, proporcionam uma força incrível a este trabalho mas é nas misturas, realizadas por Mikko Karmila que este disco ganha dimensão e um som majestoso.
Interessante a participação de Mille Petrozza numa das faixas extra deste CD.

[ 9 ]

 

EDGUY - King of Fools / 2004 - EP

A pouco tempo do lançamento do próximo longa duração, os germânicos Edguy proporcionam-nos este mini CD de 5 temas em jeito de antevisão. Sabendo que apenas o tema título será incluído em «Hellfire Club», a mais valia deste trabalho centra-se nas restantes malhas. Aí podemos encontrar o típico Power Metal melódico bem ao estilo de uns Helloween mas levado a patamares mais orquestrais pela própria banda. O destaque vai inteirinho para os coros orelhudos e para as majestosas composições bem características de Tobias Sammet & Co. A velocidade é uma constante e os pouco mais de vinte minutos passam a correr.
E se realmente algumas destas faixas que ficaram de fora resultam de uma escolha racional, então estamos muito provavelmente à espera de um grande disco.

[ 7.5 ]

 

EXODUS - Tempo of the Damned / 2003

Depois da edição de «Force of Habit» em 92, os responsáveis por um estilo que muito influenciou o Metal no inicio da década de 80, perdem o fôlego e passados 5 anos de inactividade, fazem a primeira tentativa de retorno em 97 com o vocalista inicial Paul Baloff. Mais 5 anos de indecisões, a morte prematura de Baloff e temos de novo Steve Souza à frente do quinteto. Doze anos após a edição do último registo de estúdio, eis o tão aguardado regresso da banda fundada pelo baterista Tom Hunting e pelo guitarrista Kirk Hammett.
«Tempo of the Damned» é um disco diversificado e embora não seja muito rápido, a nossa cabeça não consegue deixar de abanar. Com uma extraordinária e potente produção, como aliás não poderia deixar de ser sabendo que Andy Sneap está aos comandos, o som dos Exodus apresenta-se agradavelmente fresco e actual. Embora nunca tenham suplantado «Bonded by Blood» e «Pleasures of the Flesh», este lançamento é algo de que se podem orgulhar. Uma grande bomba.

[ 9 ]

 

EINHERJER - Blot / 2003

O meu primeiro contacto com «Blot» deixou-me deveras entusiasmado. Há muito tempo que não ouvia um disco tão diversificado e logo me veio à memória «Theli» dos Therion ou «Tales from the Thousand Lakes» dos Amorphis. Após algumas audições mais atentas, a semelhança entre estes discos ainda se evidenciou mais. Não porque o som final seja muito parecido mas sim porque a diversidade dos temas, a busca de estruturas instrumentais incrivelmente sinfónicas e a procura de temas tradicionais e míticos seja comum aos projectos.
«Blot» (sangue) é de facto um trabalho surpreendente e não fosse aqui e ali alguma falta de consistência estaríamos perante uma grande bomba. O inevitável e característico som do baixo a marcar alegremente o ritmo de cada passagem, o extraordinário trabalho de bateria a cargo de Gerhard Storesund e a voz gutural que relata, muitas vezes em norueguês, os tempos áureos dos grandes conquistadores escandinavos criam um resultado final bem interessante e que importa descobrir.
Na falta de pretendentes ao trono do Viking Metal, eis que se apresentam repletos de argumentos os Einherjer.

[ 9.5 ]

 

EDGE OF SANITY - Crimson II / 2003

«Crimson», o tema de 40 minutos marcou definitivamente o destino dos suecos, que até aí com uma carreira sempre em crescendo, não conseguiram acompanhar a genialidade do seu líder. Isso prova-se logo no ano seguinte quando, já em clima de fortes divergências, 5 composições de «Infernal» são realizadas por Dan Swano e 6 pelos restantes companheiros. Nesse mesmo ano sai «Cryptic», já sem o magistral compositor e pouco depois a banda termina.
6 anos passaram e com os direitos do nome de novo na mão, Swano é convidado a completar algo que sempre teve em mente - «Crimson II», ideia com precedentes no solitário e progressivo «Moontower» e na colaboração em «Death's Design» dos Diabolical Masquerade. Um tema dividido em 44 fragmentos, quase tudo executado e produzido por Dan Swano, que resulta num disco conceptual extremamente diversificado, coerente e acima de tudo notável.

[ 9.5 ]

 

ENTOMBED - Inferno / 2003

Este novo trabalho poderia ter sido gravado em qualquer período da longa carreira de quase quinze anos de existência. «Inferno» não poderá ser considerado um regresso às origens pois, se existe colectivo que nunca as abandonou, esse grupo chama-se Entombed. Decididamente não estamos perante uma pérola da originalidade e muito menos diante de um disco que marca a diferença em relação aos restantes. Este é um registo ao nível do que já nos habituaram e isso, por si só, é mais do que suficiente.
Um som de guitarras bastante cru, uma cadência de bateria profissional, o baixo de Jorgen Sandstrom sempre marcante e ritmado e a voz rasgada e gutural de L.G Petrov, que consegue passar a mensagem de forma directa e politizada.
O único senão é a produção que facilmente poderia estar muito melhor mas isso também já é uma imagem de marca desta banda de Death n'Roll.

[ 7.5 ]

 

EDGUY – Burning Down the Opera / 2003 – Live

Em época de registos ao vivo chegou a vez de Tobias Sammet & Co. «Burning Down the Opera» consta da habitual recolha de canções durante uma tournée, neste caso a que resultou do lançamento do seu último trabalho de estúdio «Mandrake». Neste duplo CD o destaque vai inteiro para o front-man dos Edguy que com a sua extraordinária atitude, consegue lidar com o público de uma maneira peculiar e bem disposta. Todos os temas, sem excepção, são o garante de excelentes momentos e embora a qualidade obtida em estúdio fique, por vezes, longe de ser alcançada, a energia debitada pelo quinteto é mais do que suficiente para termos em mãos um produto de valor. A páginas tantas nem faltam temas do projecto Avantasia. A par dos Stratovarius são a melhor banda de Melodic Power Metal ao vivo.

[ 8 ]

 

ENSLAVED – Below the Lights / 2003

Longe vão os tempos do CD de estreia gravado a meias com os recentemente extintos Emperor. Para trás ficou a época em que a banda norueguesa, liderada por Ivar Bjornson e Grutle Kjellson, comandou um movimento chamado Viking Metal fortemente relacionado com o Black Metal de origem escandinava. Ou talvez não... Os Enslaved sempre foram uma banda vanguardista, com temas extensos e bastante complexos. A actual mistura de quase todos os géneros de Metal extremo com estruturas musicais progressivas ou psicadélicas, de momentos acústicos e de espaços fortemente influenciados pelo improviso total, semelhante ao que se pratica no Jazz, só podem surpreender os que não conhecem a já longa carreira de quem, sem nunca ser completamente coerente, longe está de poder ser catalogado como um produto desconexo ou incoerente. Estranho, mas absolutamente genial!

[ 9 ]

 

ENTHRONED - Carnage in Worlds Beyond / 2002

Entre milhares de bandas que dizem possuir o verdadeiro espírito Black Metal - cru, frio, directo, sem qualquer tipo de floreados melódicos - resolvi arriscar e adquiri o 4º trabalho de originais deste quarteto belga. E digo isto pois uma das piores coisas que eu ouvi nos últimos tempos foi o «Armoured Bestial Hell».
No entanto a mudança para a Napalm e a produção profissional de Harris Johns resultou em pleno. Continuamos perante um som agressivo, rápido e cortante, mas aqui e ali poderemos encontrar alguma melodia. Em quase todos os temas temos bons solos de guitarra e épicos como «Bloodline» ajudam a dar alguma consistência a uma banda que agora celebra 10 anos de actividade. Aguardemos...

[ 7 ]

 

ENSLAVED - Monumension / 2001

Sempre à frente do tempo parecem estar os noruegueses Enslaved. Ragnarok?!
Outrora criadores do
Viking Metal, foram uma das primeiras bandas do género a incluir elementos mais complexos, psicadélicos e progressivos nas suas composições. A inserção de vozes limpas em 97 foi considerado um sacrilégio mas pegou de estaca e hoje em dia qualquer colectivo de Black utiliza este artificio.
Como não podia deixar de ser «Monumention» é mais um marco na história do som extremo. Um álbum conceptual retirado da mitologia Nórdica, onde se revelam os ensinamentos do tele-transporte (ou Ragnarok, na língua mãe), pode ser encarado como a lógica continuação de «Mardraum».
Suave mas brutal,
Doom extraterreno e épicas melancolias, tudo um pouco pode ser encontrado misturado numa teia de criatividade alucinante.

[ 8.5 ]

 

EMPEROR - Prometheus - The Disciple of Fire & Demise / 2001

Aclamados como os líderes de um movimento extremo, considerados por unanimidade a mais influente e respeitada banda de Black Metal, é por vontade própria que os Emperor nunca saíram do underground.
«Prometheus» lembra a espaços algumas incursões em terrenos mais electrónicos como fizeram os
Mayhem no seu último trabalho mas podemos encontrar muito mais. A diversidade de atmosferas e a complexidade das composições tornam obrigatória a sua repetida audição pois de maneira nenhuma é um disco de fácil assimilação. Ultra - progressivo, épico e violento.

[ 7.5 ]