: : MALEITAS/ANÁLISES : : D : : .

DANKO JONES - Wild Cat / 2017

enslavedCom a mesma formação do registo anterior, pelos vistos Rich Knox conseguiu aguentar-se atrás da bateria mais do que é habitual no histórico da banda canadense, o trio de Toronto ultrapassa 2 décadas de existência com a mesma atitude de sempre. A música de Danko Jones é despreocupada, simples e directa e, por isso mesmo, eficaz, uma vez que não é necessário, embora seja de todo conveniente, conhecer toda ou parte da sua discografia para logo nos acordes iniciais percebermos quem se encontra atrás dos instrumentos. Assim sendo, o que nos reserva «Wild Cat» de especial que já não tenhamos escutado anteriormente? Felizmente… rigorosamente nada!
Ouvindo e repetindo as audições de cada uma das 11 malhas que compõe este 8º disco e fechando os olhos, somos facilmente transportados para a frente de um palco de um qualquer concerto que a banda vai dando periodicamente por esse mundo fora e onde se sente como peixe dentro de água. Verdade seja dita, faltam aquelas dissertações acutilantes que Danko usualmente utiliza para ligar as músicas ou espicaçar a audiência mas cada tema é um forte candidato para figurar ao lado de outras canções que os músicos americanos criaram para o seu curriculum.
Mar-17

[ 77 / 100]

 

DARKTHRONE - Arctic Thunder / 2016

«Arctic Thunder» marca o regresso dos noruegueses Darkthrone aos álbuns predominantemente Black Metal depois de nos últimos 10 anos (ou 5 discos) Fenriz e Nocturno Culto se terem entretido a homenagear as suas influências mais old-school, percorrendo terrenos bem distintos dos calcorreados nalguns dos marcos da cena extrema norueguesa, caso dos seminais «Under a Funeral Moon» ou «A Blaze in the Northern Sky». Não se pense, no entanto, que este 17º registo é um mergulho declarado num passado cru, gélido e visceral, ou se renegam todas as facetas thrash-punk-heavy-speed-black'n'roll expostas mais recentemente. Não, «Arctic Thunder» mantém aquela característica minimalista que o duo sempre patenteou, soa primário e agreste, fazendo-nos recuar algures à fase de discos como «Hate Them» ou «Ravishing Grimness», sem se abstrair totalmente do espírito dos 80s, onde as reminiscências do NWOBHM se continuam a sentir. Nocturno Culto toma desta vez conta de todas as vocalização, dividindo como habitualmente as composições com o baterista, num registo pausado e negro, onde a produção se afigura simultaneamente cristalina e áspera. O culto está vivo, respira saúde e força em detrimento duma velocidade desenfreada. Nov-16

[ 78 / 100 ]

 

DESTRUCTION- Under Attack / 2016

A caminho dos 35 anos, os Destruction mantém uma regularidade discográfica e uma vitalidade assinalável, não deslocando um milímetro da restante legião teutónica que, decorrendo todo este tempo, não parece dar mostras de qualquer desaceleração. Com um maior número de convidados ou trabalhando isolados, mais agressivos ou varrendo campos mais progressivos mas sem nunca descorar a essência pura do Thrash Metal, os Destruction chegam a «Under Attack» com a mesma formação que tem trabalhado junta nos últimos 5 anos. Vaaver atrás da bateria tem acrescentado uma componente técnica e uma destreza brutal à sonoridade do trio germânico, sublinhando de forma letal as linhas de baixo arranhadas por Schmier, os riffs mais melódicos, por vezes lentos mas não raras vezes totalmente desenfreados e os solos vertiginosos executados por Mike Sifringer. Balanceando entre a melodia e a agressividade, os temas assentam invariavelmente em estruturas compostas por versos galopantes e coros mais catchy, com a voz rasgada e ácida de Schmier a comandar as hostilidades. Ainda não terá sido desta que chegaram perto do avassalador regresso com a dupla «All Hell Breaks Loose» e «The Antichrist» mas «Under Attack» possui todos os genes necessários estando em linha com os álbuns mais recentes. jun-16

[ 75 / 100 ]

 

DECAYED - Into the Depths of Hell / 2015

«Into the Depths of Hell», o 10º álbum da carreira dos Decayed, junta-se a uma infindável lista de registos discográficos que a banda foi lançando ao longo dos últimos 25 anos. Como falta de ideias nunca foi algo que afligisse J.A., este trabalho reúne material retido da gaveta desde 2008 e graças a uma nova roupagem incute-lhe uma diversidade interessante, como se estivéssemos a percorrer uma janela temporal desde as primeiras gravações. Novamente coadjuvado por Tormentor e Vulturius, Marco Perpetrator nos solos e Nocturnus Horrendus com um contributo assinalável no campo das vozes mais límpidas, é com o épico «Ravenous Spectres», um tema de 11 minutos de duração, que a banda atinge uma dimensão pouco usual e distinta daquela a que nos tem habituado com o seu som cru, sujo e sempre pouco polido. Além da cover que nunca vai faltando à referência primordial Bathory, desta feita a escolha recaiu em «The Rite of Darkness» retirada de «The Return...», as restante faixas destilam o BlackPunkThrash típico desta banda. Esta edição da Helldprod limitada a 500 cópias, não muito fácil de encontrar para escuta online ou para download, merece a atenção de todos os que apreciam este tipo de sonoridades enraizadas no mais puro underground. Mai-15

[ 76 / 100 ]

 

DANKO JONES - Fire Music / 2015

enslavedAo ritmo de um baterista por álbum, Rich Knox é o sétimo detentor das baquetas desde que o trio canadiano se lançou à estrada em 1996, a dupla Jones / Calabrese não desarma, conseguindo recuperar em «Fire Music» muita da garra evidenciada ao longo de todo este percurso e deixada um pouco de parte, num menos inspirado «Rock and Roll Is Black and Blue». E o que esperar de mais um álbum de Danko Jones que já não tenhamos ouvido até à exaustão anteriormente? Felizmente, quase nada além de puro Hard Rock, Punk de garagem e algum Blues musculado. São pois 11 temas a rasgar, a adicionar aos muitos que poderão figurar numa qualquer play-list , naquele que é o local de eleição para apanhar com este tipo de som, o palco. A cadência de «Wild Woman» e de «The Twisting Knife», a aceleração presente em «Gonna Be A Fight Tonight» ou «Body Bags», o groove de «Live Forever», o registo mais pausado de «Getting Into Drugs», arrastado até em «I Will Break Your Heart», em confronto com algum exotismo de «Piranha» ou o tom quase rockabilly de «She Ain't Coming Home», fazem deste disco um manual de sangue e suor.
No fim pouco mais há a acrescentar, é meter o CD no respectivo leitor, apertar o cinto e acelerar até acabar o gás.
Mar-15

[ 78 / 100]

 

DEMENTIA 13 - Tales for the Carnivorous / 2013

enslavedAinda sem qualquer suporte discográfico, os Dementia 13 começaram a dar que falar no momento em que colocaram gratuitamente para download o seu EP de estreia. Depois dos primeiros espectáculos, a banda liderada por Álvaro Fernandes atingiu tamanha sensação dentro da cena underground nacional, o que lhes permitiu serem imediatamente resgatados para fechar uma das noites do insuspeito SWR. E que festa foi...
Numa altura em que o
metal parece virar-se novamente para as suas décadas douradas, este disco bebe influências em todos os clássicos do Death Metal de então, dos Bolt Thrower aos Autopsy, passando pelos portuenses Gangrena e Genocide, seguindo-se a cada interlúdio retirado de obscuros filmes de terror, uma descarga de pura adrenalina impossível de suster. Além do desempenho dos dois guitarristas dos Pitch Black e do baixo marcante empunhado por Zé Pedro dos Holocausto Canibal, é a presença imponente de Nuno Lima, embora aqui como elemento convidado, o elo perfeito para que a banda nos faça sentir, em todos estes 4 pequenos petardos, o fulgor algo perdido desde que o Death se foi metendo pelos caminhos da modernidade.
Toquem esta merda Alto! A sério, experimentem! Alto!!!
Mai-13

[ 77 / 100]

 

DARKTHRONE - The Underground Resistance / 2013

enslavedA mais que propalada inflexão dos Darkthrone em terrenos mais Punk / Crust, a partir do emblemático «The Cult Is Alive», posicionamento entretanto mantido nos 3 registos que se lhe seguiram, atinge com este álbum um novo patamar, assentando o duo arraiais em terrenos bem mais próximos do Heavy Metal tradicional. Percorrendo cada uma das 6 malhas de «The Underground Resistance» é possível, e de forma surpreendente, encontrar um apanhado de influências do muito que de magnífico se foi fazendo durante a década de 80 / 90, em géneros tão dispares como o Speed, Heavy, Doom e Thrash Metal, sem deixarem de manter aquela postura Black / Punk que sempre envergaram. Numa produção mais elaborada que habitualmente, embora tenhamos a garantia que aqui não existe qualquer tipo de corta e coze, os temas vão sendo interpretados alternadamente entre Fenriz e Nocturno Culto, apresentando cada um deles atmosferas bem distintas, um apanhado de boas influências old school, como se de uma lista de recomendações sonoras se tratasse, algo que o baterista tem feito questão em ir fazendo por escrito. Quem se atreveria a pensar, aqui há um par de anos, que Fenriz se iria inspirar nos Helloween para sacar uma ponte e um refrão com o objectivo de construir uma das grandes malhas deste disco!? Mar-13

[ 81 / 100]

 

DESTRUCTION - Spiritual Genocide / 2012

Apesar de terem atravessado uma década mais conturbada, onde os discos gravados com a chancela Destruction não fazem sequer parte da actual discografia oficial do trio germânico, o retorno em plena forma aos tempos do saudoso talhante, com uma periodicidade assinalável, não pode ser dissociado do regresso de Schmier a um papel que nunca deveria ter sido desempenhado por outro.
«Spiritual Genocide» não é propriamente um álbum comemorativo mas até o poderia ser já que inclui uma série de convidados que fazem dele, dentro da habitual carnificina, uma cerimónia festiva. Além das participações especiais que já se vão tornando uma regra, desta feita a banda conta com a colaboração dos vocalistas dos Sodom e Tankard e novamente com Ol Drake dos Evile nalguns solos, juntam-se aos Destruction durante todo o disco muitos dos músicos que foram passando pelo colectivo ao longo dos anos, chegando a repetir-se o quarteto que gravou o seminal «Release from Agony» na versão especial do tema «Carnivore». E depois há o groove que envolve uma faceta mais ríspida, riffs cortantes e coros saborosos que produzem um thrash ensanguentado bastante bem misturado no final por Andy Classen nos Stage One Studios. The Butcher Strikes Back... again! Dez-12

[ 76 / 100 ]

 

D-A-D - DIC.NII.LAN.DAFT.ERD.ARK / 2011

O Hard-Rock glamouroso dos escandinavos D-A-D, apesar de continuar a viver na penumbra do sucesso de um disco com mais de 20 anos, chega e sobra para nos voltar a colocar numa auto-estrada imaginária ao volante de um qualquer desportivo sem capota. Cada tema apela à abertura do mais refrescante néctar e faz-nos querer ser mais acéfalos que uma amiba gigante... e isso não é bom, é fantástico!
«DIC.NII.LAN.DAFT.ERD.ARK» é já o 11º álbum de originais de um quarteto que se vai mantendo estável sob a orientação dos irmãos Binzer e pelas 2 cordas do baixo de Stig Pedersen, em temas a meio gás, mas que não destoam daquilo que a banda nos tem proporcionado ao longo do tempo, embora tal também não seria de todo aconselhável. Em sumula, qualquer registo dos Dinamarqueses proporciona-nos momentos sem complexos, algumas descargas de guitarra bem rasgadas, um ou outro tema mais cadenciado e bastantes passagens bem estruturadas, dignas de figurarem num dos alucinantes espectáculos ao vivo proporcionados pela banda. Numa base Rock e uma costeleta Punk, sempre presente desde os primórdios, os D-A-D prosseguem a sua carreira de forma linear, mas com interesse renovado e competência inquestionável. O riff de piano de «We All Fall Down» vale o disco... Jan-12

[ 81 / 100 ]

 

DESTRUCTION - Days of Reckoning / 2011

Não só pelo passado percursor do que mais tarde viria a ser reconhecido como Teutonic Thrash, os Destruction sempre me foram próximos, ou não fossem eles a primeira banda extrema que vi, nos longínquos anos 80’. E tem sido esse retorno que Schmier e Mike Sifringer tem tentado fazer, desde que no inicio deste século resolveram desenterrar o machado do talhante e rumar às raízes, por vezes de forma menos conseguida, mas sempre com a mesma dedicação, pujança e agressividade.
De regresso à Nuclear Blast com o 11º álbum de originais, contando com o renegado «The Least Successful Cannonbal», o trio agora completo com o baterista Vaaver, apresenta-se com nova colecção de temas directos, ultra-rápidos e brutais. Outra vez com Jacob Hansen na produção, o som dos germânicos ganha uma nova amplitude enérgica e moderna, rompendo-nos o aparelho auditivo como se uma máquina de tortura nos fosse instalada no cérebro, num disco equilibrado e sempre a rasgar, onde a falta de diversidade, de malhas absolutamente marcantes e de alguma, sempre importante, musicalidade (sim isto é thrash, eu sei...) acabem por ser a maior lacuna.
Aguarda-se que a tournée europeia partilhada com os Overkill não se esqueça de passar por Portugal, pois é ao vivo que tudo soará de forma ainda mais letal. Fev-11

[ 74 / 100 ]

 

DIMMU BORGIR - Abrahadabra / 2010

Não existem muitas bandas dentro dos estilos extremos com a veleidade em serem reconhecidas por um público mais abrangente e heterogéneo quando comparado com a sua inicial base de adeptos. Normalmente, quando atingem este patamar, ganham de imediato uma legião de detractores e a maledicência é instituída por defeito, numa comunidade com uma mentalidade de rebanho ainda exacerbada.
E não será com o obscuro e amadurecido «Abrahadabra» que estas reacções amor/ódio por certo se extinguirão. Enquanto a ausência de Mustis é facilmente colmatada pela inclusão de uma orquestra de 100 elementos, além da participação de Gerlioz em estúdio, já será discutível qual o impacto da saída de Vortex. A presença de Snowy Shaw, Agnete Kjølsrud, Kristoffer Rygg e do poderoso The Schola Cantorum Choir, coadjuvando uma postura mais diversa e pautada por parte de Shagrath, trouxeram a este disco uma dinâmica superior mas ainda se notam algumas passagens desenhadas para as vozes límpidas do anterior baixista. Num álbum repleto de grande musicalidade, onde a percussão se atenua em detrimento das guitarras de Silenoz e Galder, as quais fazem por se fazer notar contra a fabulosa contribuição da Norwegian Radio Orchestra, é fundamental destacar o vital papel de Andy Sneap, tornando um turbilhão desenfreado de sons em algo perfeitamente domesticado. Out-10

[ 91 / 100 ]

 

DECAYED - Chaos Underground / 2010

Quando já se fala de uma longa pausa na actividade ao vivo, a qual não terá felizmente consequências em termos de gravações, no ano em que celebram 2 décadas de existência, os Decayed não estiveram com contemplações e além de uma extensa colectânea de covers, lançaram para o mercado um EP repleto de conteúdos, finalizando esta jornada com aquele que pode ser considerado o 8º álbum de estúdio.
Composto por 17 temas viscerais que desaguam numa venenosa mistura de estilos old-school, extrema, suja, blasfema, herege e, como convém, pouco polida, num registo mais próximo de uma demo que de uma gravação profissional, decisão certamente inamovível por parte de JA. Lâminas como «Martelo do Inferno», o tema título, ambos com a participação feminina de Célia, que se vai escutando de forma verdadeiramente bem conseguida ao longo de quase todo o disco e a fantástica «Black Funeral», dos míticos Mercyful Fate, pertencem desde já, por direito próprio, ao extenso legado desta instituição do underground lvsitano.
A 4ª parte do Caos mergulha no passado, como já vai sendo hábito, incluindo a remistura de «Sacrifice of the New Born», 5 temas gravados no ano de 1996 e utilizados posteriormente num split com os saudosos Alastor. Out-10

[ 77 / 100 ]

 

DEFUNTOS - Invocação aos Mortos / 2010

Em pouco mais de 5 anos e à semelhança de muitos outros projectos obscuros espalhados pelo sub-mundo do oculto, os Defuntos tem revelado uma capacidade editorial fulgurante, com 4 álbum de originais, um split partilhado com os australianos Striborg e 2 EPs lançados de permeio.
Mantendo a sonoridade claustrofóbica e bastante peculiar, o uso de guitarras é abafado sendo o baixo de Conde J. o elemento que se destaca sobre os compassos moribundos da bateria e o esgar latente de F., é na extensão dos temas que este trabalho mais se diferencia dos anteriores. Com «Deambulações numa Noite de Inverno» e «Funeral de Memórias» a aproximarem-se melancolicamente de uns angustiantes 20 minutos, intervalados por uma passagem de orgão de uma morbidez atroz, toda a textura deste registo transmite desespero, dor e morte. Pelo seu conteúdo minimal, a débil base instrumental com alguns teclados pontuais não alcança o desiderato mais ambicioso posto no conteúdo lirico e o resultado final mais parece saído de dentro de um jazigo de grades ferrugentas, sendo óbvio que foi mesmo esse o efeito desejado, um ritual dolente, reservado apenas a 100 apreciadores do género e com distribuição a cargo da cada vez mais activa Bubonic Productions. Jun-10

[ na / 100 ]

 

DECAYED - Shadow-Land / 2010

No ano em que celebram 2 décadas de existência, a quantidade de lançamentos colocada no mercado pelo blasfemo quarteto liderado por JA teima em não abrandar, aumentada só no corrente ano, mesmo antes do anunciado 8º álbum de originais, com uma colectânea de covers, preenchida por temas que foram registando ao longo da sua extensa carreira e por este MCD, composto por 7 malhas originais, um tributo aos sempre presentes Bathory, sobrando ainda espaço para a reedição de míticas tapes como «Ataque Infernal» de 1999 e «Live 9/9/99».
Não esperem pois grande perda de tempo com polidas produções, composições complexas ou misturas demasiado trabalhadas uma vez que os Decayed continuam a fazer questão de soar raw & dirty, debitando de forma esforçada e sentida um típico Black n’Roll com notórios contornos old-school, onde não faltam passagens que recorrem aos saudosos anos 80’, não só à evidência do movimento Speed /Death / Thrash como também a laivos de Punk Rock destilados em ódio religioso e numa postura anti-social. Assim sendo «Shadow-Land» é um trabalho que não destoa do resto da discografia do colectivo, mais uma peça essencial para coleccionadores e um bom aperitivo para o Caos Underground que se anuncia. Mai-10

[ 68 / 100]

 

DARKTHRONE - Circle the Wagons / 2010

enslavedO álbum «The Cult Is Alive», lançado em 2006, marcou a segunda grande inflexão no percurso do duo norueguês, cuja longínqua carreira como um dos principais ícones do universo Black Metal escandinavo apenas teve outro desvio, exactamente no período inicial, com um disco de tendências Death. A partir daí, o rumo manteve-se inalterável durante cerca de 15 anos, até que Fenriz e Nocturno Culto, num misto de ironia e sobranceria, como que criaram uma nova vaga, o Black Heavy Metal.
Numa linha não muito distante dos 3 trabalhos anteriores, embora com uma toada cada vez menos ligada ao percurso passado, os dois músicos vão alternando músicas de sua autoria, numa veia assumidamente
Crust / Punk mas com diversas incursões nos meandros do Metal mais tradicional. Apesar de todas as semelhanças e revelando a mesma atitude de sempre, som retro, sujo e poeirento, «Circle the Wagons» apresenta um maior cuidado ao nível das composições e produção, especialmente para bem do som da bateria, enriquecendo essa aposta com algumas passagens mais trabalhadas, vozes limpas e até na qualidade dos riffs sacados por Nocturno. Em jeito de homenagem ao movimento underground, Fenriz farta-se de escrever ideias e devaneios old-school num booklet novamente desenhado por Dennis Dread. Abr-10

[ 77 / 100]

 

DARK FUNERAL - Angelus Exuro pro Eternus / 2009

Desde que nos primórdios da década de 90’ o estilo se desenvolveu a partir das correntes mais extremas do Heavy Metal, tendo como epicentro a Noruega, o Black Metal sueco sempre foi visto com desconfiança e como um produto algo inferior quando confrontado com a pureza e sentimento oriundos do outro lado da península, num clima conflituoso que chegou mesmo às portas da violência. Actualmente não há melómano dentro do género que dispense álbuns de Bathory, Dissection ou Marduk.
Numa onda mais sinfónica que apesar de evitar os teclados, recurso natural para as bandas mais conceituadas, não escapa às críticas dos mais puristas, os Dark Funeral descarregam neste seu 5º álbum torrentes de blasfémia em atmosferas insondáveis, à custa de constantes mudanças de tempo enquanto uma chuva de blastbeats se encarrega de aniquilar toda a secção rítmica. Num registo detalhado e cristalino, cortesia de Peter Tägtgren e mais técnico, fluído e variado, prevalecem as linhas melódicas provenientes da dupla de guitarristas, obviamente liderada por Lord Ahriman, sobre o lago espectro vocal de E. M. Caligula. Embrulhado num infernal trabalho em photoshop 3D e com um razoável DVD ao vivo em anexo, esta amostra termina com o vídeo de «My Funeral», infelizmente na sua versão censurada. Dez-09

[ 79 / 100 ]

 

DESTRÖYER 666 - Defiance / 2009

Num híbrido Black/Thrash, irrompendo pelas fronteiras do Death Metal, o metal sujo e old-school dos Destroÿer 666 tem-se valido de um ponderado distanciamento de certos clichés, uma discografia coerente e vibrantes actuações que foram cimentando uma fiel base de seguidores. Certo que os Razor of Occam lançaram um álbum recentemente e até existem várias semelhanças entre os 2 projectos, ou não tivessem a mesma base compositora mas o EP «Abraxas» já tem mais de 6 anos…
Um pouco mais melódico e menos Thrash que «Cold Steel…», o quarteto deambula entre sonoridades globais e embora se vão encontrando algumas referências no som sueco mais extremo e na periferia de algum Black helénico, é todo o trabalho de guitarra de Shapnel e a voz mórbida de KK, aqui coadjuvado por quase toda a banda, que os destingue dos seus pares. Sacado nos Necromorbus Studios, «Defiance» revela um maior cuidado sónico, principalmente ao nível das baixas frequências e é essa característica que, mesmo sem grandes primores técnicos e mantendo a chancela D666 intacta, faz a diferença em relação ao passado, tornando-os ainda mais letais.
Numa época em que proliferam festivais como cogumelos este disco torna-se numa forte razão para se voltar a exigir a presença da banda no nosso país. Jul-09

[ 83 / 100 ]

 

D-A-D - Monster Philosophy / 2008

Pegar num disco dos D-A-D (podem confundir à vontade com Disneyland After Dark ou D:A:D), não é nada mais que puro prazer, música descomplexada para uma tarde de verão. Para algo mais complicado ou intelectualmente apto devem procurar noutro local uma vez que o quarteto dinamarquês, à semelhança do número de cordas do baixo de Stig Pedersen, não toca com o baralho todo.
Claro que os anos passam e já lá vão mais de 2 décadas mas ao olharmos para trás, para álbuns como «No Fuel Left for the Pilgrims» ou «Riskin’ It All», vemos que não mudaram tanto quanto isso. Ao décimo de originais a banda continua com capacidade para criar grandes temas Rock, com aquele condimento Punk que só eles lhe sabem dar, bons solos protagonizados pelos irmãos Binzer e o tal toque inimitável proveniente da guitarra de 2 cordas. Embora parte dos temas corra a meio gás, por vezes até a tender para algo mais baladesco, todos eles encerram viciantes melodias.
Infelizmente cada vez é mais difícil encontrar o material mais recente do colectivo a preços minimamente aceitáveis e, enquanto o disco anterior só me foi possível adquirir um ano após o seu lançamento, perdido numa estante de uma megastore, este foi-mo enviado directamente do país do sol nascente. Simpatico… Jun-09

[ 82 / 100]

 

DAWNRIDER - Two / 2009

«Two» é como o próprio nome induz, a segunda incursão do grupo lisboeta através dos caminhos do Rock psicadélico e pelos arrastados tempos do Doom Metal de tendências old-school. Desta feita, com produção e apoio técnico de José Pedro Sarrufo, a banda conta com os préstimos de André Silva, elemento que já passou pelos Shadowsphere, Tearful e pertence aos Theriomorphic, que colmata a lacuna deixada em aberto, antes do inicio das gravações, pela saída do anterior baterista.
Na senda de «Alpha Chapter», o som apresentado proporciona-nos um híbrido de Heavy/Doom com fortes tendências Stoner, onde torrentes de riffs brotam das guitarras manejadas pela dupla Conim / Barrelas revelando uma sonoridade retro, como se bandas como Trouble, Sabbath ou Pentagram tivessem encarnado, por instantes, dentro das melódicas e saudosistas interpretações do quinteto.
À semelhança do álbum de estreia, «Two» também reserva os seus highlights, quer sob a forma de novo e interessante instrumental, quer no extenso tema «Irinia», justamente e de forma muito convicta, cantado em português. Não só - mas também - por causa desta sufocante malha, estamos perante mais um conjunto de temas que vivo apresentarão resultados garantidos... outra vez. Jun-09

[ 79 / 100]

 

DESIRE - Crowcifix / 2009

Remonta ao verão de 92’ o tempo em que Tear (voz), Flame (bateria) e Mist (guitarras), ainda sob a designação de Incarnated, decidiram criar um projecto onde as emoções mais profundas seriam levadas a limites ainda não sentidos nos meios mais extremos. Recorrendo à utilização exaustiva dos teclados a cargo de Dawn, tarefa desempenhada por Ashes mais recentemente, o colectivo extravasa atmosferas emotivas através de uma forte componente poética, em longuíssimas composições, arrastadas passagens e intrincadas melodias.
Neste trabalho auto-financiado, o quinteto lisboeta deita para trás das costas alguns conflitos internos e regressa com a mesma formação que gravou «Locus Horrendus», acrescida do guitarrista Raiden mas com Dusk no lugar do baixista Tempest. Perfazendo 30 minutos de puro dramatismo, além dos 2 temas originais, na habitual senda de melancolia, dor, pesar e desespero, «Crowcifix» inclui ainda um tema registado ao vivo em ’03, no já extinto e cada vez mais saudoso Hard Club.
Aguarda-se portanto que este seja o mote para uma maior actividade nos palcos mais carismáticos do circuito underground e que, após conseguido o almejado contrato discográfico, a banda consiga lançar novo álbum ainda este ano. Mai-09

[ 76 / 100]

 

DEFUNTOS - A Negra Vastidão das Nossas Almas / 2008

Com o boom de movimentos que emergem do Black Metal para escarpas mais depressivas, como que apelando ao suicídio, os Defuntos chegam ao segundo álbum depois de ainda terem registado um EP em 2008.
Após uma introdução que invoca «Os Lamentos da Noite», o duo abraça uma sonoridade mórbida, lenta e ritual. As atmosferas são densas, o ambiente é de sofrimento, os temas são obscuros e o silêncio em redor sepulcral. Ao longo dos 4 temas que de forma absorta vagueiam pelos terrenos áridos do Funeral Black / Doom, Conde F. declama a sua angustia sobre textos que lhe foram entregues por um passado distante, repletos de dor e pesar. Os ritmos compassados da bateria como que cravam maquinalmente cada prego no tampo de urnas ao abandono enquanto o outro Conde, J. de seu nome, vai dedilhando compassos de negatividade letal, como que a abrir caminho ao passo lento mas firme da Morte. A desconstrução é a tónica dominante neste registo agreste, artesanal e fechado na entidade de cada um dos seus criadores.
Quer pela cadência de edições quer por algum do valor já demonstrado, os Defuntos serão por certo um projecto que poderá alcançar voos mais altos. Até lá, a plateia será restrita, como por certo também lhes convém. Jan-09

[ 61 / 100]

 

DIVINE LUST - The Bitterest Flavours / 2008

Recorrendo à experiência adquirida na estrada, onde chegaram a tocar com bandas como Anathema, To/Die/For ou My Dying Bride, os Divine Lust chegam ao segundo longa duração, após uma década de existência, deixando para trás a demo «Terceiro Pecado», um álbum homónimo e «Harvest», um EP lançado em 2004.
E é no seguimento desse último suporte, onde vão recuperar 3 temas, que «The Bitterest Flavours» emerge, através de 11 composições que vão correndo em ritmo cadenciado, embrenhando-se pelos desígnios do Doom, por ambientes mais Heavy / Dark e, de quando em vez, por tonalidades Goth. À dupla original composta por Filipe Gonçalves, guitarra e voz e pelo baterista João Costa, juntam-se António Capote nos jogos de teclados, Ricardo Pinhal que funciona como guitarrista complementar enquanto o produtor Dikk se encarrega do baixo. Elementos externos, como o violinista Tiago Flores dos Corvos, a guitarra portuguesa executada por Ricardo Marques e as vozes de Paula Teixeira, vem acrescentar uma ainda maior diversidade de sabores e alguma portugalidade a esta proposta do colectivo alfacinha.
Num ano de grandes colheitas, eis mais uma produção nacional bastante interessante e capaz de agradar a quem busca melancolia com fortes contornos melódicos. Dez-08

[ 81 / 100]

 

DARKTHRONE - Dark Thrones and Black Flags / 2008

Os dois últimos trabalhos dos Darkthrone foram trazendo estranhas mudanças nas composições a que estes nos vinham habituando desde o lançamento do mítico «A Blaze in the Northern Sky», já no longínquo ano de 1992. Mantendo toda a essência mórbida e a sensação de podridão, através de riffs maníacos, da violação sónica imprimida à bateria por Fenriz e pelos esgares animalescos de Nocturno Culto, o duo foi optando por uma atitude cada vez mais despreocupada e ao mesmo tempo até mais excitante, transparecendo uma postura retro, forçosamente old-school.
Seguindo uma onda semelhante mas produzindo-a de forma mais negra, suja e severa, a dupla vai dividindo entre si a escrita e algumas vocalizações ao longo de «Dark Thrones and Black Flags». Mais uma vez, a inspiração é retirada do baú das recordações, de onde brota uma mescla de Heavy Metal primitivo com legitimo Punk Rock, a qual vai confluindo, de forma crua e pouco polida, para as ancestrais sonoridades Black, reutilizadas em incisivas passagens de ríspida musicalidade.
Mais um disco que não deve ser levado muito a sério, elaborado nas longas caminhadas pela floresta nórdica e acampamentos montados em lúgubres clareiras… Ah!, ainda se vendem t-shirts comemorativas de «Viking Metal Punks»... Nov-08

[ 72 / 100]

 

DECAYED - The Black Metal Flame / 2008

decayedSe o período que antecedeu «Hexagram» denunciava algum abrandamento editorial, em pouco mais de 1 ano o colectivo da Parede, além de um EP registado ao vivo no longínquo ano de ‘95, lançou um split paredes meias com os Thugnor, um dos muitos side-projects de JA e, sem perda de tempo, apresenta-se decidido a enfrentar as portas do inferno, com este «The Black Metal Flame».
Em linha com o passado, o 7º álbum de quase 20 anos de carreira destila
Lusitanian Black Fucking Metal por todos os poros, quer através das vocalizações mais direccionadas para um registo punk por parte de W, como pelas composições de cariz claramente old-school, envoltas em ritual e ocultismo. Com trabalho de estúdio realizado por Hugo Camarinha, a banda não desvia um milímetro da sua cruzada anti-cristã, podendo tal desiderato ser facilmente comprovado nas diversas incursões ao vivo a que a banda se presta, agora com uma formação cada vez mais rodada.
Para alcançar o número maldito e ao mesmo tempo preencher na integra o circulo prateado, os
Decayed repescam dos seus extensos arquivos 2 temas mais antigos, vão ao baú das suas influências desenterrar Ramones e Bathory e ainda nos oferecem como bónus uma dupla dose de estranhas e blasfemas malhas. Out-08

[ 83 / 100]

 
DESTRUCTION - D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. / 2008

Numa altura em que comemora 2 décadas e meia de carreira, o trio germânico chega ao 10º álbum de originais, revelando uma cadência editorial acima da média e uma actividade invejável para um colectivo com tantos anos em cima. Desde que Schmier regressou à banda em 1999, depois de 10 anos afastado, os
Destruction já lançaram 5 trabalhos de estúdio, um álbum ao vivo e uma série de material diverso.
Não fugindo muito da sonoridade a que a banda já nos habituou, as composições são rasgadas pela voz inconfundível de Schmier e pelos lancinantes riffs de Mike Sifringer que vão mantendo a chancela Destruction embora algumas incursões numa direcção mais progressiva e técnica lhes retire um pouco da energia crua e letal de outros tempos, facto exponenciado pelos momentos mais lentos e pausados que invadem um disco que se vai construindo com a primeira letra de cada malha.
Com um som de luxo, proveniente da experiência de Jacob Hansen, D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. conta com alguns solos complementares desenvolvidos por notáveis músicos convidados como Jeff Waters, Gary Holt ou Vinnie Moore que assim enfatizam a faceta Metal Brotherhood e a costela old-school, características bem vincadas ao longo do percurso destes thrashers alemães.
Set-08

[ 72 / 100 ]

 
DOLENTIA - A Idade da Morte, Liturgia do Sangue e da Agonia/ 2007 - demo

Algo que desde logo me captou a atenção nesta banda do Porto foi o seu excelente logotipo e o cuidado que puseram na apresentação da demo «A Idade da Morte, Liturgia do Sangue e da Agonia». Depois de ter tido a oportunidade de os ver, por duas vezes, numa das salas da Invicta, onde debaixo de capas negras evidenciaram prestações sentidas e alinhamentos muito bem conseguidos, nada como me dirigir à mesa de merchandising e sacar este trabalho lançado pela War Productions.
Infelizmente o som cru deste registo não faz toda a justiça ao cerimonial e envolvencia que se pode sentir ao vivo, não podendo também competir com o aspecto cénico que aí nos oferecem. Composto por 5 temas, é nas faixas que fecham este trabalho que o quarteto (se excluirmos o baixo de sessão) melhor explora as suas sonoridades envoltas em orgulho nacionalista, sentimento profano e ritual guerreiro, enquanto passagens mais cadenciadas exponenciam uma faceta mais Folk/Doom.
Não só pelo potencial evidenciado através das duas demos, como pela competência demonstrada nas prestações ao vivo, os
Dolentia são sem qualquer dúvida uma banda a ter em conta num meio saturado de projectos sem qualquer validade que não seja para um restrito circulo de amigos. Jun-08

[ 64 / 100 ]

 
DEICIDE - Till Death Do Us Part / 2008

«The Stech of Redemption» lançado há cerca de 2 anos, como que marcou um retorno de criatividade à banda da Flórida liderada por Glen Benton. Por divergências inultrapassáveis, a substituição da dupla fundadora composta pelos irmãos Hoffman pelos reconhecidos guitarristas Ralph Santolla e Jack Owen, trouxe nova energia e garra a um dos mais blasfemos projectos dentro das sonoridades Death Metal.
Com a passagem de Santolla para membro de sessão, os
Deicide parece que perderam a capacidade de nos oferecer a letal combinação de melodia e brutalidade presente no disco anterior, apresentando-se desta feita com um álbum demasiado linear, lamacento e com uma falta de agressividade gritante. À debilidade patente nas composições de Steve Asheim, junta-se a sua performance de blastbeats descontrolados enquanto Benton vomita palavras ininteligíveis, tornando esta dezena de temas numa experiência maçadora e nada memorável. Para piorar a situação, também não são os riffs desinspirados e repetitivos de Owen ou os solos isentos de melodia, quase todos a cargo de Santolla que salvam este nono disco, que se afunda logo após as 3 primeiras promissoras faixas, de ser um dos piores da banda.
Ao menos ganhamos um patch pedindo “Benton para presidente”!!!!
Jun-08

[ 67 / 100 ]

 

DIESEL HUMM! - Stop - The War / 2007

Sem grande exposição nos meandros do underground luso, este quinteto de Vagos já deambula pelos palcos nacionais desde finais da década passada. Com a ajuda de outros músicos, Jimmy Rocha e Luís Santos escrevem pela primeira vez o nome Diesel Humm! através de «Inner Force», um tema presente na compilação tributo aos vinte anos de carreira dos Tarantula. Já com a participação da violinista Ana Isabel, gravam em 2001 a demo «Trivial Society», encetando a partir daí uma série de espectáculos com os germânicos Deadly Sin. No ano seguinte, reduzidos a 3 elementos, enveredam por um projecto acústico e já com a formação completa e uma série de concertos na bagagem, entram finalmente nos estúdios Audioplay, numa co-produção entre Jimmy e Lino Vinagre dos Anger.
Masterizado por Mika Jussila nos Finnvox Studios em Helsínquia, o óptimo som que advém de «Stop – The War» oferece-nos uma mistura de incursões nos campos do Metal mais clássico, onde cada tema respira Hard & Heavy por todos os poros. À competência de todos os elementos, sobressai a excelente voz de Luís Santos, principalmente nas faixas mais rasgadas e a excelente execução de Ana com o seu violino electrizante no magnífico «Harmonic Pain». Um trabalho que exige uma visita a um dos showcases que a banda tocará por aí em Junho nas FNACs.
Mai-08

[ 75 / 100 ]

 

DEATH ANGEL - Killing Season / 2008

Álbuns como «The Ultra-Violence» ficarão para sempre como marco de um movimento que varreu por completo a música extrema durante a primeira metade dos anos 80', servindo de mola criativa para uma série de bandas congéneres. Com a saída de Mark Osegueda em 91, a banda continuou sob a designação de The Organization, para se voltarem a reunir anos mais tarde e retomar a actividade, por ocasião do Thrash of Titans, um evento de ajuda no combate à doença que afectou Chuck Billy.
No seguimento de «The Art of Dying» de 2004, este disco apresenta-se repleto de temas bem construídos e embora a velocidade não seja um must, existe uma cabal e convicta demonstração de rejuvenescimento e diversidade. Com uma produção actual que “empurra” as guitarras um pouco mais para baixo, é Andy Galeon, o miúdo que em 82 entrou para o seio do grupo com apenas 11 anos, o esteio para um desfilar de punk meets metal, um turbilhão de groove rock, algumas passagens a roçar ritmos funk, momentos acústicos e descargas de adrenalina que desaguam em solos bastante bem executados e obviamente na voz característica de Osegueda.
Novamente na moda, a capacidade e a atitude que faltam nos projectos mais actuais ainda persistem naqueles que fazem a ponte com o passado.
Mar-08

[ 83 / 100 ]

 

DOWN - Over the Under / 2007

Na ressaca do furacão Katrina, da morte de Dimebag Darrell e curas de desintoxicação, o supergrupo formado a partir das cinzas dos Pantera, Crowbar e Corrosion of Conformity volta-se a reunir e o resultado de ensaios e demos reflecte-se neste «Over the Under». Ainda assim, a sonoridade deste disco segue a linha dos trabalhos anteriores, quer através das ambiencias Sludge ou pela acidez característica de um Blues mais psicadélico, tendo como suporte um trio composto por Pepper Keenan, Kirk Windstein e Rex Brown, capazes de executar viscosas linhas de guitarra e baixo numa toada mais orientada para devaneios Southern Rock. Jimmy Bower emprega um ritmo compassado mas consistente enquanto Phil Anselmo parece cansado, algo desgastado mas, ao mesmo tempo, essa aparente debilidade incute um forte sentido emotivo e um clima de intensa depressão a todo o conjunto.
O legado
Black Sabbath é frequentemente revisitado e de uma postura arrastada repleta de swing e groove, emana puro orgulho sulista. Com Ross Karpelman nas teclas, bebe-se a espaços da fonte dos The Doors, num disco onde há lugar para a experimentação de «II» e a agressividade de «Nola», revelando-se um carácter introspectivo que vai crescendo a cada audição. Dez-07

[ 8 ]

 

DAWNRIDER - Alpha Chapter / 2007

João Barrelas e Francisco Dias, dois ex-elementos dos Subcaos ligados à génese dos Dawnrider em 2004, fazendo questão em se manterem sob a aura do Heavy Metal mais tradicional, vão desde logo recolhendo frutos graças ao split com os americanos War Injun e às diversas performances que lhes proporcionam redobrada atenção.
Ao longo de «Alpha Chapter», o quinteto vai beber ao longínquo legado de bandas como
Cathedral, Black Sabbath ou Trouble, num registo de 9 temas muito bem captados nos Rock Studio de Almada, por Pedro Madeira. Com duas covers retiradas a Amebix e aos Buffalo e um lindíssimo instrumental, sobram 6 malhas que desde logo colocam a banda lisboeta como um dos melhores colectivos nacionais dentro de uma linha mais clássica e old school. Sem soar datado, um espírito 70s / 80s varre temas como «Lisbon Thunder», um tributo aos pioneiros The Beatniks, «Predator», talvez o mais forte exemplo de qualidade em termos de composição do colectivo, ou ainda «Shattered Love», com a sua forte componente mais psicadélica.
Um álbum de onde emana uma densa e envolvente nuvem de fumo Heavy / Doom, com possível origem numa antiga plantação de marijuana existente à volta do Convento dos Capuchos, captada pela câmara dourada de José Ramos.
Nov-07

[ 8 ]

 

DARKTHRONE - F.O.A.D. / 2007

«The Cult Is Alive» revelou-se um disco que derrubou uma série de tabus, podendo dizer-se que aí a carreira do duo nórdico sofreu uma inflexão num sentido mais Punk'n'Roll em detrimento do Black Metal mais cru e visceral que foram gravando com uma certa periodicidade desde o início da década de 90', repetindo a formula até à exaustão e, ainda por cima, plagiados por legiões infindáveis de clones.
Novamente com um single / EP de avanço, situação impensável há uns anos atrás, estranhamente intitulado NWOBHM – New Wave of Black Heavy Metal – estava dado o mote para mais uma clara atitude de “fazemos o que nos apetece e estamo-nos a borrifar para vocês”, eis o 13º álbum na já longa carreira dos
Darkthrone. Desta feita, Fenriz e Nocturno Culto embrenham-se ainda mais em múltiplas sonoridades Thrash e Rock'n'Roll de cariz old school e com uma postura punk revisitam bandas tão dispares e surpreendentes como Onslaught, Metal Church, Maiden, Destruction e outras mais lógicas como Motörhead, Venom ou Celtic Frost.
Num manifesto retro claramente dedicado ao Heavy Metal da década de 80', com a ajuda pontual de Czral dos
Aura Noir, os Darkthrone vão-se divertindo sozinhos e quem não se lhes quiser juntar… F.O.A.D. Out-07

[ 7.5 ]

 

DHG - Supervillain Outcast / 2007

Quando o género começou a dar os primeiros sinais de alguma estagnação, o projecto Dødheimsgard, formado em 1994 e composto por uma série de músicos de reconhecidos préstimos, desde logo se colocou na linha da frente das bandas mais originais dentro do estilo, criando à sua volta um forte movimento de culto.
Oito anos depois e com o nome reduzido a
DHG, Mr. Fixit (aka Vicotnik) regressa com o grupo completamente renovado e com um álbum mais coerente mas que perpetua as características bizarras e avant-garde do seu predecessor. Com um desempenho clínico por trás do drum kit, Czral esmaga literalmente a insanidade criativa dos seus companheiros, liderados desta feita pela doentia performance de Kvohst, ainda há pouco tempo o vocalista dos <Code>. Enquanto que as composições se guindam para vias mais épicas e majestosas, as paredes de riffs transpiram emoção, crueldade e desaguam permanentemente em ambientes perturbadores. Não menos importante é o trabalho desempenhado pela equipa de programadores encabeçados pelo próprio Vicotnik e que induz uma sonoridade industrial a todo o álbum.
Se buscam ideias refrescantes à volta de dinâmicas estranhas, execuções hiperbólicas e sentimentos neuróticos, procurem aqui nesta casa de morte.
Jul-07

[ 8.5 ]

 

DARK TRANQUILLITY - Fiction / 2007

Sendo que o som de Gotemburgo se deve à tríade At the Gates, In Flames e Dark Tranquillity, com o correr dos tempos apenas estes últimos se mantiveram dentro da sonoridade, apesar de frequentes deambulações e injecções de criatividade.
Depois de dois álbuns de cariz mais agressivo e directo, o sexteto sueco regressa com um disco mais ponderado e versátil, dedicando um espaço mais alargado aos teclados de Martin Brändström, propositadamente colocados em posição de destaque nas misturas finais. Juntamente com a inclusão de vocais femininos em algumas faixas, regressam as vocalizações mais limpas e emotivas de Mikael Stanne, embora seja evidente que as performances mais guturais são claramente superiores. Num piscar de olhos a álbuns como «Projector» ou «Haven» e mesmo numa linha mais melódica, os
DT não abdicam da sonoridade MeloDeath patente em toda a sua discografia, das melodias intrincadas e dos constantes duelos de riffs debitados pela dupla Henriksson / Sundin e ainda das passagens mais atmosféricas que incutem a este 8º trabalho de originais muita variedade e um forte cunho profissional.
Desta feita longe dos estúdios Fredman, Tue Madsen propõe-hes uma sonoridade menos polida mas que se veio a adaptar na perfeição ao resultado final.
Jun-07

[ 8 ]

 

DIMMU BORGIR - In Sorte Diaboli / 2007

Não contando com a regravação de «Stormblåst», já passaram 4 anos desde que o sexteto norueguês avançou com um álbum de estúdio sendo lógica a grande expectativa que rodeava a saída deste novo opus.
Com Hellhammer no lugar de Nick Barker, «In Sorte Diaboli» arranca de uma forma fantástica para logo desaguar no tema mais comercial que fizeram até há data, «The Serpentine Offering», cujo vídeo promocional teve milhares de clicks logo que disponível na net. Baseado na história de um assistente de padre que cai nos caminhos do mal, história conceptual contada pelas ríspidas linhas vocais de Shagrath e com as constantes intervenções mais limpas de Vortex, o sétimo trabalho do colectivo escandinavo assenta numa bombástica produção a cargo de Fredrik Nordström, pecando apenas no som demasiado clinico dado à bateria. Por entre alguma previsibilidade, temos um álbum mais orientado para as guitarras, mas com a habitual componente sinfónica, incutida pelos majestosos teclados de Mustis e as atmosferas mais épicas, melódicas e negras, assentes em complexas composições orquestrais.
Por entre acusações de vendidos ao sucesso comercial, os
Dimmu Borgir continuarão a criar conflitos de opinião e este é um disco que não fugirá a essa regra. Maio-07

[ 8 ]

 

DECAYED - Hexagram / 2007

A caminho dos 20 anos de carreira e após diversos período mais conturbados, JA parece ter reunido à sua volta um conjunto de músicos capazes de voltar a fazer brilhar este círculo sulista. Assim, depois de terem deixado uma marca no seio do metal lusitano com «The Conjuration of the Southern Circle», mesmo com excelentes registos como «The Book of Darkness» ou Nockthurnaal», a banda não mais conseguiu alcançar os desideratos que o prometedor inicio vaticinava, mesmo que a espaços tenham atingido um ou outro feito digno de registo. A constante troca de membros, falhas de promoção e alguma confusão no caminho a tomar, não lhes permitiram chegar onde mereciam, fosse essa a sua vontade…
«Hexagram», o sexto álbum desta mítica banda, se excluirmos todas as demos, álbuns ao vivo, splits e gravações paralelas, apresenta-nos uns Decayed em grande forma, com a sua característica mistura de Black, Thrash e Speed Metal de cariz predominantemente old-school. Ao longo de 13 temas de puro rock'n'fuckin'roll, o quarteto agarra o bode pelos cornos e sem hesitações oferece-nos um álbum extremo muitíssimo bem conseguido e que desde logo arrasa toda e qualquer concorrência a nível nacional. Procurem a estrela de 6 pontas ao vivo, pois isto é imperdível.
Maio-07

[ 9 ]

 

DEICIDE - Stench of Redemption / 2006

Com o abandono / despedimento dos irmãos Hoffmann, os dois guitarristas do quarteto liderado por Glen Benton, chegou a pairar uma sombra de dúvida sobre o futuro do colectivo americano, dissipada após a integração de dois elementos muitíssimo mais conceituados e competentes, Ralph Santolla que já pertenceu aos Death e aos Iced Earth e Jack Owen um dos pilares dos Cannibal Corpse.
É essencialmente na maturidade e experiência destes dois músicos que «The Stench of Redemption» ganha dimensão quando é confrontado com outros lançamentos mais recentes. O oitavo álbum da discografia dos Deicide é claramente o seu disco mais técnico e variado até ao momento, destilando uma sonoridade mais melódica mas sem perder ponta de poder e brutalidade. A complementar o já referido fantástico trabalho de guitarra, temos a caótica secção rítmica de sempre, um Glen Benton absolutamente possesso e com um entusiasmo aparentemente redobrado, coadjuvado por Steve Asheim, uma máquina que descarrega blastbeats de forma precisa e letal.
Depois de um período menos brilhante, repleto de convulsões internas e desentendimentos, «The Stench of Redemption» emana devastação, voltando a colocar os Deicide na linha da frente do som extremo, blasfemo e satânico.
Out-06

[ 8.5 ]

 

DISSECTION - Reinkaos / 2006

Quando lançaram o prodigioso «Storm of the Light's Bane» em 1995, ninguém esperava que fossem necessários tantos anos para que os Dissection gravassem novo álbum de originais. O tiro que matou o emigrante homossexual, disparado por Jon Nödtveidt e que lhe custou 11 anos de cadeia, não só tirou a vida à infeliz vítima como enterrou definitivamente uma banda que nos primeiros anos da sua existência se destacou em termos de inovação e como líder da corrente Black Metal.
Com uma forte componente Death Metal, este disco percorre os caminhos do som de Gotemburgo, com temas bem estruturados, executados a meio gás e com uma grande dose de melodia mas isento de paixão e um pouco limitado em termos de execução. Por vezes a voz de Nödtveidt, sem dúvida um dos aspectos mais fortes deste disco e alguns ritmos mais inspirados trazem à memória os tempos antigos mas a veia mais polida e as harmonias próximas aos percursos recentes de bandas como Arch Enemy ou Dark Tranquility cortam de imediato qualquer ligação que daí possa advir.
Para evitar desilusões, este regresso dos suecos Dissection deve ser analisado sem olhar para trás... a pena foi cumprida, os princípios anti-cósmicos parecem querer subsistir de forma diferente e diz-se por aí que a dissecação acabou mesmo.
Jun-06

[ 8 ]

 

D-A-D - Scare Yourself / 2006

Com um ano de atraso em relação à edição local, só agora me foi possível deitar a mão ao 9º álbum de originais dos D.A.D.. Depois de um período conturbado e de alguma falta de imaginação, o quarteto escandinavo regressa, após o melódico «Soft Dogs» de 2002, às sonoridades mais HardRock típicas dos grandes discos que nos deixaram à entrada da década de 90'.
Pela primeira vez a banda toma conta da produção e, pelo resultado final, parece que tomaram bem conta do recado. As músicas deste «Scare Yourself» revestem-se de um som mais cru e directo, onde a voz de Jesper Binzer e os riffs e solos de guitarra que partilha com o seu irmão Jacob, se evidenciam pela energia e “pândega” que incutem a cada momento. A secção rítmica liderada pelo célebre baixo de 2 cordas tocado por Stig Pedersen (aka Stigge Nasty) e pelo competente baterista Laust Sonne, único elemento não original da formação, proporciona o acompanhamento perfeito ao Heavy Party Rock'n'Roll descomprometido dos dinamarqueses.
Com algumas faixas mais lentas mas sem qualquer balada, este disco dos D.A.D. é a banda sonora ideal para uma longa viagem de carro ou para acompanhar uma cerveja gelada em qualquer fim de tarde de verão
. Jun-06

[ 8.5 ]
 

DARKTHRONE - The Cult Is Alive / 2006

«The Cult is Alive» é já o 12º álbum da discografia dos míticos Darkthrone e, contra o esperado, apresenta algumas novidades polémicas. Além de retirarem pela primeira vez um single de um longa duração, o duo norueguês regista para a posteridade, um video-clip do tema «Too Old Too Cold». Para enfatizar ainda mais estas novidades, consideradas por muitos um sacrilégio aos 20 anos de actividade, a banda fez questão em publicitar no seu website, a convicção de ainda se considerarem uma banda de Metal , embora dependendo de quem os ouça, poderem ou não ainda ser conotados com o movimento Black.
Na mesma linha dos trabalhos anteriores, este registo apresenta uma direcção ainda mais Thrash / Punk, assumindo-se definitivamente como um manifesto contra a actual cena e os seus milhares de imitadores e clones. Continuando a defender a máxima do quanto menos melhor, a abordagem de Fenriz e Nocturno Culto para este opus é mais uma vez bastante linear, prosseguindo com os habituais acordes básicos, debitando um Black'n'Rollish visceral, cru e rectilíneo mas ao mesmo tempo deveras eficaz.
Acusam-nos de terem perdido completamente os seus princípios, coisa interessante para quem afinal é suposto nunca os ter tido
. Abr-06

[ 8 ]
 

DRAGONFORCE - Inhuman Rampage / 2006

Em pouco mais de 3 anos os britânicos Dragonforce tornaram-se na nova coqueluche do Power Metal europeu ameaçando, sem qualquer pudor, colocar à margem sumidades na matéria como os Helloween, Edguy ou Stratovarius. Ajudados pelo enorme sucesso alcançado pelas vibrantes actuações ao vivo, o quinteto transmite uma energia infindável assente em solos e deambulações de guitarra alucinantes, coadjuvados por uma batida repleta de blast beats e marcações precisas, teclados acelerados e brilhantes que fazem mesmo questão em mostrar a sua presença e uma voz melódica mas extremamente confiante e personalizada. E gozo, muito gozo…
Neste 3º álbum, a banda continua a descarregar toneladas de velocidade através de uma técnica assinalável, sem que os temas percam a sua coerência. Até se pode aceitar que haja quem não aprecie o estilo mas é inegável que esta dupla de guitarristas, formada por Herman Li e Sam Totman, aliada à perícia de Dave Mackintosh, é mais do que capaz de colocar qualquer banda de topo preocupada em levá-los em tournée. É que estes gajos são mesmo muitíssimo bons.
O único óbice é ainda alguma linearidade nas composições
. Fev-06

[ 8.5 ]
 

DARK FUNERAL - Attera Totus Sanctus / 2005

«Attera Totus Sanctus» - algo que poderá ser traduzido para “morte a tudo o que é sagrado” - é o quarto álbum do blasfemo agrupamento sueco, terminando com um interregno de quase 4 anos após o lançamento do aclamado «Diabolis Interium».
Desta feita pelas mãos de Daniel Bergstrand e Örjan Örnkloo, o quinteto desenha mais uma sinfonia satânica em 8 actos, com a habitual fusão entre as sonoridades mais cruas e gélidas e a melodia inerente e característica das bandas suecas. Mesmo não sendo extremamente rápidas, as músicas dos Dark Funeral sempre foram absolutamente caóticas e insanas. Os riffs da dupla de guitarristas comandada por Lord Ahriman predominam sobre as texturas desenhadas pelos restantes elementos e neste disco isso não é excepção. Emperor Magus Calígula é o principal responsável para passar às palavras este manifesto anti-cristão e fá-lo de uma forma esforçada, enquanto Matte Modin com os seus ilimitados blasts fustiga o kit de uma maneira avassaladora, sendo bem secundado pelo músico de sessão e ex-baixista dos Meshuggah, Gustaf Hielm.
Podemos ainda adivinhar que «Attera Totus Sanctus» detém um enorme potencial para rebentar em qualquer evento. Dez-05

[ 8 ]
 

DESTRUCTION - Inventor of Evil / 2005

Desde que Schmier regressou à banda, com 4 álbuns de estúdio e um registo ao vivo em apenas 5 anos, os Destruction tem estado imparáveis. Esta cadência desenfreada é comum à patenteada pelas antigas bandas no início das suas carreiras mas é muito pouco normal em colectivos com mais de 20 anos de actividade.
Mantendo a chancela Thrash de cariz europeu, obviamente com forte conotação retro, o trio germânico destila ao longo de 1 hora, uma série de temas directos, muitas vezes a meio gás mas com as necessárias variações de velocidade, evidenciando a atitude que os tem caracterizado nos melhores momentos. Schmier faz jus ao seu inimitável registo vocal, secundado por uma dupla eficiente e dinâmica. No entanto, aquele que poderia ser o ponto forte deste trabalho – a junção de 10 conceituados vocalistas numa ode ao espírito de união da cena metálica – revela-se um verdadeiro desastre, quase em paralelo com a situação da causa defendida.
Com produção a cargo de Peter Tägtgren, estamos perante um disco convincente, bem esgalhado mas pouco excitante. Set-05

[ 7.5 ]
 

DARKANE - Layers of Lies / 2005

Na peugada de colectivos como os In Flames ou os Dark Tranquillity, surgiu uma nova vaga de bandas na Suécia, herdeiras do som inventado por aquelas paragens, que desde cedo se tornaram enormes revelações e clara influência para a nova vaga de agrupamentos surgidos do outro lado do Atlântico.
Se a carreira dos Soilwork se tem revelado algo inconstante e indefinida, os Darkane apresentam, com o seu 4º trabalho de originais, um disco devastador, numa combinação perfeita entre a habitual melodia do Death escandinavo com injecções de Thrash moderno, alguns elementos mecânicos e uma loucura desenfreada típica dos momentos mais esquizofrénicos de Devin Townsend.
Com produção a cargo da própria banda, destaca-se de entre as diversas camadas de som, o trabalho da dupla de guitarristas Malmstrom / Ideberg, que além de criarem estruturas bastante técnicas e um bom punhado de solos, conseguem incutir uma sonoridade e um groove adequado a cada momento. Longe de ser desprezável, muito pelo contrário, temos o excelente trabalho atrás do kit de percussão, desempenhado pelo incansável Peter Wildoer e o vozeirão de Andreas Sydow que alinha pelo diapasão das vozes mais em voga actualmente dentro de género. Ago-05

[ 8 ]
 

DREAM THEATER - Octavarium / 2005

Tal como o próprio nome indica, «Octavarium» é já o oitavo registo de originais dos nova-iorquinos Dream Theater, uma banda de exímios instrumentistas que desde sempre recolheu os mais rasgados elogios, entre críticos, colegas de profissão e fãs.
Depois de se terem instalado de pedra e cal no lugar mais alto do movimento progressivo, tem-nos presenteado com uma série de discos brilhantes e absolutamente distintos entre si. Da melodia conceptual de «Metropolis» flectem para a complexidade de «Six Dregrees», adoptando mais recentemente uma postura bem mais agressiva com «Train of Thought». É pois altura de simplificar as coisas e ao longo de 76 minutos somos confrontados com diversas deambulações marcadamente mais descomplexadas, muitas vezes simples e lineares e onde parece ter chegada a hora de se laborar para consumo interno e gozo pessoal.
Claro que mesmo facilitando, a música e a execução são de qualidade superior mas no cômputo geral, este trabalho revela-se um pouco mais modesto. Ago-05

[ 7.5 ]
 

DANNY CAVANAGH - A Place to Be - A Tribute to Nick Drake / 2004

Danny Cavanagh é predominantemente conhecido pelo trabalho que tem realizado à frente dos Anathema embora o seu envolvimento em bandas ou projectos como os Lid, Ship of Fools, Leafblade ou os Antimatter sejam evidências mais do que suficientes para comprovar o enorme talento e criatividade do compositor e músico britânico.
«A Place to Be» é um disco de homenagem a Nick Drake, um escritor de canções por quem Danny sempre teve imenso apreço e que sucumbiu prematuramente devido a doença prolongada, deixando um legado por descobrir. Recorrendo a temas retirados dos álbuns «Five Leaves Left», «Bryter Layter», «Pink Moon» e «Time of No Reply», os 11 capítulos deste limitadíssimo CD revestem-se de uma tremenda simplicidade, onde a voz e a guitarra acústica fazem as honras principais. Música repleta de emoção e sentimento, pouco variada é certo, mas extremamente bem desenhada, muito melódica e verdadeiramente bela.
Como neste momento deve ser quase impossível deitar a mão a uma cópia desta edição de 1000 unidades (eu tenho a #550), se calhar este é daqueles casos em que o recurso a meios algo ilícitos será mesmo muito pouco condenável. Jul-05

[ 7.5 ]
 

DARK TRANQUILLITY - Character / 2005

Com o explosivo «Damage Done» de 2002, os suecos Dark Tranquillity deram uma sapatada nas sonoridades mais calmas e progressivas que tinham levado a cabo nos anteriores registos - «Projector» e «Haven» - e mesmo seguindo numa direcção melódica, com frequentes recursos electrónicos, reforçaram as raízes Death num estilo muito próprio conotado com o som de Gotemburgo.
Em «Character», o sexteto nórdico apresenta-nos 11 potentes temas, com um som devastador e com a qualidade e classe que desde há muito tempo nos habituaram. Desta feita Mikael Stanne deixa de parte as vocalizações limpas, acentuando ainda mais o seu registo gutural que amplifica de sobremaneira o ataque sonoro proporcionado pela dupla de guitarristas Sundin / Henriksson. Os teclados de Martin Brandstrom estão agora mais difusos enquanto que Anders Jivarp fustiga desenfreadamente as peles em cadência rítmica com Michael Nicklasson.
Um álbum muito bem estruturado que inicialmente se estranha mas que cresce à medida das oportunidades que se lhe vão dando. Fev-05

[ 8.5 ]

 

DE LIRIUM'S ORDER - Victim nº 52 / 2004

Estávamos de 1998 quando das cinzas dos Adraman, uma banda de melodic Black Metal , surgiram os De Lirium's Order. Após algumas mudanças de formação, afinações no estilo a adoptar e duas demos gravadas, os finlandeses assinam pela Woodcut Records, através da qual lançam o álbum de estreia «Victim nº 52».
A principal mais valia deste trabalho é a quantidade de subgéneros que aqui se misturam, resultando em 10 inovadores e refrescantes temas, bastante agressivos e bem tocados e de elevado nível técnico. O trabalho das guitarras é devastador, sendo responsável pela criação de uma cortina sonora infernal que, complementada pela voz visceral e absolutamente demente de Corpse e ainda por uma secção rítmica ultra competente e esforçada, nos arrasta num turbilhão de sentimentos e emoções. Com a sensação de que os Slayer e os Dimmu Borgir foram postos numa trituradora, em diversas ocasiões vêem-nos à memória os Susperia.
Com mais uma excelente produção realizada nos Tico Tico Studios, haja quem aposte fortemente nesta promissora banda. Dez-04

[ 8 ]
 

DARKTHRONE - Sardonic Wrath / 2004

Uma das mais prestigiadas entidades dentro do genuíno movimento Black Metal, puro, duro, cru, sem qualquer recurso a floreados e às ajudas possibilitadas pelas actuais tecnologias, está de volta com um novo disco, pouco tempo depois de «Hate Them». Enquanto que para esse registo do ano passado o duo apenas despendeu 26 horas de estúdio, agora foram algo mais pacientes sendo necessários 6 dias para o registo de pouco mais de meia hora de música blasfema e vocalizações tenebrosas.
Desta feita Fenriz e Nocturno Culto conseguem um trabalho mais sólido que os anteriores e acima de tudo que vale pela capacidade de conseguir tocar em todas as fases da carreira da banda, quer recorrendo a elementos Death Metal que nos recordam os primeiros tempos, como ao Death n'Roll da fase mais actual.
Registe-se, por ser pouco habitual, o cuidado dado à capa deste álbum. Out-04

[ 7.5 ]
 

DOOMSHINE - Thy Kingdoom Come / 2004

Este é o trabalho de estreia dos germânicos Doomshine, uma banda que fazendo justiça ao próprio nome pratica um Doom Metal com vincados contornos épicos que muito se assemelha ao som produzido por colectivos como os Candlemass ou os Solitude Aeternus.
Ao longo de 60 minutos são-nos oferecidas doses massivas de agonia, tristeza e depressão, compassos fúnebres e arrastados, lamentos angustiantes e muito desespero. Em termos instrumentais, a música dos Doomshine é muito bem executada e nem parece provir de uma banda debutante. O facto mais interessante deste registo é constatarmos que no meio de tanta profundidade, é perfeitamente possível escutar estes 9 temas com bastante gozo e descontracção.
Enfim, mais um projecto extremamente válido e que foge ao actual e descarado facilitismo de se tentar agradar às novas audiências / media em detrimento dos "verdadeiros" apreciadores das sonoridades mais pesadas. Out-04

[ 7 ]
 

DANZIG - Circle of Snakes / 2004

Confesso que a música de Glenn Danzig, que chegou a liderar bandas como Misfits e Samhain, me transmitia uma enorme emoção, graças ao seu estilo negro, denso e profundo e à força patenteada durante a primeira fase da carreira da banda. Com a procura de novos caminhos, as constantes mudanças de formação e, porque não dizê-lo, pelo envelhecimento do seu líder e mentor, os Danzig nunca mais fizeram nada de jeito após a edição de «4p», em 1994. E já lá vão 10 anos.
E a cada disco que sai, a desilusão aumenta. Neste, parece que a maior parte dos temas apenas serve para preencher o espaço necessário para completar um longa duração, de tão mal compostos e executados que são. As duas ou três faixas que escapam, ficam longe das grandes canções já escritas pelo aparentemente cansado Glenn Danzig que mesmo assim tem a obrigação de fazer melhor. Out-04

[ 4 ]
 

DIO - Master of the Moon / 2004

Ronnie James Dio atinge com este trabalho o 10º capítulo da sua recheada carreira a solo. Como não poderia deixar de ser, somos confrontados com Hard & Heavy de raízes clássicas, protagonizado por uma lendária voz que não dá sinais de cansaço, apesar da proveta idade de 55 anos!
Acompanhado por um conjunto de músicos experientes, desta vez cabendo o papel secundário aos conceituados Graig Goldy, Simon Wright, Scott Warren e Rudy Sarzo, este álbum denota falta de grandes canções e revela pouca emotividade, correndo por isso o risco de cair facilmente no esquecimento.
Estamos perante algo que poderia ter sido feito na gloriosa década de 80' mas onde apenas se destaca a magnífica voz de RJD no meio de alguma linearidade. Set-04

[ 6.5 ]
 

DEMONOID - Riders of the Apocalypse / 2004

Um projecto paralelo geralmente serve como escape, possibilitando a deambulação por caminhos que aparentemente não fazem sentido. Através de um Death Metal bem old school, mesclado com violentas incursões no Thrash e Black Metal, existem semelhanças entre o som dos Demonoid com o dos conterrâneos Bloodbath.
Christopher Johnsson vocaliza 9 salmos bíblicos sobre os 4 Cavaleiros do Apocalipse, sendo secundado pelas cordas dos irmãos Niemann, também músicos dos Therion. Para completar o devastador quarteto temos Rickard Evansand, baterista dos Chimaira que também já passou, entre outros, pelos Soilwork.
«Riders of the Apocalypse» é um trabalho brutal, veloz e agressivo, com uns curtos 47 minutos de duração que nem nos dão tempo para respirar. Negro e intenso, na sua diversidade oferece-nos um emaranhado de blast beats, vozes guturais, solos fabulosos e riffs brutais que nos atingem inadvertidamente à queima-roupa.
Uma excelente produção no próprio estúdio dos Therion, polida mas muito bem orientado no sentido dos "velhos tempos". Set-04

[ 9.5 ]
 

DER GERWELT - Human Breed / 2003

Com duas demo-tapes e um split CD na bagagem, o Black Metal então praticado pelos russos Der Gerwelt permitiu-lhes a gravação do seu primeiro longa duração através da independente Rage of Achilles.
«Human Breed» é um disco muito linear, por diversas vezes estranhamente melódico e com momentos mais atmosféricos, pouco se desviando da direcção trve, graças a um som cru, uniforme e glacial.
O trio moscovita renega os teclados e concentra a sua atenção na guitarra, sendo esta o principal instrumento responsável pela criação das estruturas sonoras ao longo deste disco. As vozes são mais faladas do que cantadas e com a ajuda de uma secção rítmica algo rockeira, fica a sensação de que ainda não é desta que a banda encontrou a fórmula necessária para tomar uma decisão sobre o que é que fará no futuro.
Frio, muito frio ...

[ 5 ]
 

DEBASE - Unleashed / 2004

Os Debase são mais uma banda sueca a atingir uma editora de referência, a Noise Records neste caso, conseguindo-o ao 3º trabalho de originais, com um disco bem potente, sem complexos e artifícios e a cortar sempre a direito.
Muito bem produzido pela própria banda nos Wickerman Studios em Malmö, cidade natal do quinteto, este álbum foi misturado nos estúdios Fredman, em Gotemburgo, pelo mago Fredrik Nordström, sendo o resultado final, como não poderia deixar de ser, bastante cristalino e uma evidente mais valia.
«Unleashed» destaca-se pela positiva através da tremenda diversidade entre os temas, o que dificulta a escolha de qualquer rótulo para catalogar esta banda, pelas ideias refrescantes que vão surgindo com o percorrer das espiras, pela agradável e competente voz de Michael Hansson, pelas constantes mudanças de ritmo e pelos interessantes riffs permanentemente debitados.
Aparentemente algo Stoner / Doom transforma-se numa fusão de metal ecléctico.

[ 7.5 ]
 

DISILLUSION - Back to Times of Splendor / 2004

Os Disillusion são um trio oriundo de Leipzig que sob a liderança do multi-instrumentista / vocalista Vortex tem tentado alcançar uma posição de relevo e um contrato interessante desde que se formou em 1994.
«Back to Times of Splendor» é o primeiro longa duração nestes dez anos de carreira e não fosse este disco um trabalho extremamente competente e bem orientado, o que também justifica a aposta da Metal Blade, estaríamos perante um autêntico espalhanço. É necessário muita coragem para, suportados numa ideia conceptual, elaborar algo extraordinariamente complexo e que só ao fim de algumas (muitas) audições, começa a entrar gradualmente no nosso subconsciente. Esta banda sonora, apoiada num trabalho de guitarras bem técnico, abarca diversas áreas do espectro musical e é essa característica ecléctica o seu ponto forte. Uma hora dividida por 6 extensas malhas épicas, onde os ritmos mudam constantemente entre momentos melódicos e acústicos, passando por diversas estruturas psicadélicas e progressivas, até às partes eléctricas, trazem frequentes vezes à memória bandas como os Opeth, My Dying Bride ou Anathema.
A confirmação virá por certo com um segundo álbum.

[ 8.5 ]
 

DARK TRANQUILLITY - Live Damage / 2003 - DVD

Os Dark Tranquillity são uma das grandes bandas da actualidade e principalmente com os álbuns mais recentes tem apresentado uma clara ascensão.
Chega então a altura ideal para a primeira aventura visual e aí está um DVD com um concerto integral gravado com o que de mais avançado há em termos tecnológicos, uma série de temas soltos registados ao vivo, as habituais entrevistas e outros extras.
É certo que esperava imenso deste formato mas isto é tudo muito fraco. Os extras são banais e os temas soltos tem um som tão mau que não os ouvi segunda vez.
Tudo seria desculpável se os 21 temas do show registado num estúdio polaco valessem a pena. O som está espectacular mas nem parece sincronizado com o que se está a passar em palco, a definição da imagem é óptima mas o público, se é que meia dúzia de gajos a esbracejar se pode considerar tal, torna tudo demasiado virtual. O mais estranho é que parece que toda a gente gosta deste DVD!?

[ 5 ]
 

DISMEMBER - Where Ironcrosses Grow / 2004

Há algum tempo que as "anti-aéreas" não soavam a anunciar o ataque eminente do "super-bombardeiro" Dismember mas finalmente um dos pilares do Death Metal sueco está de regresso, quatro anos após a edição de «Hate Campaign».
«Where Ironcrosses Grow» apresenta elementos bem mais modernos, especialmente no que diz respeito à produção, quando confrontado com o que a banda de Estocolmo tinha feito anteriormente, mas o típico som old-school, a característica secção rítmica protagonizada pelo baixo galopante de Richard Cabeza e pelo forte e marcante desempenho de Fred Estby na bateria, a voz crua e quase Hardcore de Matti Kärki e a guitarra fria e cortante de David Blomqvist, não deixam lugar a dúvidas sobre o que sai pelas colunas da nossa aparelhagem - a velha guarda exulta.
É muito provável que a vossa cabeça saia disparada do pescoço.

[ 8 ]
 

DEICIDE - Scars of the Crucifix / 2004

A cruzada contra a cristandade continua mas a qualidade deste «Scars of the Crucifix» deixa algo a desejar. Pode-se escutar este disco vezes sem conta, tal também não é difícil graças à sua reduzidíssima duração e pouco ficará gravado na nossa memória. Se os últimos álbuns ficavam a dever uns pontos à trilogia «Legion», «Once Upon the Cross» e «Serpents of the Light», este registo é definitivamente a pior coisa que a banda liderada por Glen Benton fez até à data.
Death Metal linear, compassado e um pouco aborrecido, onde apenas se safam alguns solos de guitarra a cargo dos irmãos Hoffman.
Serão as chagas de Cristo a fazer efeito na cruz invertida de Benton.

[ 6 ]
 

DIMMU BORGIR - World Misanthropy / 2002 - DVD

Este duplo DVD inclui na primeira rodela actuações ao vivo no Wacken Open Air e em Estugarda, datadas de 2001. Cada um dos espectáculos foi contemplado com 4 temas e como não poderia deixar de ser, estamos perante uma realização bem profissional. O som está claro, responsabilidade de Fredrik Nordström no W:O:A e Peter Tägtgren no outro, embora por vezes fiquemos com a impressão de que o que se está a passar em palco difere do que sai pelas colunas da TV. A captação vídeo é irrepreensível. Entre cada performance podemos ainda assistir a entrevistas e a infindáveis cenas de bastidores apanhadas durante a digressão de 2001 / 2002.
No segundo disco, deparamos com algumas cenas mais antigas como excertos de uma actuações ao vivo de 98 e 99, vídeos promocionais e ainda dezenas de fotografias da banda.

[ 8 ]
 

DREAM THEATER - Train of Thought / 2003

A grande diferença entre os Dream Theater e as outras bandas é que os primeiros são compostos por músicos virtuosos, do melhor que há, e ainda por cima conseguem compor álbuns que são autênticas obras de arte tanto para os colegas de profissão como para o comum dos fãs. É certo que a música do quinteto oriundo de Nova Iorque é demasiado progressiva e complexa mas mesmo para um apreciador menos exigente, há sempre algo que fica entranhado.
Após o excelente disco conceptual «Metropolis Pt.2», a banda brindou-nos com «Six Degrees of Inner Turbulence», um registo demasiado rebuscado, sempre muito bem interpretado é certo, mas algo maçador. «Train of Thought» é um disco directo e do mais pesado que fizeram até à data. Não se poderá dizer é que é algo de fácil assimilação pois os 7 temas rondam, em média, 10 minutos de duração mas para quem gostar de devaneios instrumentais e vocais não é necessário procurar mais. Aqui existe um bastante de tudo isso.

[ 9 ]

 

DIMMU BORGIR - Death Cult Armageddon / 2003

Em meados dos anos 90, no agastado meio Black Metal, duas bandas começaram a emergir graças à mistura de elementos sinfónicos, épicos e melódicos, ao abuso dos teclados e à postura fortemente marcada pelo universo gótico. Uma delas chamava-se Dimmu Borgir e entretanto absorveu alguns dos elementos mais importantes de bandas como Old Man's Child, Borknagar e Cradle of Filth.
Neste ambicioso registo, o sexteto norueguês divide o estúdio com 46 elementos da Orquestra Filarmónica de Praga e ao contrário de outras realizações semelhantes, o som de todas as componentes musicais está muito bem delineado e claro. A mais valia introduzida pela orquestra é evidente e estamos perante algo genial, impossível de reproduzir ao vivo. No entanto, como já pude comprovar, nada que as teclas mágicas de Mustis não possam resolver.

[ 9.5 ]

 

DESTRUCTION - Metal Discharge / 2003

10 anos após ter abandonado os Destruction, deixando a banda germânica em estado de coma profundo, Schmier regressa e para surpresa geral são lançados 2 discos praticamente seguidos - «All Hell Breaks Loose» e «The Antichrist» - com uma força que à muito não se via e acima de tudo com uma qualidade que já parecia estar arredada para aquelas bandas. O último trabalho inclusivamente é, para muitos, o melhor disco que os Destruction fizeram até à data.
«Metal Discharge» marca um certo regresso ao passado e a energia e velocidade postas em prática parecem resultar mas existe um menor cuidado dado à produção. Todas as malhas seguem a habitual linha Thrash mas parece que algo foi feito à pressão e sem muito tempo para pormenores. Um disco desequilibrado.

[ 6 ]

 

DARKTHRONE – Hate Them / 2003

Passados mais de 10 anos desde a criação do género, o Black Metal entrou numa espécie de letargia, só ultrapassada com alguma renovação. Bandas como Mayhem, Satyricon ou The Kovenant são o exemplo de quem não quer ficar agarrado a um passado redutor. Por outro lado temos defensores acérrimos das raízes, do imutável e do verdadeiro som original como os Darkthrone. Este disco é para esses. Se baralhássemos os 10 discos dos noruegueses, poucos diriam que «Hate Them» é o último da colecção. 26 dias de estúdio foram suficientes para pôr cá fora mais uma rodela de som cru, gélido e sepulcral. Less is more? Por vezes…


[ 6 ]

 

DAYLIGHT DIES – No Reply / 2002

Se para opor ao Death Metal melódico de uns In Flames ou Dark Tranquillity os norte americanos nos apresentaram os excelentes Killswitch Engage, a mesma analogia (simplista) se pode fazer para o arrastado, depressivo e melancólico som de uns Opeth, Anathema ou Katatonia - eis os Daylight Dies. «No Reply» é um disco com grande longevidade. Nas primeiras audições não fica quase nada, mas com o tempo cada tema, cada pormenor, cada momento, vai penetrando no nosso cérebro. Embora ainda necessitem de limar algumas arestas, principalmente na busca de um som próprio, são uma banda a ter em conta.


[ 8.5 ]

 

DIMMU BORGIR – Alive in Torment / 2001 – LIVE EP

Enquanto preparavam a edição do DVD «World Misanthropy» e aproveitando a digressão de «Puritanical Euphoric Misanthropia» foi lançado este shapped-CD em forma de caveira e que inúmeros leitores áudio irão ter dificuldade em tocar para desespero dos fãs como geralmente acontece com formatos deste estilo que são sem dúvida muito engraçados mas muito pouco práticos. Os 5 temas que constam desta pequena edição foram gravados ao vivo em 4 de Abril de 2001 em Estugarda e posteriormente misturados nos estúdios Abyss por Peter Tägtgren. A escolha dos temas foi criteriosa e abrange malhas fortíssimas dos 3 últimos álbuns do grupo liderado por Shagrath. Este registo faz-me recordar perfeitamente a sua actuação no festival de verão da Ilha do Ermal de 2002 e prova que as bandas de Black Metal também podem fazer excelentes espectáculos ao vivo, com um som mais do que razoável, perfeitamente cristalino e audível. Black Metal repleto de melodia e teclados é a imagem de marca de uma banda que á semelhança dos Cradle of Filth já atingiu à muito tempo a primeira divisão este sub-género mais extremo do Heavy Metal.

[ 8 ]

 

DARKANE - Expanding Senses / 2002

Se actualmente vivemos uma crise de imaginação dentro dos vários géneros do metal, ainda se encontram por aí algumas bandas que conjugando estilos conseguem realizar algo de interessante e por vezes muito agradável.
Nesse lote de bandas poderemos colocar os suecos Darkane. Através de uma mistura brutal de Death e Thrash oferecem-nos um registo cheio de temas variados e com uma qualidade apreciável. Este é um disco que se aprende a gostar e que com o número de audições aumenta consideravelmente o seu potencial. Repleto de constantes variações entre o som extremo e melódico, incorporando por vezes elementos cibernéticos e atmosféricos, e ajudado por uma tremenda produção, Daniel Bergstrand já é um dos nomes da nova moda, este é um trabalho a não perder.

[ 8 ]

 

DOWN - II a bustle in your hedgerow ... / 2002

Aproveitando algum tempo livre nos Pantera, Philip Anselmo dá asas ao seu génio criativo e vai ocupando o seu tempo em projectos paralelos como os Superjoint Ritual, Eibon, Viking Crown, Necrophagia, Southern Isolation, entre outros.
Os Down, originários de New Orleans e de quatro bandas diferentes, juntaram-se há uns anos atrás daí resultando «Nola», um trabalho de tendências rock seventies.
Anselmo (voz e guitarra), Pepper Keenan dos C.O.C. e Kirk Windstein dos Crowbar nas guitarras, Jimmy Bower dos EyeHateGod e C.O.C. na bateria e Rex Brown dos Pantera no baixo, em substituição de Todd Strange (ex-Crowbar), oferecem-nos agora 15 temas que não enganam ninguém.
Este é o disco contém alguns temas (concretamente os mais arrastados) que a banda de Birmingham gostaria de gravar caso ainda estivesse na plenitude das suas capacidades.

[ 8 ]

 

D-A-D - Soft Dogs / 2002

Música despretensiosa e bastante agradável ouvir nesta altura do ano. Quando o calor aperta o som dos D.A.D. é algo refrescante para a alma tal como um Whisky bem diluído em água e muito gelo. «Soft Dogs» é um registo repleto de baladas e temas a meio gás, com excelentes solos e uma produção brilhante.

 


[ 7 ]

 

DIO – Killing the Dragon / 2002

Dono de uma voz que ficará para sempre na história do Heavy Metal, aquele que já esteve à frente dos Elf, dos Rainbow e até dos Black Sabbath em 4 álbuns, apresenta-nos aquele que é o seu décimo trabalho a solo. Pejado de letras recheadas de clichés este é talvez um dos piores discos de toda a carreira de Dio, apesar de aqui e ali ainda se poder encontrar aquela magnífica voz, instrumental e criativamente esta rodela é demasiado desinteressante.



[ 5.5 ]

 

DESIRE - Locus Horrendus the Night Cries of a Sollen Soul... / 2002

Regressam quase 5 anos depois do seu segundo lançamento com o tão aguardado «Locus Horrendus» através de uma edição de autor. Mais um conjunto de temas longos, arrastados, extremamente melódicos e nostálgicos, apoiados na poesia de Fernando Pessoa e na escuridão da noite.
Até se pode dizer que este terceiro disco é o mais equilibrado e melhor produzido de todos, foi inclusive misturado nos famosos Finnvox Studios, mas faltam-lhe temas carismáticos como «A Ride in a Dream Crow» e «When Sorrow Embraces My Heart». A já citada longa duração dos temas, excluindo os que funcionam como separadores, ronda ou ultrapassa os 10 minutos o que torna este trabalho algo monótono. O corvo está um pouco lívido.

[ 6.5 ]

 

DARK TRANQUILLITY – Damage Done / 2002

A par dos In Flames são os criadores e grandes representantes do som de Gotemburgo – o Death Metal sueco caracterizado pela mistura de agressividade, rapidez e melodia. Este novo registo é um regresso às raízes deixando um pouco para trás o lado mais gótico desenvolvido nos últimos «Projector» e «Haven». As vozes agressivas voltaram, dando-lhes mais potência, o bastante para devastar o nosso cérebro. O som está espectacular, ou não fosse uma produção dos estúdios Fredman, e as inacreditáveis melodias com as complexas estruturas desenvolvidas pela banda tornam este disco um grande candidato a álbum do ano. Intenso.


[ 9.5 ]

 

DANZIG - I Luciferi / 2002

O sétimo trabalho de originais da banda de Glenn Danzig é como que um retrocesso na linha mais industrial utilizada nos últimos trabalhos, mais concretamente em «Blackacidevil». Parece que dando razão às criticas dos fãs de longa data, Glenn preteriu a produção mais electrónica em favor de um som mais orgânico. É também claro que escolheu abandonar o experimentalismo bem patente nos registos mais recentes e regressar às suas raízes em relação à escrita das canções, mas de maneira nenhuma pode este álbum ser colocado ao nível dos seus primeiros lançamentos. Essencialmente a maioria das faixas está acima da média no entanto, a produção destroi por completo o ambiente do disco devido à sua linearidade e falta de força. Um esforço apesar de tudo.

[ 6.5 ]

 

DREAM THEATER - Six Degrees of Inner Turbulence / 2002

Compostos por um conjunto de exímios executantes, os Dream Theater conseguem atingir o que poucos projectos do género alcançam, fazer música para músicos mas também para o público em geral. Em suma, a banda do fantástico baterista Mike Portnoy, do magistral guitarrista John Petrucci, do excelente vocalista James Labrie, do virtuoso baixista John Myung e do não menos fabuloso Jordan Rudess nos teclados, é uma instituição. O que fazem não é bom, é optimo.
Este novo duplo álbum só poderá desiludir um pouco aqueles que estavam á espera de um trabalho essencialmente melódico e agora deparam com algo mais progressivo mas ao mesmo tempo bem mais pesado.

[ 9.5 ]

 

DARK FUNERAL - Diabolis Interium / 2001

Ao contrário da maioria das bandas provenientes da Suécia, os Dark Funeral não seguem as correntes dominantes do Melodic Death nem do Power Metal. O som deste quarteto é diabólico, as letras convenientemente satânicas e sangrentas. O resultado final é uma combinação de riffs ultra brutais bafejados com cortantes e gélidas melodias.
Quando comparado com trabalhos anteriores verifica-se que este disco não é tão extremo pois o colectivo está claramente a abrandar o ritmo. Facto que não será alheio à intervenção de Peter Tägtgren, o qual deverá ter tido alguma influência nas composições desta proposta.
Claro que a rapidez e a frieza de alguns temas não permitem duvidar que é de Dark Funeral que se trata aqui ... transformando este disco no mais variado que o grupo liderado pelo guitarrista Lord Ahriman lançou até à data.

[ 7 ]