: : MALEITAS/ANÁLISES : : B : : .

BEHEMOTH - The Satanist / 2014

Deixando para trás, de forma vitoriosa, a batalha pela própria vida, desenganem-se aqueles que supuseram que Nergal poderia enveredar por caminhos mais serenos e de temáticas menos polémicas. Ao 10º álbum os Behemoth revelam-se mais blasfemos do que nunca, destilando ódio cristão através de uma completa liturgia obscura em nome de Lucifer. Cinco anos passaram desde «Evangelion» mas mesmo acentuando a toada Black de contornos mais calculistas, o som do quarteto polaco continua magnífico e triunfante, graças a uma mistura final orgânica bem definida.
Trompas e outros instrumentos de sopro surgem ao longo de «The Satanist», proporcionando espaço para uma libertação de angélicos momentos, imediatamente esquartejados pelas afiadas linhas de guitarra da dupla Nergal / Seth e varridos sem dó nem piedade pela brutal prestação de Inferno. Um contínuo rodopio entre mudanças de tempos, com o tal cuidado especial posto nas partes mais lentas, enfatizam a componente visual que a banda pretende exteriorizar, bem patente no exemplo que é o vídeo do tema que abre este manancial de heresia.
Escrito com o próprio sangue, os Behemoth regressam ao lugar que ainda lhes pertence, na facção mais letal da música extrema. Mar-14

[ 83 / 100 ]

 

BLACK SABBATH - 13 / 2013

18 anos após «Forbidden» e 35 depois de Ozzy ter deixado a banda, a tentativa de regresso com o quarteto original esbarra na recusa de Bill Ward, motivada por questões contratuais e luta de egos à mistura. Em seu lugar Brad Wilk, conhecido baterista dos Rage Against de Machine e Audioslave, revela-se um óptimo recurso mas sem o carisma de Ward. Outro aspecto menos conseguido é a produção de Rick Rubin, demasiado polida e moderna para as memórias que tínhamos da década de 70', época para onde este disco nos transporta. Não entrando em competição com a fase Dio e seguintes, «13» até se porta bem melhor que os últimos discos que Ozzy deixou nos Sabbath, bebendo influências claras dos 6 primeiros álbuns, a mesma fonte para onde mergulham milhares das bandas actuais. Embora demonstre evidentes provas de desgaste vocal, Ozzy ainda detêm aquele timbre, não suando esforçado, Iommi vai buscar 2 ou 3 riffs que por si só já valem o investimento e Butler, de regresso após «Cross Purposes», é o complemento dinâmico perfeito. Se os Heaven & Hell recrearam de forma positiva a faceta mais Heavy em torno dos Sabbath, «13» remete de forma ainda mais fiel para os territórios Doom, Sludgy e Stoner, tão em voga actualmente mas muito aquém do que faziam estes velhotes. Jun-13

[ 91 / 100 ]

 

BEFORE THE RAIN - Frail / 2011

Foram necessários quatro pesarosos anos para que o 2º álbum de originais dos setubalenses Before the Rain visse finalmente a luz do dia, embora “luz” não seja um substantivo muito apropriado para descrever esta obra, mas adiante. Apesar de algum secretismo temporal a rodear a substituição de Carlos Borda D'Água, o vocalista de serviço desde os seus primeiros dias, a banda ainda sofreu novas alterações, como a entrada de Carlos Monteiro para coadjuvar Valter Cunha nas guitarras e de Joaquim Aires para o lugar de baterista, apesar de serem músicos já com um passado relevante.
«Frail» mantém a ambiencia soturna e melancólica dos registos anteriores, incutindo-lhes maior complexidade e subtileza, à custa de uma melhor estratificação de sonoridades e rigor na composição. Ao longo de 6 temas arrastados, dramáticos e megalíticos, a performance de Gary Griffith dos infelizmente extintos Morgion, proporciona uma diversidade adicional ao conteúdo final, fortalecendo os momentos agressivos e incutindo uma maior categoria às componentes mais aveludadas.
Gravado na Fábrica do Som e produzido pelo próprio Valter Cunha, misturado em Inglaterra e masterizado por Jens Bogren, eis-nos perante mais um manancial de pesar, uma ode ao abandono e um legado à dor. Set-11

[ 83 / 100 ]

 

BURZUM - Fallen / 2011

Esta terceira encarnação dos Burzum, ou de Varg Vikernes se preferirem, emana o carisma que a banda transmitia antes do encarceramento, misturado com alguns dos ambientes mais atmosféricas que Varg se viu limitado a compor durante os anos de cativeiro, com o pouco material admitido no estabelecimento prisional. Depois do aclamado «Belus» que trouxe novamente os Burzum para a linha da frente, sem perder muito tempo e já anunciando uma série de outros novos trabalhos, «Fallen» é um disco que lhe segue as pisadas, mas de forma mais directa e acessível.
Este 8º trabalho de originais, em 2 décadas de existência, é o primeiro a ver a luz sem que o seu mentor esteja envolto em grandes polémicas e, talvez por isso mesmo, fica desde logo longe do impacto que qualquer um dos outros possa algum dia ter conseguido. A procura de linhas mais melódicas, o franco recurso a vocalizações mais limpas e coros mais envolventes contrastam com uma produção suja e algumas passagens mais hipnóticas, num álbum claramente mais direccionado para o conceito de canção. Por vezes, a voz como que desaparece por trás da cortina de neblina sonora, criando-se um ambiente de enganosa fragilidade, algo que já conhecemos faz muito tempo. Mar-11

[ 78 / 100 ]

 

BELPHEGOR - Blood Magick Necromance / 2011

A entrada numa editora com a dimensão da Nuclear Blast e a parceria com um produtor de eleição como Andy Classen trouxeram aos Belphegor uma sonoridade mais encorpada e poderosa, mais acessível a um vasto auditório e um reconhecimento longe se imaginar possível desde que a banda austríaca desatou a blasfemar o mundo cristão e os seus meandros religiosos. No entanto, esse upgrade alterou algumas das suas características genéticas, perdendo-se parte do carisma e atitude.
Apenas com Serpenth como parceiro, baixista que o acompanha desde 2006, ao qual se juntam alguns membros de sessão, Helmuth entrega-se afincadamente a este novo opus, onde não faltam devastadores blastbeats e riffs brutais, num misto de insanidade e agressão Black/Death mas onde a orientação melódica não se desvanece. Embora avassalador e rápido, «Blood Magick Necromance» revela-se ao longo de 8 temas diversificados, colocando-o em termos de sonoridade geográfica numa latitude mais a leste do que seria desejável. A gravação efectuada nos Abyss Studios pelas mãos de Peter Tägtgren não é alheia a esta recuperação de fôlego, num triunfal retorno ao convento com o claro objectivo de derramar sobre o sangue sagrado uma mescla infiel e conspurcada de pura blasfémia. Fev-11

[ 78 / 100 ]

 

BORKNAGAR - Universal / 2010

A entrada de Vintersorg trouxe aos Borknagar uma dinâmica que a cada álbum os foi transportando para fora da aura Black Metal existente nos trabalhos iniciais, enveredando por uma faceta mais cósmica e clássica que acaba por pouco diferir daquilo que o vocalista sueco e Øysten G. Brun já fazem no projecto Cronian.
«Universal» não é no entanto um retrocesso, ainda que ICS Vortex apareça para nos saudar em «My Domain», mantendo uma vincada veia progressiva, onde as melodias em crescendo se vão destacando, a faceta acústica potencia os momentos mais poderosos enquanto que a diversidade explanada ao longo dos temas se revela em pequenos pormenores, no papel atribuído ao som saído do orgão Hammond, nas incursões rítmicas, guturais agressivos, resquícios de emotividade ou devaneios de experimentalismo. Em termos estilísticos este 8º álbum não destoa dos anteriores mas não evita as abordagens mais pesadas, segmentos de post-Black derramados nas evidentes influências Avant Garde e Viking / Folk dos seus elementos, que à excepção do guitarrista Jens F. Ryland, possuem um passado conhecido e inquestionável dentro do movimento. Embora curto, a complexidade deste registo exige uma série de abordagens atenciosas, uma vez que não é fácil a sua assimilação. Mar-10

[ 82 / 100 ]

 

BURZUM - Belus / 2010

Varg Vikernes é um nome que nos dá de imediato uma irresistível vontade de gastar inúmeras linhas a dissertar sobre fogo posto em igrejas milenares ou no número de facadas que levou o pobre do Euronymous no lombo. Obviamente que os 15 anos que passou na prisão, excluindo o anedótico dia em que se pôs em fuga, acabaram por ter um impacto negativo na carreira dos Burzum, limitados a partir daí a dois álbuns ambientais por lhe ter sido negado o uso de guitarras em pleno cárcere.
Não é pois de admirar que «Belus», álbum que esteve para se chamar provocadoramente «The White God», seja uma continuação dos trabalhos que gravou, num curto espaço de um ano, entre o auto-intitulado disco de estreia e «Filosofem», sendo esse retrocesso temporal de aproximadamente 17 anos uma das maiores surpresas para quem estaria à espera de temas abstractos ou demasiado atmosféricos e que esbarra numa intensidade crua, espessa e negra como se «Hvis Lyset Tar Oss» e o próprio «Filosofem» se fundissem num só. Em termos de produção «Belus» está a milhas de todos os outros, oferecendo-nos 8 malhas mais direccionadas para as lancinantes guitarras em detrimento das teclas e tonalidades repetitivas, num manancial de paganismo, odes à natureza e ao encontro de mitos proibidos. Mar-10

[ 89 / 100 ]

 

BELPHEGOR - Walpurgis Rites - Hexenwahn / 2009

O Blackened Death luxuriante dos Belphegor começou a ganhar contornos mais majestosos a partir de «Lucifer Incestus», álbum que levaria o colectivo austríaco a integrar a lista de aquisições da poderosa Nuclear Blast, associação essa que os colocou desde logo perante um número significativamente maior de acólitos, proporcionando-lhes melhores condições de promoção e orçamentos mais avultados.
Pela terceira vez consecutiva com produção de Andy Classen, cristalina mas menos polida como convém, todas as composições estão a cargo de Helmuth em dupla com o baixista Serpenth, único elemento que acompanha o líder desde o álbum anterior, revelando uma nova série de temas onde blasts estonteantes dão o mote a descargas imparáveis de leads e riffs envolvendo vocalizações e grunhidos que destilam veneno. Após um inicio prometedor, «Walpurgis Rites – Hexenwah» vai-se tornando redundante, perdendo em confronto com os seus predecessores uma vez que lhe falta intensidade e aquela sensação irreligiosa, a transbordar pura blasfémia. Mesmo mantendo incursões Doom e toadas industriais, nem o tema escolhido para um vídeo esteticamente aberrante e a soar a Rammstein por todos os poros, se revela suficientemente forte para salvar um disco menos conseguido. Out-09

[ 74 / 100 ]

 

BEHEMOTH - Evangelion / 2009

Os álbuns mais recentes dos polacos Behemoth, embora pouco diversificados entre si, graças à utilização de produções poderosas e uma forte inclinação para o Death Metal mais extremo, em detrimento das raízes Black, vão seguindo uma direcção estruturada, coerente e com resultados de sucesso comprovados.
Ao 9º álbum de originais o quarteto, contando com Seth que coadjuva Nergal em vertiginosos devaneios de riffs e solos imbricados de técnica, apresenta-se com um grande desempenho, através de 9 temas intensos e devastadores. A máquina de guerra que se desenha por baixo de Inferno, um massacre de blasts e múltiplas batidas, percorre «Evangelion» com precisão cirúrgica, sendo tudo perfeitamente audível graças a uma produção exemplar, ou não estivesse Colin Richardson, entre muitos outros, atrás dos botões que fazem milagres. Para que as autoridades locais não se esqueçam das restrições impostas recentemente à banda, numa luta hipócrita contra o satanismo, eis-nos perante um front-man completamente passado, desta feita com menos recursos aos efeitos de estúdio e que de uma forma natural vai rasgando cada espira de um disco onde «Lucifer», numa direcção mais épica e pautada, vai contrariando a aniquilação total imposta pelas restantes malhas. Ago-09

[ 81 / 100 ]

 

BLOODBATH - The Fathomless Mastery / 2008

Se a entrada de Peter Tätgren para o lugar de Mikael Åkerfeldt potenciou o som dos Bloodbath numa direcção mais brutal, flectindo muita da sonoridade para o outro lado do atlântico, o retorno do líder dos Opeth adensa ainda mais essa faceta, relegando quase que definitivamente para segundo plano a influência Entombed que ostentavam desde o inicio. Após um interregno de quatro anos e já com Per “Sodomizer” Eriksson no lugar de Dan Swanö, o quinteto regressa ao activo com 3 suportes áudio, o EP com 4 novidades intitulado «Unblessing the Purity», a gravação de 2005 colocada em «The Wacken Carnage» e este terceiro álbum de originais.
Com as composições divididas entre Anders Nyström, Jonas Renkse e Eriksson, Åkerfeldt apenas contribui na parte lírica de 3 faixas, a sonoridade apresentada em «The Fanthomless Mastery» invade terrenos anteriormente percorridos ao de leve, chegando a roçar o plágio em temas como «Mock the Cross», onde parecem ter reencarnado os Morbid Angel. Infelizmente o restante não revela também muita identidade, ficando-nos a nítida sensação de que nada de muito memorável aconteceu, embora a qualidade de cada componente seja mais do que evidente. No futuro, ver-se-á se a banda não deixou todos os seus créditos na Century Media. Nov-08

[ 76 / 100 ]

 

BELPHEGOR - Bondage Goat Zombie / 2008

Quinze anos a destilar blasfémia a partir do centro da Europa, tomam proporções gigantescas a partir do momento em que a banda assina pela Nuclear Blast. Tendo mais uma vez o trabalho de estúdio nas mãos de Andy Classen e com um orçamento bem superior, toda a perversão musical à volta de orgias eclesiásticas, agressividade sado-masoquista ou puro deboche satânico, ganha contornos mais elaborados, tornando-se simultaneamente mais apelativa, faustosa e requintada.
Podendo tais características não serem muito do agrado dos mais “puritanos”, é certo que a sonoridade da banda austríaca permanece agarrada às características extremas dos vocais de Helmuth, aos riffs picados que extravasa a partir da sua Jackson e aos constantes beats que saem da bateria, novamente a cargo do Mr. Blast Machine Torturer. É da sólida secção rítmica, completa com o baixista Serpenth, donde provém parte do alcance devastador deste disco que apesar da brutalidade e poderio sónico, tende a refrear sempre que a abordagem é mais acessível e pela forma mais límpida e melódica com que Helmuth aborda muitas das fases de cada faixa. As Goat-Girls que ecoam por «Bondage Goat Zombie» revelam uma harmonia e luxuria que serão sempre bem-vindas na próxima edição do Caos Emergente.
Abr-08

[ 84 / 100 ]

 

BEFORE THE RAIN - ... One Day Less / 2007

Criados pelas mentes do vocalista Carlos D'Água e de Valter Cunha, os Before the Rain estiveram fadados para projecto acústico, intenção cedo abandonada pela necessidade de englobar elementos eléctricos na total exploração das envolvencias entretanto criadas. Após o lançamento, em circuito reduzido, de uma demo com 2 temas e da gravação em 2003 de «Swansong», a banda como que atingiu o ponto de viragem, cimentado após mais algumas reformulações na sua composição.
Os seis temas que completam «... One Day Less» são a ilustração perfeita do que a banda sadina tem feito nestes 10 anos de existência. «Be Mine» e «You... My Ruin» remetem para os tempos da demo de 2002 e os novos temas prosseguem na senda lenta e cadenciada, numa linha de sensações introspectivas, colocando-os como uma das entidades nacionais que trilha caminhos mais arrastados. As afinidades com os Process of Guilt não se ficam por aqui, devido à participação do frontman dos alentejanos como guitarrista de apoio a Valter Cunha e pela utilização de Thomas Eberger nas misturas finais e que incutem alguma tonalidade semelhante a ambos os registos de estreia. No entanto, o som dos setubalenses consegue ser ainda mais melancólico, evidência ressalvada nos belíssimos 18 minutos do tema título.
Ago-07

[ 8 ]

 

BEHEMOTH - The Apostasy / 2007

Engrossando a fortíssima vaga de leste que assola furiosamente a cena Death Metal europeu, os Behemoth vem, a cada álbum, colocando a fasquia em patamares superiores, desiderato dificilmente acompanhado pelas outras bandas do género.
Aliando a destreza técnica típica da sonoridade, a uma agressividade limite, destacam-se da concorrência pela majestosa produção, mais uma vez a cargo da própria banda e ultimamente afinada pelas misturas de Daniel Bergstrand e masterização realizada nos melhores estúdios suecos. Ainda com algumas reminiscências Black, o som dos Behemoth está pejado de incrustações orientais que nos remetem de imediato para o universo Nile mas a brutalidade a roçar as fronteiras do holocausto, a devastação protagonizada pela secção rítmica, a voz cada vez mais inumana de Nergal, as guitarras lancinantes e a acutilante parede de riffs protagonizada pela dupla Nergal / Seth, colocam a banda no limiar da música extrema.
Supostamente com Inferno na capa, o 8º álbum dos polacos peca por alguma sensação de “piloto automático” e pela dificuldade de assimilação dos temas às primeiras audições, sendo que tudo é resolvido depois de ouvir a refrescante participação de Warrel Dane no tema «Inner Sanctum».
Jul-07

[ 8 ]

 

BEWITCHED - Spiritual Warfare / 2006

Os Bewitched sempre foram uma base de apoio para músicos extremos exorcizarem todo o tipo de influencias de uma forma descomprometida, sem beliscar a integridade dos projectos, comercialmente mais interessantes. Blackheim (aka Anders Nyström), vocalista e guitarrista de bandas como Katatonia, Bloodbath ou Diabolical Mascarade, esteve na génese da banda que actualmente integra como principais elementos 2 músicos que fazem parte dos Naglfar.
Com um forte cunho old-school, os temas de «Spiritual Warfare», 5º álbum de estúdio do quarteto, são um autêntico desfilar genético, varrendo e fundindo metal mais tradicional com gélidos e viscerais esboços de Black Metal, o que lhes dá uma sonoridade Black n'Roll característica e que vai tendo na actualidade seguidores de sucesso, como os casos dos I de Abbath ou dos Chrome Division.
Descarregando ódio e ensinamentos misantropos, os Bewitched ficam aquém do que já conseguiram no passado, especialmente em «Pentagram Prayer», completando este registo com alguns temas menos conseguidos. Vale a simplicidade delirante de alguns riffs, o groove envolvente e as vocalizações arranhadas que vão alternando ente Vargher e Wrathyr e alguma atitude Punk.
Jan-07

[ 7.5 ]

 

BELPHEGOR - Pestapokalypse VI / 2006

Centrando o conceito à volta de uma das pragas medievais, a peste negra, os Belphegor fazem assim a sua estreia pela Nuclear Blast, uma editora que pela sua enorme dimensão, será o instrumento de arremesso ideal para espalhar toneladas de perversidade e carradas de ódio religioso, por todo o lado.
Como indicado no próprio título, esta 6ª incursão em estúdio da banda de Salzburg revela desde logo maior diversidade e uma refinada amostra de blasfémia, onde alguns dos excertos mais lentos e quase doomicos, servem de trampolim para enfatizar os agressivos ataques de guitarra e as explosivas erupções rítmicas. A doutrina é pregada em 3 idiomas diferentes, proporcionando ainda mais sentido à autentica orgia de som que se alastra por 9 temas ao longo de 40 minutos apocalípticos. Com uma precisa e brutal produção a cargo de Andy Classen, os austríacos desmentem quem os considerava apenas uma simples resposta aos Dark Funeral, através de um letal e cirúrgico Blackned Death de cortar a respiração.
Comprovando o reforço de orçamento, a versão digipack de «Pestapokalypse VI» inclui ainda os 2 video clips promocionais que foram realizados com o objectivo de dizimar os mercados europeu e americano.
Jan-07

[ 8.5 ]

 

BORKNAGAR - Origin / 2006

Prosseguindo o percurso encetado ao longo dos 6 trabalhos anteriores e confrontando-os com o álbum mais recente dos Cronian, projecto paralelo de Øystein G. Brun e Vintersorg, não é de estranhar que o sétimo álbum dos Borknagar seja composto por um conjunto de temas em formato semi-unplugged com forte componente progressiva.
Recorrendo a instrumentos mais orgânicos, como guitarras acústicas, violinos, contra-baixo ou flautas, conjugados com a voz característica e por vezes desarmónica de Mr. V, as estruturas simples e eficazes dos 9 temas de «Origin» transportam-nos, ao longo de pouco mais de 35 minutos, para ambientes relaxados, de uma beleza apreciável e com algum charme à mistura. A acessibilidade e curta duração, são o seu calcanhar de Aquiles, uma vez que este disco se esgota ao fim de algumas audições, não conseguindo transmitir a sensação de descoberta constante, factor comum e evidente nos estruturados registos anteriores da banda norueguesa.
Se «Epic» já tinha deixado uma ideia de menor inspiração, este registo denota sintomas de cansaço. Os apreciadores da fase mais progressiva do colectivo certamente gostarão deste disco que afinal descarta parte da faceta mais Viking / Black Metal que ostentavam aquando das suas origens.
Dez-06

[ 7 ]

 

BLACK LABEL SOCIETY - Shot to Hell / 2006

Desde que encetou a caminhada a solo com os seus Black Label Society, Zakk Wylde tem conseguido manter uma impressionante cadência de edições, sendo «Shot to Hell» o sétimo trabalho de originais. Cada disco contém uma série de temas Rock numa linha mais pausada sem descorar algumas baladas de qualidade superior, assentes na capacidade e talento das composições do extraordinário músico.
O desempenho do guitarrista é um prazer para os nossos ouvidos, quer seja pelos brilhantes solos, pelos riffs completamente viciantes ou ainda pela performance vocal que cada vez está mais desenvolvida e solta. Embora alguns dos temas mais agressivos, principalmente os que foram colocados na parte final deste registo, não soem muito inspirados, a aproximação melódica aos sons clássicos da década de 70' e o dinamismo patenteado em cada malha, mesmo sem grandes surpresas, revelam-se um tónico demasiado relaxante para serem desprezados. Com mais faixas calmas que habitualmente, sem contar obviamente com «Hangover Music Vol. VI», nota-se que a perda de Dimebag Darrell ainda exerce sobre Wylde profunda consternação.
Na falta de actividade de bandas como Black Sabbath ou do próprio Ozzy Osbourne, temos aqui uma alternativa mais do que válida.
Nov-06

[ 7.5 ]

 

BLIND GUARDIAN - A Twist in the Myth / 2006

Aliando o talento dos músicos que constituem o colectivo, a voz carismática e inimitável de Hansi Kursch, um imaginário baseado no mundo medieval, criatividade e um som original, os Blind Guardian foram construindo à sua volta uma legião de fãs e recolhendo o reconhecimento por parte da imprensa especializada.
Quatro anos após «A Night at the Opera», um registo de difícil digestão, quer pela sua complexidade quer pela postura demasiado progressiva, técnica e excessos de produção, os alemães regressam flectindo numa direcção mais simples.
Com Frederik Ehmke no lugar de Thomen Stauch, baterista fundador que rumou aos Savage Circus, comprova-se que aqui há plena capacidade para acompanhar todas as mudanças de ritmo e virtuosismo exigidas e impostas pela dupla André Olbrich / Marcus Siepen. Influências folk, momentos acústicos e coros majestosos podem ser encontrados ao longo de todo o trabalho mas em proporções bem menos intensas que anteriormente. A música flui de forma natural, com destaque para o espaço estratificado dado às guitarras e às vozes. «A Twist in the Myth» é afinal uma combinação entre a fase mais actual com imensas reminiscências do passado, o que o torna um disco mais apelativo que o seu predecessor.
Out-06

[ 8 ]

 

BLEEDING DISPLAY - Ways to End / 2006

Desde 99 que os lisboetas Bleeding Display encetaram uma lenta caminhada rumo a este trabalho, cimentada à custa de vários concertos e no lançamento em 2002 de «Bleeding Promotion», um promo CD de 3 temas repetidos no split comercializado no ano seguinte pela War Productions – «War and Death Vol. 1» – suporte compartilhado com os indonésios Cranial Incisored, os chilenos Diabolical Messiah e os portuenses Unfleshed. Com a participação de Pedra como vocalista convidado no tema título, Sérgio Afonso nos vocais, João Rastas nas guitarras, Juca na bateria e o baixista Alex, músico que acumula funções com os Grog e Neoplasmah, formam o colectivo que entre Abril e Maio do ano passado, regista nos Brugo Sound Studios o álbum «Ways to End», sob o comando de Hugo Camarinha. Ao longo de uns brutais e sónicos 27 minutos, o quarteto destila nove valentes petardos de letal Death Metal. Estando perante uma das mais extremas bandas da cena nacional, espera-se que o contrato discográfico celebrado com a Sevared Records, editora americana que possui um bom background de agrupamentos do género, permita aos Bleeding Display alcançar o reconhecimento internacional que este trabalho justifica amplamente. Jun-06

[ 8 ]

 

BAL SAGOTH - The Chthonic Chronicles / 2006

Cinco anos depois de «Atlantis Ascendant», os britânicos Bal Sagoth regressam com mais um épico onde, além dos títulos deveras curiosos e prolongados, é possível encontrar universos tão dispares que vagueiam entre a ficção cientifica, a pura fantasia e amplos cenários de doença, dor e morte.
As sonoridades do quinteto de Yorkshire colidem com as fronteiras de um Black Metal com características mais sinfónicas, sendo que a voz de “Lord” Byron Roberts nos transporta, por vezes, para perto dos
Cradle of Filth embora, em termos instrumentais, a banda se demarque de toda e qualquer concorrência. E são de facto as excelentes composições e arranjos de Jonny e Chris Maudling que dão o toque de originalidade ao colectivo, fazendo com que o resultado de cada aventura se revele única e inimitável. As músicas escritas pelo teclista e guitarrista, ilustradas pelas histórias cantadas por Byron, em tom muitas vezes declamatório, colocam-nos no meio de um cenário de guerra, negro, alucinante e inacreditavelmente complexo.
Gravado entre 2003 e 2005, só agora nos chegam às mãos estas crónicas mais do que recomendadas mas que não perderiam se tivessem sido embrulhadas recorrendo a um maior investimento em termos de produção.
Mai-06

[ 8 ]

 

BLIZZARD WINTER - Imperium / 2005 Demo

Actualmente radicados na Irlanda, os Blizzard Winter são uma criação do guitarrista Lidagon, acompanhado neste primeiro lançamento pelos ritmos de Velpecula e vocalizações a cargo de Corvus Tenebrae. Com o objectivo de integrarem um adiado split-CD com os Vorago e os Coldblooded, os 3 temas que podemos escutar em «Imperium» revelam-nos um projecto capaz e com ideias bem definidas. Depois de uma curta introdução, deparamos com 2 malhas de puro e cru Black Metal, numa atmosfera bem intensa e cativante, assente em sólidas estruturas de guitarra e interessantes programações, com a particularidade de ambas serem cantadas em português. Como faixa extra temos um ensaio captado em 2004, desta feita com o baterista Vindex em detrimento da caixa de ritmos.
A apresentação desta demo limitada a 50 cópias e distribuída numa caixa de DVD, com uma boa impressão gráfica, denota o cuidado tido nesta edição de autor.
Depois da participação em finais do ano transacto com um tema inédito na compilação «Metal Legions», a banda tem já preparada uma nova demo de 5 temas com o título «Gateways to Rebellion», a lançar muito brevemente.
Fev-06

[ 7 ]

 

BRONX CASKET CO., The - Hellectric / 2005

Os The Bronx Casket Co. são um projecto paralelo de D.D. Verni que reúne à sua volta músicos talentosos com o objectivo de criar algo descomprometido, não pondo em causa a relação entre os fãs e as bandas em principais.
Novamente com Myke Hideous (aka Spy) dos
Misfits nos vocais, Jack Frost o imparável guitarrista dos Sevenwitches, o companheiro de banda Tim Mallare na bateria e Charlie Calv com os teclados, o baixista dos Overkill oferece-nos 12 temas com clara orientação Dark Gothic e que por vezes, talvez demais até, nos trazem à memória bandas como os Type O Negative. Desta feita, DD pega no microfone em 4 faixas – em «Sherimoon» chega a parecer imitar Marilyn Manson – enquanto Mary Jacobsen vocaliza por completo a balada «Morticians Lullaby».
O som deste 3º disco dos BCC é muito polido, cristalino e poderoso o que ajuda a realçar aquela atmosfera sinistra e catchy que se pretende. Além de produzir este disco, Verni teve a preciosa colaboração de Michael Romeo dos
Symphony X nas misturas finais. Ao contrário dos registos anteriores, a versatilidade de «Hellectric» esbarra em momentos menos inspirados, monótonos mesmo e que tornam o resultado final menos animador. Jan-06

[ 7 ]

 

BOLT THROWER - Those Once Loyal / 2005

Embora os últimos tempos não tenham sido tão prolíficos em termos de edições discográficas, «Those Once Loyal» é já o 8º álbum de originais do quinteto de Coventry. A atitude punk que sempre evidenciaram, trouxe-lhes respeito e admiração nos meandros do Metal mais underground , onde cada lançamento é aguardado com expectativa. Depois da experiência com o ex-Benediction Dave Ingram nos vocais, Karl Willets regressa ao seu lugar para ilustrar por palavras as sonoridades bélicas que desta vez versam sobre a 1ª Guerra Mundial.
Relativamente ao som dos
Bolt Thrower ninguém espere que seja agora que a banda vá abandonar o seu característico Death Metal cadenciado, onde a secção rítmica comandada pela baixista Jo-Anne Bench deixa pouco espaço para a poeira assentar, enquanto Martin Kearns e Barry Thompson formam a habitual dupla de guitarristas responsável pela criação de harmonias densas, arrastadas e compactas, onde não faltam ganchos e riffs absolutamente punitivos e dilacerantes.
E é nesta simplicidade e aparente estagnação que cada disco dos
Bolt Thrower se evidencia da concorrência, desta feita numa versão digipack de rara beleza. Dez-05

[ 9 ]

 

BLACK LABEL SOCIETY - Mafia / 2005

Desde que formou os Black Label Society em 1998, Zakk Wylde não deixou passar um ano sem que a sua banda não tenha editado um álbum, mesmo estando – não raras vezes – ocupado em digressões ou em longas passagens pelos estúdios com Ozzy Osbourne.
Depois do delicioso álbum de baladas «Hangover Music Vol. VI», lançado o ano passado, não será de estranhar que Zakk Wylde volte aos temas mais pesados e dos 14 que compõe este «Mafia», apenas encontramos «In this River» e «Dirt on the Grave» com uma clara tendência mais ligeira. Composto e produzido pelo fabuloso guitarrista, todas as vozes e guitarras, partes de piano e algumas de baixo são da sua exclusiva responsabilidade, deixando a bateria para Craig Nunenmacher (ex-Crowbar) e o baixo para James LoMenzo, seu antigo companheiro nos Pride & Glory e actualmente nos BLS.
Mais um trabalho despretensioso mas ao mesmo tempo extremamente agradável e relaxante ou não estivesse imbuído dos ritmos sulistas e repleto de ambiências electrizantes e altas guitarradas. Abr-05

[ 8 ]

 

BEHEMOTH - Demigod / 2004

Com uma periodicidade fulgurante, em pouco mais de 10 anos os polacos lançaram, sem contar com outros formatos, 8 álbuns e 4 EPs. Mais admirável ainda é o facto de apresentarem em cada registo diferentes abordagens, mantendo como base uma batida vertiginosa, actualmente a cargo do inimitável Inferno e a voz visceral de Nergal. Muito rápido e técnico, em cada disco alargam os horizontes que vão desde o Black Metal extremo e selvagem, passando por agressivas descargas de Death , sem esquecer os momentos mais progressivos e acústicos.
Com Daniel Bergstrand nas misturas finais, estamos perante um álbum poderoso, com um som sólido e distinto. Realce para a participação de Karl Sanders num dos temas de um disco mais uma vez com fortes influências da cultura Oriental. Dez-04

[ 8.5 ]

 

BLOODBATH - Nightmares Made Flesh / 2004

Com uma pequena / grande remodelação no colectivo, os Bloodbath voltam à carga com «Nightmares Made Flesh». Peter Tägtgren substitui Åkerfeldt nos vocais, Dan Swanö deixa a bateria a Martin Axenrot (Witchery e Satanic Slaughter) para se dedicar à guitarra, formando com o duo dos Katatonia - Anders Nyström e Jonas RenSke – uma destilaria de riffs ,solos e malhas intrincadas.
Não é segredo que este projecto serve para exorcizar fantasmas passados e ao mesmo tempo prestar homenagem a um som agressivo e brutal que actualmente não é compatível com o que fazem nas bandas principais. Assim é natural, depararmos com uma muralha sonora de Death Metal bem old school , desta vez ainda mais técnico e progressivo, gravado com recurso às mais modernas tecnologias, ou não estivéssemos na presença de produtores de renome. Interessante o registo vocal de Tägtgren que o afasta do que utiliza nos Hypocrisy e ao mesmo tempo do de Åkerfeldt. Out-04

[ 8 ]

 

BORKNAGAR - Epic / 2004

Apenas com o guitarrista Øystein G. Brun a permanecer da formação original, os Borknagar são assim como uma espécie de instituição por onde vão passando, sem assentar arraiais por muito tempo, uma série de músicos proeminentes da cena metálica norueguesa (agora com Vintersorg temos uma espécie de ramificação para a Suécia).
Cada disco dos Borknagar está repleto de elementos Black embora as influências folclóricas e o som deveras estruturado, intrincado, complexo, vanguardista até, faça de cada momento algo de grandioso e muito distinto do que a grande maioria das bandas do género nos oferece. Pode-se quase afirmar que a música dos Borknagar é cerebral e quase intelectual, sendo mesmo necessário recorrer a várias audições para se conseguir apreender o conteúdo residente em cada espira.
O maior problema de «Epic» nem é o facto de ser demasiado multifacetado ou recheado de inúmeras texturas progressivas mas sim o facto de ser o sucessor do sublime «Empiricism». Ago-04

[ 8 ]

 

BLACK LABEL SOCIETY - Hangover Music Vol. VI / 2004

Quem espera obter uma colectânea de riffs, um manancial de solos e um conjunto de temas a rasgar, receberá em troca um álbum repleto de baladas de Hard Rock, de momentos acústicos e de material mais ligeiro. No entanto, essa faceta mais melódica nunca nos foi escondida pelo guitarrista de Ozzy Osbourne nos seus trabalhos anteriores.
O ambiente sulista que se respira ao longo de mais de uma hora de música certamente fará as delícias dos que gostam de passar um bom fim de tarde à beira mar, bem acompanhados por refrescantes louras. Por vezes poderá parecer que a sua voz raramente encaixa neste tipo de canções, acentuando-se essa sensação quando apenas existe como fundo um piano mas, isso não passa de um pormenor subjectivo para quem aprecia este estilo rouco, quente e com muita personalidade. Os solos virtuosos e alucinantes podem ficar para uma próxima vez. Ago-04

[ 9 ]

 

BELPHEGOR - Lucifer Incestus / 2003

Não sendo a Áustria o país mais conhecidos pelo legado de bandas de Metal, os Pungent Stench são dos mais conhecidos fora das suas fronteiras, foi com curiosidade que ouvi o 4º disco de originais deste blasfemo e agressiva quarteto.
Na capa deparamos com um demónio a aliciar um grupo de freiras que já parecem estar possuídas. Colocando o CD na posição de Play somos imediatamente fustigados pela intensa devastação, brutalidade e rapidez destes 9 temas que compõe «Lucifer Incestus». Ainda não refeitos de tão forte impacto e já o disco chegou ao fim. Ganhando coragem para sofrer novo atentado, somos confrontados por uma combinação de Death Metal extremo com gélidas e cruas passagens de Black Metal onde sobressaem a extraordinária performance do baterista Torturer, as rapidíssimas mas muito técnicas partes instrumentais e os grunhidos e esgares de Helmuth.
O facto de estarem agora numa editora como a Napalm Records possibilita-lhes certamente melhores condições, podendo desde já ser verificadas na cristalina produção, a cargo de Alex Krull dos Atrocity, na boa distribuição e na sua excelente embalagem.

[ 8.5 ]

 

BLIND GUARDIAN – Live / 2003

Apenas 1 de 2 motivos podem justificar a compra de um álbum ao vivo:
- ou gostamos imenso da banda e estamos dispostos a completar a sua discografia com uma espécie de 'Best Of' gravado em circunstâncias peculiares;
- ou, desconhecendo fases da carreira do grupo em questão, encontramos uma hipótese de ficar com alguns dos temas mais fortes e marcantes do colectivo.
Com «Live» consigo o objectivo anteriormente mencionado graças a um desfilar de canções que abrangem todos os discos dos BG. Certamente estas gravações foram trabalhadas em estúdio mas isso é positivo quando o resultado final é este. Embora recolhido em locais bem diferentes – durante a última digressão – nunca fiquei com a sensação de estar perante ambientes diferentes tal a continuidade entre as músicas e a participação entusiasta da audiência.

[ 8 ]

 

BATHORY – Nordland II / 2003

De regresso com a segunda parte desta saga, Quorthon oferece-nos mais do mesmo. Se «Destroyer of Worlds» lançado em 2001 foi um autêntico desastre e cheguei a temer uma entrada numa fase terminal de degradação, já «Nordland I» foi uma tentativa algo conseguida de regresso aos gloriosos tempos de «Hammerheart» e «Twilight of the Gods», em detrimento dos discos mais rápidos que recheiam uma enorme discografia cuja qualidade, por vezes, é por demais duvidosa.«Nordland I» trouxe de volta o imaginário Viking e as composições épicas, onde a atmosfera criada através da voz rasgada de Quorthon nos conduz para qualquer gélida paisagem escandinava. «Nordland II» é muito semelhante ao seu predecessor e como já li algures os Bathory só teriam a ganhar se condensassem os 20 temas desta dose dupla apenas num CD. Aí sim teríamos uma autêntica pérola, assim estamos perante um clone de boa cepa.

[ 7 ]

 

BLOODBATH – Resurrection Through Carnage / 2002

Compostos por Mikael Åkerfeldt (Opeth), Anders Nyström (Katatonia, Diabolical Masquerade e Bewitched), Jonas Renkse (Katatonia e October Tide) e Dan Swanö (Nightingale, Dan Swano, Edge of Sanity, etc.), lançaram em 1999 um EP de 3 temas que serviu de cartão de visita para um projecto disposto a exorcizar os seus fantasmas antigos. Death Metal puro e duro ao estilo de grupos em que ainda depositam os seus ouvidos mas que seria impensável reproduzir nas suas bandas actuais. «Resurrection Through Carnage» soa a Entombed, Dismember e Morbid Angel mas tocado genialmente com a ajuda da tecnologia e parafernália actual. A melodia ficou à porta, as vozes limpas com ácido e as mãos "banhadas em sangue".

[ 9 ]

 

BATHORY – Nordland I / 2002

Com treze discos na bagagem, contando com os dois trabalhos a solo, Quorthon continua a produzir música como fazia à vinte anos atrás. Vozes arranhadas, tons lentos e épicos, melodias cinzentas e ácidas que parecem saídas de guitarras com lâminas em vez de cordas, tudo muito cru e frio, muito frio. Como sempre o som está longe de ser o melhor e obviamente estamos a milhas de ter pela frente o melhor cantor do mundo, mas a atmosfera Viking conseguida neste disco aproxima-se claramente da dos clássicos «Hammerheart» e «Twilight of the Gods». É bom saber que os Bathory estão novamente em boa forma, no entanto se querem "flores" vão procurar a outro lado pois aqui elas jamais crescerão.

[ 8 ]

 

THE BRONX CASKET CO. - Sweet Home Transylvania / 2001

D.D. Verni, conhecido baixista dos Overkill, criou este projecto paralelo para assim poder explorar a sua faceta de compositor numa linha musical mais orientada entre o Doom e o Gothic Rock. Acompanhado por Jack Frost (guitarrista dos Savatage), Tim Mallare (baterista dos Overkill), Charlie Calv (teclista dos Shotgun Symphony) e Spy (ex-vocalista dos Misfits), temos em mãos 9 histórias de horror bem ao estilo da banda liderada por Pete Steele.
Embora os temas sejam algo lento e longos, a voz de Spy incute-lhes uma ambiência ao mesmo tempo alegre e irónica. Aliás este registo vive deste tipo de contrastes. A alegria na morte...

[ 8.5 ]

 

BLIND GUARDIAN - A Night at the Opera / 2002

Ainda não percebi porque é que uma banda como os Blind Guardian possuem tantos adeptos e vendem discos como água pois nada tem que possa ser considerado comercial. Praticam um Power Metal deveras musculoso e pesado onde o espaço para os momentos mais melódicos e baladeiros não abunda. A voz de Hansi Kursch está longe, em termos de limpidez, quando comparada com a de Tobias Sammet dos Edguy ou a de Andi Deris dos Helloween, a dupla de guitarristas arranha mais (no bom sentido) do que toca e na bateria temos Thomen Stauch que é simplesmente brutal.
Os temas são épicos, com algumas influências sinfónicas e conceptuais, e em termos sonoros têm muito mais a ver com o som praticado do outro lado do Atlântico.
«A Night at the Opera» é um trabalho quase progressivo onde abundam os devaneios instrumentais em faixas que ultrapassam quase sempre os 6 minutos. Para terminar "faz-se silêncio" ao fim de uma malha com quase um quarto de hora!
Um disco muito bom não fosse a irritante voz de Hansi.

[ 7.5 ]

 

BLAZE - Tenth Dimension / 2002

Quando Bruce Dickinson abandonou a Dama de Ferro o escolhido para o substituir foi Blaze Bayley, o vocalista dos Wolfsbane. Com estes gravou «The X Factor» e «Virtual XI» mas nunca conseguiu suportar a pressão, as comparações e colmatar o carisma do entretanto regressado front-man.
Em 2000, junto com 4 jovens e promissores músicos, arranca com o seu projecto a solo apresentando-nos um excelente disco, como deve soar o metal no novo século.
Neste novo registo encontramos canções poderosas onde as líricas futuristas são o fio condutor entre todos os temas. A produção a cargo do cada vez mais requisitado Andy Sneap é um ponto a ter em conta, no entanto o produto final está deveras enraizado no que se fazia nos anos 80 e por esse facto tudo parece um pouco datado. Outro factor deveras negativo é que a identidade deste projecto de forma alguma consegue esconder as influências Iron Maiden, a nível vocal e composição dos temas.

[ 4. 5 ]

 

BEHEMOTH – Zos Kia Cultus / 2002

Após uma fase mais pró Black Metal, a banda polaca liderada por Nergal tem vindo a redefinir a sua sonoridade principalmente a partir da entrada do baterista Inferno (há quem diga que o homem tem 4 braços). «Zos Kia Cultus» ou se preferirem «Here and Beyond» é um álbum brutal, onde mesmo os momentos mais lentos são poderosos graças à raiva patente na voz de Nergal e principalmente à rapidez e destreza do demoníaco e exímio percussionista. Com uma produção brilhante, o que já se vem tornando cada vez mais habitual dentro deste tipo de som, alguns momentos fazem-me lembrar o último trabalho dos Nile, pelas suas referências egípcias mas não só. A técnica e a variedade sonora que se pode encontrar ao longo de «Zos Kia Cultus» tornam-no num forte candidato ao trono de 2002 .

[ 9 ]

 

BORKNAGAR – Empiricism / 2001

Já foi tempo em que foram um super-grupo composto por elementos pertencentes, ou que passaram por, bandas como os Arcturus, Immortal, Gorgoroth, Ancient ou Enslaved. As constantes mudanças de line-up, estabeleceram um rumo bem claro para o quinteto liderado pelo guitarrista e principal mentor do grupo Oysten G. Brun. Musicalmente combinam uma brutalidade comedida e uma intensa raiva, com bastante groove e com sons progressivos, algo atmosférico e por vezes Folk. Vozes limpas contrastam com outras mais ríspidas e guturais.

[ 9 ]

 

BOLT THROWER - Honour · Valour · Pride / 2001

Quem ouve um disco dos Bolt Thrower ouve todos. Os próprios não o desmentem ao defender que "quem põe um disco nosso no leitor deve saber exactamente aquilo que vai ouvir". Assim sendo, deparamos com mais 45 minutos de guerra, ódio e explosões sonoras, marcados pelo regresso do baterista Martin Kears e pela estreia do vocalista Dave Ingram (ex-Benediction), perante reduzidas inovações a nível sonoro e temático. Quem conhecia Ingram pelo seu trabalho com a sua banda anterior vai ficar totalmente surpreendido pela sua prestação neste disco pois parece que fez tudo para soar exactamente como o seu antecessor.
Para quem é apreciador do quinteto este é pelo menos o melhor registo até à data nem que seja pelo facto de ser o mais recente.

[ 6.5 ]