: : MALEITAS/ANÁLISES : : A : : .

ARCH ENEMY - Will to Power / 2017

amonOs últimos trabalhos da banda, «Khaos Legions» incluído, já vinham denotando uma certa orientação mais simples e directa, com uma perda gradual de qualidade nas composições e nem a lufada de ar produzida pela entrada da vocalista Alissa White-Gluz conseguiu inverter essa situação. «Will to Power» apresenta como grande novidade o guitarrista Jeff Loomis, mas cedo se percebe que o ex-Nervermore, embora facilmente identificável ao longo do álbum, não foi peça tida em conta na elaboração destes temas que, no seu conjunto, ficam a dever ao legado da banda, pouco inspirados, transparecendo alguma falta de energia e variedade, sucedendo-se de uma forma maquinal. Obviamente que quem tem músicos de calibre superior, com uma rodagem e experiência quanto baste, dificilmente não tem para oferecer momentos fortes e competentes, e nesse campo «Will to Power» está repleto de execuções sublimes a nível instrumental, mas a voz de Alissa, quer no registo gutural, quer nas linhas mais melódicas, não funciona. Seguramente daqui serão extraídas mais algumas músicas para acrescentar à play-list apresentada ao vivo mas seguramente muito aquém do nível apresentado em «Wages of Sin» ou «Anthems of Rebllion». Quando a cover dos G.B.H. é o tema mais entusiasmante… Out-17

[ 67 / 100 ]

 

AVATARIUM - Hurricanes and Halos / 2017

amonPouco tempo após colocar cá fora novo projecto chamado The Doomsday Kingdom, Leif Edling ainda tem tempo para escrever 6 dos 8 temas que constam do terceiro álbum dos Avatarium. Já sem o produtivo baixista dos Candlemass a fazer parte do colectivo sueco, substituído neste trabalho por Mats Rydström e com a dupla Marcus Jidell / Jennie-Ann Smith cada vez mais interventiva, o disco desbrava caminhos mais melódicos e introspectivos, não perdendo a sua vertente Doom mas amplificando a faceta mais terna que sempre fez parte do conjunto. Jidell além de um hábil produtor é um exímio guitarrista, uma enciclopédia de riffs e solos de cortar a respiração, um garante de classe e emotividade para cada tema, sendo aqui secundado por passagens bem marcantes de órgão, desta feita nas mãos de Rickard Nilsson, outra das novidades do actual line-up. Jennie-Ann personifica a elegância num disco repleto de excelentes canções, fresco, orgânico e que não se fica por um estilo, transcendendo-se para zonas mais amplas, do Rock mais clássico às baladas com forte influência Blues, não descurando aqueles trejeitos Jazz que facilmente se percebem de onde vem. Por vários motivos e como já escrevi aquando do álbum anterior, os Avatarium são seguramente uma das melhores bandas que surgiu neste novo século. Jul-17

[ 86 / 100 ]

 

ANAAL NATHRAKH - The Whole of the Law / 2016

amonDavid Hunt e Mick Kenney voltam à carga com uma genuína biqueira nas trombas. Após uma ligeira incursão por terrenos mais divergentes, «Desideratum» acabou por se revelar um pouco um tiro ao lado, ao 9º álbum a dupla britânica mergulha de novo num cataclismo sonoro absolutamente letal em que só uma produção exemplar e imaculada consegue destrinçar entre uma desconstrução insuportável e a total consciência que estamos a receber algo em troca do que nos faz verdadeiramente sofrer. Uma paleta cacofónica que varre sons desde o Grind / Black / Death e Industrial, linhas vocais que nos entram nos tímpanos com a suavidade de um berbequim, pese embora algumas passagens mais melódicas mas pouco abundantes, faz com que «The Whole of the Law» se revele após as primeiras audições, e algum sangramento auditivo também, um conjunto de camadas bem definidas e simultaneamente miscíveis, uma parede maciça de gritos e urros, uma descarga de riffs lancinantes com uma percussão absolutamente devastadora e maquinal. A panóplia de influências é tão vasta que até fui obrigado a verificar no livreto se King Diamond estava listado nos nomes convidados, ainda antes de ter chegado à interpretação extrema de um clássico como «Powerslave». Dez- 16

[ 86 / 100 ]

 

ALKATEYA - Last / 2016

amon«Last» pretende não só marcar o regresso ao activo dos Alkateya, ou melhor, da oitava encarnação dos lobos com João Pinto e Manuel Animal como os únicos elementos activos das suas formações mais clássicas, como a celebração dos XXX anos desta verdadeira instituição do metal lusitano. Iniciando este EP com 5 temas novos, a segunda parte deste trabalho fica entregue a algumas das bandas nacionais que gravitam à volta das mesmas sonoridades e que se juntam à ocasião em jeito de tributo, «Warrior» ainda credita o lendário guitarrista Beto na sua composição e, seguramente por isso, é o tema mais forte do disco mas não deixa também de ser interessante ouvir «Flor do Mal (Avaro)» em bom português, língua nativa nunca utilizada pela banda até à data.
Quanto às homenagens o destaque vai para a interpretação de «Face to Face (We Are One!)» por parte dos lisboetas
Leather Synn pelo facto de conseguirem dar uma roupagem mais moderna a um dos temas mais emblemáticos dos Alkateya. Infelizmente as participações dos Ravensire, Cruz de Ferro, Shivan e Midnight Priest não atingem o mesmo nível, com versões bem tocadas é certo, mas com quase nenhuma mais valia em confronto com as originais. Set-16

[ 75 / 100 ]

 
 

AMON AMARTH - Jomsviking / 2016

amonComo que capitalizando um estilo cimentado ao longo de nove capítulos, os álbuns mais recentes dos Amon Amarth foram-se sucedendo sem acrescentar muito a uma fórmula já de si enraizada e que ajudou a tornar os suecos num dos casos mais bem sucedidos da história do Death Metal. Com «Jomsviking», o primeiro trabalho que segue um mesmo conceito ao longo de toda a sua duração, o quinteto escandinavo investe novamente nas linhas mais melódicas das guitarras, numa poderosa muralha rítmica e num sempre imponente vocalista e desagua em composições envolventes, com coros poderosos e talhadas para serem tocadas ao vivo. Com uma dinâmica afinada e uma densidade atmosférica de relevo, malhas como «Raise Your Horns» estão mesmo construídas para serem entoadas em uníssono, enquanto temas como «At Dawn's First Light» quase que nos obrigam a colocar um elmo, cuspir na mão, pegar num machado e correr. À semelhança de «Hel» que trouxe o contributo de Messiah Marcolin ao anterior «Deceiver of the Gods», desta feita é Doro Pesch que durante «A Dream That Cannot Be», num registo totalmente distinto do de Johan Hegg, nos oferece o seu talento vocal e alguma sensibilidade e fragilidade a um registo repleto de gelo, sangue e fogo. Abr-16

[ 81 / 100 ]

 

ANTHRAX - For All Kings / 2016

amonTrês álbuns nos últimos 18 anos, período que abrange praticamente metade da carreira da banda de Nova Iorque, não evidenciam grande actividade de estúdio mas apesar desta inconstância, o quinteto tem-nos servido discos interessantes e que não destoam relativamente a um passado que, por mérito, os colocou ao nível dos restantes Big Four. Com o regresso de Belladonna ao lugar que foi ocupado, por John Bush durante 4 álbuns, os Anthrax voltam a penetrar na sua faceta mais old-school mas sem abandonar aquele ritmo a meio gás e com uma direcção mais moderna que vinham revelando mais actualmente. Se bem que o vocalista da formação mais clássica brilhe nos temas mais rasgados, fica a sensação que nos momentos mais lentos Bush teria um posicionamento mais consistente, embora essa impressão fique bem mais esbatida neste registo quando comparado com o anterior «Worship Music». Charlie Benante e Frank Bello não abdicam de marcar a cadência de cada espira, Scott Ian possui em Jonathan Donais (ex- Shadows Fall) um parceiro compatível para com ele debitar riffs que deambulam desde a agressividade mais thrash às melodiosas e, por vezes, calmas linhas de guitarras. «For All Kings» tem assim os seus momentos, o que já é bastante bom. Mar-16

[ 83 / 100 ]

 

ABBATH / 2016

amonPassados os anos de lutas internas e das batalhas legais pela utilização do nome Immortal, Abbath abandona uma instituição que ajudou a criar e da qual era o principal compositor, resultando daí este álbum a solo do vocalista / guitarrista nórdico. E se «Between Two Words» do side-project criado pelo próprio Abbath em 2006 já poderia dar indícios de alguma insatisfação pessoal, o músico recorre novamente ao baixista King ov Hell dos Gorgoroth para uma letal oferta que em nada se desvia do caminho traçado até ao momento, honrando o passado mais recente dos Immortal, bebendo obviamente dos momentos mais polidos dos próprios I mas apresentando-se ao mesmo tempo com um conjunto de temas diversos, como a recriação «Nebular Ravens Winter» de «Blizzard Beasts», como «Riding on the Wind» de «Screaming for Vengeance» dos Judas Priest. Mas isso são apenas as faixas bónus pois Abbath extravasam o Epic Black Metal para outras zonas, do Thrash ao Rock mais compassado. Apesar do desempenho feroz de Creature dos Benighted na bateria, Abbath é a figura central, pela sua voz glaciar e também pelo exímio trabalho de guitarras, diversificado e fluído. Se os restantes Immortal conseguirem algo da mesma qualidade, ficaremos duplamente satisfeitos. Fev-16

[ 88 / 100 ]

 

AVATARIUM - The Girl with the Raven Mask / 2015

amonNão sendo por unanimidade, é uma corrente favorável que pode ser observada nos mais dispares meios de opinião cibernética, os Avatarium são uma das formações mais bem recebidas pela crítica, e para alguns onde me incluo, a melhor banda que surgiu nos tempos mais recentes. Ao 2º álbum, os suecos já arrastam consigo temas de uma qualidade imensa e são uma aposta absolutamente segura. Das mãos de Leif Edling saem verdadeiras canções e embora o mentor por trás de bandas como Candlemass não seja um membro permanente nas performances ao vivo, onde é substituído pelo consagrado baixista Andres Iwers, todo o conjunto é magnífico, começando pelo desempenho do baterista Lars Sköld dos Tiamat e do teclista Carl Westholm que também têm acompanhado Leif noutros projectos. Mas é o guitarrista Marcus Jidell e a vocalista Jennie-Ann Smith que mais brilham em toda esta produção orgânica, com reminiscências nos Rainbow, Cathedral e até Trouble mas que bebe ainda dos momentos áureos aos já citados Candlemass. Um disco de Doom com uma veia progressiva, Rock psicadélico e Blues onde o Hammond se faz claramente ouvir e trejeitos Jazzy, frequências de onde Jennie provém, resultam num disco emocionante, repleto de sentimento e num clássico a curto prazo. Dez-15

[ 92 / 100 ]

 

ANNIHILATOR - Suicide Society / 2015

amonQuinze álbuns de estúdio é uma façanha ao alcance de muito poucas bandas mesmo sendo certo e sabido que os Annihilator são Jeff Waters. Tomando todas as rédeas e voltando a mexer na equação, apenas Mike Harshaw se mantém na bateria, substitui Dave Padden que já se encontrava na função desde «All for You», de 2004. Se nunca um vocalista se manteve tanto tempo à frente do colectivo canadiense, também não é estranho a Waters voltar ao que já tinha feito entre «King of the Kill» e «Remains», coincidentemente os trabalhos mais atribulados e talvez os menos conseguidos da sua carreira. Felizmente seguindo num registo menos agressivo, bem mais versátil e por vezes até limpído, as vozes de Waters conduzem estes 9 temas, recheados de riffs arrebatadores, solos vertiginosos, passagens a remeter para o glorioso passado thrash, por rápidas, pesadas, directas malhas, face a outras bem mais calmas e melódicas. As esquizofrénicas mudanças de tom e de tempo não ficaram de parte numa produção clara e moderna realizadas pelo próprio, para um trabalho que, a par do excelente álbum homónimo de 2010, pode ser desde já considerado dos melhores que lançaram nos tempos mais recentes. Entretanto já foi constatado que algumas destas malhas funcionam muito bem ao vivo junto dos antigos clássicos. Out-15

[ 82 / 100 ]

 

AMORPHIS - Under the Red Cloud / 2015

amon«Under the Red Sun» é já o sexto trabalho de originais dos Amorphis que conta com a participação de Tomi Joutsen, tornando-o o frontman com a maioria absoluta de participações como vocalista na banda finlandesa. Foi a partir de «Eclipse» que o sexteto de Helsínquia flectiu para uma nova fase, uma mescla do som mais progressivo e folclórico que vinha até então a desenvolver com os contornos mais Death Metal dos primeiros tempos. Numa produção moderna e encorpada, Jens Bogren transmite-lhe um dinamismo acrescido, através de um corrupio de tempos e ritmos que abraçam as permanentes e irresistíveis melodias. A atmosfera melódica prevalece mas a cascata de riffs poderosos, solos assinaláveis e leads fantásticos protagonizados pela dupla Esa Holopainen / Tomi Koivusaari, o eterno núcleo duro do grupo e os rosnados do próprio Joutsen, tornam este registo numa das mais fortes gravações da banda nestes últimos tempos. Como que se reinventando a cada álbum, eis-nos perante mais um punhado de grandes canções, belos e marcantes interlúdios e alguns pormenores deliciosos, abrilhantados por algumas interessantes participações como as de Chrigel Glanzmann dos Eluveitie, Aleah Stanbridge ou de Martin Lopez. Out -15

[ 79 / 100 ]

 

AC/DC – Rock or Bust / 2014

amon Tempos conturbados resultam naquele que será provavelmente o último álbum dos AC/DC. Pela primeira vez Malcom Young, guitarra ritmo e principal compositor, não participa num trabalho da banda australiana às custas de uma severa doença cerebral, dando lugar ao seu sobrinho Stevie. Phill Rudd, a contas com a justiça, ainda colaborou em «Rock or Bust» mas aparentemente não seguirá em tournée. Começando com dois temas fortes, o 15º álbum internacional de uma extensa lista de manuais de Hard Rock, 16 se contabilizarmos «TNT» lançado somente no mercado local, corre de forma decente numa direcção mais bluesy, sonoridade que sempre os acompanhou, onde raramente se sente que estamos perante uma média de idades na casa dos 62 anos, com Brian Johnson mesmo a roçar as 7 décadas de vida. Novamente com uma produção a cargo de Brendan O'Brien os AC/DC entregam-se a 11 temas com toda a energia, sem rodeios e devaneios, onde não faltam aqueles riffs que só Angus consegue sacar da sua Gibson SG e o resto é - felizmente - mais do mesmo. Numa altura que ultrapassam os 40 anos de carreira é inacreditável assistir a este estado de forma enquanto muitos outros há muito se dedicaram a tocar baladas, a cuidar dos netos ou a lançar discos atmosféricos. Jan-15

[ 78 / 100 ]

 

ANAAL NATHRAKH - Desideratum / 2014

amonÉ particularmente unânime que a partir de «The Codex Necro» e «Domine Non Es Dignus» os Anaal Nathrakh entraram numa espiral recessiva, com a quantidade de discos editados a não resultar proporcional à qualidade dos mesmos. Não se pense que o potencial decibélico não era da mesma forma letal, nem a descarga de adrenalina proporcionada por cada um desses registos inferior aos álbuns iniciais mas foi-se perdendo, com a cadência mais ou menos uniforme de lançamentos, aquele efeito da surpresa. Felizmente há 2 anos o duo britânico lançou «Vanitas» que acaba por ser o trabalho mais bem conseguido, juntando de forma genial a intensidade extrema do Black / Grind / Noise, os riffs ultra-sónicos, a uma componente mais envolvente. No entanto, algo se perde neste «Desideratum», uma tentativa menos conseguida em aumentar a vertente industrial e cibernética do conceito em torno de Gore Tech, um músico local com uma forte versatilidade na música electrónica, que juntamente com a habitual bateria programada, aqui resulta particularmente mal, tornam o resultado final menos apocalíptico e apelativo. Nesta primeira incursão na Metal Blade, no meio de gritos, vozes limpas, samples e caos instrumental, aguardavam-se um melhor desiderato. Nov-14

[ 75 / 100 ]

 

ARCH ENEMY - War Eternal / 2014

amonAs mudanças de fundo no line-up dos Arch Enemy, que se manteve imutável desde «Wages of Sin» de 2001, sobressaem deste 10º álbum de originais da banda sueca. A substituição de Christopher Amott por Nick Cordle dos Arsis evidencia-se na forma como este aborda as linhas de guitarra, desde os solos às passagens mais marcantes, características importantes em toda a estrutura das canções do quinteto e que provocam, desde logo, grande impacto. Quanto a Alissa White-Gluz, ex-vocalista dos The Agonist, com passagens também pelos Kamelot e Nightwish, uma escolha pessoal da própria Angela Gossow que agora recolhe ao managing, até se desenrasca bastante bem, principalmente nos temas onde a agressividade exige desempenhos guturais como só a antiga performer parecia ser capaz. Se esta injecção de sangue novo não esmoreceu a máquina, o mesmo já não se poderá dizer da qualidade posta na composição, algo que já se vinha a deteriorar com o tempo, culminando no desinteressante «Kahos Legions». «War Eternal» traz-nos uns Arch Enemy brutais e com os habituais laivos de melodia mas que falha quando ambas se pretendem conjugar, sendo que algumas das passagens mais catchy soam demasiado Pop, para não dizer disparatadas, o que não abona muito a favor do resultado final. Jul-14

[ 76 / 100 ]

 

ANNIHILATOR - Feast / 2013

amonAtingindo os 30 anos de carreira com os seus Annihilator, Jeff Waters não parece abrandar, sendo já «Feast» o 14º trabalho de estúdio da banda canadiana. Obviamente que a história de um colectivo com esta longevidade se faz por fases, alicerçadas na robustez da sua formação, em cada momento, mas também por uma série de factores alheios ao seu próprio desempenho, que vão tornando a música produzida mais ou menos apetecível ao público. No entanto, há um factor em todo o percurso dos Annihilator que permanece imutável, a destreza com que o guitarrista se apresenta a cada disco, valendo-lhe o respeito e admiração da comunidade. Com Dave Padden como vocalista principal desde «All for You» de 2004, nunca esteve alguém ao lado de Waters durante tanto tempo na banda, os trabalhos mais recentes vão-se mantendo dentro de uma linha coerente, sendo «Feast» mais um festim de solos, riffs elaborados e ritmos frenéticos, com espaço para alguns temas mais pausados e outros bastante descomprometidos, deixando de parte um pouco do tecnicismo exagerado do último álbum, gravado há 3 anos atrás. Como sempre, deambulando entre o Thrash e o Heavy Metal com laivos de Punk, neste registo uma pequena ajuda de Danko Jones para tal, a música dos Annihalator mantém-se actual e competente. Set-13

[ 74 / 100 ]

 

AMON AMARTH - Deceiver of the Gods / 2013

amonA forma mais fácil de analisar um novo disco dos suecos Amon Amarth é afirmar que, independentemente de tal catalogação ser positiva ou negativa, estamos perante mais do mesmo. Ainda assim, poucas são as bandas que se podem orgulhar de, em mais de 20 anos de carreira, se irem repetindo perante um significativo aumento de seguidores. E em parte é isso que podemos encontrar em «Deceiver of the Gods», outro álbum sobre mitologia vs. humanidade, onde a figura central recai agora sobre Loki e a sua luta contra o restante panteão nórdico. E a crítica morreria por aqui...
Com uma aproximação mais profunda ao som típico dos anos '80 e menos
Death Metal que habitualmente, a produção musculada de Andy Sneap incute um groove adicional à componente melódica, contrastando com o estilo mais subtil e dinâmico de Jens Bogren. Temas como o épico «Warriors of the North» ou principalmente «Hel», este contando com a participação do inimitável Messiah Marcolin, adicionam às batalhas de dupla guitarra e às poderosas descargas rítmicas novas roupagens, mesmo que na linha da frente permaneça inamovível o gigante Johan Hegg. A edição especial desta obra inclui um interessante EP de originais, onde o quinteto mergulha em algumas das suas influências mais notórias, algumas delas bem curiosas. Jul -13

[ 82 / 100 ]

 

AMORPHIS - Circle / 2013

amonCorrendo o risco em voltar a apresentar um produto pouco diferenciado, algo comum desde que Tomi Joutsen substituiu Pasi Koskinen, o grupo abandona a sua zona de conforto remetendo-se aos Petrax Studios com Peter Tägtgren. Capaz de atirar com as guitarras para a linha da frente, mantendo as teclas como um elemento dominante mas, desta feita, não tão proeminentes, este estilo de produção consegue aproveitar da melhor forma a componente melódica e a amplitude agressiva do seu vocalista, com especial ênfase para esta última. «Circle» oferece-nos mais um punhado de grandes canções, percorrendo a paleta de estilos que os Amorphis nos foram passando ao longo dos anos, das componentes mais progressivas, aos geniais rasgos melancólicos de Goth Metal, não desfazendo aquela vertente Folk que sempre incluíram na sua música. Mas o circulo não se fecha aqui, sendo a face mais musculada a grande proposta deste 11º álbum do sexteto finlandês, um autêntico suplemento vitamínico de força e energia. «Shades of Gray» e «Enchanted by the Moon» enveredam por terrenos mais obscuros e primitivos, não esquecendo os guturais Death Metal que caracterizaram a 1ª fase da banda, mas é na surpreendente «Nightbird's Song» onde se atinge o pico de agressividade há muito arredado do radar. Mai -13

[ 78 / 100 ]

 

ANAAL NATHRAKH - Vanitas / 2012

amonA regularidade editorial tem sido uma constante desde que gravaram o portentoso «The Codex Necro» em 2001, disco esse que viria desde logo a concentrar as atenções gerais, não só pela devastadora descarga sonora daí resultante mas ainda pelo facto do duo britânico conseguir de uma forma original abarcar uma série de estilos dispares conjugados de uma forma quase perfeita.
Ao 7º petardo, a brutalidade experimental desenvolvida por Irrumator resvala um pouco para terrenos mais industriais, num grandioso processo de insanidade e violência. V.I.T.R.I.O.L. não parece conhecer limites, com uma performance extraordinária ao longo de todo este «Vanitas». A complexidade electrónica é constantemente rasgada por torrentes de
Grind abrasivo enquanto riffs demenciais contornam infindáveis descargas de blastbeats que emergem das colunas de som, sob uma chuva de gritos vomitados a uma velocidade ultra-sónica, provocando um resultado final esmagador. Por incrível que pareça, ainda há espaço para solos de guitarra bem definidos e alguns momentos mais melódicos, embora não passem muitos segundos antes de nova incursão desenfreada rumo ao apocalipse, numa produção do próprio Mick Kenney absolutamente arrebatadora. Nov -12

[ 90 / 100 ]

 

ANATHEMA - Weather Systems / 2012

amonUma das abordagens possíveis à carreira dos britânicos Anathema é ir percorrendo a sua discografia sentindo, a cada disco, um aprofundar na suavidade musical que a banda vai construindo. Embora sempre melódicos e com uma enorme vertente atmosférica, os temas viraram canções e alguma da agressividade e crispação iniciais perderam-se por completo. Entre «Eternity» e «A Fine Way to Exit» a electricidade flui de forma gradual numa direcção mais progressiva até que a interacção mais recente entre os irmãos Cavannah / Douglas, mantendo toda a melancolia em torno do projecto, injectou-lhe uma faceta bem mais ligeira do que seria desejável. Após um interregno enorme, o álbum «We're Here Because We're Here» trouxe-nos uns Anathema bem menos excitantes, não só pelo facto de teimarem em tocar o disco ao vivo na íntegra antes de nos oferecerem aquilo que realmente queríamos, mas porque realmente o álbum, embora muito bem composto e interessante, revela-se demasiado introspectivo, só nos tocando se para aí estivermos mesmo virados.
E com «Weather Systems» não vamos muito mais longe, pois este trabalho é praticamente uma extensão do anterior, o qual já não divergia assim tanto do «A Natural Disaster». Uma boa vantagem é que podem mostrar isto a toda a gente, ou utilizar como boa música ambiente. E pronto, é bonitinho...
Abr -12

[ 72 / 100 ]

 

ANTHRAX - Worship Music / 2011

amonAtravessando um período algo conturbado no que toca ao posto de vocalista, coincidindo com uma fase em que a banda nova-iorquina adquire de novo um estatuto dentro dos “Big Four”, os 8 anos que nos separam de «We’ve Come for You All» foram em grande parte gastos à volta de uma dança de cadeiras entre o regressado Joey Belladonna, o indeciso John Bush e Dan Nelson, o qual chegou a gravar partes do novo álbum, mas que deverão ficar para sempre perdidas nos arquivos. No meio de tanto rodopio ainda houve tempo para o guitarrista Dan Spitz voltar para algumas datas de reunião com a formação mais clássica.
Neste confuso panorama e com o objectivo de colocarem definitivamente cá fora este 10º álbum, Joey entra mesmo em estúdio ajudando a rescrever algum do material, ele que foi afastado pelos próprios companheiros há mais de 20 anos. Assim, não é de estranhar que este disco soe muito mais ao que a banda fez após «Sound of White Noise», num registo mais lento, obscuro, repleto de
groove, pesado e maduro, não descurando as passagens mais thrashy, com a mesma pujante sessão rítmica de sempre. Num álbum sólido, mas aparentemente desenhado para outros intervenientes, haja agora alguma estabilidade uma vez que força parece não faltar. Out -11

[ 84 / 100 ]

 

ANAAL NATHRAKH - Passion / 2011

amonDetentores de uma sonoridade intensa e perversa, os Britânicos Anaal Nathrakh, com as 6 violentas descargas de massacre auditivo registadas durante a última década, não tem tido contemplações, espalhando o caos sobre todos aqueles que ainda vão tendo coragem em colocar estes verdadeiros instrumentos de tortura nos respectivos leitores audio, correndo o risco eminente em sofrer um qualquer efeito secundário com danos irrecuperáveis.
Assim, o duo continua a destilar todos os sons extremos possíveis e imaginários, percorrendo as obscuras antecâmaras do
Black, o nauseabundo universo industrial, a sangria que jorra da agressividade Death e a velocidade vertiginosa proveniente da sua faceta mais Grind. Repleto de blasts cuspidos por um componente bélico há muito a pedir calor humano, «Passion» só a espaços o denota uma vez que não foge ao que já é comum fazerem nos tempos mais recentes, ou seja, disparar primeiro e questionar mais tarde. A inclusão de estruturas progressivas, a espaços, e a proliferação de intervenções mais límpidas por parte de Hunt, incutem-lhes uma maior dinâmica, mas ainda assim o pano de fundo, à volta da chuva ininterrupta de riffs e solos perpetrada por Mick Kenney, chega a ser ensurdecedor. Jun -11

[ 79 / 100 ]

 

ARCH ENEMY - Khaos Legions / 2011

amonImutáveis desde o lançamento de «Wages of Sin» e após um interregno de 4 anos, aproveitado internamente para arrumar a discográfica em termos de compromissos comerciais, a banda liderada pelos irmãos Ammot, conduzida por uma secção rítmica impressionante e cuja face se revela na pele de Angela Gossow, apresentam-se com uma colecção de temas que, e cada vez mais assim será, irá causar sentimentos adversos e polémica entre os seguidores de longa data.
Optando por uma linha ainda mais directa e brutal, embora nunca faltem excelentes
riffs e demonstrações de virtuosismo de premeio, a cada álbum os Arch Enemy vão ficando cada vez mais reféns da postura e atitude da sua vocalista, algo que nunca caiu de feição aos fieis da fase inicial, ainda por cima aliado ao facto de Angela já ter tido desempenhos bem mais consensuais. Apresar de tamanha blasfémia, actualmente continuam a ser das poucas bandas a conseguir escrever temas com enorme potencial para se tornarem hinos ao vivo e embora mais acessível, a música dos Arch Enemy terá sempre uma componente técnica sem descorar a vertente melódica, sendo nesse campo, uma banda inimitável. Previsível, aborrecido e linear para alguns... competente, enérgico e letal para muitos outros. Jun -11

[ 79 / 100 ]

 

AMORPHIS - The Beginning of Times / 2011

amonMisturando os guturais e a agressividade vocal do guitarrista Tomi Koivusaari à voz mais elaborada e melódica de Pasi Koskinen, Tomi Joutsen conseguiu trazer aos Amorphis, desde que lhes tomou o pulso a partir do álbum «Eclipse», um retorno à boa forma e uma aura que se ia esvaindo a partir do momento em que a banda finlandesa optou por percorrer sonoridades um pouco mais acessíveis.
Ao quarto álbum daquela que poderá ser considerada a terceira fase do colectivo, a banda prossegue numa direcção progressiva com diversas incursões no passado, recorrendo como sempre à mitologia local, desta feita a um conceito relacionado com a criação do mundo. Embora ameaçando um regresso aquele passado mais reconhecido, «The Beginning of Times» não se distancia muito dos álbuns que o precedem, onde momentos memoráveis se envolvem nas melodias mais negras e os instantes poderosos esbarram em paredes de algodão construídas à base de composições assentes em competentes estruturas de guitarra, épicas instrumentações de teclas e vocalizações diversificadas. À medida que o número de audições aumenta, a versatilidade deste registo vai-se revelando, mas só a espaços alcança as atmosferas brilhantes e a musicalidade viciante que sempre os acompanhou.
Jun -11

[ 77 / 100 ]

 

AMON AMARTH - Surtur Rising / 2011

amonAssente numa sólida carreira, suportada por álbuns muito bem aceites e através de poderosas actuações ao vivo, o percurso dos suecos Amon Amarth foi-se cimentando ao longo dos anos, atingindo uma plenitude e sucesso difíceis de equiparar.
Ao oitavo disco de estúdio, a banda liderada pelo gigante Johan Hegg prossegue na mesma linha melódica, associada a um
Death Metal compassado, como suporte instrumental a enredos mitológicos, campos de batalha dizimados por selvagens Vikings e ambiências nórdicas. Infelizmente parece que alguma rotina se apoderou do quinteto e, além de não raras vezes se repetir a fórmula ganhadora, faltam ainda malhas arrebatadoras e aqueles hinos inigualáveis, tornando este «Surtur Rising» algo previsível e pouco inspirado. Obviamente que a critica revela-se mais exigente quando nos debruçamos sobre o trabalho de colectivos de elite uma vez que nas mãos de outros, este disco seria sempre uma grande obra. Assim mesmo, não falta a trituradora voz de Hegg a devastar toda uma estrutura sonora majestosa, um pouco mais pausada e crua que habitualmente, mas suficientemente forte para massacrar qualquer audiência que se lhes ponha à frente. Excelente a interpretação dos 4 primeiros clássicos na íntegra, num DVD extra gravado ao vivo em Bochum. Abr-11

[ 77 / 100 ]

 

ARS DIAVOLI - Clausura / 2010

amonO percurso misantropo de Vilkacis, iniciado com o split-CD «Black Throne of Disease» e cuja plenitude foi atingida no acutilante «Pro Nihilo Esse», não considerando os trabalhos blasfemos com os Malleus, tem agora em «Clausura» a sua continuação lógica.
Com distribuição a cargo da Bubonic Productions,
label cada vez mais na linha da frente no universo extremo nacional, o ainda guitarrista dos Lux Ferre embrenha-se na penumbra solitária do seu refúgio, preparando esta colectânea de comiserações soturnas, as quais nos arrastam de imediato para o abismo circundante, onde as paisagens cedo se desvanessem em ambientes experimentais e cadentes, recordando-nos alguns projectos dentro do género, mas sempre com um cunho pessoal. Versando sobre a natureza humana, cada malha transpira veladas descargas emocionais, num registo angustiante e hedonista onde ao longo de quase uma hora de sonoridades pesarosas e compêndios de suicídio, não há muito espaço para a luz da criatividade, característica que infelizmente também não abunda pelas terras lvsitanas.
Fechado, claustrofóbico, hermético e mesmo muito sufocante, este «Clausura» ainda assim contém uma réstia de aragem que faltava ao seu predecessor.
Out-10

[ 73 / 100 ]

 

ANATHEMA - We're Here Because We're Here / 2010

amonDo “trio de Liverpool” que desenhou os contornos da cena Doom/Death/Goth, os Anathema foram aqueles que entretanto mais aligeiraram o seu som. De álbum para álbum, a banda liderada pelos irmãos Cavanagh foi-se tornando cada vez mais melancólica e os elementos progressivos e atmosféricos como que foram tomando conta de toda a acção que, há muito tempo, deixou de ser assumidamente Metal.
Em consonância com a evolução melódica tomada nos registos anteriores, «We’re Here Because We’re Here» abusa da emotividade, embora de uma forma muito simples e que raramente atinge a profundidade e magia a que estávamos habituados. O maior destaque dado às teclas, em detrimento de todos os outros instrumentos, e à voz de Lee Douglas, dentro do contexto acima referido, resulta numa previsibilidade pouco sã e instala-se até certo ponto alguma monotonia. Infelizmente os 7 anos que distam desde «A Natural Disaster», um trabalho já de si uns furos abaixo dos padrões normais, mas com grandes temas de permeio, não são de forma alguma compensados por este disco de título absurdo, mas que ilustra na perfeição quase todo o seu conteúdo. É óbvio que os
Anathema possuem um estatuto que lhes dá direito de fazer o que lhes dá na real gana, mas algo tão popish é porventura demasiado! Jun-10

[ 67 / 100 ]

 

ANNIHILATOR / 2010

amonA capacidade de Jeff Waters como exímio guitarrista é absolutamente indiscutível, embora ao longo da sua vasta carreira tenha desempenhado praticamente todas as tarefas possíveis e imaginárias, alicerçada numa vontade férrea e aliada ao facto de manter um vocalista versátil como Dave Padden, desde a gravação de «All for You» em 2004, traduzem-se em fortes motivos para que a carreira dos Annihilator esteja novamente no rumo certo. Apesar disso, estabilidade é característica que sempre tem faltado à banda do músico canadiano que vê desta feita Mike Mangini, o baterista dos tempos de «Set the World on Fire» e que marcou presença em 2 dos últimos 3 álbuns de estúdio, ser mais uma vez substituído atrás do set.
Ao 13º registo de originais, a temática deambula em torno de sonhos inquietantes, visões nocturnas e situações paranormais, um acompanhamento perfeito para as constantes mudanças de escala protagonizadas pelo virtuoso guitarrista ou para a extensa lista de solos ultra-sónicos, no selo que acompanha a edição limitada do disco homónimo anunciam-se #66! Felizmente a produção mais digital que acompanhou os últimos registos deu lugar a um trabalho mais pesado e natural que a espaços recorda a saudável paranóia
thrashy dos primeiros tempos. Mai-10

[ 81 / 100 ]

 

ANGRIFF – The Art of Aggression / 2010

amonSão grandes os custos da interioridade e não fosse a vontade e dedicação, há muito que os Angriff teriam colocado os instrumentos de lado. Desde que se formaram em ‘97, a banda de Mangualde experimentou um número inusitado de line-ups, restando apenas o baixista José Rocha, transferido muito recentemente detrás da bateria. Depois da edição do álbum «War of Life», em 2001, o colectivo ainda obteve relevante projecção dentro da cena underground, chegando a abrir para grandes bandas que entretanto iam passando pelo nosso país mas uma série de contratempos e alguma inconstância iriam deitando por terra todo um projecto, que nem «Under the Decadence» de 2006, conseguiu catapultar de novo.
«Art of Aggression» resulta assim da persistência de Rocha, juntando à sua volta novos elementos e revelando uma premeditada atitude de retrocesso aos tempos mais
old-school e arrebatadores dos Angriff, em detrimento dos trejeitos Core, espalhados algures pela carreira do grupo. Gravado nos cada vez mais badalados SoundVision Studios de Vila do Conde, estamos perante um conjunto poderoso de temas “Bay Area meets German Thrash”, muito bem executados mas aos quais falta talvez um pouco mais de diversidade. Esperemos então pelos próximos ataques! Mar-10

[ 75 / 100 ]

 

ANAAL NATHRAKH – In the Constellation of the Black Widow / 2009

amon Imaginem que a qualquer instante uma rajada de metralhadora será efectuada dentro de uma exígua câmara blindada na qual, além da inexistência de gravidade, recebemos ordem para começar a correr, convictos que muitas outras se seguirão…
«In the Constellation of the Black Widow» começa onde «Eschaton» termina no entanto, em vez de trilhar pelos caminhos menos agressivos de «Hell Is Empty,…» a banda flecte de forma brutal em direcção da fúria incontida de «The Codex Necro». Claro que os instantes melódicos vão estando presentes ao longo deste disco, curto mas implacável e nem se pode dizer que o duo tenha progredido muito desde «Domine Non Es Dignus» mas as misturas demencais de
Death / Grind com incursões Black e devaneios permanentes no mundo industrial, chegam para devastar qualquer pessoa menos preparada. Não há dúvida que ao 5º trabalho, os Anaal Nathrakh estão mais maduros e cientes do espaço que ocupam e não é de estranhar que sobre um manancial de programação, blasts em velocidade maquinal e riffs supersónicos ainda exista espaço para Dave Hunt realizar uma série de experiências vocais e Mick Kenney se perder vertiginosamente em torno do seu arsenal bélico.
Ah, obviamente o nosso herói seria atingido mortalmente de imediato…
Jul-09

[ 83 / 100 ]

 

ACCEPTUS NOCTIFER – Amores de Ofício / 2009

amon “Órbitas sem olhos, lâmpadas sem luz”, assim é dado o mote para a primeira longa e solitária incursão de Tirannis sobre os segredos de alcova e os temores gerados no submundo do alterne. Suportado pelo crescimento adquirido à custa de 2 demos e um par de splits, compartilhados com Irae e Êxul, outro dos projectos que idealizou com Arawn, o ainda guitarrista dos InThyFlesh concebe assim uma obra plena de atmosferas mórbidas e claustrofobia instrumental.
Com uma tonalidade crua, negra, sempre ríspida e num regime algo simplista, este álbum vai fluindo em cadência
midtempo, ganhando corpo e personalidade com as sucessivas audições. A sonoridade é algo baça, mesmo apropriada para o efeito, sendo o ponto menos rebuscado o som digital e sincopado da bateria, um drama que parece cada vez mais afectar grande parte dos colectivos do género e que resulta numa dispensável artificialidade. «Amores de Ofício» revela-se, por outro lado, pela diversidade dos já típicos e distintos leads de guitarra, pela agressividade poética e ainda por algum experimentalismo, como um plenamente conseguido interlúdio de guitarra portuguesa ou nos instantes mais introspectivos, num registo definitivamente urbano, doentio e tremendamente desconfortável. Jul-09

[ 73 / 100 ]

 

AMORPHIS – Skyforger / 2009

amon Penso que é escusado relembrar que há 15 anos os Amorphis eram uma banda predominantemente Death Metal e foram capazes de editar uma obra que ficará para sempre na história do Metal, proeza só ao alcance de alguns. Após «Tales from the Thousand Lakes», os finlandeses refrearam os ânimos, culminando num autêntico espalhanço com o insípido «Far from the Sun», em 2003. Após a entrada de Tomas Joutsen, recuperam a forma e se o ritmo se foi tornando mais pausado e melódico, não é menos verdade que a capacidade de fazerem excelentes canções prevaleceu.
À semelhança dos 2 álbuns anteriores, «Skyforger» é um poderoso manancial de som, onde os guturais se cruzam com os registos limpos, empolando de forma significativa a diversidade e amplitude das composições, sempre comandadas pela guitarra de Esa Holopainen, onde os tons vanguardistas se envolvem com alguma sonoridade mais pesada, por vezes a roçar o
Death Metal, toques evidentes da cultura Folk e bastantes influências progressivas e psicadélicas, enfatizadas pelos teclados de Santeri Kallio.
Registado nos Sonic Pump Studios e trabalhado nos Finnvox Studios, a versão
digipack garante-nos, além de 2 pequenos bugs, doses importantes de emotividade, intensidade e beleza, como só os Amorphis sabem construir. Jun-09

[ 84 / 100 ]

 

ABSU – Absu / 2009

amon Saídos de um hiato de 8 anos, como único membro original desta entidade conotada com a mitologia e o oculto, Proscriptor reúne à sua volta os elementos necessários e através de um split com os thrashers Rumpelstiltskin Grinder, editado o ano transacto, afinam-se as agulhas rumo ao 5º trabalho de originais.
Com uma extensa lista de músicos convidados, desde Blasphemer a Nornagest, passando pelo contributo tibetano de Mindwalker, a banda americana abandona a orientação predominantemente
Thrash dos últimos esforços, concentrando-se nas atmosferas Black, como as explanadas nos primeiros tempos. Seguindo caminhos mais progressivos, experimentais e épicos, é a performance de Proscriptor que se destaca das restantes, quer através de um incansável ataque à bateria, quer pela colocação da sua voz num registo mais intenso, em detrimento dos esporádicos falsetes. Com a perda de músicos como Shaftiel e Equitant, embora este último ainda participe no tema final, o relevo dado às guitarras é agora maior, sendo que a produção foi rebuscada, algo discutível numa sonoridade que talvez se exigisse mais crua. Um disco repleto de momentos marcantes e que promete interessantes lições de cultura milenar e esoterismo, em pleno SWR XII. Mar-09

[ 83 / 100 ]

 

AC/DC – Black Ice / 2008

amon Dedicando quase exclusivamente os últimos 8 anos a actividades familiares, arredados dos grandes palcos e dos estúdios, os irmãos Young, à revelia dos outros membros, foram escrevendo e desenvolvendo ideias para um novo trabalho, razão mais do que suficiente para voltar a trazer para a ribalta a maior banda de Hard Rock’n’Roll de todos os tempos.
Abrindo com «Rock’n’Roll Train», em linha com muitos dos
hits a que nos foram habituando desde o longínquo ano de 1975, o quinteto australiano vai-nos entregando ao longo de 15 temas muito daquilo que sempre soube fazer em riffs repletos de swing, coros facilmente arrebatadores, um sentimento bluesy espalhado por todo o disco onde prevalecem a carismática voz arranhada de Brian Johnson, a eficaz e histórica dupla Angus / Malcolm e uma competentissima secção rítmica, a cargo de Cliff Williams e Phil Rudd. A produção de Brendan O’Brien remete para a sonoridade clássica, onde a simplicidade se revela o meio mais eficaz.
«Black Ice» é um disco que se escuta muito bem mas falta algum virtuosismo solista por parte de Angus Young que adopta aqui uma postura mais resguardada. Por isso, tudo flui a uma velocidade mais lenta mas mesmo assim… We Salute You!
Nov-08

[ 81 / 100 ]

 

AMON AMARTH – Twilight of the Thunder God / 2008

amonHá bandas que nunca mudam, suportando uma carreira num ou noutro trabalho bem conseguido, enquanto outros projectos, à procura de identidade, nunca chegam a encontrar um fio condutor. Pelo meio há milhares de casos de sucesso ou insucesso até que da vastidão do oceano surge, por entre a neblina, uma cabeça em forma de dragão logo seguida de um vigoroso mastro, uma enorme vela às riscas azuis e brancas, transportando em posição de ataque, uma ameaçadora horda de vikings…
Pela sétima vez a banda escandinava volta à carga, assente num
Death Metal de contornos melódicos e alma guerreira, através de composições épicas e pesadas, coros memoráveis, riffs intensos e jogos de guitarra repletos de groove. Uma produção ainda mais encorpada, retira-lhes alguma da crueza inicial mas eleva a cadenciada secção rítmica para um primeiro plano, onde aí emerge a imensa figura de Johan Hegg, projectada numa voz mais profunda e letal do que nunca.
Como novidade em álbuns dos
Amon Amarth, temos participações exteriores como L.G.Petrov dos Entombed, Roope Latvala dos Children of Bodom e os Apocalyptica no arrepiante «Live for the Kill», colaborações que enriquecem um todo muito consistente, intenso e predestinado para ser executado ao vivo. Set-08

[ 84 / 100 ]

 

ARS DIAVOLI - Pro Nihilo Esse / 2008

arsO primeiro contacto tido com os Ars Diavoli remonta à edição do split-CD «Black Throne of Disease», lançado juntamente com outros projectos soturnos da cena black metal nacional, revelando desde logo toda a angústia e som sufocante transpostos para a fita por Vilkacis, multi-instrumentista nos Malleus e que como guitarrista descarrega ainda a sua ira nos lisboetas Lux Ferre.
Como uma auto-infligida flagelação, «Pro Nihilo Esse» escorre ao longo de 6 prolongados temas as memórias mais viscerais de entidades paradigmáticas como uns
Burzum, numa experiência que se revela compulsiva e mergulha numa dramática descarga emocional, como uma catarse num processo final de purificação. Neste trabalho solitário com uma indisfarçável veneração satânica, um apelo suicida como que nos agarra, até que subitamente nos deixa com uma incrível sensação de alívio, assim que se restabelece o silêncio e a luz regressa de novo à nossa companhia.
Embora este álbum de estreia não seja um banho de sangue em termos de criatividade e mesmo que alguns momentos que não passem de pequenos derrames… os seguidores de projectos mais arrastados, melancólicos e obscuros, encontrarão neste trabalho muitas passagens para seguir com todo o interesse.
Set-08

[ 74 / 100 ]

 
ANAAL NATHRAKH - Hell Is Empty and All the Devils Are Here / 2007

Tem sido com regularidade que a dupla composta pelo multi facetado Mick Kenney, ou se preferirem Irrumator e o vocalista dos Benediction Dave Hunt, se tem juntado para aniquilar qualquer conceito mais convencional de como fazer música.
Flectindo para ambientes mais Death Metal e industriais, relegando para outros planos a fase mais crua e de visceral Black Metal dos tempos de «The Codex Necro», o duo britânico explora, ao seu 4º registo, todo o tipo de sonoridades mais limites, num manancial de violência e caos. Em «Hell Is Empty and All the Devils Are Here», Hunt tem a sua prestação mais diversificada até à data, compensando as suas prestações mais brutais com alguns períodos de vocalizações mais limpas. Numa produção moderna, forte e cristalina, os Anaal Nathrakh soam letais a cada instante, num desenfreado holocausto proveniente dos imparáveis blasbeats, intensas e infindáveis torrentes de riffs e das complexas composições, estimulando os sentidos mais extremos de uma forma maquinal, quase doentia.
Não sendo uma evolução considerável em relação a «Eschaton», este disco é mais uma valente descarga de ódio para aqueles que forem amaldiçoados por esta rodela prateada com pouco mais de 30 minutos de devastação.
Jan-08

[ 84 / 100 ]

 
ARCH ENEMY - Rise of the Tyrant / 2007

Mantendo a formação intacta desde «Wages of Sin», apesar do curto abandono por parte de Christopher Amott, os Arch Enemy vão cimentando, a cada disco, a sua posição no topo da hierarquia Death Metal mundial.
Ao 7º registo de estúdio, a banda como que abandona algum do experimentalismo e a aproximação a sonoridades mais modernas que tinha encetado mais recentemente e apresenta-se com uma brutalidade nunca antes vista, incutida numa série de temas mais directos, sinistros e negros. Com os irmãos Amott, cujos riffs e duelos são já uma imagem de marca, injectando melodia em cada espaço deixado livre por toda a agressividade reinante e uma dupla rítmica composta por excelentes músicos, resta a Angela Gossow literalmente gritar sobre cada linha de texto, com uma raiva impressionante e sem os exagerados efeitos de «Doomsday Machine». Fredrik Nordström volta a revelar toda a sua competência para este tipo de som e em termos de produção, o resultado final é poderoso, feroz e transmite um certo ambiente live.
É certo que os dois últimos trabalhos deixaram um certo travo a retrocesso quando comparados com o explosivo e já referido álbum de 2001 mas «Rise of the Tyrant» recoloca o quinteto sueco no trilho correcto.
Out-07

[ 9 ]

 
AMORPHIS - Silent Waters / 2007

A natural e consentida perda de energia, à medida que o sexteto finlandês caminhava numa direcção mais madura e atmosférica, teve uma inflexão positiva com a entrada de Tomi Joutsen em vésperas da edição do álbum «Eclipse», em 2005. Deixando para trás as ambiências predominantemente progressivas e a acalmia daí emanante e que os aproximava de terrenos atribuídos por direito próprio a bandas como Katatonia ou Sentenced, os Amorphis recuperaram algum do poderio perdido, à custa da maior agressividade adicionada à sua tradicional e sofisticada fórmula melódica.
E se «Eclipse» foi pescar os guturais e alguma sonoridade Death Metal de outros tempos, «Silente Waters» é a confirmação dessa postura embora, após um inicio mais devastador, desagúe num marasmo homogéneo, a tender para o baladesco.
Novamente remetendo para a poesia tradicional da “Kalevala”, os Amorphis demonstram cabalmente que ainda são capazes de honrar as clássicas e depressivas atmosferas, muito por culpa da sua capaz e activa dupla de guitarras, sendo verdade que presentemente deambulam por terrenos mais seguros e pouco arriscados mas certamente que neste «Silent Waters» não encontram ponta de falta de classe.
Set-07

[ 8 ]

 

AKERCOCKE - Antichrist / 2007

Antecedido por alguma polémica junto da comunidade cristã, o quinto trabalho dos britânicos Akercocke chega aos escaparates com o pretenso objectivo de pregar a doutrina de satanás a cada vitima inocente que inadvertidamente com eles se cruze.
Com algumas alterações em relação à equipa que construiu «Words that Go Unspoken, Deeds that Go Undone» - o baixista Pete Benjamin substitui Peter Theobalds enquanto que a própria banda chama a si a responsabilidade da produção, outrora tão bem entregue a Neil Kernon - os dez temas que completam este registo deambulam por terrenos inóspitos e blasfemos, incorporando componentes ainda mais progressivas, quase jazzisticas, numa complexa e irrequieta sonoridade que permuta entre passagens mais up-tempo e momentos de aparente acalmia. Jason Mendonça vai variando a sua mensagem entre vocalizações melódicas, vozes doentias e grunhidos profundos, enquanto instrumentalmente o quarteto entrega-se a todo o tipo de composições dissonantes, tornando como que obrigatória a continua audição deste álbum para uma melhor assimilação de todos os pormenores que vão acontecendo.
Mesmo mais directo que os álbuns anteriores, «Antichrist» continua a ser um registo demasiado extremo e inacessível para o comum dos mortais.
Jul-07

[ 8.5 ]

 

ANNIHILATOR - Metal / 2007

Mantendo Dave Padden como principal vocalista e recuperando o talentoso baterista de estúdio que é Mike Mangini, Jeff Waters conta desta feita com uma autêntica legião de músicos convidados para o secundarem em todos os temas deste que é o 12º álbum da carreira do canadiano, marcada de forma algo inconstante, após um inicio deveras prometedor.
E se o esgrimir de guitarras com Alexi Laiho, Jeff Loomis, Michael Amott ou Jesper Strömblad quase que vale a aquisição deste «Metal» e o dueto interpretado por Danko Jones e Angela Gossow eleva a musicalidade dos Annihilator para patamares nunca antes alcançados, a maior parte dos temas não passa duma amostra de virtuosismo, excelentes riffs e solos mirabolantes, velocidade estonteante e sincronismo levado ao extremo entre todos os intervenientes. Apesar disso, o que seria bastante bom caso estivéssemos perante algum novo projecto ou banda promissora, sente-se aqui uma pequena espécie de frustração ao depararmos que quase todas as faixas se parecem com algum tema já desenhado por Waters há anos atrás.
Tecnicamente um álbum muito forte mas que vai perdendo algum interesse à medida que vai progredindo, até pela falta de fio condutor entre cada faixa.
Jun-07

[ 7.5 ]

 

ANAAL NATHRAKH - Eschaton / 2006

A par de «Scum» dos Napalm Death, pode dizer-se que «The Codex Necro», o álbum que marca a estreia dos Anaal Nathrakh, terá sido um dos lançamentos mais devastadores provenientes do Reino Unido e que pelas suas características brutais e misantrópicas, proporcionou desde logo ao duo britânico uma boa exposição. Com «Domine Non Es Dignus», sem nunca se perder o som caótico e apocalíptico de raiz, a adição de alguma acalmia e de maiores cuidados postos nas composições e produção, ajudou a cimentar o lugar na linha da frente das bandas mais extremas.
Quando se esperaria algum abrandamento ao terceiro petardo, a banda consegue, em pouco mais de meia hora de uma mescla de Black Metal moderno, com brutais assaltos de Death industrial, provocar no ouvinte uma hiperbólica experiência de caos sonoro, mesmo com alguma melodia passageira e pontuais vozes claras. Todos os instrumentos a cargo de Irrumator revelam-se autenticas armas de destruição maciça, enquanto V.I.T.R.I.O.L. vocifera de forma feroz e quase a raiar os limites do insuportável mas, com algumas colaborações exteriores, como é o caso de Shane Embury ou Attila Csihar, o disco torna-se estratificado, orgânico e denota um live feeling.
Ultrapassado o letal impacto inicial, apetece-nos repetir a dose.
Nov-06

[ 8.5 ]

 

AXAMENTA - Ever-Arch-I-Tech-Ture / 2006

Com dois álbuns gravados no virar do século, numa linha próxima do Symphonic Black Metal protagonizado por bandas como os Cradle of Filth ou Dimmu Borgir, os belgas Axamenta regressam agora com um terceiro opus e com uma abordagem mais diversificada que cruza caminhos progressivos e sonoridades que nos remetem frequentemente para o som de Gotemburgo.
À custa de um recurso quase abusivo das tecnologias modernas e de uma produção exemplar, a cargo do requisitado Jacob Hansen, o quinteto assenta a sua musica em intrincadas estruturas de teclados, orquestrações melódicas e numa diversidade de riffs e solos que vagueiam entre quase todos os estilos conhecidos dentro do metal mais extremo mas apesar dos momentos interessantes e dos ambientes criados, o produto final carece de verdadeiras canções.
Neste registo conceptual nota-se uma grande determinação por parte da banda em alcançar um desiderato mais ambicioso e se em termos de complexidade se nota um enorme crescimento em relação aos trabalhos anteriores, em termos de consistência, chega-se à conclusão que este disco, que cresce a cada audição, se perde em demasiados detalhes e que falha no seu objectivo principal.
Out-06

[ 7.5 ]

 

AMON AMARTH - With Oden on Our Side / 2006

Johan Hegg e os seus correligionários continuam a desbravar caminhos socorrendo-se da mitologia nórdica para afastar do terreno os pensamentos e as doutrinas Cristãs. Neste 6º trabalho da banda sueca, deparamos com a mesma atmosfera calma e melódica de «Fate of Norns» mas não faltam aqui bastantes passagens bem mais rápidas que nos vão remetendo para tempos antigos, com todo aquele sentimento épico que foram construindo e cimentando.
Com um som cheio e muito bem misturado, captado nos estúdios Fascination Street por Jens Bogren, «With Oden on Our Side» oferece 9 temas de puro Death / Viking Metal assentes no poderoso, profundo e dinâmico registo vocal de Hegg. Com um tremendo desempenho de Fredril Andersson na bateria, secundado pelo baixo cadenciado de Ted Lundström, a dupla composta por Olavi Mikkonen / Johan Söderberga desenha fortes paredes de riffs e solos que recriam majestosas paisagens onde do espesso nevoeiro brotam, a todo o instante, ferozes e brutais ataques sónicos.
Este não é o disco com que os Amon Amarth nos podem surpreender mas é, sem sombra de dúvida, um disco que faz justiça a uma imagem de marca já criada e há muito estabelecida dentro do panorama do Death Metal europeu. Out-06

[ 8 ]

 

ANCIENT RITES - Rvbicon / 2006

Cinco anos depois, com uma renovada formação de 7 elementos graças à reintegração de alguns músicos que já tinham passado pelo colectivo belga e com um álbum ao vivo de premeio, os Ancient Rites regressam com a sua fórmula característica, uma mescla particular de Folk / Viking / Black Metal que nunca mais deixa indiferente quem com eles tenha um primeiro contacto.
Agora na Season of Mist, uma editora que não deixa os seus créditos por mãos alheias, a banda liderada por Gunther Theys apresenta neste seu 5º álbum de originais, um dos melhores e mais ambiciosos trabalhos até há data. No passado, a quantidade de ideias e os múltiplos arranjos dificilmente passavam com a naturalidade necessária, problema acentuado pelas produções algo atabalhoadas. Em «Rvbicon» as coisas ainda não estarão perfeitas mas desta feita as orquestrações apoiadas em 3 bons guitarristas e num brilhante teclista, juntamente com as fluidas mudanças de ritmo e as deambulações entre estilos, resultam com dinamismo muito positivo.
Como não poderia deixar de ser, Gunther desfila o seu conhecimento histórico ao longo dos temas, num registo que conta ainda com a participação vocal de Rute Fevereiro e que certamente convencerá as hordas pela sua grandiosidade.
Ago-06

[ 9 ]

 

ALKATEYA - Lycantrophy / 2006

Vinte anos depois de Beto, ex-guitarrista dos Sepulcro, do baixista Paulo Rui e Zé Castro, antigo baterista dos TNT, se terem juntado para criar a Alkateya, eis o tão aguardado e sucessivamente adiado primeiro álbum para um colectivo que ficará para sempre ligado à história do Heavy Metal em Portugal. Para a posteridade ficarão as míticas demo-tapes, compiladas em 2003 em formato «RePlay» e também as audições contínuas em programas de culto como o «Rock em Stock» ou o sagrado «Lança-Chamas». Mas como para falar do passado temos nesta mesma página uma análise a essa mesma compilação, vamos seguir em frente.
«Lycantrophy» é elaborado por uma formação renovada onde se juntam à velha guarda, composta pelo trio João Pinto, Paulo Rui e Manel “Animal”, o baixista Alexandre Domingues, um miúdo de 19 anos que tem a ingrata tarefa de substituir Beto e Nuno Duarte que já tinha reforçado a banda após as regravações de «RePlay».
Com maior rotina de palco e a colaboração de amigos como António Sérgio, Nelson Canário (ex-
Rebellion), Miguel Pinto (ex-Sepulcro), Fernando Ribeiro, Tann e Rick “Thor” (ambos dos Ironsword), temos entre mãos um competente registo que não desmerece o passado mas difícil de assimilar pelos mais novos. Jun-06

[ 7.5 ]

 

AMORPHIS - Eclipse / 2006

A grande novidade neste regresso dos finlandeses Amorphis ao activo, 3 anos após o lançamento de um desinspirado «Far from the Sun», é a substituição de Pasi Koskinen, vocalista de longa data que rumou por iniciativa própria aos Ajattara, por Tomi Joutsen, um elemento escolhido entre dezenas de candidatos. Demonstrando uma enorme facilidade em alternar entre registos cantados e guturais, Joutsen comprova com o seu desempenho neste disco uma total capacidade para ocupar o lugar deixado vago além de incutir algum sangue novo ao colectivo.
Recorendo mais uma vez à cultura e folclore locais, «Eclipse» é um disco melódico e progressivo, na linha do que a banda vinha fazendo nos últimos trabalhos, mas denota uma energia e emoção suplementares quando comparado com os seus predecessores, trazendo-nos à memória, fases e momentos dos saudosos
1000 lagos.
Por vezes mais mainstream, outras vezes mais rasgado e agressivo, este novo trabalho do sexteto escandinavo revela uma frescura que à partida não seria esperada e no meio de flautas, guitarras acústicas, teclados psicadélicos e um piano melancólico, demonstra-se que afinal os
Amorphis ainda são capazes de nos oferecer hinos memoráveis. Abr-06

[ 8.5 ]

 

AC/DC - Family Jewels / 2005 - DVD

Com o objectivo de marcar as comemorações do 30º aniversário da data de formação dos lendários AC/DC, este duplo DVD documenta os primeiros 15 anos da carreira dos australianos, compilando videoclips que a banda registou entre 1975 e 1990.
Enquanto que no segundo disco podemos acompanhar o trajecto de Brian Johnson no seio do colectivo, situação mais conhecida graças à extensa exposição que os
AC/DC a partir de certa altura passaram a ter na MTV, é no primeiro suporte que se concentram a maior parte das jóias desta colectânea. É um regalo para a vista assistir a uma das primeiras actuações do quinteto na televisão australiana com um Bon Scott de tranças e vestido de colegial em disputa com um puto de 15 anos, completamente possesso, debitando riffs extraordinários e que mais tarde o mundo imortalizará como Angus Young. O passeio de camioneta com um trio de gaiteiros galeses a bordo é outra das passagens obrigatórias deste trabalho, entre muitas...
Brilhantemente retrospectiva para uma das maiores instituições do Rock. Abr-06

[ 9 ]

 

ANNIHILATOR - Schizo Delux / 2005

O vocalista Dave Padden, contratado para o álbum «All for You», pelo seu desempenho versátil mas ao mesmo tempo colado às novas tendência do metal, dividiu opiniões. Esse disco, além de se revelar demasiado moderno, continha algumas baladas que deixavam antever dificuldades na criação ou de imaginação num compositor tão dinâmico como Jeff Waters. Essa ideia seria por certo desmistificada num próximo disco, este...
Com menos modificações na formação, deita feita apenas Mike Mangini cedeu a bateria a Tony Chappelle, Waters cumpre o prometido e oferece-nos um disco repleto de riffs endiabrados, solos apocalípticos e embora longe da genialidade de outros tempos, podemos garantir que «Schizo Deluxe» oferece verdadeiros momentos de puro gozo. A velocidade é a sua característica principal mas sempre entrecortada por estruturas mais acessíveis, amplificadas pelos momentos em que as vocalizações de Padden são mais límpidas, chegando muitas vezes a roçar um moderno Hard Rock.
Como produtor, compositor, técnico de som, voz principal em «Too Far Gone» e executante de todos os instrumentos de corda, Jeff Waters denota adaptação aos tempos actuais sem descaracterizar as suas composições mais esquizofrénicas. Jan-06

[ 7.5 ]

 

AKERCOCKE - Words that Go Unspoken, Deeds that Go Undone / 2005

Se existe, no espectro mais extremo, alguma banda única, original e diferente das restantes e só uma difícil ginástica mental consegue enquadrar o seu som nalguma categoria pré definida, essa adjectivação pode ser atribuída aos Akercocke.
À quarta “pedrada no charco”, Jason Mendonça e seus acólitos flectem para uma direcção ainda mais progressiva e diversa, não deixando de forma alguma que simultaneamente todas as complexas e intrincadas estruturas de reminiscência Black / Death sejam relegadas para planos inferiores. Se já era peculiar, o som satânico e blasfemo evolui para patamares ainda mais estranhos e nem as vozes claras e surpreendentemente melodiosas, em claro contraste com os acutilantes grunhidos e espasmos guturais, conseguem trazer alguma sensação de normalidade a este trabalho.
Mais uma vez gravado nos Goat of Mendes Studios, propriedade do colectivo, este trabalho teve novamente a genial colaboração de Neil Kernon nas misturas finais, devendo-se a ele grande parte da monstruosa sonoridade e profundidade resultante.
Com a adição de Matt Wilcock, guitarrista fundador dos australianos
The Berzerker, o quinteto britânico demonstra potencial para atingir uma dimensão ainda mais elevada mas só ao alcance de um público muito reduzido. Nov-05

[ 9 ]

 

AFTER FOREVER - Remagine / 2005

Tempos conturbados têm perseguido os After Forever mas isso não foi razão suficiente para que «Remagine» tenha demorado pouco mais de um ano desde o lançamento de «Invisible Circles». Seguramente que os problemas de saúde que afectaram o baterista André Borgman (cancro) e o guitarrista Sander Gommans (apendicite) obrigaram a banda a adoptar um certo retraimento em relação a exibições ao vivo, o que seguramente lhes proporcionou maior liberdade e tempo para a composição deste novo opus.
Com Joost van den Broek, um exímio teclista que já passou por bandas como
Sun Caged e Ayreon, a assumir um papel importante na linha condutora deste quarto registo de longa duração, um som com características predominantemente góticas é catapultado para um patamar superior pela voz de soprano, da cada vez mais confiante Floor Jansen. Um conjunto de temas com um enorme potencial radiofónico, onde não falta o já habitual coro de Amanda Somerville e uma orquestra de cordas.
A par de colectivos como
Within Temptation e Epica, os After Forever há muito que merecem maior reconhecimento e um lugar na linha da frente desta armada holandesa. Out-05

[ 8.5 ]

 

ANTESTOR - The Forsaken / 2005

«The Forsaken» é já o terceiro registo de longa duração dos Antestor, uma banda de “ Black Metal ” norueguesa que há cerca de 15 anos destila o seu ódio contra o mal que a simpática personagem Satan tem feito ao mundo. Claro que esta postura completamente antagónica e politicamente incorrecta nunca lhes trouxe grandes simpatias de dentro da comunidade underground mas isso também não lhes deve causar qualquer espécie de incómodo.
Desta feita com a colaboração de Hellhammer e da vocalista Ann-Mari Edvardsen (
3rd and the Mortal), os Antestor apresentam-se, 7 anos depois de «The Return of the Black Death», com um trabalho a todos os níveis Divino e ainda valorizado por uma incrível, familiar e irónica cover, a cargo do famoso Necrolord. Ao longo de 10 temas podemos escutar assombrosas combinações de Black, Doom e Folk, numa criação gélida de onde se destacam, além dos celestiais momentos atmosféricos, geniais solos de guitarra, nada habituais nestes géneros mais extremos.
Ficar ofendido por causa de mensagens cristãs, agora bem mais subtis, e não ouvir uma obra como esta, merece ser punido com a perda da oportunidade de conhecer algo magnífico e intenso quanto este produto. Deo Gratias...
Out-05

[ 9 ]

 

ARCTURUS - Sideshow Symphonies / 2005

Originalmente concebido como um projecto de Death Metal e composto por reconhecidas individualidades da cena underground norueguesa, os Arcturus enveredaram desde muito cedo por composições mais sinfónicas e, mais recentemente, profundamente avant-garde . A constância dos músicos também não tem sido uma característica dominante mas, talvez por esse facto, todas as influências trazidas para o interior do colectivo não foram certamente negligenciadas.
Com Simen Hestnæs a substituir Garm, já o tinha feito curiosamente nos
Borknagar, os Arcturus aproveitam-se da versatilidade vocal do agora “baixista dos Dimmu Borgir” para adicionarem às linhas de voz mais límpidas e prioritárias, alguma da agressividade patente nos registos mais rasgados de “ICS Vortex”. Os arranjos são grandiosos enquanto as composições se suportam nas magníficas linhas de teclados protagonizadas por Sverd Johnsen, na cadência matemática de um baterista como Hellhammer e num trio de cordas mais do que competente e funcional. A música cósmica escoa em múltiplas e intrincadas camadas.
Talvez este seja o disco mais atmosférico e psicadélico que fizeram até ao momento mas não deixa de ser um trabalho cerebral, complexo e criativo.
Out-05

[ 8.5 ]

 

ARCH ENEMY - Doomsday Machine / 2005

Percorrendo uma série de análises realizadas sobre este álbum, verifica-se que há uma imensa disparidade de opiniões, sem paralelo nos tempos mais recentes. O novo disco dos suecos Arch Enemy, uma das bandas mais em voga actualmente e uma das mais fortes apostas da Century Media, recolhe simultaneamente confrangedoras criticas e excelentes pontuações em zines ou revistas da especialidade. Este facto é já de si revelador que não estamos seguramente perante um trabalho indiferente.
É certo que muita gente ainda não acatou da melhor maneira a substituição de Johan Liiva pela vistosa Angela Gossow, facto que trouxe muito maior exposição à banda mas interpretado por alguns como uma aproximação ao mainstream, uma desfeita ao legado
Carcass, ainda suportado psicologicamente em Michael Ammott.
Quando deparamos com as vocalizações ultra trabalhadas de Angela e numa maquinal e caótica secção rítmica, uma produção cuja principal preocupação é exponenciar a agressividade em detrimento da habitual melodia infecciosa, temos um disco muito estranho. No entanto, com uma dupla de guitarristas como os irmãos Ammott (entretanto desfeita) e ainda com uma perninha dada pelo virtuoso Gus G., estamos perante um gigantesco disco de guitarras, simples e directo mas avassalador.
Set-05

[ 8.5 ]

 

AD HOMINEM - Climax of Hate / 2005

Praticamente um projecto em solitário de Kaiser Wodhanaz, os franceses Ad Hominem destilam o seu ódio pela raça judia e pela cristandade, com os habituais discursos usados pelas bandas de NSBM – letras invocando ao holocausto e à violência. Em termos instrumentais, a música dos Ad Hominem é tudo menos fria e visceral, uma vez que através de uma boa produção conjugada com alguns esforços melódicos e não raros riffs mais atractivos, facilmente se transporta uma base fria e ríspida para direcções de outros estilos mais ligeiros, tipicamente Black'n'Roll .
«Climax of Hatred» é o terceiro trabalho de originais, descontando a infindável série de demos e split tapes, com o baterista Altar dos
Arkhon Infaustus, como músico de sessão, libertando Kaiser W. para todas as outras tarefas. O resultado é um disco mais acessível, tornando os seus pouco mais de 30 minutos uma experiência de repetição obrigatória, algo mesmo viciante. Como vai já sendo regra, não poderia faltar o tema vocalizado em alemão que induz a necessária componente militarista.
Descontando a mensagem que se pretende transmitir, estamos perante um trabalho despretensioso e bem agradável.
Ago-05

[ 7.5 ]

 

AUGURY - Concealed / 2004

«Concealed» é o primeiro disco deste quinteto canadiano oriundo de Montreal. Praticando um Death Metal tecnicamente evoluído, podem-se encontrar neste trabalho passagens típicas de uns Opeth, Voivod e de uma miríade de bandas extremas, várias vezes nos assaltando a memória grupos como os Cynic ou os Atheist.
Em termos instrumentais navegam entre as fronteiras do Death mais brutal e do Grindcore , recorrendo frequentemente a intrincadas estruturas progressivas. O guitarrista Patrick Loisel é o principal responsável pelas vozes mais agressivas que se podem encontrar ao longo deste trabalho, as quais são por vezes intercaladas pelas cristalinas e bombásticas vocalizações da soprano Arianne Fleury, resultando tal combinação numa estranha mistura, não raras vezes completamente fora do tom. O baixista Dominic Lapointe é o elemento que assume maior destaque neste colectivo e por diversas vezes remete para segundo plano o trabalho das guitarras com o som esmagador que consegue extrair do seu instrumento de 6 cordas.
Uma banda claramente a ter em conta mas que ainda necessita de alguma orientação e rodagem mas que já se apresenta como uma verdadeira lufada de ar fresco no cada vez mais estandardizado panorama internacional.
Mai-05

[ 7 ]

 

ANATHEMA - Were You There? / 2004 - DVD

Com a gravação na integra do concerto que deram em Cracóvia no dia 31 de Janeiro de 2004, incluído na tournée de promoção ao mais recente trabalho de estúdio «A Natural Disaster», a banda dos irmãos Cavanagh regista assim para a posteridade o primeiro DVD, numa carreira com mais de 10 anos de actividade.
Centrando-se exclusivamente nos 3 últimos álbuns, os mais introspectivos e ao mesmo tempo os que possuem as mais notórias influências de
Pink Floyd, assistimos deleitados a esta actuação íntima e com uma fortíssima carga emotiva. Vincent raramente interage com a audiência mas as sensações provocadas pelos 16 temas apresentados, a qualidade sonora e os eficazes efeitos luminosos, falam por si.
Com uma secção de extras algo limitada, o destaque vai para a interpretação de 3 temas em formato acústico com a ajuda dum quarteto de cordas pertencente à orquestra filarmónica de Liverpool.
Fev-05


[ 9 ]

 

ASTRIAAL - Renascent Misanthropy / 2003

Com a data de formação a remeter para o ano de 1998, os australianos Astriaal já contavam com 4 EPs e uma colectânea antes da saída em 2003 de «Renascent Misanthropy», através da pequena editora norueguesa Aftermath Music.
É certo que inicialmente existe alguma estranheza provocada pela distância geográfica entre o local de origem do quinteto e o berço do estilo que praticam mas, com o percorrer dos cerca de 40 minutos das espiras que compões este álbum de estreia, fica a certeza que o som praticado pelo colectivo em nada fica a dever ao Black Metal actual que é praticado pela maior parte das bandas mais extremas, sempre fieis ao som mais old-school . Intercalando partes alucinantemente rápidas e brutais com momentos mais melódicos e acústicos, os
Astriaal conseguem oferecer-nos um registo variado, intenso, bastante pesado e acima de tudo bem estruturado.
Este registo não trás nada de novo a uma cena cada vez mais congestionada mas também não desiludirá o crescente número de apreciadores do género.
Fev-05

[ 7 ]

 

ANOREXIA NERVOSA - Redemption Process / 2004

A cena metálica francesa nunca foi muito profícua em bandas metálicas e então quando confrontada com as suas faces mais extremas, escasseiam de uma maneira confrangedora os nomes minimamente sonantes. Os Anorexia Nervosa são indiscutivelmente uma das mais brutais e violentas entidades provenientes de terras gaulesas mas até à data ainda não conseguiram ultrapassar totalmente a barreira psicológica que separa a banalidade da verdadeira elite. Na verdade, sempre foi este o estigma do metal francês, a enorme dificuldade em catapultar projectos cheios de ideias interessantes e inovadoras para fora das suas fronteiras.
«Drudenhaus» e principalmente «New Obscurantis Order» deram nas vistas através de um Black Metal moderno de contornos góticos, inundado de orquestrações majestosas e teclados imponentes, como que a piscar o olho aos apreciadores do estilo mais sinfónico, ou seja fãs de
Dimmu Borgir ou COF. O novo trabalho do quinteto proveniente da zona de Nantes, apresenta-se com requintes de elegância, por vezes suportado na língua materna, mas denota ainda pequenas confusões de ideias e clama definitivamente por um produtor e estúdio de qualidade internacional. Dez-04

[ 7.5 ]

 

ARCH ENEMY - Dead Eyes See No Future / 2004, EP

Com a entrada de Angela Gossow para o lugar de Johan Liiva, os Arch Enemy conheceram uma estrondosa explosão de popularidade sendo universalmente considerados como uma das mais importantes e influentes bandas da actualidade.
Contendo 7 temas e um vídeo de «We Will Rise», este EP vale todos os cêntimos nele investidos. Com a excepção da música inicial que dá nome ao CD e que já estava incluída em «Anthems of Rebellion», as 3 faixas ao vivo, recolhidas no início deste ano em Paris e as 3 versões aqui expostas, apresentam claras mais valias.
Em relação aos temas ao vivo, num som impecável e de certeza muito bem trabalhado em estúdio, emerge claramente Angela. Quando a vocalista se dirige ao público, é de se ficar esmagado com a profundidade e potência da sua voz.
Relativamente às covers , o destaque vai inteirinho para «Kill With Power» dos
Manowar, absolutamente fantástica. A óbvia versão dos Carcass também está muito boa, destoando apenas a speedada homenagem aos Megadeth. Nov-04

[ 7 ]

 

ANAAL NATHRAKH - Domine Non es Dignus / 2004

Compostos pelo multi-instrumentista Irrumator e pelo vocalista V.I.T.R.I.O.L., que mais não é do que Dave Hunt dos Benediction, os Anaal Nathrakh são seguramente uma das mais extremas e devastadoras entidades de Black Metal da actualidade. Graças à colaboração do saudoso John Peel participam numa das suas secções da BBC Radio, tornando-se numa das mais brutais bandas a conseguir tal desiderato, feito que certamente desviou ainda mais o interesse e a atenção da comunidade underground na sua direcção.
Neste CD, aqui e ali condimentado com pinceladas de Thrash e Hardcore , somos constantemente pontapeados na face pela dupla britânica e pela maquinaria que vomita blastbeats com uma cadência desenfreada. Face a tamanha brutalidade, devastação e complexidade à mistura, só uma produção inteligente, também a cargo de Irrumator, poderia transformar tanta destruição em algo tão refrescante e inovador.
Este disco é indiscutivelmente uma evolução na demência demonstrada até aqui e a prova que a busca do holocausto prossegue de forma aperfeiçoada.
Nov-04

[ 8.5 ]

 

AMON AMARTH - Fate of Norns / 2004

Dois anos após o lançamento do aclamado «Versus the World», os suecos Amon Amarth regressam com mais uma homenagem ao legado Viking, recorrendo a uma original e mistura de Thrash / Death Metal, numa amálgama predominantemente melódica e atmosférica.
Ainda mais épico e majestoso que os trabalhos anteriores, «Fate of Norns» oferece-nos 8 temas quase sempre executados a meio gás, uma aparente lentidão que de maneira nenhuma implica perda de potência ou agressividade. Com uma produção cheia que confere um som fortíssimo a todas as faixas, o grande destaque deste registo centra-se obviamente na performance de Johan Heeg, com o seu ultra gutural e rasgado vozeirão, atributo suficiente para dispensar qualquer artifício adicional a adicionar à estrutura sonora no sentido de lhe conferir peso.
A edição limitada em digipack contém ainda um DVD intitulado «Live at Grand Rokk Reykjavik, Iceland 05.03.2004», uma gravação vídeo de 45 minutos que inclui algumas das malhas mais importantes da carreira da banda escandinava. Out-04

[ 9 ]

 

ANCIENT - Night Visit / 2004

Desde 1994 que Aphazel, o carismático líder e mentor dos Ancient, nos habituou a colocar no mercado, pelo menos uma vez por ano, um produto com a sua marca. A espera que mediou entre «Proxima Centauri» e este disco durou quase 3 anos e tal facto não deixa de ser relevante. Após 2 anos repletos de digressões e uma estada em estúdio superior à habitual, era para esperar algo de especial.
E longe vão os tempos do Black Metal puro e cru presentes nos primeiros tempos do colectivo. «Night Visit» proporciona-nos 8 temas longos, muito elaborados, onde predominam os ambientes atmosféricos e as orquestrações majestosas. Vocalizações femininas, já sem a presença de Deadly Kristin, uma data de momentos acústicos e um emaranhado de teclados dão-lhe o essencial toque gótico. As misturas finais realizadas nos estúdios Fredman acrescentam a este trabalho uma outra dimensão, um som cheio e envolvente. Ago-04

[ 8.5 ]

 

AGATHODAIMON - Serpent's Embrace / 2004

Black Metal melódico, com fortes influências góticas e doses industriais de efeitos programados é a receita base para o 4º álbum dos germânicos Agathodaimon.
«Serpent's Embrace» é um disco ainda mais dócil e atmosférico que os seus predecessores e o ênfase dado aos teclados roça o limiar do exagero. Bandas como os
Dimmu Borgir ou Cradle of Filth vêem-nos frequentemente à memória quando ouvimos estas 10 melancólicas composições.
No entanto, os
Agathodaimon conseguem ser uma banda menos agressiva que as acima citadas, existindo a espaços, alguma semelhança com o que os Susperia fizeram no último registo graças aos riffs thrashy muitas vezes empregues.
A produção é excelente e cristalina tendo-se utilizado para o efeito o mesmo estúdio que os
Crematory frequentaram aquando da gravação do mais recente «Revolution».
Um disco muito acima da média para os apreciadores de Symphonic Black Metal logo, a evitar pelos amantes do som mais tradicional.
Ago-04

[ 7.5 ]

 

AYREON - The Human Equation / 2004

Confesso que apenas depois de conhecer o projecto espacial Star One, tomei contacto com o trabalho de Arjen Lucassen mas garanto, mais vale tarde do que nunca. «The Human Equation» é mais um álbum conceptual na carreira do holandês, duplo neste caso, que aborda a natureza humana, os seus sentimentos e emoções, suportada numa envolvente história de um coma de 20 dias. Em termos de composição e execução, Arjen não recebe lições de ninguém, ainda por cima quando conta com convidados do calibre de James LaBrie, Mikael Åkerfeldt ou Devin Townsend.
Rock progressivo mas musicalmente extremamente variado, verdadeiras canções e uma trama com pés e cabeça resultam num par de discos absolutamente imperdíveis. Agora que as operas
Rock parecem estar de novo na moda (WASP, Aina, Avantasia, ...), esta é sem dúvida a melhor. Ago-04

[ 9.5 ]

 

ANNIHILATOR - All for You / 2004

Jeff Waters é sinónimo de riffs endiabrados e intrincadas estruturas de guitarra. Dentro do Thrash Metal, este músico canadiano é profundamente respeitado pelo seu virtuosismo, técnica sui generis e capacidade de criar.
Os primeiros discos dos
Annihilator,«Alice in Hell» e «Never Neverland», criaram a sensação de que estaríamos perante a "next big thing" mas uma série interminável de alterações, deixou quase sempre Waters a trabalhar sozinho.
O décimo trabalho de estúdio é, mais uma vez, reflexo da persistência de Waters, o responsável pela música, letras, arranjos, produção, mistura e engenharia de «All for You», sendo secundado por um novo vocalista de nome Dave Padden que substitui, com grande pena nossa, Joe Comeau. Na bateria temos o regressado Mike Mangini que já tinha passado pela banda aquando de «Set the World on Fire» de 93.
Este álbum é uma mistura do que nos tem proposto mais recentemente, temas a meio gás e devaneios mais ou menos exagerados, com um certo ar de regresso ao passado, patente na agressividade de temas como «Rage Absolute», nos solos repletos de adrenalina e na "faixa louca" que não poderia faltar.

[ 7 ]

 

AD HOMINEM - … for a New World / 2003

Uma capa sem cor, um logotipo ilegível e a imagem de um lívido e presumível músico com a zona dos olhos pintados de negro não me deixam grandes dúvidas - mais um disco de Black Metal. Ainda antes das primeiras audições chega a informação que Ad Hominem é a banda de um homem só - um tal de Kaiser Wodhanaz - o qual já esteve envolvido em outros projectos como Eradication, The Call e Omnes Ad Unum, dos quais nunca ouvi falar, mas também não admira. O produto final é originário de França!
Feita a introdução, é pegar no CD, colocá-lo no leitor e esperar que a coisa não seja tão má como aparenta.
E felizmente este segundo disco dos
Ad Hominem é ideal para todos os amantes deste género, que detestam as bandas mais mainstream e veneram o som mais verdadeiro e old-school, género Mayhem ou Darkthrone em inicio de carreira mesclado com a alegria mórbida de uns Khold.
Violência, raiva e agressividade, um som cru e directo, várias mudanças de velocidade, entre o rápido e o meio termo, e ainda muitas batidas por segundo provenientes de uma extraordinária bateria virtual, são característica mais do que suficientes para um autentico undergrounder.

[ 7 ]

 

AXXIS - Time Machine / 2004

Corria o ano de 1989 quando um despretensioso disco de Heavy Metal serviu para preencher algumas das minhas tardes de verão, tal a melodia, os coros orelhudos e a ligeireza dos temas de «Kingdom of the Night».
Quase 15 anos depois, confesso que entretanto a carreira da banda germânica me passou completamente ao lado, chega-me ás mãos este «Time Machine». Felizmente constata-se que todas as características acima mencionadas se mantêm, a banda continua a debitar uma energia contagiante e os temas teimam em não nos sair facilmente da cabeça. O único senão é que não encontro neste disco nenhum hino semelhante aos incluídos no tal disco de 1989. Mas se calhar a culpa é minha pois tornei-me um pouco mais "necro".

[ 8 ]

 

AINA - Days of Rising Doom - The Metal Opera / 2003

Apoiados num conceito totalmente criado por Amanda Somerville, a famosa tripla de produtores Sasha Peth, Miro e Robert Hunecke-Rizzo decide por mãos à obra num projecto absolutamente ambicioso. A criação desta Metal Opera não seria possível sem a impressionante participação de um imenso batalhão de músicos e cantores que dão substância e voz a uma panóplia de personagens que irão interagir com o ouvinte ao longo dos 15 capítulos - do apogeu ao caos, até ao ressurgimento do reino de Aina.
Na linha do que projectos como Avantasia e Ayreon já tinham feito - por que carga de água conheçam todos pela letra A!? - este épico tem uma dimensão tal que o resultado final só poderia ser esmagador tal a sua grandiosidade.
Na edição limitada somos confrontados com uma dose dupla de CDs e ainda um DVD que nos ilustra como que foi possível chegar a este resultado final.
Como nota final, gostaria de destacar a participação inspirada de Glenn Hughes (Black Sabbath, Deep Purple).

[ 9 ]

 

AKERCOCKE - Choronzon / 2003

A experiência sentida ao escutarmos um disco dos britânicos Akercocke é de profunda sensação de dor e pânico que desagua em alívio quando este termina. O som brutal e demoníaco, a presença constante de satanás nas líricas blasfemas, a rara melodia que se desvanece num emaranhado complexo e apocalíptico de ruídos extremos e de difícil identificação, a fraca e confusa produção e uma série de outros factores mais ou menos relevantes, ajudam a que o resultado final seja uma autêntica manta de retalhos em que aparentemente pouco ou nada se aproveita.
No entanto, os Akercocke são uma banda de culto e a genialidade não anda muito longe da loucura . Acreditem que um disco da enigmática banda não soa duas vezes ao mesmo e existem diversos momentos para serem descobertos.
Haja paciência para tal...

[ 6.5 ]

 

ANATHEMA - A Natural Disaster / 2003

A principal característica que sempre me cativou na banda dos irmãos Cannavagh foi o facto do seu som, ora seguindo estruturas demasiado complexas e experimentais ora desaguando em simples composições, resulta sempre em temas eficazes e acima de tudo deveras emotivos.
«A Natural Disaster» pode ser considerado como uma continuação do trabalho anterior. Estamos novamente perante um disco extremamente pessoal e composto para o interior da banda, facto que nos deixa um pouco sem perceber onde querem chegar. Um disco muito lento e introspectivo, mais uma vez predominantemente progressivo e influenciado pelos Pink Floyd, que sem ser um verdadeiro desastre, também fica distante de nos deixar siderados.

[ 6 ]

 

ARCH ENEMY - Anthems of Rebellion / 2003

Existem muitas super-bandas por este mundo fora mas poucas oferecem um resultado final tão extraordinário como o conseguido pelos Arch Enemy. O colectivo composto pelos guitarristas Michael (ex-Carcass) e Christopher Amott, Daniel Erlandsson (ex-baterista dos In Flames) e Sharlee D'Angelo (requisitado baixista dos Merciful Fate), ganhou um fôlego enorme com a substituição de Johan Liiva (agora nos Hearse) pela duplamente fantástica Angela Gossow.
«Wages of Sin» foi o culminar de todo um processo que tornou o grupo sueco num dos mais bem sucedidos da Century Media. «Anthems of Rebellion» é um digno sucessor mostrando-nos um quinteto ainda mais oleado e capaz. Riffs extraordinários e devastadores, uma secção rítmica demolidora e aquela VOZ !!!
Death Metal de carácter melódico mas inacreditavelmente energético.

[ 9 ]

 

ALICE COOPER - The Eyes of Alice Cooper / 2003

Este novo trabalho do mestre Alice Cooper - o 23º da sua longuíssima carreira - é um autêntico regresso às origens. Embora a partir do início da década de 90' o músico tenha recuperado do percurso algo desastroso pós «Welcome to My Nightmare», graças a uma bem conseguida colagem aos sons mais actuais, este registo é um verdadeiro disco à Alice Cooper pois abandonando todas estas influências resolve compor para aquilo que melhor sabe fazer. Canções simples, sem muitos truques, mas tremendamente eficazes e comoventes.
Longe de ter um som datado somos confrontados com um disco de clássicos extremamente refrescante.

[ 7 ]

 

AMORPHIS – Far from the Sun / 2003

Após o fantástico «Tales from the Thousand Lakes» de 1993, a mudança de orientação musical resultou na perda gradual de toda a frescura e inspiração até então demonstrada. «Elegy», «Tuonela», «Am Universum» e principalmente este CD, estão a milhas do que nos ofereceram no já citado registo. O folclore finlandês e o som fortemente influenciado no psicadelismo dos anos 70 mantém-se, mas as vozes límpidas, a melodia popularucha e o som demasiado comercial tornam estas 10 canções, por sinal algo insossas e banais, num trabalho medíocre e pouco inspirado. A associação à multinacional Virgin acentua as minhas desconfianças e parece claro que o passado destes nórdicos foi preterido em detrimento das tabelas de vendas. Depois dos Paradise Lost eis mais um grupo de traidores.

[ 5 ]

 

ALKATEYA – Replay / 2003

Este disco, remistura em CD das 3 demos editadas pelos Alkateya, só poderá ser compreendido através de uma viagem espaço / temporal.O panorama nacional era composto por nomes como os Ibéria, Tarântula, Válium, Metal Brains, V12, Casablanca, Hardness, Merciless Death, Enforce, etc. Os discos mais significativos eram «... and Justice for All» - Metallica, «7th Son of a 7th Son» - Iron Maiden, «The New Order - Testament, « Ancient Dreams» - Candlemass ou «Kings of Metal» - Manowar. Tempos que recordo com saudade. A banda nasceu das cinzas dos Sepulcro e quando tudo apontava no sentido de um futuro promissor separam-se em 1991. A melhor promessa de todos os tempos pecou por ter aparecido demasiado cedo. Pelo gozo que me deram há cerca de 15 anos atrás.

[ 10 ]

 

APOCALYPTICA – Reflections / 2003

Com esta reflexão os finlandeses Apocalyptica apresentam-nos finalmente um disco exclusivamente composto por temas originais. Agora reduzidos a um trio de violoncelistas, contam no entanto com uma panóplia de convidados de onde se destaca naturalmente Dave Lombardo. É exactamente no domínio da percussão que este disco difere dos anteriores pois a bateria é agora um salutar complemento ao exímio manejo dos enormes instrumentos de corda. Ainda sem espaço para qualquer parte de guitarra, também quando estas tiverem lugar neste projecto a sua génese deixa de fazer sentido, temos no entanto um enorme desfilar de instrumentos como violinos, trombeta, piano ou baixo.A diversidade musical é o factor a destacar neste registo que nos oferece momentos bem pesados em contrate com outros bem mais clássicos.

[ 7 ]

 

ANTHRAX – We’ve Come for You All / 2003

Incrível mas já passaram 20 anos desde que os Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax deram o grande abanão na cena mundial! Estes últimos cedo começaram a percorrer caminhos alternativos sem nunca chegarem a ter o sucesso merecido. Estando na génese do movimento Thrash, são considerados por muitos uma das formações percursoras do fenómeno Nu / Rap Metal. Distantes da criatividade de outros tempos é com agrado que revejo os Anthrax depois de um interregno algo conturbado de 5 anos. Este é um trabalho sem complexos de uma banda com uma grande história e com excelentes músicos como o baterista Charlie Benante, o guitarrista Scott Ian e o vocalista John Bush.

[ 7.5 ]

 

ARCTURUS - The Sham Mirrors / 2002

Classificar a música dos Arcturus é uma difícil tarefa tal a originalidade patenteada. De árdua apreensão este disco é dos tais que se aprende a gostar a cada audição.
Fortemente influenciados pelo movimento Black, encontramos aqui e ali elementos étnicos de claras raízes árabes e um som progressivo e cósmico, deveras bizarro. A constante inovação e a utilização de uma parafernália de estilos lembra bandas tão dispares como Enslaved, Ram-Zet, Morgul ou Opeth. Tudo é pensado espira a espira, ou não estivéssemos na presença de excelentes músicos como Trickster Garm Rex (Ulver) ou Hellhammer (Mayhem). Avant-Garde Black Metal?

[ 9 ]

 

AVANTASIA – The Metal Opera PT.II / 2002

Era para ser uma trilogia mas resolveu-se a história em duas partes. Mais uma vez o exímio vocalista e compositor dos Edguy reúne à sua volta um número significativo de estrelas para concluir esta sua obra faraónica. Só como vocalistas, além do próprio, entre outros lá estão Michael Kiske, Kai Hansen (Gamma Ray), David DeFeis (Virgin Steele), André Matos (Shaman e ex-Angra), Sharon Den Adel (Within Temptation) e Bob Catley (Magnum). A banda de suporte comporta “gigantes” como o guitarrista Henjo Ritcher (Gamma Ray), o baixista Markus Grosskopf (Helloween) e o baterista Alex Holzwarth (Rhapsody). Como convidados ainda dão uma perna Eric Singer (Kiss), Timo Tolkki (Stratovarius) e muitos mais. Um verdadeiro manjar dos deuses para os apreciadores de Power Metal melódico.

[ 7. 5 ]

 

ARCH ENEMY - Wages of Sin / 2002

Mais conhecidos pelos músicos que integram o projecto, como Michael Amott (ex-Carcass e Spiritual Beggars), Daniel Erlandsson (ex-In Flames) ou Sharlee D'Angelo (Mercyful Fate e outros), os Arch Enemy nunca conseguiram ultrapassaram aquela barreira que separa as bandas de eleição das outras.
A novidade deste lançamento é a belíssima Angela Gossow. A alemã tortura o microfone com uma tal garra, força e categoria nunca antes alcançada por Johan Liiva. O resto é simplesmente perfeito.

[ 9. 5 ]

 

ANNIHILATOR - Waking the Fury / 2002

O grande impacto da banda do exímio guitarrista Jeff Waters resumiu-se ao álbum de estreia. A partir daí o percurso foi uma sucessão de discos pouco ou nada criativos onde apenas a categoria do citado instrumentista se revela.
Com a entrada Joe Comeau (ex. guitarrista dos Overkill), para a gravação de «Carnival Diablos», o grupo canadiano ganhou alguma força e acima de tudo uma boa voz. Enfim um rejuvenescimento furioso.


[ 7 ]

 

AMON AMARTH – Versus the World / 2002

O quarto trabalho dos Amon Amarth (nome retirado da cada vez mais mediática trilogia de J R R Tolkien) é uma obra a ter em conta. Numa linha mais agressiva quando comparado com o mais popular som de Gotemburgo, os temas de «Versus the World» são extremamente bem cadenciados graças à sua secção rítmica, a fazer lembrar por vezes uns Unleashed mais speedados. A carismática voz de Johan Hegg destaca-se pelo registo rasgado e gutural enquanto que o trabalho da dupla de guitarristas é muito intenso, principalmente ao nível dos solos onde são criados excelentes momentos melódicos. O trabalho gráfico é que tem de ser revisto :-]. A versão digipack intitulada «Viking Edition» oferece-nos como bónus, em CD separado, as duas demos e o MCD de estreia do quinteto sueco.

[ 8 ]

 

. . . AND OCEANS - Cypher / 2002

A abertura alucinante de «Fragile: Pictures of Silence: Melting the Skies» dá o mote a um dos mais perturbadores discos dos últimos tempos. «Cypher» é um disco conceptual, assente numa história de ficção e todo ele desenvolto numa postura futurista, tanto em termos sónicos, como líricos. Cada tema tem dois subtítulos, induzindo para distintos conceitos inseridos num mega-contexto. O único senão são os refrões demasiado repetitivos e básicos.
Uma grande pedrada no charco, uma bofetada electro / industrial de luva de aço.

[ 8 ]