: : MALEITAS/ANÁLISES : : C : : .

CRADLE OF FILTH - Dusk... and Her Embrace - The Original Sin / 2016

"Depois da arrasadora estreia em 94 e de «V Empire», aguardava-se com enorme expectativa a entrada da banda na poderosa Music For Nations. Aprimorando o contraste ente uma faceta melódica e uma sonoridade o mais caótica possível, os Cradle of Filth confirmavam-se definitivamente como os líderes de um movimento extremo que ajudaram a criar" - escrevia eu algo assim em meados de 1996.
Com a mesma formação de «The Principle of Evil Made Flesh» a banda gravaria em 1995 pela Cacophonous o seu sucessor que, por falta de consenso, ficaria na gaveta até aos dias de hoje. Entretanto o grupo desmembra-se com a saída de Paul Allender e dos irmãos Ryan para os The Blood Divine e só um ano mais tarde, e já com uma nova formação, «Dusk and Her Embrace» é regravado, com uma sonoridade mais polida, sinfónica, a qual acabaria por catapultar os Cradle of Filth para voos mais elevados. Curiosamente uma certa nostalgia parece ter voltado ao seio do grupo britânico com o lançamento orquestral de temas dos 4 primeiros álbuns em «Midnight in the Labyrinth», a versão remasterizada de «Total Fucking Darkness» e um último álbum de originais que trouxe a banda novamente para a linha da frente. Set-16

[ nd / 100 ]

 

THE CULT - Hidden City / 2016

O décimo álbum dos The Cult, quinto com o produtor Bob Rock que tem acompanhado a banda desde «Sonic Temple», com a excepção ali pelo meio de «Ceremony», toca em praticamente todas as facetas do quarteto britânico, com maior enfoque e até mais perto do que qualquer outro trabalho anterior nos registos iniciais, os seminais «Dreamtime» e «Love». Finalizando a trilogia de discos que a banda encetou em «Born into This» de 2007, «Hidden City» contém um conjunto de temas com uma paleta de estilos que vão do Psychedelic Goth ao Post-Punk, os quais na verdade sempre evidenciaram. Ian Astbury permanece um front-man de elevado gabarito, com a sua voz emblemática e presença no auge, Billy Duffy não esmorece no que à parte de linhas e solos de guitarra diz respeito, num desempenho sólido e marcante, não descurando aquele esquema de riffs à la Zeppelin e John Tempesta não deixa os seus créditos à margem nas peles.
A caminho de 33 anos de actividade e mesmo que nem todos os temas mantenham este 10º capítulo num nível galáctico, os The Cult continuam a manifestar uma forma e a deter um estatuto que justifica plenamente a decisão de terem regressado ao activo, já tomada em 2005 mas perfeitamente actual nos dias que correm. Mar-16

[ 83 / 100 ]

 

CRADLE OF FILTH - Hammer of the Witches / 2015

Nos limites do Black Metal, a forte componente gótica e a faceta mais sinfónica, tornaram os Cradle of Filth numa banda que acaba por não caber em nenhuma gaveta em particular. O som extremo proposto pela banda de Ipswich, foi-nos presenteando com uma série constante de bons trabalhos, mais ou menos conceptuais, num misto de teatralidade grotesca com actividades circenses. Mantendo as melodias Maidenescas nas guitarras, os elementos orquestrais, os teclados e as vozes mais operáticas, este 11º trabalho dos COF está longe de ser um dos mais acessíveis, soando natural e menos polido que habitualmente, repleto de numerosas camadas de som, a descobrir a cada nova audição. Com nova revolução no line-up, novamente sem Paul Allender, a dupla de guitarristas agora composta por Richard Shaw e Marek Smerda é a grande responsável pela versatilidade e peso, num trabalho de conjunto assinalável, de duelos constantes e ritmos galopantes. A juntar à base rítmica mais sólida do que nunca, Skaroupka é um baterista incrível, a voz de Dani Filth não passa despercebida, embora menos proeminente do que era costume.
Mais directo, genuíno e "metal" que os seus antecessores, recuemos talvez até alturas de «Midian», este parece ser um trabalho consensual. Set-15

[ 84 / 100 ]

 

CANNIBAL CORPSE - A Skeletal Domain / 2014

Soberanos no que ao Gore Death Metal diz respeito, os Cannibal Corpse tem mantido um registo discográfico constante e em total sintonia com a sua base de seguidores. Depois de 3 álbuns sob o comando de Eric Rutan, nos quais a banda da Flórida intensificou a sua componente mais técnica mantendo a intensidade nos limites, em «A Skeletal Domain» o quinteto coloca-se nas mãos de Mark Lewis, produtor que já trabalhou bandas como Six Feet Under ou Deicide não se limitando às sonoridades mais extremas, resultando desta colaboração um disco mais envolvente e dinâmico quando comparado com os seus antecessores. De resto não temos aqui nada de revolucionário, mantendo-se a brutalidade e a intensidade de cada tema como a pedra basilar de mais um banho de sangue. Por cima de uma componente rítmica como não há igual e cujos protagonistas se mantém desde a origem, Pat O'Brien e Rob Barrett trocam infindáveis descargas de energia capazes de nos arrancarem a cabeça de cima dos ombros e George Fischer é "Corpsegrinder". Sem se desviarem do rumo há muito traçado, pela inclusão de alguns fillers, ausência de temas verdadeiramente marcantes e até pela pouca diferença entre eles, este 13º trabalho dos Cannibal Corpse acaba por transmitir uma pequena desilusão. Nov-14

[ 73 / 100 ]

 

CARCASS - Surgical Steel / 2013

Ora aqui está finalmente o 6º álbum da banda de Liverpool, algo que se começou a desenhar assim que os Carcass se voltaram a reunir em 2007, editado 17 anos após o canto do cisne. Mesmo sem Michael Amott e Daniel Erlandsson, comprometidos com os Arch Enemy e com Ken Owen há muito afastado por razões de saúde, embora o baterista de sempre participe neste disco através de algumas vozes de apoio, Jeff Walker e Bill Steer não se fazem rogados e, com a ajuda de Daniel Wilding, concebem uma colectânea de temas que a nossa memória coloca automaticamente ali algures entre «Heartwork» e «Necroticism», embora «Swansong», pela componente mais melódica também seja chamado à calha. Desta feita Steel trabalha sozinho com os instrumentos mais afiados e fá-lo de uma forma sublime, através de riffs perfurantes e solos fluidos sob a voz de comando de Walker. A produção do eterno Colin Richardson e a operação de cosmética dada por Andy Sneap retiram qualquer reminiscência datada a este trabalho, conferindo a «Surgical Steel» uma frescura admirável. No ano em que os Black Sabbath regressaram aos estúdios, os Carcass fazem-no de forma incrível. Agora é partir uma data de pescoços que alguém os arranjará. Ferramentas não faltam. Set-13

[ 92 / 100 ]

 

CATHEDRAL - The Last Spire / 2013

Anunciado desde 2011, eis que chegamos ao fim. Este é mesmo o último álbum de estúdio dos Cathedral, escreve-se assim na 10ª lápide o epitáfio de uma das mais influentes e responsáveis bandas pelo alargamento de horizontes no cenário que passou a gravitar à volta do movimento Death / Doom Metal. Se «Forest of Equilibrium» é o canto do cisne, mesmo tratando-se do capítulo inicial, a banda sempre se reinventou ao longo dos tempos, criando discos surpreendentes e bastante diversificados entre si, mas para quem ficou plenamente rendido aos primeiros trabalhos, foram perdendo um pouco o sentido de orientação na altura em que pisaram territórios mais bizarros, onde o psicadelismo e as influências instrumentalmente alucinógenas desaguavam numa complexidade exagerada. «The Last Spire» não é um regresso ás raízes mas relega essa fase mais naïve e experimental, tornando-se um dos discos mais directos e pesados que já nos ofereceram. Com uma vertente rítmica colossal, grandiosidade e beleza nas composições, Gaz Jennings e Lee Dorian expelem Doom tradicional por todos os poros, em temas poderosos, gloriosamente sinistros e de profunda melancolia. "O circulo do tempo parou, vivendo na sombra de uma Catedral condenada". In Memoriam: Cathedral 1990-2013. Jun-13

[ 88 / 100 ]

 

CRUZ DE FERRO - Guerreiros do Metal / 2012

«Guerreiros do Metal» é o EP de estreia dos Cruz de Ferro, uma banda de Heavy Metal de Torres Novas, iniciada nestas lides em 2009 e cuja reputação conseguida à custa de enérgicas actuações ao vivo, lhes foi granjeando um reconhecimento crescente junto da comunidade mais old-school.
Gravado e masterizado por Arlindo Cardoso nos Southern Studios e produzido pela própria banda, os 5 temas vocalizados em português que compõe este trabalho de apresentação evidenciam ainda pouca experiência, não só em termos de composição mas principalmente ao nível sonoro, ficando lacunas por preencher no campo melódico e também em poder, factor minorado caso tivessem utilizado uma bateria totalmente verdadeira (aquele trigger ao longo de todo o disco é terrível). Em termos individuais é a voz de Ricardo Pombo que se destaca, embora bem acompanhado pela secção de cordas. Obviamente estes géneros tradicionais ficam sempre mais expostos às imperfeições mas, pela amostra e pelo que já ouvi dizer a quem teve a sorte de ver actuações do quarteto, existe aqui mais do que matéria prima para colocar os Cruz de Ferro num patamar de destaque num universo carente deste tipo de sonoridade mas pejado de projectos mais extremos, demasiado semelhantes entre si. Mai-13

[ 60 / 100 ]

 

CRADLE OF FILTH - The Manticore and Other Horrors / 2012

Ultrapassando os 20 anos de carreira, os britânicos Cradle of Filth chegam ao 10º álbum de originais com um trabalho interessante e que não deslustra, a juntar a uma vasta discografia de EPs, compilações e registos ao vivo. Intervalando posturas mais extremas com majestosos momentos mais sinfónicos, a faceta teatral e uma acentuada costela gótica desde cedo os distanciaram do movimento Black que, apenas numa fase mais embrionária, chegaram a tocar.
«The Manticore and Other Horrors» despe-se de floreados, exageros orquestrais e trejeitos menos próprios, um pouco à semelhança do anterior «Darkly, Darkly, Venus Aversa» mas fazendo-o de forma mais agressiva e ao mesmo tempo menos complexa, destoando um pouco do estilo que a banda começou a abraçar a partir de «Midian». Por vezes chegamos a questionar onde estão os famosos teclados, as declamações de Dani Filth ou os diabólicos coros femininos. Reduzidos a trio, o metal grotesco do colectivo de Ipswich adquire alguns contornos Punk que chegam a surpreender e até os gritinhos do seu pequeno líder, sob uma chuva de farpas lançadas por Paul Allender e mutantes explosões de energia proporcionadas por Martin Skaroupa, se tornam agradáveis ao ouvido. Nov-12

[ 78 / 100 ]

 

CANDLEMASS - Psalms for the Dead / 2012

O canto do cisne ou um álbum para preencher mais um interregno entre edições de estúdio, à espera que algumas questões internas se resolvam? Certo que Leif Edling já garantiu ser este o último trabalho dos Candlemass e a substituição apressada de Rob Lowe por Mats Leven, para garantir a série de concertos que se seguem, indicia algum mal estar interno com o vocalista americano, mas sempre fica a esperança que o grande monge possa regressar pela 3ª vez.
Centrando-nos em «Psalms for the Dead», o terceiro opus com Lowe no microfone, este é sem dúvida o disco mais épico e back to the basis dos 3, trazendo-nos à memória o grandioso «Tales of Creation». A intensidade e uma série de influências mais seventies, entre as quais o uso frequente de órgão ao longo de todo o disco, incutem a estes salmos um brilhantismo arredado do colectivo sueco desde o álbum homónimo, o tal que testemunhou o regresso fugaz de Messiah Marcolin. Além da melhor performance por parte de Lowe, o restante colectivo apresenta-se em grande forma, não faltando espaço para os excelente solos saídos da guitarra de Lars Johansson por entre compassos geniais debitados por Leif Edling. Não sendo o encerramento de carreira perfeito, são escrituras com um impacto superior. Jul-12

[ 87 / 100 ]

 

THE CULT - Choice of Weapon / 2012

Há bandas que nos marcam para sempre, acompanhando sonhos, amores de juventude, os momentos mais electrizantes das nossas vidas e os concertos de air guitar no templo do nosso quarto. Há bandas que nunca mais deixarão de nos marcar, mesmo que entretanto tenham enveredado por caminhos de maior parcimónia, mais introspectivos, realizado coisas menos boas, renascendo novamente embora de forma menos conseguida. Há bandas que façam o que fizerem possuem aquela acendalha capaz de despoletar em nós muitos dos sentidos outrora efervescentes.
«Choice of Weapon» é um álbum cheio dessas reminiscências que, embora moderno e com uma personalidade muito própria, traz-nos também à memória as etapas mais conseguidas pelo quarteto de Yorkshire. A dupla Astbury / Duffy permanece, como não poderia deixar de ser, como o fio condutor por onde passam esses elementos profundos e que, dependendo do nosso estado de espírito, coloca-nos à disposição as ferramentas necessárias para darmos esse desejado mergulho temporal. Em suma, é só escolher a arma...
Fundamental encontrarem a edição especial que contém um bónus CD com as gravações efectuadas em 2010 para o conceito «Capsule». Jun-12

[ 81 / 100 ]

 

CANNIBAL CORPSE - Torture / 2012

«Torture» é o 12º álbum dos Cannibal Corpse, uma banda que por si viu passar elementos importantes como Jack Owen e Chris Barnes mas, ainda assim, prima pela estabilidade em quase 25 anos de carreira, incorporando músicos de reconhecida capacidade e competência, capazes de desenvolver uma sonoridade agressiva, rápida e ao mesmo tempo suficientemente técnica. Pela 3ª vez com Erik Rutan na cadeira da produção, não é necessário escrever muitas mais linhas sobre um disco, uma vez que os elementos diferenciadores entre este e os últimos trabalhos do colectivo americano são escassos. Para quem não conhece o passado desta instituição do Death Metal mundial, este é um bom exemplo para começar, para um seguidor de longa data, está suficientemente bom assim.
A espaços, os 12 golpes de lâmina incutidos pela banda parecem ainda mais incisivos e as descargas que nos arremessam prosseguem numa direcção brutal e sangrenta mas no final, cada corpo dissecado apresenta um aspecto pouco diferente do anterior, ou seja, nenhum sobra para contar como foi. Desconheço se o artwork continua a ser censurado em alguns países do velho continente mas a sua ocultação continua a proporcionar um sentido gore e preverso à coisa. Abr-12

[ 77 / 100 ]

 

CRADLE OF FILTH - Evermore Darkly / 2011- EP

Quando a própria banda anuncia que é quase um crime obter este EP de outra forma que não seja de graça, parte desta análise fica facilitada. De que outra forma seria justificável gastar um cêntimo que seja em temas que foram repescados das sessões de gravação de «Darkly, Darkly, Venus Aversa»?
À parte das versões alternativas de malhas que povoaram o último álbum do sexteto britânico, onde o destaque vai para a versão electro-trance de «Forgive Me Father», uma proposta tornada dançável por Rob Caggiano e que só surpreende aqueles que não conhecem a data de experiências deste género que o colectivo tem feito ao longo dos tempos, os dois temas originais, sendo um deles uma intro, acabam por incutir um espirito coleccionista à coisa. Martin Škaroupka continua a revelar-se uma máquina imparável e, não fosse por algo mais, o artwork de Natalie Shau vale também uma espreitadela. O DVD anexo funciona como um complemento visual, demonstrando uma banda plena de actividade, com uma enorme lista de temas emblemáticos e ainda capaz de produzir vídeos como «Lilith Immaculate», um interessante clip que abre esta rodela digital. Tudo somado, «Evermore Darkly» até acaba por ser um documento que merece parte do investimento. Nov-11

[ 64 / 100 ]

 

CORPUS CHRISTII - Luciferian Frequencies / 2011

Desenhados em torno da personagem Nocturnus Horrendus, os Corpus Christii já vão no 7º álbum de originais, deixada que está para trás a trilogia «Torment». A cada novo passo, absorvem-se influências que colocam esta entidade num patamar bastante superior ao da grande maioria dos projectos que gravitam pelo panorama nacional.
Agora que o Black Metal se encontra numa encruzilhada, não havendo mais espaço (nem paciência) para aquele som mais visceral reproduzido até à exaustão, os CC enveredam por caminhos menos lineares, saindo das fronteiras do Black / Death, muito graças à experiência e maturação que foram adquirindo, não só ao vivo, mas também pela abrangente capacidade vocal de NH.
Um manancial de agonia que vai crescendo a cada audição, embora algumas fases se revelem um pouco monótonas. Com selo da Candlelight, esta liturgia de depressão conta ainda com o excelente contributo do baterista Menthor. Ago-11

[ 77 / 100 ]

 

CRADLE OF FILTH - Darkly, Darkly, Venus Aversa / 2010

Junto com os Dimmu Borgir, os Cradle of Filth são uma das bandas de metal extremo com fortes raízes no movimento Black Metal, que foram acrescentando ao som de base orquestrações majestosas e estratos de musicalidade tal, que os foram afastando progressivamente do percurso inicial.
De forma sinuosa, os últimos tempos de Dani Filth e companhia deambularam entre elaborados e ambiciosos enredos e obras mais acessíveis, a roçar o comercial, onde o exótico vocalista quase chegou ao limite de não utilizar o seu característico esgar. Após um acelerado «Godspeed on the Devil’s Thunder», o qual parece reportar em termos estilísticos à fase pos-«The Principle of Evil Made Flesh», a banda acolhe o guitarrista James McIlroy, elemento já utilizado ao vivo e que reforça o trabalho de desconstrução rítmica executado por Paul Allender, enquanto Ashley Ellyllon, além das vozes femininas de suporte a Dani, ainda vai pintando paisagens sinfónicas sobre um pano de fundo intrincado, negro, glamoroso e decadente. Infelizmente faltam aqui malhas memoráveis e aqueles interlúdios majestosos a que estávamos acostumados, embora o desempenho sónico de Martin Skaroupka seja indiscutivelmente um dos aspectos a destacar neste veloz, mas ao mesmo tempo algo estéril, «Darkly, Darkly, Venus Aversa». Nov-10

[ 78 / 100 ]

 

CATHEDRAL - The Guessing Game / 2010

Cinco anos após «The Garden of Unearthly Delights», os britânicos Cathedral surpreendem-nos com um álbum duplo, menos convencional e cada vez mais a roçar os limites do bizarro. O Doom com raízes antigas, leia-se Sabbath, mistura-se frequentemente com tonalidades psicadélicas, recolhidas à década de ’70, num emaranhado de texturas revestidas de experimentalismo e incursões progressivas, onde o som intrincado desagua em ambientes etéreos e estranhas encruzilhadas.
Ainda mais complexo e dado a devaneios estilísticos, ao nono trabalho de originais a banda de Coventry agarra-nos ao longo de uma hora e meia que, aparentemente poderá parecer demasiado longa e incaracterística mas, com o decorrer de pacientes audições acaba por se revelar numa das suas maiores e mais bem construídas obras. Enquanto Lee Dorrian alterna entre registos declamados ou limpos e a sua característica tonalidade vocal, Leo Smee e Brian Dixon rasgam cada instante com uma sessão rítmica ora hipnótica ora convincentemente condutora, ficando Garry Jennings imbuído em preencher cada espaço com grandes riffs e pinceladas de qualidade, onde sintetizados, órgãos, flautas, citaras e violinos parecem flutuar. Além de brilhante, «The Guessing Game» é divertido e de jogabilidade duradoura. Abr-10

[ 86 / 100 ]

 

CANDLEMASS - Death Magic Doom / 2009

Embora Robert Lowe tenha interpretado na íntegra «King of the Grey Islands», só durante a gravação deste novo trabalho é que as canções foram verdadeiramente compostas a pensar nas suas capacidades vocais. Desta feita, nota-se que o estigma provocado por mais um abandono intempestivo por parte de Messiah Marcolin, o qual seguramente ensombrou o registo anterior, já não se revela de todo, sendo «Death Magic Doom» composto por um conjunto de temas que denotam uma postura mais confortável e confiante por parte do rejuvenescido quinteto sueco.
Sem o carisma do seu predecessor, é óbvio que a voz de Lowe é mais técnica e dinâmica, potenciando abordagens mais arriscadas e incursões em campos interditos até à data. Em termos instrumentais, sempre bem secundado por Mats "Mappe" Björkman, Lars Johansson preenche o álbum com algumas excelentes linhas de guitarra e grandes solos enquanto o baixo de Edling pinta paredes de groove ao longo de inspiradas composições. No entanto, o registo mais Heavy do vocalista americano, a falta de malhas verdadeiramente contagiantes, em conjunção com uma abordagem mais negra e veloz, afasta-os de forma significativa da atmosfera melancólica, épica e predominantemente Doom que sempre os caracterizou. Abr-09

[ 76 / 100 ]

 

CANNIBAL CORPSE - Evisceration Plague / 2009

Em linha com o que fizeram nos recentes «The Wretched Spawn» e «Kill», álbuns que de certa forma trouxeram uma dose de maturidade extra à carreira de um dos maiores baluartes da cena Death Metal mundial, os Cannibal Corpse celebram vinte anos de actividade, recorrendo sem contemplações à temática gore, desmembrando falsas moralidades e transformando-as em autênticos banhos de sangue.
Nesta 11ª incursão de estúdio, o quinteto americano combina velocidade e poder com passagens mais cadenciadas de forma sempre brutal e com um groove facilmente reconhecível. A muralha trituradora de riffs e solos esmagadores que se vai derramando ao longo de «Evisceration Plague», revela que Rob Barret e Pat O’Brien estão cada vez mais entrosados, enquanto George “Corpsegrinder” Fisher, com potentes descargas guturais e gritos lancinantes, vai expelindo vísceras de ódio. Embora o ataque maquinal de Paul Mazurkiewicz não seja do agrado de todos, Alex Webster como que compensa essa pequena debilidade rítmica com mais uma performance extraordinária, perfeitamente audível em cada espira deste suporte. E é na produção moderna de Erik Ruten que reside muito do labor que resulta no carácter letal e destrutivo deste disco. Fev-09

[ 78 / 100 ]

 

CRYSTALLINE DARKNESS - Melancólica Nostalgia / 2008 - Demo

Numa altura para arrumar ideias e propícia a algumas repescagens, a demo de estreia dos Crystalline Darkness, cujo lançamento remonta a Fevereiro último, tem também o seu lugar num ano recheado de lançamentos de grande valor, no underground luso.
Da mente do seu criador, passada para a fita de forma introspectiva e abstracta, ora entregue ao mais puro improviso, «Melancólica Nostalgia» encerra em si 4 temas de cariz ambiental, com tendências experimentais. Em termos sonoros, as composições vão percorrendo caminhos progressivos chegando a roçar o tom black metal avant-garde de bandas como Lurker of Chalice ou Leviathan. Enquanto Demoniac, sempre em português, utiliza a voz com sentimento e quase em agonia, lembrando a espaços o timbre de Adolfo Luxuria, Funeriis acompanha-o sentado na bateria, como que ausente. Nesta produção fria e crua, são os ambientes criados pelas cordas que sobressaem, num trabalho coerente mas a clamar por mais alguma diversidade.
Quando se aguardam desenvolvimentos, quer através de «Delírios», um split com os Pestilência, quer da 2ª demo, a banda prepara-se para exorcizar nostalgia, em pontuais apresentações a decorrer num futuro muito próximo. Aqui jaz a #003 de uma edição de 500 cópias a cargo da Herege Warfare Prod. Dez-08

[ 71 / 100 ]

 

CRADLE OF FILTH - Godspeed on the Devil's Thunder: The Life and Crimes of Gilles De Rais / 2008

Em plena vaga de expansão da música extrema, através de sonoridades nunca antes experimentadas, os Cradle of Filth conseguiram não deixar ninguém indiferente, criando diversos anticorpos, sendo o ódio visceral um dos sentimentos limite.
Com uma actividade discográfica avassaladora, entre Eps, singles, compilações e Dvds, chegam ao 8º álbum com nova abordagem conceptual, desta feita versando a vida ambígua de Gilles De Rais, após o espalhanço com «Thornography», álbum demasiado lento, direccionado para a MTV e assente numa pouco conseguida mistura Black/Thrash/Goth. Com novo baterista, Martin Škaroupka que faz aqui um trabalho soberbo, «Godspeed on the Devil’s Thunder» regressa à formula evidenciada em álbuns como «Midian» ou «Cruelty and the Beast», com a ajuda de temas memoráveis e onde a velocidade é uma característica dominante, ao longo de 70 minutos de intrincadas composições e poderosa produção de Andy Sneap. Por cima das incursões dos majestosos teclados, Paul Allender faz um notável trabalho ao nível de riffs enquanto Dani Filth revela um grande desempenho, coadjuvado pelas narrações de Bug Bradley e Sarah Jezebel Daeva. Aconselhável a edição dupla deste CD que vale pela excelente cover de «Into the Crypt of Rays» dos Celtic Frost. Nov-08

[ 84 / 100 ]

 

CANDLEMASS - Lucifer Rising / 2008 - EP

O rude golpe que poderia ter afectado irremediavelmente o percurso dos Candlemass, depois de um grande regresso em 2005, teria sido fatal se Robert Lowe tivesse acusado a gigantesca responsabilidade de substituir Messiah Marcolin. Felizmente a experiência e o carácter do vocalista texano chegam para se impor no seio do colectivo sueco, como se comprova neste EP, composto por 2 originais, a regravação de «Demons Gate» e ainda 9 grandes temas, entre clássicos e faixas do registo mais recente, registados num concerto em Atenas no ano transacto.
«Lucifer Rising» abre esta obra de forma enérgica e bem acelerada para os padrões mais tradicionais a que já nos habituaram, enquanto «White God» segue numa direcção bem mais doomica e cadenciada. Relativamente aos temas conhecidos, além da particularidade de incluírem a presença do vocalista dos Solitude Aeturnus e Concept of God, sem dúvida uma excelente forma de exorcizar alguns fantasmas ainda presentes, revelam uma formação muito coesa, competente e essencial para um panorama actual tão mal tratado com projectos mercantilistas, bandas de sucesso efémero e toneladas de agrupamentos de duvidosa qualidade.
É sempre bom ouvir este Heavy Metal bem tocado, mesmo atravessando uma fase mais acinzentada. Nov-08

[ 77 / 100 ]

 

CORPUS CHRISTII – Carving a Pyramid of Thoughts / 2008

ccApenas ultrapassados pelos Decayed em termos discográficos, os Corpus Christii são a referência quando se fala de Black Metal de origem nacional com repercussão extra muros, apesar de serem um conceito solitário desenvolvido por Nocturnus Horrendus com a colaboração pontual de outros músicos.
Terminada a trilogia «Torment», NH repesca 5 temas originais das sessões de gravação de cada um dos discos, sendo que apenas a faixa de abertura foi lançada numa edição especial de «Torment Belief», compilando-os neste EP com um aspecto estético bastante bom. Assim que colocamos este disco o tormento recomeça, a agonia e sofrimento esvaem-se pelas espiras do CD enquanto que cronologicamente vamos revendo como funcionam os Corpus Christii com bateristas de carne e osso, como é o caso de Necromorbus nos 3 primeiros temas e Menthor nos restantes, beneficiando este último da produção claramente mais encorpada dos Ultra Sound Studios.
Com uma fugaz passagem pela Agonia Records, agora na Candlelight abrem-se outras portas para quem há mais de uma década não pára de espalhar misantropia em nome d’Ele, actualmente encontrando-se ainda a preparar os novos trabalhos de Morte Incandescente e a aguardada estreia dos The Hanged. Out-08

[ 74 / 100 ]

 
CONCEALMENT - Leak / 2007

Não foi fácil fechar a composição de um line-up que se iniciou em 1994 e só terminaria 4 anos depois. Com uma interrupção pelo meio que chegou a colocar a banda em estado de coma, a máquina foi-se afinando através das demos «Naked, Drowned, Art» e «Imperaffection» e já recentemente com o EP «Of Malady».
Através de actuações que vão deixando a assistência de queixo caído, os Concealment lançam já este ano o aguardado álbum de estreia, um registo devastador onde a brutalidade se encarrega de esmagar qualquer ousadia mais melódica. Deambulando por campos técnicos e experimentais, tudo parece desconexo, perturbador, demasiado intrincado e mesmo com persistência, o som parece fluir directamente das colunas para fora da sala. A sensação é mecânica, industrial… quase visceral mas a articulação entre os 3 músicos é perfeita e todos desempenham um papel fundamental na desconstrução de cada tema. A meio «Inmost», com a participação vocal de Sérgio Duarte dos Re:Aktor, funciona como uma catarse antes de novo ataque massivo proveniente dum emaranhado de cordas e da pujante bateria.
Comparações com a destreza de uns Meshuggah ou a sagacidade dos Fear Factory serão redutoras para esta banda de Sintra que não tem par a nível nacional. Out-07

[ 8 ]

 
CORPUS CHRISTII - Rising / 2007

Somando 6 álbuns de estúdio e uma série de splits e EPs, não existe no submundo do extremo e do profano nenhuma entidade nacional que se equipare aos Corpus Christii. Se a isso juntarmos a experiência que NH vai adquirido através de digressões internacionais e em bandas e projectos paralelos por onde vai passando, casos dos Genocide Kommando, Storm Legion, Morte Incandescente ou Coldness, chegamos à conclusão que ideias e energia é coisa que não falta por aqui.
«Rising» marca o final de uma trilogia encetada aquando do lançamento de «Tormented Belief» em 2003 e ao mesmo tempo revela-se o mais ambicioso e interessante trabalho realizado pelo músico até à data. A par das agonizantes estruturas e devaneios misantrópicos, próprios de um Black Metal mais directo e cru, muitos dos temas caminham por percursos mais elaborados e que tornam esta audição de quase 1 hora, uma actividade nada aborrecida. Por vezes Nocturnus envereda por registos mais cantados e limpos e embora o resultado não seja sempre o mais conseguido, essa postura adapta-se na perfeição ao ambientes recriados. A produção é competente e clara, fazendo com que todos os instrumentos se revelem, com destaque para a exímia execução de Menthor, um dos melhores bateristas nacionais do género.
Como o nome indica, desta feita os CC elevam-se a nova dimensão
. Set-07

[ 8 ]

 
CANDLEMASS - King of the Grey Islands / 2007

Sendo consensual que Leif Edling é o mentor e o grande estratega por trás dos Candlemass, é inquestionável a importância e carisma que Messiah Marcolin sempre evidenciou à frente do quinteto sueco, não só pela sua figura opulenta como pelo característico vozeirão arrancado a plenos pulmões. Com Messiah, os doomsters escandinavos sempre evidenciaram um som mais aberto e Heavy quando confrontados com todos os trabalhos editados sem a presença do monge.
E se o regresso ao activo em 2005, com o álbum homónimo e com a formação mais rodada até à data, se revelou um rotundo sucesso, com a saída do vocalista por divergências musicais e algumas questões pessoais e sua substituição por Rob Lowe, a eloquente voz dos americanos Solitude Aeternus, o colectivo de Estocolmo colou-se novamente a caminhos mais depressivos e negros, pendendo agora a balança para composições e sonoridades mais introspectivas e complexas, como as evidenciadas em alguns dos projectos paralelos de Edling, casos concretos dos Krux e Abstrakt Algebra mas sem se perder uma única vez o traço original.
Em tons bem mais cinzentos, a banda apresenta-se agora com uma formação mais densa, espessa e, por vezes, moderadamente psicadélica.
Jul-07

[ 9 ]

 
CRADLE OF FILTH - Thornography / 2006

Falta de produtividade é acusação que não pode ser imputada ao colectivo britânico uma vez que, desde «The Principle of Evil Made Flesh», escreveram 8 álbuns de originais e apresentam uma actividade ao vivo quase inigualável.
Com a entrada em editoras tão fortes como a Sony Music e mais recentemente a Roadrunner, a sonoridade dos Cradle of Filth tem vindo a tornar-se cada vez mais progressiva e sinfónica, perdendo alguma da força e crueza característica das composições iniciais em detrimento de orquestrações mais complexas e majestosas.
Em «Thornography» dá-se uma viragem. As grandiosas partes de teclados, as vozes femininas e os esgares quase histéricos perdem protagonismo face aos riffs debitados pela dupla Paul Allender e Charles Hedger, todos os temas são facilmente memorizáveis e os ambientes recordam diversas passagens da fase mais Heavy Metal que varreu o continente europeu há duas décadas atrás. Dani Filth quase que canta…
Com experimentados técnicos de estúdio como Rob Caggiano e Andy Sneap é de estranhar que a nível de produção este trabalho não se revele na sua plenitude, num dos discos mais acessíveis que fizeram até há data, cheio de canções mas algo vazio de emotividade e firmeza.
Nov-06

[ 7.5 ]

 
CELTIC FROST - Monotheist / 2006

Após o lançamento de 2 álbuns algo fracos, uma das mais influentes e míticas bandas da história remete-se ao silêncio, regressando 16 anos depois com o seu Dark Metal de contornos extremos, com um disco que demorou mais de 3 anos a compor.
Ao longo de mais de 70 minutos percorremos quase todas as fases associadas à carreira dos Celtic Frost e a espaços dos Hellhammer, com momentos death/thrash, outros mais avant-garde, um som repleto de groove com influências góticas.
O álbum arranca de uma forma agressiva como se estivessemos algures entre «Morbid Tales» e «To Mega Therion», com Tom G. Warrior a cantar de forma perfeita. Por caminhos tortuosos, os temas vão ganhando uma sonoridade mais colada a «Into the Pandemonium», com as vocalizações a tornarem-se mais limpas, instrumentalmente mais arrastado e com alguns efeitos industriais que nos remetem para Apollyon Sun.
Com uma sonoridade mais moderna, devido à ajuda de Peter Tägtgren na produção, «Monotheist» revela-se um disco experimental cheio de ideias interessantes mas sem grandes temas que colem à memória. É um trabalho complexo e ambicioso, num misto de ambientes negros e atmosferas depressivas e que necessita de espaço para crescer mas que peca por ser demasiado abrangente e extenso
. Ago-06

[ 8.5 ]

 
CRONIAN - Terra / 2006

Do esforço conjunto de Øystein G. Brun e Vintersorg, os Cronian chegam ao primeiro álbum depois de 5 anos de aturado trabalho, sempre interrompido pelos imensos projectos aos quais os requisitados músicos prestam os seus serviços.
O som do duo assenta em grande parte no trabalho de programação de Brun, guitarrista e principal compositor dos
Borknagar e no emaranhado de teclados executado por Mr. V, desenhando atmosferas etéreas de calma difusa, muita melodia e experimentação em passagens predominantemente progressivas. A voz de Mr. V, elemento que acumula funções em bandas como Borknagar, Otyg, Fission, Waterclime e Vintersorg, é uma das características mais fortes deste disco. Devido à sua diversidade de registos, os temas ganham outra dimensão, quer pelos momentos cantados ou declamados com excelente colocação de voz quer devido aos tons mais gritados e agressivos.
Recorrendo a elementos que vagueiam entre o Rock dos anos 70' e o Black actual, este projecto paralelo que começou por se chamar
Ion não dista muito daquilo que fazem actualmente os Borknagar embora o façam numa toada mais lenta, ambiental e, pela força da composição mais rígida, um pouco mais artificial. Jun-06

[ 8 ]

 
CANNIBAL CORPSE - Kill / 2006

«Kill» é o título perfeito para mais esta descarga letal de puro Death / Gore que marca o décimo trabalho do quinteto da Flórida, o qual vê agora partir o guitarrista Jack Owen, um dos seus elementos fundadores, sendo substituido por Rob Barrett, elemento que já tinha estado na banda aquando do abandono de Bob Rusay.
Numa linha semelhante à dos mais recentes trabalhos - Death Metal brutal e sem compromissos - nota-se neste disco uma maior agressividade e potência, muito por culpa da produção exemplar de Erik Rutan. Embora Neil Kernon tenha realizado um óptimo trabalho nos dois últimos trabalhos dos
Cannibal Corpse, Rutan, em parte pela experiência que detém como produtor aliada à de músico de bandas extremas como Hate Eternal e Morbid Angel, potenciou os limites de cada um dos elementos da banda, conseguindo um som final cristalino e orgânico, onde até o baixo de Alex Webster se ouve perfeitamente.
Com uma dupla edição que inclui um DVD com uma actuação completa gravada em 2004, os CC aproximam-se dos 20 anos de existência em perfeitas condições de nos continuarem a torturar os ouvidos com petardos de destruição em massa como, por exemplo, em «The Time to Kill Is Now», «Make Them Suffer», and so on...
Abr-06

[ 9 ]

 
CHAIN COLLECTOR - The Masquerade / 2005

Sendo este o primeiro álbum do colectivo nórdico, não quer dizer que os Chain Collector sejam uma banda inexperiente, muito longe disso. O quinteto, se excluirmos os músicos de sessão, avança com Svenn Aksel Henriksen dos Apostasy e Kjetil Nordhus dos Green Carnation e Trail of Tears, dois reconhecidos vocalistas que vão alternando registos guturais e rasgados com vozes límpidas. Bem conhecidos da cena underground norueguesa temos ainda o guitarrista Gøran Bomann que actualmente acumula funções nos Apostasy e nos Carpathian Forest e o baterista dos mesmos Carpathian Forest, o requisitadíssimo Anders Kobro, elemento que já integrou colectivos como os In the Woods…, Blood Red Throne ou Green Carnation.
A música em «The Masquerade» deambula em torno das sonoridades MeloDeath típicas de Gotemburgo, mesclada com algum Metalcore, característica acentuada pela divergência entre os 2 estilos vocais e alguns resquícios de BlackThrash que brotam no meio de melódicas passagens. As composições são sólidas, bem construídas e bastante variadas, fazendo com que este trabalho possa agradar tanto aos mais puristas como aos apreciadores das correntes mais modernas. Mar-06

[ 7.5 ]

 
CRYPTOPSY - Once Was Not / 2005

Cinco anos depois de «and then You'll Beg» e após algumas mudanças significativas no núcleo duro da formação, como o abandono de Jon Levasseur e o regresso de Lord Worm, os Cryptopsy estão de volta com um disco que mais uma vez não deixará indiferentes os que tiverem ousadia e paciência para o escutar.
Mesmo sem a frescura evidenciada noutros tempos, o “professor” destila o seu registo mais gutural e profundo quando comparado com o de Mike DiSalvo, um vocalista mais hardcore e que não fez as delícias dos seguidores mais antigos. Quanto a Levasseur, embora ainda tenha participado na escrita deste álbum, o guitarrista e um dos principais compositores do quinteto de Montreal já não pertence oficialmente ao grupo. Estas alterações, já por si só importantes, reflectem-se obviamente em todo o trabalho, ainda por cima quando falamos de Death Metal extremo e tecnicamente evoluído mas é a má produção, o som linear e abafado e a péssima mistura final que, mesmo colocando a fantástica execução de Flo Mounier destacada das restantes performances, faz com que toda a diversidade patenteada na execução das complexas estruturas soe demasiado a cru e o produto final pareça longe de estar acabado.
Mesmo assim, um álbum sempre bem-vindo após tanto tempo de espera. Dez-05

[ 7 ]

 
CHILDREN OF BODOM - Are You Dead Yet? / 2005

Com a primeira alteração no line-up desde a formação em 97, a banda liderada pelo exímio guitarrista Alexi Laiho regressa com «Are You Dead Yet?», o 5º de originais.
Fica desde logo a sensação que estamos perante um registo extremamente directo, super sónico e cuja duração é literalmente engolida pelo tempo. A substituição de Alexander Kuoppala por Roope Latvala, guitarrista que passou por grupos como os
Sinergy, Waltari ou Dementia, parece ter tido algum impacto na redução da melodia típica destes finlandeses e embora ainda repleto de groove , este trabalho apresenta bastantes elementos de orientação Thrash, os quais injectam ainda maior velocidade e força a cada um dos 9 temas, berrados como nunca por um Alexi aparentemente possuído.
O resultado final continua a ser extremamente técnico e a cada momento poderão ser encontrados alguns detalhes subtis que fazem com que este disco deva ser consumido com paciência, pois embora aparentemente “in your face”, esconde pormenores interessantes que merecem ser descobertos a cada audição.
Uma produção mais crua e alguns arranjos mais modernos e industriais injectam alguma rispidez a esta tapeçaria envolvida em riffs e solos vertiginosos.
Out-05

[ 8 ]

 
CATHEDRAL - The Garden of Unearthly Delights / 2005

Cada disco dos Cathedral é uma viagem alucinante para qualquer melómano, um convite para assimilar estranhos estados de espírito, momentos irreais, tempos modernos imbuídos no psicadelismo da década de 70'.
A inconfundível voz de Lee Dorian e todo o folclore criado em seu redor, visualizado em parte nas soberbas e detalhadas capas, conseguem transmitir ao ouvinte mais atento, num ambiente arrastado mas bastante diversificado, música perigosamente hipnótica, algum misticismo e enigmáticas sensações despertadas em desafios ocultos.
Este novo registo, talvez o mais bem conseguido e ao mesmo tempo o mais acessível trabalho dos últimos tempos, transporta-nos mais uma vez para o reino da fantasia de onde se destaca um extenso e absolutamente incrível «The Garden». Com uma duração de 25 minutos, repleto de situações bizarras e tão pouco comuns à carreira de 15 anos dos britânicos, como a utilização relevante de uma vocalista feminina, este tema reflecte por si só, a criatividade e a frescura que a banda Britânica ainda emana.
Para nosso deleite, certamente recolhido de tão luxuriante e exótico jardim, provem um disco obrigatório com aromas de maçã.
Out-05

[ 9 ]

 
CORPUS CHRISTII - The Torment Continues / 2005

Não podendo ser dissociados da cena Black Metal nacional, os Corpus Christii têm-se revelado desde 1998, por mérito próprio e inércia alheia, como a “entidade” sobre a qual vai girando o panorama underground luso, dentro do género.
«The Torment Continues» é já o 5º lançamento de longa duração da banda sediada em Lisboa e é mais uma vez composto e executado quase na integra por Nocturnus Horrendus, desta feita com Necromorbus (
Funeral Mist, Watain, ...) como baterista de sessão e co-responsável pela produção e misturas.
Não restam dúvidas sobre a dedicação dos
CC à causa satânica e qual é a opinião que sustentam sobre como deve soar o “verdadeiro” Black Metal - bastar escutar um pouco de cada projecto por onde tem andado NH - no entanto, ao longo destes novos 8 temas deparamos com alguma falta de emotividade, num registo muito bem tocado embora algo linear, quase mecânico e com lacunas ao nível da criatividade. É evidente que os teclados majestosos de Ignis Nox dariam outra dimensão ao disco.
Falamos de interpretações pessoais mas é um facto inquestionável que bandas como
Satanic Warmaster, Deathspell Omega, Hell Militia ou Taake inovam e / ou buscam algo mais além, sem deixarem de ser também referências bem underground . Basta um passo, será alguma vez o pretenderão dar? Ago-05

[ 7 ]

 
CANDLEMASS / 2005

Ao fim de 16 anos, os suecos Candlemass resolvem alguns assuntos internos e regressam à sua formação clássica. Questiono se o “monge” ainda terá capacidade para a dança do Doom !!!???
Por teimosia, evitei todo e qualquer contacto com este material até ter o meu exemplar disponível. Há bandas que merecem o sacrifício da espera, mesmo sabendo que seria possível sacá-lo com uma antecedência de 2 / 3 meses antes da sua saída oficial. Finalmente chegou a altura de desembrulhar a simples mas ao mesmo tempo magnifica embalagem do digipack , colocar o disco no leitor, suster a respiração e... sentir uma emoção já quase esquecida, um álbum que da primeira à última espira nos causa aquela agradável sensação de arrepio, um disco que realmente mexe connosco.
Gravado nos Polar Studios em Estocolmo, local por onde já passaram colectivos como os Abba, Genesis ou Led Zeppelin, este registo apresenta uma produção soberba que, além de lhe proporcionar um som encorpado, consegue simultaneamente destacar o som de cada instrumento. De resto, são os “meus” Candlemass com o disco que devia ter sucedido a «Tales of Creation», um novo Clássico.
Isto sim, isto é Heavy Metal e assim, o meu primeiro... 10. Jun-05

[ 10 ]

 
CEMETARY - Phantasma / 2005

Na peugada de bandas como os Tiamat, os suecos Cemetary liderados por Mathias Lodmalm, chegam a ter algum “air play” há cerca de 10 anos atrás, através de «Black Vanity», uma agradável mistura de Death com ambientes mais atmosféricos e etéreos.
Na busca de uma sonoridade diferente, mais moderna e industrial, Lodmalm cria os
Sundown em 97, com os quais grava 2 álbuns que passam quase despercebidos, regressando em 2000 com os Cemetary, acrescentando o número 1213 ao nome mas retirando-lhes quase todo o fulgor.
Anunciado há bastante tempo, «Phantasma» apenas agora vê a luz do dia, desiludindo em absoluto quem esperaria um certo regresso á fórmula primitiva. Esta “assombração” psicadélica, arrastada e electrónica tem muito mais a ver com uma orientação mais actual ou experiência pessoal do múltiplo instrumentista do que com um passado já distante. Os 9 temas que compõe este trabalho esfumam-se a cada audição, não resultando em nada de minimamente agradável, ainda por cima desajudados por uma produção absolutamente execrável.
Jun-05

[ 3 ]

 
CORROSION OF CONFORMITY - In the Arms of God / 2005

Não entrando em consideração com o álbum perfeitamente atípico e mainstream que editaram em 2000, podemos dizer que os Corrosion of Conformity já não gravam há mais de 10 anos – desde «Wiseblood» mais concretamente – nenhum disco que faça justiça ao próprio legado destes southern rockers .
«In the Arms of God» marca pois o regresso de Pepper Keenan, Mike Dean e companhia ao activo com uma colecção de temas intensos, novamente com uma forte e marcante orientação Stoner / Sludge mas sem nunca esquecer as raízes Crossover / Thrash que a banda desde cedo apresentou. Num registo que ultrapassa os 65 minutos de duração, os riffs pesadões, juntamente com alguns elementos mais psicadélicos, passagens mesmo arrastadas, quase doomicas e uns toques bluesy , tornam os 12 temas que compõe esta obra num conjunto homogéneo, bastante orgânico, aconchegante e, porque não, nostálgico.
Junto com Kirk Windstein nos Down, Pepper Keenan fecha o triângulo e recoloca assim os COC a par dos Crowbar na linha da frente do estilo. Mai-05

[ 8 ]

 
CROWBAR - Lifesblood for the Downtrodden / 2005

Longe vão os tempos áureos em que a banda era produzida por Philip Anselmo e possuía nas suas fileiras músicos como os bateristas Craig Nunenmacher ou Jimmy Bower e principalmente um baixista da “envergadura” de Todd Strange.
Sem olhar para trás, Kirk Windstein continua a sua caminhada agora na independente Candlelight Records e depois de um trabalho pouco inspirado, editado há quatro anos atrás, lança este «Life's Blood for the Downtrodden» onde procura recuperar algum do tempo perdido. Por alguma razão volta a chamar Nunenmacher, que executa todas as partes de bateria em estúdio e entrega a produção a Rex Brown. O antigo baixista dos
Pantera participa em alguns dos temas deste trabalho mas nem assim se pode afirmar com convicção que o resultado final deste disco atinge o alto nível que a banda já nos ofereceu no passado.
11 temas bem desenhados, alguns dos quais mais acelerados que o habitual, completam esta colecção de Sludge Core à qual sobra atitude em detrimento de algum carisma e feeling . Para tão longa espera desejava-se algo um pouco melhor.
Mar-05

[ 7.5 ]

 
CRADLE OF FILTH - Nymphetamine / 2004

Enquanto continuam a discutir se os COF são góticos ou Black Metal, se a postura é ou não condenável, se são “verdadeiros” ou uns vendidos, alheios a tudo isto, eis o 6º trabalho de longa duração do septeto liderado por Dani Filth.
Depois do ambicioso «Damnation and a Day», uma soberba demonstração de musicalidade, integração clássica e sinfonia, «Nymphetamine» apresenta-se como um registo simples, directo e acessível. Repleto de temas calmos, ao longo de 75 minutos são-nos oferecidos diversos momentos de prazer, suportados em melodias e estruturas musicais espantosas.
Este novo disco, lançado através da vanguardista Roadrunner, é a prova cabal das potencialidades da banda britânica, que a cada disco demonstra uma enorme capacidade para surpreender. Só os génios são incompreendidos. Out-04

[ 9 ]

 

COLLAPSE 7 - In Deep Silence / 2004

Para trás ficam 2 projectos que serviram de encubadora aos austríacos Collapse 7. Se os Scent of Paradise foram a génesis, já os Pathetic terão de ser considerados a primeira encarnação do quarteto. Com a gravação de uma demo profissional intitulada «As We Fade», agitam as águas do movimento Death no muito sorumbático país da Europa central.
Com a passagem do baixista Mario Klausner pelos Belphegor e Pungent Stench, deste mais o guitarrista Werner Freinbichler pela formação ao vivo dos Hollenthon e com a integração de Mike Gröger como novo baterista, está adquirida a embalagem necessária para entrar em estúdio.
Quem ouve «In Deep Silence», facilmente se apercebe que se respira Death Metal de influência escandinava, não o badalado som de Gotemburgo, mas algo verdadeiramente "old-school", dos primórdios dos Entombed ou Grave, embora aqui e ali a lembrar uns Hypocrisy ou Morbid Angel.
Evidência para a performance de Mike na percussão, bem secundado por um conjunto bem oleado de músicos que nos atacam os tímpanos com o seu som apocalíptico. Uma ou outra tentativa de inserção de melodia não é suficiente para disfarçar alguma falta de originalidade e diversidade, parecendo que a única preocupação é mesmo não fazer justiça ao nome do disco.

[ 7 ]

 

CREMATORY - Revolution / 2004

Foi graças à participação num tributo aos Metallica com a cover do tema «One», lançado pela Nuclear Blast durante 2002, que a banda germânica foi convencida a reunir esforços e voltar ao activo, 4 anos após «Believe».
Não esperem qualquer "revolução" no som dos Crematory pois a fórmula mantém-se inalterável. Aos teclados baladescos de Katerin junta-se a voz gutural de Felix e nesta aparentemente estranha mistura trabalham músicos competentes, recriando texturas dançáveis, a espaços melancólicas, mas sempre bem orquestradas.
Com bandas como Within Temptation, Orphanage ou After Forever a darem cartas, faz sentido que os Crematory estejam parados?

[ 6 ]

 

CANNIBAL CORPSE - The Wretched Spawn / 2004

A maior constelação do Death Metal mundial está de regresso com mais um compêndio de devastação brutal e cujo único objectivo é mutilar e devorar os nossos neurónios até à extinção. Existem muitos projectos paralelos repletos de exímios instrumentistas mas para quê procurá-los se os melhores estão de facto aqui?
«The Wretched Spawn» é já o nono álbum da extensa carreira dos Cannibal Corpse e novamente estamos perante um disco cheio de virtuosismo técnico, só perceptível para quem consegue suportar o limiar da tortura a que George "Corpsegrinder" Fisher, Paul Mazurkiewicz, Pat O'Brien, Jack Owen e Alex Webster nos submetem. Eis mais uma lâmina de extrema precisão afiada por Neil Kernon.

[ 9 ]

 

THE CROWN - Possessed 13 / 2003

Embora sejam oriundos de Gotemburgo, a "capital" europeia do Death Metal, o som dos The Crown é tudo menos melódico e de fácil assimilação.
«Possessed 13» pretende ser a banda sonora duma história de violência e terror, num disco rápido e intenso, onde os nossos sentidos são confrontados com frequentes abordagens ao passado, mais ou menos evidentes, com predomínio ao som dos anos 80 e aos tempos áureos do Thrash Metal. Nomes como Testament, Slayer, Exodus ou Metallica, sem esquecer colectivos do velho continente como The Haunted ou At the Gates são aqui como que homenageados.
O regresso de Johan Lindstrand, responsável pelas partes vocais em todos os discos com a excepção do último «Crowned in Terror», parece ter sido a melhor opção pois a empatia entre o conceituado Tomas Lindberg e a banda não parecia ser a melhor. Assim, o colectivo poderá continuar a trilhar o caminho da devastação.

[ 8 ]

 

CLAWFINGER – Zeroes & Heroes / 2003

Com o lançamento de «Deaf Dumb Blind» os suecos Clawfinger foram grandes inovadores ao misturar Metal e ritmos dançáveis e com raízes nas culturas Hip-hop e Rap. Hoje em dia esta ideia está completamente disseminada através de milhares de bandas que pertencem ao famigerado "som moderno". Infelizmente o sucesso esteve sempre arredado do caminho dos Clawfinger que inclusivamente estiveram a um passo de não conseguirem ultrapassar o fim da década de 90. «Zeroes & Heroes» é mais um trabalho despretensioso, aqui e ali com um piscar o olho a sonoridades mais abrangentes do universo Rock. Um registo em velocidade de cruzeiro.

[ 7 ]

 

CALLENISH CIRCLE – My Passion // Your Pain / 2003

Aparentemente nada distingue os Callenish Circle de centenas de outras bandas de Death Metal melódico, orientadas pelo sucesso dos finados At the Gates. É óbvio que já quase tudo se encontra inventado e o mais importante, além da identidade de um grupo, é a sua postura e criatividade. E estes holandeses possuem algo que os posiciona, sem favor algum, ao lado de conterrâneos como Gorefest e God Dethroned em busca do legado dos desaparecidos Pestilence. E é com um disco como «My Passion // Your Pain» que se conseguem demarcar de um movimento repleto de agrupamentos mais ou menos razoáveis e cravar uma estaca neste difícil posicionamento na escala de valores. Com uma boa dose de Thrash à mistura, temos aqui um punhado de boas malhas bem brutais, mas sempre com alguma melodia de premeio. Excelente a secção multimédia.

[ 7 ]

 

CRADLE OF FILTH – Damnation and a Day / 2003

A faceta mais mediática que este disco carrega é sem sombra de dúvida o facto do seu lançamento ser feito pela Sony Music. Mas como estamos aqui para falar de música e como a mudança só trouxe melhores condições à banda liderada por Dani Filth, sem uma única concessão óbvia por parte destes, assunto arrumado. Com mais alterações no seio do colectivo, Gian Pires e Robin Graves são os novos dissidentes, o destaque vai inteirinho para os 40 músicos de orquestra e para o coro de 32 pessoas que recriam assim um ambiente real em detrimento do alternativo recurso ao instrumento com teclas japonesas. Gozando de uma produção soberba e uma excelente história conceptual baseada na bíblia (from Genesis to Nemesis...), este disco repleto de temas brilhantes é o salto em frente para uma das mais amadas / odiadas bandas do planeta. Para ouvir bem alto, vezes sem conta, em busca dos pormenores perdidos.

[ 9.5 ]

 

CANDLEMASS – Doomed for Live – Reunion 2002 / 2003

«Nightfall» é um disco que obrigatoriamente figura no topo das preferências dos amantes da música pesada e marca o início de uma trilogia de registos que fez dos Candlemass uma das propostas mais geniais da altura. Com a saída do gigantesco Messiah Marcolin, e posteriormente de todos os outros elementos, Leif Edling pegou sozinho em tão poderoso fardo recorrendo a bons músicos mas sem o carisma necessário. Quase 15 anos depois, o mágico quinteto sueco resolve juntar-se para uma série de espectáculos. Gravado em Estocolmo em Agosto de 2002, «Doomed for Live» não é mais do que um refrescante regresso ao passado - eu diria que é o «Live» de 90 regravado em 2002. Aguardemos com ansiedade mais desenvolvimentos.

[ 9 ]

 

CANDLEMASS – Documents of Doom / 2003 - DVD

Este duplo DVD é um documento fundamental para qualquer apreciador do quinteto sueco que nesta luxuosa edição nos apresenta a respectiva história, especialmente concentrada na fase áurea entre 1987 e 1991. «Live at Fryshuset» é uma gravação de um retocado concerto de 90 onde, como dificilmente não poderia deixar de acontecer, o som deixa algo a desejar. Mas como a música é o que conta estamos perante algo genial, uma "cruz espetada no crânio". «Documentary of Doom» percorre momentos da reunião efectuada no verão do ano passado e mostra-nos ainda um apanhado da fase em que a imponente figura de Messiah Marcolin, envergando o seu tradicional traje de frade, comanda a mítica formação. Está repleto de excertos de concertos e cenas de bastidores, mais ou menos caricatas. Fabuloso.

[ 9.5 ]

 

CHILDREN OF BODOM – Hate Crew Deathroll / 2003

Os anos passaram e a promessa tornou-se realidade, a banda liderada pelo virtuoso e espectacular guitarrista Alexi Laiho veio para ficar. E de que maneira! «Hate Crew Deathroll» é sem sombra de dúvida o melhor trabalho do quinteto finlandês até à data, por várias razões - se calhar até devido à conjunção de todas elas - e que estão por trás desta maravilhosa rodela prateada. A banda abandonou a Nuclear Blast refugiando-se na muito menor Spinefarm Records (editora também dos Nightwish); os elementos são os mesmos desde o inicio e obviamente a coordenação interna é enorme; Alexi começou finalmente a cantar (berrar) quase tão bem como toca; a produção de Anssi Kippo nos estúdios Finnvox é muito mais moderna e eventualmente menos redutora do que alguma vez seria com Peter Tagtgren nos comandos; para terminar um conjunto de 9 temas - descontando a cover dos Slayer - equilibrados e extremamente demolidores.

[ 9 ]

 

CRADLE OF FILTH – PanDaemonAeon / 1999 – DVD

Um excelente complemento para o vídeo «From the Cradle to Enslave» que nos é apresentado em duas versões - uma para a MTV e numa outra não censurada. É à volta da realização deste video-clip de terror que roda toda a acção de um pequeno documentário repleto de cenas tenebrosas, toneladas de sangue e personagens doentias. Para finalizar um compacto de 5 temas gravados em 1998 no Astoria Londrino.

 


[ 8 ]

 

CRADLE OF FILTH - Live Bait for the Dead / 2002 - Live

À semelhança de «Lovecraft» este duplo CD é compostos por 2 partes perfeitamente distintas.
«Live Bait for the Dead» é uma excelente gravação ao vivo mas completamente desnecessária para quem já possui o respectivo DVD. O mais interessante encontra-se no 2º disco. Mais misturas, versões (Sisters of Mercy e Twisted Sister) e um tema novo que é uma curiosa e dançavel surpresa.


[ 8 ]

 

CRADLE OF FILTH – Lovecraft & Witch Hearts / 2002 – Best of

CD duplo e compostos por 2 partes perfeitamente distintas. «Lovecraft & Witch Hearts» vale pelo disco suplementar pois o primeiro é uma compilação do que os COF fizeram na Music for Nations entre 96 e 00. A segunda parte oferece algumas misturas, versões (Sabbat, Sodom, Massacre, Slayer e Iron Maiden) e 3 temas novos numa onda mais House / Goth.



[ 6 ]

 

CATHEDRAL – The VIIth Coming / 2002

Elemento fundador dos Napalm Death, o vocalista Lee Dorrian ao criar os Cathedral em 1990 juntamente com o guitarrista Garry Jennings, passou de um dos grupos mais rápidos e brutais para algo colocado no extremo oposto. Aqui os temas demoram uma eternidade, cada riff leva séculos a correr, a voz arrasta-se e a música escorrega lentamente pelo CD. As influências dos primórdios e gloriosos tempos dos Black Sabbath são uma constante, um hino ao Rock dos anos 70 - que não se fica pela banda de Birmingham pois aqui e ali encontramos outras boas referências como Celtic Frost ou Steppenwolf. Ooooooooh.....Yeeeeh.

[ 8 ]

 

CANNIBAL CORPSE - Gore Obsessed / 2002

A oitava descarga de estúdio dos reis do Gore é servida em forma de obsessão. Mais uma vez deparamos com carradas de sangue e morte. A música é como uma moto-serra e para a maioria isto poderá ser classificado como ruído extremo e deveras desagradável, enquanto que para os fãs e conhecedores do género, estamos perante um quinteto de músicos de alto quilate e exímio executante de autênticos hinos brutais.
George "Corpsegrinder" Fisher que integrou a banda em 96 em substituição do vocalista Chris Barnes agora nos Six Feet Under, é uma destilaria de espasmos viscerais, adaptando-se na perfeição à diabólica dupla de guitarras de Jack Owen e Pat O'Brien e à poderosa e esmagadora retaguarda baixo / bateria por parte de Alex Webster e do incansável homem máquina Paul Mazurkiewicz.

[ 8.5 ]

 

THE CROWN - Crowned in Terror / 2002

Quinta descarga implacável da banda que começou por se chamar Crown of Thorns, sendo já o terceiro álbum sob o desígnio The Crown. A grande novidade é a entrada de Tomas Lindberg (At the Gates, Skitsystem, The Great Deceiver, Lock Up, Sacrilege; etc.) para o lugar de vocalista após a decisão de Johan Lindstrand deixar a banda ao fim de 11 anos. E está na entrada de Lindberg, um vocalista de uma brutalidade extremamente flexível, o ponto fundamental deste registo e quem sabe da carreira dos The Crown.
Nos trabalhos anteriores deparava-mos com uma formação de Death Metal brutal, o oposto do protótipo sueco de melodia e peso, onde a diversidade não abundava. Em «Crowned in Terror» somos confrontados com um violento embate de som extremo, a começar pela velocidade impressionante de Janne Saarenpaa na bateria e pelo virtuosismo do guitarrista Marko Tervonen (também nos The Haunted), tudo complementado pela exímia participação nos vocais do supracitado.

[ 7.5 ]

 

CROWBAR - Sonic Excess in Its Purest Form / 2001

Desfeita a dupla Kirk Windsrein (guitarra e voz) / Todd Strange (baixo), o primeiro é agora o único elemento original da banda de New Orleans.
Os melhores representantes de algo apelidado de NOLA (New Orleans, LA) - som lento, depressivo e muito arrastado e vocalizações com raízes no Hardcore - os Crowbar de álbum para álbum apresentam-nos um conjunto de temas extremamente bem equilibrados e coerentes mas pouco diferentes entre eles.
A progressão é feita como o próprio estilo do grupo ou seja, devagar ou devagarinho. A originalidade ficou no primeiro registo.
A partida de Todd Strange deixou a banda um pouco mais livre para as guitarras em detrimento do baixo que no entanto continua bem marcado. O resultado é um disco mais rápido que os anteriores, o que no caso quer dizer ... lento.

[ 6 ]